sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Joy Division


FUGINDO DA REALIDADE
por: Daniel Solysko


Manchester era um lugar chato e deprimente, com filas intermináveis de conjuntos habitacionais - o lazer dividido entre comprar discos e ir ao pub, que fecha às 23h. Entre as rotas de fuga para a juventude da época estavam, além de constantes como música, drogas e moda, literatura. No final dos anos 70 um livro de bolso era vendido na Inglaterra por valores seis vezes menores que um LP.

Nesse contexto era comum ler obsessivamente, e era exatamente o que Curtis fazia, tendo entre seus escritores favoritos nomes como Jean-Paul Sartre, Dostoievsky, Nietzsche e Herman Hesse. Referências literárias abundam nas letras da banda, que citam direta ou indiretamente William Burroughs (em Interzone), Franz Kafka (Colony), Nicolai Gogol (Dead Souls) e J.G. Ballard (The Atrocity Exibithion).

Musicalmente os integrantes da banda cresceram ouvindo Bowie, Roxy Music, Lou Reed, até o punk conquistar Manchester através de shows de bandas como Sex Pistols e Clash. Especialmente marcantes na evolução da banda foram os discos da fase Berlim de Iggy Pop (seu The Idiot ambientou o suicídio de Ian Curtis) e David Bowie.

Uma das coisas mais fascinantes do período pós-punk é a quantidade de referências estéticas presentes em cada banda. Explorar o universo de um grupo a fundo era quase como freqüentar uma universidade paralela, tamanha a riqueza de detalhes. O próprio disco era visto e tratado por gravadoras como a Factory como um objeto de arte. As capas dos discos, criadas por Saville, traziam imagens simples, enigmáticas e de alto impacto, como o gráfico de pulsação de estrelas em Unknown Pleasures, as estátuas de Closer, ou ainda o monge que encara uma cadeia de montanhas enevoadas no single de "Atmosphere".

ANGÚSTIA EXISTENCIAL

Parte do fascínio e da mitologia criados em torno da figura de Ian Curtis, além da imagem do ídolo romântico que se mata aos 23 anos, se deve à angústia existencial e do niilismo presente nas letras, elementos que possuem um forte apelo universal, especialmente para quem está saindo da adolescência, o grande público em potencial das bandas de rock.

Nem sempre esses elementos são bem traduzidos em música, porém, e aí entra o grande diferencial do Joy Division: as letras não são narrativas fechadas, mas descrições abstratas de sentimentos que permitem interpretações particulares. Se a banda parece não envelhecer e o fascínio continua crescendo cada vez mais é por isso: há espaço nas letras, assim como há espaço na música. Ao contrário da maioria das bandas de rock, o som de cada instrumento é claro e distinto, e os silêncios adicionam clima e tensão.


SINGLES & EP's


1978 | AN IDEAL FOR LIVING

01. Warsaw
02. No Love Lost
03. Leaders Of Men
04. Failures


1979 | ATMOSPHERE

01. Atmosphere
02. Decades


1980 | KOMAKINO

01. Komakino
02. Incubation
03. As You Said


1980 | LICHT UND BLINDHEIT

01. Atmosphere
02. Dead Souls


1980 | LOVE WILL TEAR US APART

01. Love Will Tear Us Apart
02. These Days
03. Love Will Tear Us Apart


1980 | SHE'S LOST CONTROL-ATMOSPHERE

01. She's Lost Control
02. Atmosphere


1980 | TRANSMISSION

01. Novelty
02. Transmission


1988 | ATMOSPHERE

01. Atmosphere
02. The Only Mistake
03. Sound Music
04. Transmission (Live At The Factory, Hulme, Manchester)


1988 | ATMOSPHERE (CD's)

01. Atmosphere
02. Transmission (Live At The Factory, Hulme, Manchester)
03. Love Will Tear Us Apart


1988 | THE PEEL SESSIONS

01. Exercise One
02. Insight
03. She's Lost Control
04. Transmission


1995 | LOVE WILL TEAR US APART

01. Love Will Tear Us Apart (Radio Version)
02. Love Will Tear Us Apart (Original Version)
03. Love Will Tear Us Apart (Arthur Baker Remix)
04. Atmosphere (Original Hannet 12)
05. These Days
06. Transmission


2007 | LOVE WILL TEAR US APART

01. Love Will Tear Us Apart (Original Version)
02. Love Will Tear Us Apart (Radio Version)
03. Atmosphere


2009 | LOVE WILL TEAR US APART

A1. Love Will Tear Us Apart
B1. Transmission

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