Joy Division

FUGINDO DA REALIDADE
por: Daniel Solysko


Manchester era um lugar chato e deprimente, com filas intermináveis de conjuntos habitacionais - o lazer dividido entre comprar discos e ir ao pub, que fecha às 23h. Entre as rotas de fuga para a juventude da época estavam, além de constantes como música, drogas e moda, literatura. No final dos anos 70 um livro de bolso era vendido na Inglaterra por valores seis vezes menores que um LP.

Nesse contexto era comum ler obsessivamente, e era exatamente o que Curtis fazia, tendo entre seus escritores favoritos nomes como Jean-Paul Sartre, Dostoievsky, Nietzsche e Herman Hesse. Referências literárias abundam nas letras da banda, que citam direta ou indiretamente William Burroughs (em Interzone), Franz Kafka (Colony), Nicolai Gogol (Dead Souls) e J.G. Ballard (The Atrocity Exibithion).

Musicalmente os integrantes da banda cresceram ouvindo Bowie, Roxy Music, Lou Reed, até o punk conquistar Manchester através de shows de bandas como Sex Pistols e Clash. Especialmente marcantes na evolução da banda foram os discos da fase Berlim de Iggy Pop (seu The Idiot ambientou o suicídio de Ian Curtis) e David Bowie.

Uma das coisas mais fascinantes do período pós-punk é a quantidade de referências estéticas presentes em cada banda. Explorar o universo de um grupo a fundo era quase como freqüentar uma universidade paralela, tamanha a riqueza de detalhes. O próprio disco era visto e tratado por gravadoras como a Factory como um objeto de arte. As capas dos discos, criadas por Saville, traziam imagens simples, enigmáticas e de alto impacto, como o gráfico de pulsação de estrelas em Unknown Pleasures, as estátuas de Closer, ou ainda o monge que encara uma cadeia de montanhas enevoadas no single de "Atmosphere".

ANGÚSTIA EXISTENCIAL

Parte do fascínio e da mitologia criados em torno da figura de Ian Curtis, além da imagem do ídolo romântico que se mata aos 23 anos, se deve à angústia existencial e do niilismo presente nas letras, elementos que possuem um forte apelo universal, especialmente para quem está saindo da adolescência, o grande público em potencial das bandas de rock.

Nem sempre esses elementos são bem traduzidos em música, porém, e aí entra o grande diferencial do Joy Division: as letras não são narrativas fechadas, mas descrições abstratas de sentimentos que permitem interpretações particulares. Se a banda parece não envelhecer e o fascínio continua crescendo cada vez mais é por isso: há espaço nas letras, assim como há espaço na música. Ao contrário da maioria das bandas de rock, o som de cada instrumento é claro e distinto, e os silêncios adicionam clima e tensão.

JOY DIVISION | REMAINS (1977-1980)
Bootleg released 2001

01 | Inside the Line
02 | Gutz
03 | At a Later Date
04 | The Kill
05 | You’re No Good for Me
06 | At a Later Date (live)
07 | Leaders of Men
08 | Walked in Line
09 | Failures
10 | Novelty
11 | No Love Lost
12 | Transmission
13 | Ice Age
14 | Warsaw
15 | Shadowplay
16 | Atrocity Exhibition
17 | Something Must Break
18 | Transmission
19 | She’s Lost Control
20 | Transmission
21 | Passover (live)
22 | New Dawn Fades (live)
23 | Love Will Tear Us Apart

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NO MORE CEREMONIES
Live at the Lyceum Theatre, London 29-02-80

01 | Incubation
02 | Wilderness
03 | Twenty Four Hours
04 | The Eternal
05 | Heart And Soul
06 | Love Will Tear Us Apart
07 | Isolation
08 | Komakino
09 | She's Lost Control
10 | These Days
11 | The Atrocity Exhibition

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