Novos Baianos


“Os Novos Baianos foram um jeito novo de resolver problemas”, diz Paulinho Boca de Cantor em trecho do documentário Novos Baianos Futebol Clube, rodado em 1973 por Solano Ribeiro no Cantinho do Vovô, o sítio onde a mítica banda baiana viveu em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, no começo dos anos 1970.

Paulinho se referia à aposta contracultural que compartiu no período com os companheiros músicos e agregados: a de viver em comunidade, basicamente jogando futebol e criando música a maior parte do tempo, em pleno auge da ditadura militar. Sem quase nenhum dinheiro, mas com muito talento, Os Novos Baianos conceberam e registraram ali, entre outras belezas, Acabou Chorare, seu segundo disco, um dos maiores clássicos da música brasileira, que em 2012 completa 40 anos de idade.

E que não envelheceu nem sequer um dia, como indicaria pesquisa feita pela revista Rolling Stone Brasil em 2007 junto a 60 críticos. A bolacha, gravada em apenas quatro canais e com lendárias técnicas improvisadas – o galinheiro do sítio transformado em estúdio, Pepeu Gomes usando peças tiradas de televisores para distorcer a guitarra -, foi eleita como a número 1 entre os 100 melhores discos nacionais de todos os tempos, segundo a enquete.

De fato, mesmo diante de toda a riqueza musical que se encontra do Oiapoque ao Chuí, é difícil bater a inspiração e a energia de Acabou Chorare. Então jovens hippies vidrados no rock psicodélico pós-Jimi Hendrix, Paulinho, Pepeu, Jorginho, Baby Consuelo (depois Baby do Brasil), Galvão, Dadi, Jorginho e outros colaboradores passaram a pesquisar a fundo ritmos brasileiros ao conviver com João Gilberto, amigo e espécie de guru da turma. O nome do álbum, aliás, surgiu de uma expressão da filha do bossanovista, a futura cantora Bebel Gilberto, então uma criança.

Excelentes músicos e compositores, levaram a fusão de rock com samba, baião e choro, já experimentada antes por gente como Jorge Ben e Mutantes, a um outro nível. Dançante, intenso e alegre, praticamente irresistível.

No registro de Solano Ribeiro – que também serviu de arquivo para o recente documentário Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano , de Henrique Dantas- , a banda toca, em seu habitat natural, os principais clássicos do disco: A Menina Dança,Mistério do Planeta, Preta Pretinha… é imperdível. Inclusive pelos divertidos depoimentos dos integrantes, seus visuais espetaculares e as cenas em que jogam pelo Novos Baianos Futebol Clube (que realmente existia e até chegou a ser convidado para jogar em Recife).

Por: Daniel Setti

1972 | ACABOU CHORARE

01. Brasil Pandeiro
02. Preta Pretinha
03. Tinindo Trincando
04. Swing de Campo Grande
05. Acabou Chorare
06. Mistério do Planeta
07. A Menina Dança
08. Besta é Tu
09. Um Bilhete Pra Didi
10. Preta Pretinha (reprise)

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