Serge Gainsbourg

Filme sobre a vida de Serge Gainsbourg resgata o estilo de Brigitte Bardot e Jane Birkin

Por: Maíra Liguori

Ele era franzino, orelhudo, fumante inveterado e se autointitulava “o homem da cabeça de repolho”. Ainda assim, o cantor e compositor Serge Gainsbourg foi capaz de conquistar algumas das mulheres mais belas de sua época e protagonizou, junto com elas, a liberação sexual francesa dos anos 1970. Sua história boêmia, seus romances polêmicos e suas canções irônicas estão no filme “Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres”, do diretor Joann Sfar.

No centro da narrativa estão a atriz francesa Brigitte Bardot, com quem Gainsbourg viveu um tórrido romance em 1967, e a atriz inglesa Jane Birkin, sua principal musa e esposa por mais de 13 anos. Dois ícones de estilo, cujas contribuições à moda, à beleza e ao comportamento feminino permanecem até hoje. “Estamos falando de exemplos de mulheres que transcendem épocas e gerações. São ícones que surgem de tempos em tempos e vão diretamente ao encontro das aspirações femininas de suas épocas”, diz a consultora de moda e jornalista Erika Palomino, em entrevista ao UOL Estilo.

“Je t’aime....moi non plus”

Na primeira parte do filme, Brigitte ganha vida na pele da atriz Laetitia Casta. Vivendo romance escandaloso e proibido com o compositor, ela participa de uma das fases mais criativas de sua carreira e compõe, ao seu lado, algumas canções, entre elas “Je t'aime... moi non plus”. A música, de conteúdo considerado erótico – a letra é como um diálogo entre dois amantes -, foi lançada alguns anos depois e chegou a ser condenada pelo Vaticano e proibida nos Estados Unidos, na Itália, na Espanha e no Reino Unido.

Além de linda e ousada, Brigitte era também uma artista múltipla. Era dançarina de balé clássico desde pequena e foi modelo precoce (estampou uma capa da revista Elle com apenas 16 anos), atuou como atriz em mais de 40 filmes e lançou, entre os anos 1960 e 1970, 14 discos como intérprete e compositora. Seu corpo curvilíneo impactou os padrões estéticos da época ao evidenciar decotes ousados, saias curtas e roupas muito justas. “Bardot tinha uma sensualidade decodificável, com um forte impacto no imaginário masculino”, afirma Erika.

Brigitte Bardot popularizou o biquíni em célebres aparições em Búzios (RJ) - ela teve um namorado brasileiro - e em Saint-Tropez, na França, e provocou reações moralistas ao se casar com um minivestido com pernas à mostra. “Bardot é uma das mulheres mais sensuais que já existiram. É a representação perfeita de ‘E Deus criou a mulher’”, afirma a jornalista e apresentadora Lorena Calábria, referindo-se ao filme de 1956 estrelado pela francesa. “Suas curvas e sua boca são ícones máximos da feminilidade de todos os tempos”, conta. O lado musa de Brigitte serviu de inspiração ainda para outros artistas, como Bob Dylan, Andy Warhol, John Lennon e Stevie Wonder.

Cabelos ondulados, lábios carnudos e olhos marcados transformaram Bardot em “sex kitten”, frágil e provocante ao mesmo tempo. Para a maquiadora Vanessa Rozan, do Liceu de Maquiagem, “Brigitte Bardot é uma das principais referências de beleza de todos os tempos, ao lado de Farrah Fawcet”. “Os olhos bem pintados conferem um ar misterioso e fazem contraponto com a boca quase nude, que junto com os dentes separados davam um ar infantil. Era um jogo perfeito entre a mulher fatal e a menina ingênua”, diz ela. Cílios postiços, sombra esfumada e o penteado colmeia (com volume no topo da cabeça), sua marca registrada, são hoje clássicos da beleza.

“I love you, me neither”

Após alguns meses do fim do romance com Bardot, Jane Birkin surgiu na vida do cantor e com ele viveu um casamento turbulento de mais de 13 anos, que resultou ainda em uma filha: Charlotte Gainsbourg. Interpretada por Lucy Gordon, Jane aparece no filme como uma inglesa frágil, chorando às margens do rio Sena, mas que logo se apropria de uma postura icônica para se equiparar à imagem de Gainsbourg.

JANE BIRKIN E A HERMÈS

O estilo de Jane Birkin se concretizou como produto com a grife francesa Hermès, que criou uma bolsa com seu nome em 1980. A peça, de couro e com design elegante, se tornou um clássico da marca e pode custar até R$ 200 mil. Hoje, a Birkin, bolsa, é um dos principais símbolos de status e costuma ser vista nas mãos de celebridades como Victoria Beckham, Katie Holmes e Kim Kardashian.

Em entrevista ao jornal “New York Times”, Jane contou como a peça foi criada: “Estava em um vôo de Paris a Londres, quando a sacola de plástico que carregava se rompeu e espalhou todas as minhas coisas pelo chão. Naquele momento, pensei em voz alta como adoraria que a Hermès fizesse uma bolsa na qual pudesse guardar todas aquelas coisas. Coincidentemente, o homem que se sentava ao meu lado era Jean-Louis Dumas, o coordenador de estilo da marca. Eles já haviam lançado a bolsa Kelly, em homenagem a Grace Kelly, e então começaram a desenhar uma para mim. Fiz algumas visitas ao ateliê, discutimos os desenhos, dei sugestões, pedi bolsos maiores e ela ganhou esta forma que tem hoje”.

“Birkin tinha uma beleza sofisticada, nada vulgar. Soube explorar seu tipo físico em função do que os homens projetavam sobre seu corpo, sem jamais perder a elegância”, acredita Erika.

Se Brigitte Bardot ajudou a compor “Je t’aime.... moi non plus”, foi na voz de Jane Birkin que a música ganhou força, transformou-se em hit e chegou a ocupar as primeiras posições das listas de canções mais tocadas da Europa. Suas fotos estampam as primeiras páginas dos jornais, Jane é convidada a protagonizar com o marido editoriais de moda e se consagra como ícone de estilo - anos mais tarde seu nome vira sinônimo de uma das bolsas mais cobiçadas, a Birkin, da Hermès.


Diferente de Brigitte, sua beleza tinha um apelo natural, com mais charme e menos exuberância. “Birkin veio para mostrar que a sensualidade independe de curvas. Era longilínea, suave, linda sem pretensão. Parecia uma fada”, disse Lorena Calábria. “Fazendo um paralelo com uma personalidade atual, acho que ela se compararia a Kate Moss, que é dona de uma beleza selvagem, sem artifícios”, completou. Erika Palomino concorda com a comparação: “Kate Moss é, como Jane Birkin, uma mulher verdadeira, fiel ao seu estilo e às suas convicções. Ela já não é mais uma garotinha e ainda assim continua interessante. Consegue usar peças que podem ser consideradas até de gosto duvidoso, mas que ganham outra leitura com sua força e estilo”.

A jovem Jane Birkin tinha um estilo natural e era linda ao seu jeito, fosse descalça ou apenas com uma camiseta branca. “Ela era clean, simples, sexy quase sem querer. Maquiagem nada, um cabelo meio despenteado, com aquela franjona hit dos 1960, uma verdadeira lolita”, disse a maquiadora Vanessa Rozan. “Adoro a Charlotte Gainsbourg, que além de carregar os mesmos genes, herdou o estilo da mãe e o aprimorou”, completa.

SERGE GAINSBOURG
Les Annees Psychedeliques 1966-1971


01 | Requiem Pour Un Con
02 | Requiem Pour Un Con Bonus Beats
03 | Je Navais Qu Un Seul Mot a Lui Dire
04 | Sous Le Soleil Exactement
05 | Chanson Du Forcat
06 | Pas Mal Pas Mal Du Tout
07 | New Delire
08 | Bonnie and Clyde
09 | Premiere Blessure
10 | Danger
11 | Danger Bonus Beats
12 | Generique Pop 2
13 | Photographes Et Religieuses
14 | Boomerang
15 | Psychastenie
16 | Cadavres En Serie
17 | La Horse
18 | La Horse Bonus Beats
19 | L'Alouette
20 | Breakdown Suite
21 | No No Yes Yes
22 | En Melody

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