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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

George Harrison


Semanas antes de morrer, em 2001, George Harrison recebe na Suíça a visita de Ringo Starr. O baterista relembra, em um depoimento em George Harrison - Living in the Material World, que precisava logo em seguida viajar para Boston, onde sua filha também combatia um câncer. E George diz: "Quer que eu vá com você?".

Para Ringo, essa frase era a cara do guitarrista, mas há muitas outras. Ao longo das três horas e meia do documentário de Martin Scorsese, divididas em duas partes, personalidades também pinçam frases que ajudam a definir o "Beatle quieto", mas o fato é que George Harrison não se deixa biografar facilmente. Introvertido, exige uma aproximação como esta do filme, que vai juntando impressões - tanto nos pequenos momentos quanto nos grandes eventos - para tentar entender o que o movia.

O maior evento, obviamente, é a beatlemania, a quem Scorsese dedica um bom pedaço da Parte 1. Poucos minutos separam, no filme, o instante em que para George a banda ainda era só uma banda ("Esses somos nós, não há produto") e a constatação de uma persona pública ("Você olha e não reconhece essa pessoa que aparece nos jornais"). A partir do momento em que George se aproxima de Ravi Shankar e Maharishi e assume um protagonismo nas questões espirituais dentro dos Beatles, o documentário pega carona - e o tema da consciência que "vive no mundo material" passa a ditar o filme.

O melhor momento desse início é a cena em que George e John Lennon estão em um debate na TV sobre meditação. A câmera está em Lennon, e de repente o "Beatle quieto" o interrompe e atravessa a resposta. Muitos entrevistados ao longo do filme mencionam a variação de humor de George, que podia ser acolhedor ou brutalmente franco em minutos, e nessa cena o lado sanguíneo do guitarrista fica evidente. Chama os descrentes de ignorantes. Ainda é um George jovem, pré-1970, e notamos em seu rosto uma irritabilidade que, no universo visual vastamente registrado e documentado da banda, não se percebia com frequência.

Se depois dessa cena George Harrison - Living in the Material World deixa a desejar em termos de conflitos (o próprio jardim da casa onde ele dá entrevistas é pensado para transmitir paz) é porque o guitarrista era, acima de tudo, um conciliador. Fazia a ponte entre os ânimos de Lennon e Paul McCartney e, com o fim da banda, nunca deixou de se cercar de gente (os indianos, os krishnas, os motoqueiros, Monty Python, Thames Valley Gang, Traveling Wilburys). O que não deixa de ser uma curiosidade: o introvertido que se isolou do mundo em uma mansão no campo, que se encontrou na meditação, não vivia sem amigos.

Outro aparente paradoxo: George pregava o desprendimento do "mundo material", mas é bastante volumoso o material de filmagens caseiras das turnês solo e do beatle e sua família. (Não compreendemos o biografado plenamente, mas registros de arquivo de sua imagem não faltam.) Para uma pessoa que perdeu a privacidade tão cedo e tão rapidamente, e que valoriza a interiorização, George parece bem confortável com a exposição - câmeras o pegam fazendo gargarejo, entrando no banho.

Até mesmo quando foge com sua esposa para Fiji nas ferias de verão, depois da tentativa de homicídio que sofreu em 1999, George leva uma câmera portátil. É uma pessoa que aprendeu a exercitar o desapego (Eric Clapton discute abertamente no filme o episódio em que tirou a mulher do beatle) mas, ao mesmo tempo, tem sempre uma noção de legado. É como se, quando morresse, não planejasse deixar nada no mundo material, com exceção da sua imagem. Se isso não é ser uma celebridade, no sentido mais puro do termo, então não sei o que é.

Em Fiji, porém, George não filma a si mesmo. A sua câmera mostra o movimento das ondas aos seus pés na praia, e vemos apenas a sombra do beatle, sua silhueta. No fim das contas é isso que Scorsese consegue capturar de George Harrison: sua presença no mundo. Enigmática e incompleta como toda presença que escapa de proporção, mas ainda assim uma presença possível de sentir.

Texto | Marcelo Hessel

1973 | LIVING IN THE MATERIAL WORLD

01. Give Me Love (Give Me Peace on Earth)
02. Sue Me, Sue You Blues
03. The Light That Has Lighted the World
04. Don’t Let Me Wait Too Long
05. Who Can See It
06. Living In the Material World
07. The Lord Loves the One (That Love the Lord)
08. Be Here Now
09. Try Some Buy Some
10. The Day the World Gets’ Round
11. That Is All
Bonus Tracks
12. Deep Blue
13. Miss O'Dell

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2011 | | LIVING IN THE MATERIAL WORLD
The Complete Soundtrack


01. George Harrison | All Things Must Pass
02. George Formby | Count Your Blessings and Smile
03. Bill Justis & Orchestra | Raunchy
04. George Harrison The Light That Has Lighted the World
05. The Beatles | Wildcat
06. The Beatles | Nothin' Shakin' (But the Leaves on the Trees)
07. George Harrison | Beware of Darkness
08. The Beatles | I Wish I Could Shimmy Like My Sister Kate
09. The Beatles | Roll Over Beethoven
10. The Beatles | A Taste of Honey
11. The Beatles | This Boy
12. The Beatles | I Saw Her Standing There
13. The Beatles | You Can't Do That
14. The Beatles | Money (That's What I Want)
15. The Beatles | Blue Jay Way
16. The Beatles | And I Love Her
17. The Beatles | Don't Bother Me
18. The Yardbirds | A Certain Girl
19. The Beatles | If I Needed Someone
20. Ravi Shankar & George Harrison | Prabhujee
21. Ravi Shankar | Dhun (Dadra and Fast Teental)
22. The Beatles | Love You To
23. The Beatles | Strawberry Fields Forever
24. The Beatles | Within You Without You
25. The Beatles | The Inner Light
26. The Beatles | Savoy Truffle
27. George Harrison | Ski-Ing
28. George Harrison | Party Seacombe
29. The Beatles | Revolution #9
30. The Beatles | Yer Blues
31. The Beatles | While My Guitar Gently Weeps
32. The Beatles | Something
33. The Beatles | Here Comes the Sun
34. George Harrison | What is Life
35. George Harrison | Hare Krishna Mantra
36. George Harrison | Wah
37. George Harrison | Awaiting On You All
38. George Harrison | My Sweet Lord
39. George Harrison | Isn't It a Pity
40. Ravi Shankar | Bangla Dhun
41. George Harrison | Give Me Love (Give Me Peace on Earth)
42. George Harrison | Dark Horse
43. George Harrison | I'd Have You Anytime
44. George Harrison | Run of the Mill
45. George Harrison | Let It Be Me
46. John Lennon | Give Peace a Chance
47. George Harrison | Between the Devil and the Deep Blue Sea
48. Ringo Starr | I'll Be Fine Anywhere
49. Johnny Cash | Riders In The Sky (A Cowboy Legend)
50. The Traveling Wilburys | Handle With Care
51. The Traveling Wilburys | Margarita
52. The Traveling Wilburys | Dirty World
53. George Harrison | Mawra Blues
54. George Harrison | Brainwashed
55. Tiny Tim | Tip-Toe Thru The Tulips With Me
56. The Beatles | Long, Long, Long
57. George Harrison | Living In The Material World (Bonus track)
58. George Harrison | Isn't It A Pity (Version Two) (Bonus track)
59. George Harrison | Behind That Locked Door (Bonus track)
60. George Harrison | I've Got My Mind Set on You (Bonus track)

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2011 | EARLY TAKES VOLUME 1

01. My Sweet Lord (Demo)
02. Run Of The Mill (Demo)
03. I'd Have You Anytime (Early Take)
04. Mama, You've Been On My Mind (Demo)
05. Let It Be Me (Demo)
06. Woman Don't You Cry For Me (Early Take)
07. Awaiting On You All (Early Take)
08. Behind That Locked Door (Demo)
09. All Things Must Pass (Demo)
10. The Light That Has Lighted The World (Demo)

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

George Harrison | All Things Must Pass


All Things Must Pass, primeiro álbum solo de George Harrison, e o primeiro após a separação da sua antiga banda. Foi também o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Lançado em 1970, o álbum é considerado por muitos críticos de música como o melhor trabalho solo de George Harrison e um dos melhores trabalhos solo de um ex-beatle.

A maioria das músicas foram escritas ainda na época dos Beatles, porém, acabaram não sendo aproveitadas. Chegou ao primeiro lugar nas paradas nos EUA e continha a música "My Sweet Lord", que também chegaria ao topo das paradas. Além desta, "What's Life" chegou ao 10º lugar. Continha ainda "I'd Had You Anytime" (composta com Bob Dylan), "Isn't a Pitty", "Wah-Wah" e a faixa título se destacam.

George Harrison tinha várias canções escritas que ele não havia conseguido colocar nos álbuns dos Beatles, considerando que elas disputavam espaço com as composições de Lennon e McCartney. George guardou as canções e, com o fim dos Beatles em 1970, acabou lançando-as em sua carreira solo.

Gravado entre maio e setembro de 1970, George convidou grandes amigos para participarem do álbum, entre eles Eric Clapton, o ex-beatle Ringo Starr, Bob Dylan, Billy Preston, Peter Frampton, membros da banda Badfinger e Phil Collins. O álbum foi lançado no mês de novembro.

O single principal de All Things Must Pass foi "My Sweet Lord", que se converteu logo em um grande êxito, alcançando o primeiro posto das paradas de sucesso a nível mundial e perdendo uma posterior pedido por suposto plágio da canção "He's So Fine" do grupo The Chiffons. Um juiz alegou que Harrison havia plagiado de forma não intencional a primeira canção, o que deu a George o argumento para escrever uma canção chamada "This Song" gozando do processo judicial. O álbum alcançou o quarto posto nas paradas britânicas e passou sete semanas em primeiro lugar nas norte-americanas, ganhando seis álbuns de platina. Em 2001, foi lançada uma edição remasterizada do álbum contendo uma nova versão para "My Sweet Lord".

1970 | ALL THINGS MUST PASS

CD 1
01. I'd Have You Anytime
02. My Sweet Lord
03. Wah-Wah
04. Isn't It A Pity (Version 1)
05. What Is Life
06. If Not For You
07. Behind That Locked Door
08. Let It Down
09. Run Of The Mill
10. I Live For you
11. Beware Of Darkness
12. Let It down
13. What Is Life
14. My Sweet Lord (New Version)

CD 2
01. Beware Of Darkness
02. Apple Scruffs
03. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll)
04. Awaiting On You All
05. All Things Must Pass
06. I Dig Love
07. Art Of Dying
08. Isn't It A Pity (Version 2)
09. Hear Me Lord
10. It's Johnny's Birthday
11. Plug Me In
12. I Remember Jeep
13. Thanks For The Pepperoni
14. Out Of The Blue

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