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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Lynyrd Skynyrd


"O rock do Sul é um rótulo falso, uma coisa para vender revista.
A gente não toca como os Allmans..."
Ronnie Van Zant, 1977


Em 1973, o Lynyrd Skynyrd surgiu dos pântanos da Flórida como se fosse um filho indesejado do novo Sul dos Estados Unidos, uma cultura ao mesmo tempo arependida e desafiadora de sua herança maculada. Quando gravou seu álbum de estréia, o Skynyrd já estava afiado no som ágil, embalado por frango frito dos bares e espeluncas de Dixieland, juntando, pelo caminho, um trio de guitarras ferozes, para complementar uma seção rítmica bem-ajustada e avoz poderosa de Ronnie Van Zant. O mais importante, porém, neste álbum - e para as incontáveis bandas que se inspiraram nele - eram as ambigüidades que diferenciavam o grupo. Os integrantes da banda pareciam confederados truculentos, mas sua música tinha o toque dos imigrantes negros. Pronounced... exibia e também desafiava os estereótipos dos sulistas e a banda se tornou a primeira manifestação verdadeira do rock do Sul.

Com um pouco de blues, um pouco de country e um pouco de The who, o disco mostra o melhor dos riffs do rock na bombástica música de abertura, I Ain't The One, e na advertência de Poison Whiskey. Se os rivais Allman Brothers tinham se aventurado pelo jazz num estilo hippie, o Skynyrd apresentava o mesmo virtuosismo, mas ancorado no blues. A acústica Mississipi Kid é um boogie do Delta e Things Goin' On soa familiar, como se fosse tocada no bar vizinho.

E há Freebird, um fecho de tirar o fôlego, que transformou a banda em celebridade e colocou o álbum nas paradas. Meditativa, frágil, rica e comovente, essa música é uma lição de rock em nove minutos, incluindo uma divertida explosão de guitarra raramente vista até então, e mesmo desde então.

Do livro: 1001 discos para ouvir antes de morrer

1973 | PRONOUNCED LEH-NERD SKIN-NERD

01. I Ain’t The One
02. Tuesday’s Gone
03. Gimme Three Steps
04. Simple Man
05. Things Goin’ On
06. Mississippi Kid
07. Poison Whiskey
08. Freebird
Bonus Tracks
09. Mr. Banker
10. Down South Jukin'
11. Tuesday's Gone
12. Gimme Three Steps
13. Free Bird

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Crosby, Stills, Nash & Young | Déjà vu


"A gente achava que podia mudar o mundo."
Graham Nash, 2002


Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Para seu segundo álbum, David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash chamaram o amigo Neil Young, discípulo do Buffalo Springfield, que tinha acabado de lançar After The Gold Rush, um de seus trabalhos mais importantes.

Foram quase 800 horas de gravação, em circunstâncias nada auspiciosas. A namorada de Crosby, tinha morrido num acidente de carro em setembro de 1969 - e ele não se recuperou, buscando consolo na heroína. Bebidas e cocaína abundavam no estúdio; o grupo brigava o tempo inteiro - o bem-humorado Young vivia ausente - e Nash foi forçado a assumir o papel de pacificador. De algum jeito, eles acabaram fazendo uma obra-prima que captou o espírito da cultura da Costa Oeste dos Estados Unidos no início dos anos 70.

"Carry On" - como "Suite: Judy Blues", do álbum de estréia do CSN, em 1969 - é uma maravilha camaleônica, com harmonias arrepiantes, uma das melhores músicas já feitas para curar a ressaca na manhã de domingo. "Our House" e "Teach Your Children" comprovam o dom de Nash para fazer melodias simples e cativantes. "Almost Cut My Hair" traz Crosby em sua luta contra o autoritarismo, com sua voz gutural em contraponto às harmonias vocais puras, características do grupo. A majestosa "Helpless" é a homenagem de Young aos amplos espaços abertos de seu Canadá natal, enquanto "Country Girl" é uma peça admirável, com arranjos ambiciosos.

Com seus vocais incomparáveis, sua dinâmica musicalidade e a perfeita carpintaria das canções, não é de admirar que o álbum tenha sido catapultado ao primeiro lugar nos Estados Unidos.

1970 | DÉJÀ VU

01. Carry On
02. Teach Your Children
03. Almost Cut My Hair
04. Helpless
05. Woodstock
06. Deja Vu
07. Our House
08. 4 + 20
09. Country Girl
a. Whiskey Boot Hill
b. Down, Down, Down
c. Country Girl (I Think You’re Pretty)
10. Everybody I Love You

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quarta-feira, 25 de março de 2015

Supertramp | Crime Of The Century


Terceiro álbum do Supertramp levou-os a uma condição de protagonistas do rock progressivo

Por | Bruno Chair

Nos primeiros anos da década de 70, o rock progressivo vivia o seu período de auge. Citando apenas bandas inglesas, temos o Pink Floyd em 1973 lançando The Dark Side of the Moon, o Yes em 1972 com Close to the Edge, o Genesis em 1973 com Selling England by the Pound. Temos outros álbuns dessas bandas, que fizeram tanto sucesso quanto estes. Temos outras bandas da cena inglesa como Emerson, Lake and Palmer, Gentle Giant, King Crimson. Temos uma cena de rock progressivo na Holanda, na Alemanha, na Itália, até no Brasil.

O Supertramp, inserido neste contexto do rock progressivo inglês, demorou um pouco mais para emplacar. Os dois primeiros álbuns da banda, Supertramp (1970) e Indelibly Stamped (1971) embora apresentem algumas músicas bonitas, como “Surely” e “Rosie Had Everything Planned”, não alcançou uma coesão musical, e por conta dessa falta de um estilo específico acabou não emplacando. A impressão que fica é que está faltando algo a mais, para encaixar aquilo que já parecia ser muito bom.

Acontece que esse início de dois álbuns um tanto complicado do Supertramp repercutiu financeiramente: Stanley Miesagaes, holandês que patrocinava talentos como Rick Davies, decidiu cair fora e retirar toda a sua grana. O resultado foi que Rick Davies e Roger Hodgson, integrantes remanescentes da banda, ficaram com uma dívida milionária para saldar com a gravadora A&M, com quem possuíam contrato. Após servirem até como banda de apoio para Chuck Berry, decidiram retomar o projeto de um novo álbum, para garantir o pagamento das despesas e, quem sabe, respirar um pouco – tanto financeiramente quanto musicalmente.

Com o intento de gravar o novo álbum, Davies e Hodgson começaram a busca por novos integrantes. Assim, foram incorporados ao Supertramp Dougie Thompson (baixo), Bob C. Benberg (bateria) e John Anthony Helliwell (saxofone, clarinete). O Supertramp ressurgia então, após dois anos, para tentar novamente alcançar sucesso, como algumas bandas conterrâneas. Essa formação, por sinal, seguiu junta por muitos e muitos anos, tendo inclusive Helliwell um papel central na banda: além de tocar sax e clarinete, fazia backing vocals e era o mestre de cerimônias oficial da banda.

Davies e Hodgson, ainda à frente da banda, escreveram todas as canções de Crime of the Century. Interessante ressaltar como estes dois cantores complementam-se, tanto no que tange a voz quanto as referências musicais. Rick Davies vem de uma família de trabalhadores, mais simples; Roger Hodgson é proveniente de uma família mais “erudita” (muitas aspas aqui, por favor). Enquanto Rick Davies conhecia muito jazz e blues, Roger Hodgson apreciava o pop e a psicodelia. Ou seja, as referências dos dois de mundo e de música era bem distinta. Ademais, enquanto Davies é barítono, Hodgson é soprano. Essa diferença vocal é bastante perceptível, e os dois integrantes souberam utilizar essa distinção com propriedade, genialidade.


Pois bem. A demo chegou a gravadora, e como o trabalho parecia muito bom, a A&M decidiu dar um tempo mais longo para que a banda produzisse o álbum. Ken Scott foi escalado para produzir Crime of the Century, e vinha de um trabalho de produção excelente com David Bowie e o Ziggy Stardust, álbum de 1972. Paul Wakefield ficou responsável pela capa do álbum, e criou uma das artes mais sensacionais já produzidas, com aquelas mãos empunhando uma barra de ferro: preso no espaço, um grande contrassenso que um crime do século acaba ocasionando.

O resultado de Crime of the Century foi extremamente positivo, tanto em qualidade musical quanto em resultado financeiro e reconhecimento do Supertramp como banda do cenário progressivo. O álbum emplacou canções nas paradas inglesas (“Dreamer”) e americanas (“Bloody Well Right”), teve uma vendagem razoável para a época e recebeu críticas muito elogiosas, tanto do cenário rock, pop e do rock progressivo. É um álbum que apresenta um Supertramp como banda de rock progressivo, porque possui músicas com influências de jazz, blues, rock, psicodelia e experimentalismo.

Dos álbuns mais conhecidos do Supertramp, é o mais complexo. A incrementação dos metais deu um toque todo especial à banda, algo que a diferenciou das demais da época. A dicotomia de vozes Davies/Hodgson também surpreeende. O uso de teclado/sintetizador versus piano, idem. A gravação das linhas de baixo de Dougie Thomson neste álbum ficaram excelentes. Como outra marca deste disco, está o tom mais sombrio das músicas, se compararmos ao produzido posteriormente pela banda. Em Crisis? What Crisis? ainda há este elemento sombrio e contestatório, que vai perdendo espaço para um ambiente mais festivo e pop. Não desmerecendo a mudança da banda, é óbvio.

Este álbum passa no teste do tempo? Embora o rock progressivo seja um estilo bastante datado, muitos dos álbuns produzidos na década tornaram-se imortais. Os álbuns do Pink Floyd, Yes e Genesis citados no primeiro parágrafo da resenha são alguns dos exemplos. Pode-se dizer que este é o álbum imortal do Supertramp, pela sua qualidade e como registro do espírito do tempo. Por estes motivos, as mãos presas pelo espaço ainda podem acenar para os ouvintes da boa música, solicitando dele ouvidos e olhos atentos.

1974 | CRIME OF THE CENTURY

01. School
02. Bloody Well Right
03. Hide In Your Shell
04. Asylum
05. Dreamer
06. Rudy
07. If Everyone Was Listening
08. Crime of the Century

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terça-feira, 3 de março de 2015

R.E.M.

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Um frenesi de cobertura da mídia em relação às condições climáticas fez com que meados de 1988 passassem a ser apelidados de "greenhouse summer" (verão estufa). Em novembro do mesmo ano, o R.E.M. lançou seu sexto álbum de estúdio. O seu título demonstrava as novas preocupações sociais da esquerda liberal e a música elevou este quarteto a um nível de sucesso capaz de lotar estádios. E apesar de todos os acordes e refrões energéticos, o hábil bandolim de Peter Buck ainda pode ser ouvido em três notáveis baladas.

A mensagem de Green fica evidente logo na capa, onde folhagem, anési de árvore e postes telegráficos competem entre si. O fundo é manchado de laranja - uma referência ao agente químico Agent Orange usado pelas forças dos EUA no Vietnã para arrasar um terço da cobertura florestal daquele país. A referência continua na música "Orange Crush".

As preocupações ecológicas também estão presentes no misterioso "I Remember California". É uma visão estranha da costa ocidental que menciona carcajus, submarinos Trident e engarrafamentos de trânsito antes de fechar com os versos um pouco herméticos: "At the end of the continent / At the edge of the continent". Em seguida vem o single "Stand", com seu verso melancólico, "If wishes were trees, the trees would be falling".

Ainda que a turnê seguinte do R.E.M. tenha promovido o Greenpeace e a Anistia Internacional, Green não é um manifesto político em forma de rock. Em "World Leader Pretend" as preocupações de Stipe são expressas na primeira pessoa e "Turn You Inside Out" fala de seus embates com os dilemas da fama.

"O R.E.M. é a melhor banda do mundo?" - perguntou Andy Gill, fazendo uma resenha deste álbum na revista Q. Ele decidiu que sim, e milhões de pessoas concordaram.

1988 | GREEN

01. Pop Song 89
02. Get Up
03. You Are Everything
04. Stand
05. World Leader Pretend
06. The Wrong Child
07. Orange Crush
08. Turn You Inside Out
09. Hairshirt
10. I Remember California
11. Untitled

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domingo, 1 de dezembro de 2013

Marvin Gaye


Marvin Gaye era a gema da Motown: carismático, boa-pinta e excelente cantor e compositor (ele é quem criou a genial e contagiante Dancing In The Street, clássico da Martha Reeves And The Vandellas, por exemplo). Não era a toa que ele era chamado de simeplesmente o Príncipe do Soul. No famoso selo de Detroit, ele emplacou dezenas de sucessos memoráveis pelos anos 60 afora, como I Heard It Trough The Grapevine , Hitch Hike, Pride And Joy, Your Precious Love, How Sweet It Is (To Be Loved by You), Ain't That Peculiar.

O auge foi o duo que ele criou com a bela Tammi Terrell: Ain’t No Mountain High se tornaria um dos maiores êxitos de odos os tempos pela Motown. A parceria, no entasnto, terminou de forma patética e trágica. Diagnosticada com tumor no cérebro, Tammi morreria meses depois, com apenas 24 anos. Seu passamento significou o fim do episódio 1 da carreira de Gaye. Arrasado, ele ficou mais de dois anos longe do disco e dos palcos. Ao mesmo tempo, decidiu repensar a vida. Não queria mais cantar músicas românticas. Para ele, o mundo estava de cabeça para baixo, e ele precisava fazer alguma coisa. Escreveu um punhado de canções, que retratavam o seu ponto-de-vista perante problemas na sociedade, como abuso de drogas, racismo, violência policial e a Guerra do Vietnã.

Inicialmente, ele queria gravá-las coma colaboração de Al Cleveland e Renaldo Banson, dos Four Tops. Eles sugeriram que Marvin as gravasse ele mesmo. No fim, teria que tomar uma decisão corajosa e defender com unhas e dentes What's Going On. Não era um álbum de canções pop, mas sim um disco com letras de protesto. Barry Gordy Jr, o todo-poderoso manda-chuva da Motown, não gostou nada da idéia. Achou que era ousadia demais abordar essa temática, ainda mais, num disco da Tamla. Gaye bateu pé: queria gravar What’s Going On, e ponto final. Ambos ficaram num impasse, até que o cantor deu o ultimato ou Gordy, que naturalmente queria um disco na velha fórmula de sucessos da Motown. Ou ele aprovava o projeto ou ele pediria demissão. Gordy, por sua vez, teve que engolir o seu preclaro artista principal. Por mais desastroso que fosse permitir o disco, ele não podia perder Gaye para a concorrência.

Contudo, o que mais chateou o dono da Motown foi o fato de que o disco não tinha, em sua opinião, nenhuma viabilidade comercial e, que diabos, não iria tocar em nenhuma rádio, de jeito nenhum. Todas as músicas eram um ciclo de nove partes, que contam uma história contínua — mais ou menos como no famoso (!) álbum conceitual Watertown, de Frank Sinatra. Nesse caso, por melhor que seja, ele se tornaria o melhor disco do The Voice menos ouvido da história. Gordy achava que se What’s Going On não encalhasse, reria mais por causa de Gaye que das faixas em si.

Para sorte e azar de Gordy, ele se enganou redondamente (não seria a primeira vez: por exemplo, se dependesse do seu aval, Marvin e Tammi jamais teriam gravado a adorável Ain’t No Mountain High) e provou a máxima de que você “não precisa de metereologista para saber qual é a direção do vento” A faixa que dá no me ao álbum, por exemplo, lançda como compacto (contra as ordens de Gordy, novamente) foi o maior sucesso de Marvin desde I Heard It Trough The Grapevine, vendendo quase três milhões de cópias.

1971 WHAT'S GOING ON

01. What's Going On
02. What's Happening Brother
03. Flyin' High (In The Friendly Sky)
04. Save The Children
05. God Is Love
06. Mercy Mercy Me (The Ecology)
07. Right On
08. Wholy Holy
09. Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)

Bônus Tracks:
10. God Is Love (B-side)
11. Sad Tomorrows (B-side)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Milton Nascimento & Lô Borges


Se Clube da Esquina fosse apenas a resposta brasileira à Sgt. Pepper..., já se destacaria como uma importante contribuição ao pop internacional. Mas esta magnífica coleção de canções, lançada originalmente como um álbum duplo, também transformou Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta em artistas de sucesso pelo seu próprio talento.

Embora Milton Nascimento - um cantor carismático com um falsete puro e cheio de espiritualidade - seja o centro de gravidade do álbum, ele ainda não era uma grande estrela, e Clube da Esquina é muito mais um trabalho de grupo, co-creditado também a Lô Borges. O disco mistura sons oníricos, letras surrealista se uma ampla variedade de influências sul-americanas. É um marco da música popular que abriu as portas da criação para outros artistas.

O Clube da Esquina era um grupo de amigos de Belo Horizonte-MG. Eles passaram seis meses, em 1971, numa casa alugada na Praia de Piratininga, em Niterói-RJ, compondo e compartilhando seu amor pelos Beatles. De volta ao estúdio, a música ganhou uma grandiosidade suntuosa com a orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso. O álbum contém uma série de clássicos, como "Cravo e Canela" e "Nada Será Como Antes". A influência dos Beatles é particularmente forte no "rock mineiro" de Lô Borges, em faixas como "O Trem Azul" e "Nuvem Cigana", músicas delicadas, cheias de encanto e sutilezas.

1972 | CLUBE DA ESQUINA

Disco 1:

01. Tudo Que Você Podia Ser
02. Cais
03. O Trem Azul
04. Saídas e Bandeiras nº 1
05. Nuvem Cigana
06. Cravo e Canela
07. Dos Cruces
08. Um Girassol da Cor de Seu Cabelo
09. San Vicente
10. Estrelas
11. Clube da Esquina nº 2

Disco 2:

01. Paisagem na Janela
02. Me Deixa em Paz
03. Os Povos
04. Saídas e Bandeiras nº 2
05. Um Gosto de Sol
06. Pelo Amor de Deus
07. Lilia
08. Trem de Doido
09. Nada Será Como Antes
10. Ao Que Vai Nascer

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

The Cult


Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Texto: Joel Mclver


Este é um disco preciso, sem ornamentações, cheio de riffs tirados das prateleiras onde estavam os nomes Jimmy Page e Angus Young. Electic é o som do The Cult depois de abandonar suas raízes góticas e indies e fazer uma memorável tentativa de atingir um público capaz de lotar estádios. Sob o controle firme do extraordinário headbanger Rick Rubin, a audaciosa virada da banda foi um sucesso em todos os sentidos, elevando o cantor Ian Astbury, o guitarrista Billy Duffy, o baixista Jamie Stewart e o baterista Les Warner ao ápice de suas carreiras. Os jovens dos subúrbios britânicos ouviram Electric e descobriram que o rck com atitude não era privilégio dos americanos.

Ainda que as principais carcterísticas de Electric - Astbury deformando "Yee-aah!", os riffs cortantes de Duffy e a capa escandalosa (uma homenagem às capas dos LPs do Grateful Dead criadas por Rick Griffin' nos anos 60) - possam parecer ultrapassadas hoje, o álbum ainda se mantém de pé graças à sua formidável lista de singles. "Lil' Devil" baseava-se num riff contagiante, enquanto "Love Removal Machine" é o som da cena independente deixando crescer seu cabelo e roubando uma guitarra Les Paul. "Aphrodisiac Jacket" representa o lado mais indie da banda. Musicalmente Duffy, o compositor principal, estava conseguindo "cometer o crime perfeito", tendo baseado as duas músicas numa progressão de acordes trivial, ré/dó/sol, como tinha feito no álbum anterior com "Rain" e "She Sells Sanctuary".

"Deixem de lado a cena musical independente inglesa e vamos fazer rock!" - disse Rubin na época. Embora esse grito de guerra em particular tenha sido abusado a ponto de se tornar uma paródia, no caso deste álbum foi totalmente adequado.

1987 - THE CULT - ELECTRIC

01. Wild Flower
02. Peace Dog
03. Lil' Devil
04. Aphrodisiac Jacket
05. Electric Ocean
06. Bad Fun
07. King Contrary Man
08. Love Removal Machine
09. Born to Be Wild" (Mars Bonfire)
10. Outlaw
11. Memphis Hipshake

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

The Beach Boys

PET SOUNDS

"Eu realmente não estava completamente pronto para a unidade. Parecia que todas (as músicas) eram juntas. Rubber Soul era uma coleção de canções que de alguma forma eram juntas como nenhum álbum já feito antes, e fiquei muito impressionado. Eu disse, ‘É isso. Eu realmente sou desafiado a fazer um grande álbum."
Brian Wilson


Pet Sounds é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda de rock americana The Beach Boys, lançado 16 de maio de 1966 pela Capitol Records.

Tem sido amplamente classificado como um dos mais influentes discos já lançados na música pop ocidental e foi classificado número # 1 em várias listas de maiores álbuns de todos os tempos em revistas de música, incluindo a New Musical Express, The Times e revista Mojo. Em 2003, foi classificado # 2 na lista 500 Greatest Albums of All Time, da revista Rolling Stone.

Pet Sounds foi criado vários meses após Brian Wilson ter parado de excursionar com a banda a fim de concentrar sua atenção na escrita e gravação. Nesse trabalho, ele teceu camadas elaboradas de harmonias vocais, juntamente com efeitos de som e instrumentos não-convencionais, como sinos de bicicleta, órgãos, cravos, flautas, teremim, e apitos para cães, junto com instrumentos mais usuais como teclados e guitarras. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Pode-se considerar que este seja o primeiro álbum do art rock, ou seja, rock em forma de arte no sentido adjetivo da palavra. Os principais alicerces para este album são encontrados nos albuns anteriores de 1965, The Beach Boys Today! e Summer Days (and Summer Nights!).

Continue lendo: AQUI

1966 | PET SOUNDS

01 | Wouldn't It Be Nice
02 | You Still Believe in Me
03 | That's Not Me
04 | Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder)
05 | I'm Waiting for the Day
06 | Let's Go Away for Awhile
07 | Sloop John B
08 | God Only Knows
09 | I Know There's an Answer
10 | Here Today
11 | I Just Wasn't Made for These Times
12 | Pet Sounds
13 | Caroline No

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The Allman Brothers Band


The Allman Brothers Band talvez seja a banda de maior talento em capacidade de improvisação do rock de todos os tempos, e também a mais propensa a desgraceiras e roubadas, carregando uma maldição ancestral, onde mortes violentas, overdoses, traições e muita barra pesada se misturam com solos de guitarra inesquecíveis e intermináveis improvisos, sem lugar para a mínima encheção de lingüiça ou enrolação.

Duanne Allman e seu irmão caçula Gregg nasceram em Nashville, no fim dos anos 40 e começaram a sina desgracenta com a morte de seu Pai dando uma carona prum sujeito em 49. Com sólida formação musical os irmãos se criaram ouvindo muito jazz, o que explica muita coisa, com Duanne se entupindo de Kenny Burrel, Django Reinhardt, Coltrane etc... e Greeg ouvindo muito Jimmy Smith, tudo isso misturado com muito blues tradicional tipo BBKing, Muddy Waters, Howlin Wolf e toda aquela gama de sujeitos que faz a gente sofrer como se estivesse num campo de algodão ao ouvi-los.

Chegaram a gravar como Allman Joys alguns covers do Cream e dos Yardbyrds, e depois como Hourglass gravaram dois lps de pouco sucesso. Depois disso Gregg foi pra Califórnia e Duanne se tornou um dos músicos de estúdio mais famosos e requisitados colocando sua guitarra a serviço de astros do soul como Wilson Pickett e Aretha Franklin, ganhando uma reputação enorme como um dos mais criativos músicos de sua época. Numa dessas sessões de gravação com o magistral saxofonista de soul jazz King Curtis, conheceu o percursionista Jaimoe e o baixista virtuose Berry Oakley, formando um trio a lá Cream que, com a soma da guitarra de Dick Betts e a segunda bateria de Butch Trucks, viria a ser a base da banda.

Depois de muita insistência, os executivos da gravadora aceitaram o óbvio, ou seja, a entrada da alma blues na voz e no órgão Hammond de Gregg, e estava pronta a banda que criou uma identidade sonora pro rock sulista com muita improvisação com qualidade, uma forte base de jazz e blues, e gravaram entre outros clássicos o melhor álbum ao vivo de rock de todos os tempos: "Live at Fillmore East".

Texto: Whiplash
1971 - AT FILLMORE EAST

01. Statesboro Blues
02. Done Somebody Wrong
03. Stormy Monday
04. You Don't Love Me
05. Hot 'Lanta
06. In Memory Of Elizabeth Reed
07. Whipping Post

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Kraftwerk


Texto: Priscilla Santos


Autobahn é o nome do disco lançado em 1974 pelo grupo alemão Kraftwerk, na época sob a liderança de Florian Schneider-Esleben e Ralf Hütter. Seria conhecido como a obra que colocaria os rapazes no mapa e que marcaria profundamente a música pop nos anos seguintes.

A primeira versão da música título do disco era longuíssima, tinha mais de 22 minutos e só pôde ser lançada nas rádios após uma edição que a levou para modestos 3:28 minutos, só assim poderia ser digerida por um público maior do que o interessado em perceber os meandros daquele álbum conceitual. "Autobahn" não era um hit como se acostuma empregar a palavra: era o primeiro encontro íntimo da música eletrônica com o público onde quase 30 anos de estudos matemáticos e sonoros finalmente produziam uma harmonia capaz de tocar as pessoas, independente do lugar que elas fossem, da cultura a que pertencessem.

A canção fala de um momento feliz em uma auto-estrada alemã. O sol, o horizonte, o passeio e o rádio tocando: wir fah'rn auf der autobahn (estamos dirigindo na auto-estrada).

Foi no governo Weimar e não no de Hitler, como apregoam, que as autobahns começaram a ser construídas. Em 1929, ano da grande depressão econômica global, o primeiro trecho começou a ser feito com a lentidão esperada de um projeto sem apoio político ou econômico, sendo entregue em 1931 o sonhado caminho que levaria automóveis e motocicletas de Colônia a Bonn sem a interferência de cruzamentos ou pedestres.

Em 1933, os nazistas começaram a executar um projeto dezenas de vezes mais ambicioso que o original, seguindo as megalomaníacas idéias arquitetônicas do chanceler Adolph Hitler. Servia ainda para objetivos econômicos e sociais do governo já que obras públicas, como se sabe, são uma forma rápida e inteligente de multiplicar as vagas de trabalho consequentemente diminuindo o desemprego e o plano funcionou primorosamente na Alemanha da época. Além disso, serviriam para ligar regiões estrategicamente interessantes na defesa militar e para a logística de ataque provocando, ato contínuo, as diferenças regionais - isso significava interligar o país e incentivar o nacionalismo pregado pelo ideal nazista. Nos anos anteriores e durante a Segunda Guerra, as estradas foram também usadas para dois outros importantes fins: pista de pouso para aviões e entreposto de trabalho escravo.


A grande guerra levou o mundo a um salto tecnológico jamais visto, ao menos não visto com aquela velocidade. Armas, aparelhos de telecomunicação, roupas, automóveis etc. foram aprimorados e, aproveitando os incentivos econômicos da reconstrução, novas possibilidades se abriram em áreas que nem tinham nada a ver com o conflito. As rádios começaram a dispor de estúdios bem equipados e dentro delas duas correntes disputavam pelo melhor conceito e melhor execução da chamada música eletroacústica: os franceses com a Musique concrète e os alemães com a Elektronische Musik.

Durante anos o grupo de Paris e o grupo de Colônia discutiram a respeito de métodos, cálculos, nomes, sinfonias e instrumentos, mas a verdade é que nenhum conseguia ser plenamente bem sucedido na harmonia daquelas execuções, nem torná-las realmente agradáveis. A entrada dos computadores na briga foi o início do entendimento entre os proto-DJs. Acadêmicos japoneses, poloneses, suíços, norte-americanos e italianos, capitalistas e comunistas, travavam embates em seus estúdios-laboratórios experimentais em uma concorrência sobre quem acharia os meios mais sofisticados de se produzir música algarítimica. Em 1963 surgiu o primeiro sintetizador, controlado por uma fita de papel perfurado. Vitória do bloco capitalista pois o americano Robert Moog seria o responsável por unir um teclado à calculadora gigante que eram os sintetizadores até então, e esse foi o passo decisivo para o acesso de outros àquela música visionária.

Na versão original de Autobahn encontramos um misto dos elementos já usados, até então, no Krautrock (rock-chucrute), mas tudo de modo nunca dantes visto ou ouvido. Esses são são elementos: a)um clássico sintetizador Moog executa toda a sessão de baixo da canção e determinados ecos; b) há um livre uso de phasing (a repetição de um determinado trecho), c) um vocoder, ou decodificador de voz, d) sistema de batidas 4/4 que cria uma impressão de ritmo parecida com a de estar dirigindo, e) flauta e guitarra acústicos e f) uma percussão eletrônica.

O resultado é uma imensa peça musical, quase monotônica de repetição contínua. A estrada, o passeio, a monotonia da paisagem, o vento e a experiência estão todos inclusos em cada pedaço de Autobanh, unidos por uma linha fina de ironia. O vídeo que se desenrola durante a sua execução não deixa dúvidas: imagens glamurosas, otimistas e romantizadas de famílias dirigindo felizes rumo ao sol... Ignorando os significados da estrada, hipnotizados pelos novos rumos da Alemanha Ocidental pré-queda do Muro de Berlim e pelas excitantes tecnologias que abarrotavam aquela parte da nação. Para Scheneider e Hütter , se via alí o início de uma existência semi-existência semi-humana.

Atualmente, as autobahnen ligam Alemanha, Áustria e Suíça por uma rede de 13,838 Km que cruza incríveis paisagens. São extremamente famosas já que, para além da musica e da história, não possuem limite de velocidade na maior parte de seus trechos.

1974 | AUTOBAHN

Autobahn
Kometenmelodie 1
Kometenmelodie 2
Mitternacht
Morgenspaziergang




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segunda-feira, 25 de junho de 2012

James Taylor


Conhecido por baladas românticas e melosas de rádios tipo “vitrolão” de freqüência modulada, como Only a Dream In Rio (ainda mais aqui), James Taylor começou como músico clássico e, no auge da boemia do nova-iorquino Village dos anos 60, virou um roqueiro da pesada.

Formou uma banda – a Flying Machine que não desandou. Taylor começou a se afundar em seu primeiro contato com heroína. Quando a barra de fato piorou, ele decidiu mudar de ares: foi para Londres. Lá, conheceu o músico e produtor Peter Asher, através de contatos com ex-produtores seus. Asher era irmão da namorada de Paul McCartney (e parte do duo Peter And Gordon) e acreditou no trabalho do músico norte-americano. Quando os Beatles fundaram o seu próprio selo (a Apple), eles resolveram apostar em um artista não britânico. O disco, apesar de interessante, não vendeu bem.

A carreira desandou, ele teve uma recaída com drogas em fins de 1968, a Apple começou a fazer água junto com o ânimo do quarteto de Liverpool e James voltou para os Estados Unidos, fixando-se no cenário musical californiano. Ainda sofreu um grave acidente de moto, fraturando as duas mãos, fato que o fez permanecer recluso por vários meses. A maré de eventos funestos só iria mudar quando ele conseguiu um contrato novinho em folha com a Warner.

Contando com o auxílio de Asher, que também se mudara para a América, ele compôs Sweet Babe James, que seria as suas boas vindas ao universo do disco. O álbum deslanchou — ainda mais com o sucesso do single Fire And Rain, e a mudança do seu estilo musical, mais introspectivo e suave, com arranjos acústicos de extrema qualidade. A música-tema, uma berceuse, é uma triste canção que fala de um cara solitário, à margem do misantropismo, perdido no tempo, como lágrimas na chuva, tendo por companhia um cavalo pastando. “Verdes profundos e azuis/são asa cores que eu escolhi/você não vai me deixar triste em meus sonhos”).

O impacto foi tão grande que, junto com Sweet Baby James, foram exumados tanto o seu debut fonográfico quando os tapes que ele gravara com a Flying Machine e marcaria o seu estilo com a sua voz marcante e seu estilo ímpar de dedilhar o violão. Fire And Rain fala de sua experiência em clínicas de reabilitação para dependentes químicos e dos tempos em que ele procurava alguma saída para toda aquela ciranda de insucessos e frustrações que o cercava, é triste de doer — ainda mais quando ele fala e solidão, depressão e da perda de sua amiga mais próxima, Suzanne Schnerr.

A parceria com Danny Kortchmar rendeu uma seção acústica sublime, como no blues Oh Baby, Don't You Loose Your Lip on Me e uma das versões mais bonitas do clássico do compositor americano Stephen Forster, Oh Suzannah, em forma de uma doce balada para ninar gente grande. Suite For 20 G é a que mais destoa do disco, por ser experimental (tem 3 seções, rápida-lenta-rápida), e mistura elementos de jazz e um naipe de metais. Consta que a idéia não é proposital.

Taylor precisava de uma última faixa para a mixagem final e lhe ocorreu que seria mais interessante se ele juntasse pedaços de três canções inacabadas — e o resultado foi surpreendente.

Texto: 1001 albuns

1970 | SWEET BABY JAMES

Sweet Baby James
Lo and Behold
Sunny Skies
Steamroller
Country Road
Oh, Susannah
Fire and Rain
Blossom
Anywhere Like Heaven
Oh Baby, Don't You Loose Your Lip On Me
Suite For 20G

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sábado, 9 de julho de 2011

Van Morrison

MOONDANCE

Astral Weeks, o LP de 1968 de Van Morrison, o tornou um herói cult. Mas Moondance foi seu primeiro álbum a entrar no Top 30 e também o primeiro a ganhar o disco de platina.

Morrison estava vivendo no paraíso rural de Woodstock quando compôs boa parte das músicas do disco, mas acabou saindo dali por conta da invasão de novos moradores depois do famoso festival. Alguns dos músicos reunidos para este álbum continuaram com ele durante anos, como o guitarrita John Platania, o trompetista Jack Schorer e o tecladista Jeff Labes.

Moondance mostra o talento de mestre de Van Morrison como compositor e vocalista. Em contraponto ao acústico Astral Weeks, o álbum apresenta um som maior, mais robusto, com um naipe de metais que acrescenta potência à música; as canções são mais bem estruturadas, com menos improvisação. O lado A do LP é quase perfeito. "And It Stoned Me" traça um quadro detalahado da adolescência, enquanto a jazzística faixa-título é, até hoje, uma das músicas mais importantes da carreira de Morrison. Uma etérea balada de marinheiros, "Into The Mystic" é uma reflexão emocionada sobre o esplendor do amor, na qual o arrepiante naipe de cordas combina maravilhosamente com os vocais. No mais, um ar comemorativo, quase de alegria espiritual, permeia várias faixas - como as três últimas: "Brand New Day", Everyone" e "Glad Things".

Em 1971, Helen Raddy fez sucesso nos EUA com "Crazy Love" e a versão de Johnny Rivers para "Into The Mystic" chegou às paradas em 1970. O próprio Van ficou entre os Top 40 com "Come Running".

Sua carreira solo estava em ascensão.

1970 | MOONDANCE

01 | And It Stoned Me
02 | Moondance
03 | Crazy Love
04 | Caravan
05 | Into the Mystic
06 | Come Running
07 | These Dreams of You
08 | Brand New Day
09 | Everyone
10 | Glad Tidings

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Texto: 1001 discos para ouvir antes de morrer.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

The Carpenters

Músicos de sensibilidade e de formação jazzística desde muito jovens, Richard e Karen Carpenter souberam amalgamar a suavidade e a densidade desse gênero musical com uma linguagem pop, influenciada por artistas como os Beatles.

Depois de algumas experiências em conjuntos, pelos anos 60, como o Richard Carpenter Trio e outro, embrião da linguagem musical que eles iam entronizar pelos anos seguintes, Spectrum, ambos desenvolveram um estilo que chamou a atenção do trompetista Herb Alpert, líder do mítico conjunto tex-mex mariachi boogie-woogie, Tijuana Brass, então um dos donos da gravadora A&M, e até então o artista de maiores vendagens deste selo.

A despeito de terem carta branca para gravarem um álbum ao seu estilo, não lograram o êxito esperado. No entanto, nos ensaios para o segundo disco, Alpert sugeriu a os dois uma antiga canção do maestro Burt Bacharach, chamada Close To You. O tema, que chegou a ser gravado por Richard Chamberlain e Dionne Warwick, nem com o próprio Bacharach havia feito o sucesso esperado — com relação a outras músicas do compositor. Mesmo hesitante, Richard aceitou pô-la no próximo compacto.

Lançada em maio de 1970, não só virou um sucesso acachapante quanto catapultou a dupla para o mundo, com canções românticas e marcantes, como Only Yesterday e I Need To Be In Love, além de covers de qualidade e muito bom gosto, como Please Mr. Postman (Marvelettes) e There’s a Kind Of Hush (Herman’s Hermits), entre outros.

O álbum homônimo, que viria à luz em agosto daquele mesmo ano, mostrava o gênero easy listening, que Karen e Richard transformaram numa avassaladora fórmula de sucesso. E tão insólito quanto o grande êxito inesperado do cover do autor de This Guy’s In Love With You foi o do segundo single do álbum, a linda We’ve Only Just Begun, que originalmente não passava de um jingle de um banco californiano.

Lançado no Verão de 70, subiu ao segundo lugar na parada da Billboard junto com Close to You, um verdadeiro fenômeno. Além dessas duas canções, o disco da dupla também trazia canções de Richard do tempo do Spectrum, como Maybe It’s You e versões bem particulares para dois outros temas de Bacharach, Baby It’s You e I’ll Never Fall In Love Again e ainda outra regravação bem peculiar de um antigo sucesso dos quatro cabeludos de Liverpool, Help! Contudo, mesmo soando ligeiramente comercial (e não deveria não deixar de ser) Close To You possui momentos bem experimentais, como uma obscura canção deles, Second Part, exótica e densa, bem diferente dos sucessos de Karen e Richard, e que fecha de forma singular o LP.

Texto: 1001 albuns

1970 | CLOSE TO YOU

01 | We've Only Just Begun
02 | Love Is Surrender
03 | Maybe It's You
04 | Reason To Believe
05 | Help
06 | (They Long To Be) Close To You
07 | Baby It's You
08 | I'll Never Fall In Love Again
09 | Crescent Noon
10 | Mr | Guder
11 | I Kept On Loving You
12 | Another Song

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Gang Of Four

"Se os membros do Clash eram os guerrilheiros urbanos do rock'n'roll, os da Gang of Four eram teóricos do movimento revolucionário", já dizia o Truser Press Record Guide, com acerto. Uma primeira leva do pós-punk britânico - que trouxe essas duas bandas e o PIL, entre outras - se atirava com a mesma fúria contra os fundamentos da sociedade burguesa, fossem eles destrutíveis ou não. Não eram. Mas isso só se soube depois.

As marcas da artilharia ainda estão aí. Uma das mais eloquentes é Entertainment!, primeiro LP da Gang, que viria a ser chamado pelo Melody Maker de "guia jovem para sobrevivência em tempos de recessão" (!).

O grupo surgiu em 1977 na cidade portuária e industrial de Leeds. O baterista Hugo Burnham, o guitarrista Andy Gill e o vocalista Jon King - todos egressos da universidade local - recrutaram Dave Allen (esse, o único proletário de verdade da banda) para o baixo. E em poucos meses já lançavam um primeiro LP, Damaged Goods, pelo selo independente Fast Products. O sucesso de crítica do disco e o furor que as apresentações ao vivo sempre causavam em clubes ou escolas deixaram a EMI interessada no grupo. A "camarilha dos quatro" (xingamento cunhado pelo governo chinês para o grupo político da viúva de Mao Tse Tung, expurgada do poder tempos depois da morte do marido) se garantiu, exigindo da gravadora - a mesma que rompeu com os Sex Pistols em 1976 - controle total sobre o produto: repertório, capa, produção e divulgação. A EMI pagou para ver.

O aperitivo já causou encrenca: o single "At Home He's a Tourist" esbarrou na censura do programa de TV Top of the Pops, por uma referência, na letra, a camisinhas. O LP confirmou a porrada. Numa espécie de lapidação do diamante cristalizado no carvão punk, o som da Gang não é mero suporte para textos de agitação. Ele é político: sintético, reduzindo ao mínimo essencial, valorizando cada elemento musical e não fazendo concessões a fórmulas ou estilos convencionalmente aceitos - ainda que seja perfeitamente rock. A base sonora das faixas resume-se praticamente a baixo e bateria - uma cozinha que conseguiu juntar de forma única simplicidade, criatividade e peso -, e é apenas pontuada pela guitarra de Gill, pelos vocais e por uma eventual escaleta (monocórdica) de King. Apesar das intervenções brutais dos instrumentos, o silêncio também é ostensivamente usado na texto musical, criando climas inusitados a partir da formação mais tradicional do rock.

Gill, o guitarrista, uma das promessas da década (não realizada desde que ele se afastou para tratar de um câncer), mantém-se nos acordes - ao contrário dos próximos discos da banda, onde predominariam riffs e notas. Musicais como "Natural's Not in It" e "Damaged Goods" (regravada), por incrível que pareça, resumem-se a dois acordes básicos de guitarra - todo o clima se baseia na dinâmica dos instrumentos.

Mas Gill também tinha outras cartas na manga (ou entre os dedos). Basta observar suas intervenções insólitas no (anti) funk "Not Great Men" ou o puro noise que encerra "Guns Before Butter", numa dissonância que também aparece em "Ether" e "Glass". No início de "Anthrax", parece que iremos escutar a versão de "Star Spangled Banner" de Jimi Hendrix, tal a brilhante manipulação do feedback. Mas logo surge um beat tribal de Allen e Burnham, seguido da dupla vocalização de King e Gill (à maneira de "The Murder Mistery", do terceiro LP do Velvet Underground).

Um perfeito veículo para a visão (eminentemente marxista) da banda, a da "política em microcosmo" das relações humanas em uma sociedade capitalista: o casamento como posse, o trabalho alienado, a tortura como rotina (nas prisões políticas) e a rotina como tortura, lá e cá.

Num lampejo de incorformismo: that's not entertainment!

(Celso Pucci e Alex Antunes - Bizz 44, Março/1989)

1979 | ENTERTAINMENT!

01 | Ether
02 | Natural’s Not in It
03 | Not Great Men
04 | Damaged Goods
05 | Return the Gift
06 | Guns Before Butter
07 | I Found That Essence Rare
08 | Glass
09 | Contract
10 | At Home He’s a Tourist
11 | 5.45
12 | Anthrax
13 | Outside the Trains Don’t Run on Time
14 | He’d Send in the Army
15 | It’s Her Factory

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Anita Baker

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Em meados dos anos 80 não havia muita procura por música soul. Baterias eletrônicas e seqüenciadores tinham enrijecido a música, e a chegada de artistas excessivamente afetados, como Whitney Houston, deixava sem muitas escolhas os amantes da autenticidade e da candura. Anita Baker, uma jovem de 29 anos, desafiou as tendências musicais com um álbum tentador: Rapture.

Já era versada em gospel e no estilo Motown quando, em 1975, assinou um contrato com o selo Chapter 8, onde teve um sucesso moderado com "I Want To Be Your Girl". Pelo selo de Otis Smith, Beverly Music, ela gravou o sucesso underground The Songstress (1983). Um contrato com a Elektra foi o empurrão que faltava para que atingisse o verdadeiro sucesso.

Contando com diversos músicos de estúdio de grande talento, Rapture é um álbum digno de uma diva, com uma bela produção e que permanece atual. O produtor e ex-colega do Chapter 8, Michael J. Powell, preparou uma série de versões e faixas originais ideais para a sensual voz de contralto de Baker.

Anita Baker queria cantar apenas músicas de jazz, enquanto Powell queria um R&B suave e com swing. Da negociação enter os dois resultou a intensidade que enche de beleza este trabalho. Dizer que não passa de música de consumo para uma rádio de R&B seria ignorar o preciosismo vocal de Baker - "Sweet Love" tornou-se um grande e irresistível sucesso, enquanto "Been Alone So Long"`'e um blues lento e meditativo.

As críticas da imprensa mundial foram unânimes, e Rapture foi um sucesso mundial. A Revista inglesa The Wire chegou a dizer que "o brilho comercial de Rapture não consegue ofuscar sua intensidade emocional transbordante". Contudo, o disco caiu relativamente rápido no esquecimento.

1986 | RAPTURE

01 | Sweet Love
02 | You Bring Me Joy
03 | Caught up in the Rapture
04 | Been So Long
05 | Mystery
06 | No One in the World
07 | Same Ole Love
08 | Watch Your Step

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carole King


Carole King havia entrado para o panteão pop, durante os anos 60, numa legendária parceria com seu então marido, Gerry Goffin, como autora de vários sucessos gravados por diferentes artistas. Mas se reinventou de forma dramática e surgiu como uma estrela solo com este álbum marcante.

A capa é claramente doméstica - King, de jeans, bordado nas mãos, com seu gato em primeiro plano - e seu clima caseiro se reflete na produção despojada e nos arranjos. Os vocais sem enfeites de King variam entre estridentes e pesados e pesados ("I Feel The Earth Move"), melancólicos ("So Far Away", "Home Again") e divertidos ("Smackwater Jack"). Músicas como "Will You Still Love Me Tomorrow" e "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman" já tinham sido gravdas pelas Shirelles e por Aretha Franklin, respectivamente. Mas as versões nuas de King - em especial a primeira, que ela canta com uma tocante tristeza - são releituras que valeram a pena.

A qualidade absoluta do disco não demorou a dar frutos. A honestidade dolorida de "It's Too Late" garantiu a King o 1º lugar nos EUA. O álbum ficou no topo das paradas americanas durante 15 semanas seguidas, vendendo mais de 15 milhões de cópias no mundo inteiro.

Há uma tradição não escrita nos EUA de que os calouros tem de conhecer Simon & Garfunkel - as reflexões literárias, muitas vezes melancólicas, da dupla parecem casar com a cabeça dos universitários. No mesmo espírito, Tapestry deveria fazer parte do currículo do 1º ano, como exemplo de uma artista empenhada em deixar seu próprio legado, mas fazendo o público se sentir em casa.

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

1971 | TAPESTRY

01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Where You Lead
09. Will You Still Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

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1971 | TAPESTRY
(Remaster 1999)


01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It’s Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You’ve Got A Friend
08. Where You Lead
09. Will You Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman
13. Out in the Cold (Previously Unreleased)
14. Smackwater Jack (Previously Unreleased Live Version)

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1971 | TAPESTRY
(Legacy Edition 2008)


DISC 1 | ORIGINAL ALBUM

01. I Feel the Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Where You Lead
09. Will You Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

DISC 2 | TAPESTRY LIVE

01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Will You Love Me Tomorrow?
09. Smackwater Jack
10. Tapestry
11. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AC/DC


Uma capa pode ser descrita apenas como preta? Ok. Um vocalista principal morto, afogado no próprio vômito? Sim. Perspectivas pré-históricas sobre sexualidade nos títulos das músicas? É isso aí. É perfeitamente possível confundir o AC/DC com o Spinal Tap, já que os dois grupos preenchem tudo o que é necessário para ser uma paródia de banda de heavy metal. Mas os australianos escaparam dessa caricatura ao produzirem um rock básico, divertido e poderoso.

Quando o cantor Bon Scott morreu, em fevereiro de 1980, o AC/DC já tinha conquistado a Europa, mas os Estados Unidos ainda era um território distante. O grupo era extremamente ambicioso e recrutou o vocalista Brian Johnson, seguindo uma recomendação do produtor Robert Lange.

A única insinuação real de Tappery está logo no início de Hells Bells, quando as badaladas de um sino sinistro nos fazem temer que a banda esteja a ponto de embarcar em seu próprio Stonehenge. Logo em seguida, contudo, as guitarras dos irmãos Young entram e a pauleira rola solta.

Back In Black e Have A Drink On Me são homenagens a Scott, mas quase não sentimos sua falta no restante do disco, já que os poderosos gritos de Johnson se encaixam perfeitamente na mixagem.

A libertinagem rude de Let Me Put My Love... - "deixe que eu corte seu bolo com minha faca" - reafirma que a morte de Scott não mudou em nada a cabeça dos rapazes. A última faixa, Rock And Roll Ain't Noise Pollution, é uma alfinetada nos críticos mais intelectualizados.

O AC/DC finalmente fez sucesso nos Estados Unidos com Back In Black, atingindo a soma de um milhão de discos vendidos por ano nos cinco anos seguintes. Eles, bem como todos aqueles que curtiram seu rock, nunca olharam para trás.

Por: Seth Jacbson

1980 | BACK IN BLACK

01 | Hells Bells
02 | Shoot To Thrill
03 | What Do You Do for Money Honey
04 | Givin' The Dog A Bone
05 | Let Me Put My Love Into You
06 | Back In Black
07 | You Shook Me All Night Long
08 | Have A Drink On Me
09 | Shake A Leg
10 | Rock And Roll Ain't Noise Pollution

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Genesis

SELLING ENGLAND BY THE POUND

"Você pode me dizer onde está o meu país?", assim começa o hipnótico álbum conceitual do Genesis lançado ao fim de 1973. Selling England By The Pound é a afirmação do Genesis como uma das maiores bandas do progressivo e, para a época, do rock.

Em diversos aspectos, Selling England By The Pound é inovador, não apenas dentro da temática progressiva, mas para a indústria fonográfica em si. Músicas com muitas quebradas de tempo, alterações de estilo, uso indiscriminado de sintetizadores e o teatralismo do seu vocalista Peter Gabriel são os principais trunfos. No palco, porém, os "anjos de Gabriel" (nome que Peter queria para a banda) se portavam de modo inovador, principalmente a partir desta época. Muitos figurinos, arte visual rebuscada (que o diga a linda capa de Selling England By The Pound, versão modificada d'O Sonho de Betty Swanwick) e músicas extremamente rebuscadas e complexas. After The Ordeal e a clássica Cinema Show são extremamente ricas e casam muito bem em sequência.

As músicas "conceituais" do disco, sobre a decadência da Inglaterra no passado e no presente, são fantásticas e cheias de preciosidades ocultas. As interpreções da faixa-título ou da idílica Battle of Epping Forest são épicas e inimagináveis para qualquer outra banda, talvez o Jethro Tull e olhe lá. As lindas baladas More Fool Me e I Know What I Like também são um grande reforço para marcar o disco como uma das grandes obras progressivas e mantendo-o com o toque pop que caracterizaria o fim do Genesis.

Selling England By The Pound não é o auge de Peter Gabriel, mas mostra como seria. Não é o começo da participação mais efetiva de Phil Collins, mas é onde ele mostra que pode ser mais efetivo. Não é o principal disco do Genesis, mas mostra todas as direções que eles poderiam aportar. É, sem dúvida, disco importantíssimo para o cenário musical da época e, por isso, essencial.

1973 | SELLING ENGLAND BY THE POUND

01 | Dancing with the Moonlit Knight
02 | I Know What I Like (In Your Wardrobe)
03 | Firth of Fifth
04 | More Fool Me
05 | The Battle of Epping Forest
06 | After the Ordeal
07 | The Cinema Show
08 | Aisle of Plenty

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

The Pretenders

The Pretenders é uma banda de rock do Reino Unido. A banda original era formada pela vocalista e guitarrista Chrissie Hynde, o guitarrista James Honeyman-Scott, o baixista Pete Farndon, e Martin Chambers.

O grupo formou-se na Inglaterra no final da década de 70, pela vocalista Chrissie Hynde, uma norte-americana que já havia participado dos grupos: Jack Rabbit, nos EEUU e Gallie, na França. Os outros integrantes eram Pete Farndon (baixo) , James Honeyman-Scott (vocais, teclados, guitarra) e Martin Chambers (bateria).

Depois dos compactos "Stop Your Sobbing" e "Kid" , fizeram uma turnê inglesa, recebendo alguma cobertura da imprensa. O compacto "Brass in Pocket" entrou para as paradas de sucesso de 1979, ano de lançamento do primeiro LP, que atingiu rápidamente o primeiro lugar dos mais vendidos.

Participaram do concerto beneficente para os refugiados do Camboja (possuem três faixas no álbum Concerts for People of Kampuchea) e partiram para turnês na Europa e EUA, sendo muito bem recebidos por crítica e público. A revista Rolling Stone premiou os Pretenders como a grande revelação de 1980. Em 1982, morreu Honeyman-Scott, mas Chrissie Hynde anunciou que o conjunto não se acabaria encontrando-se em atividade atualmente.

Em 1993, o Pretenders perdeu vários integrantes da banda os quais foram contratados por Paul McCartney em sua mega turnê "Off The Ground", apresentando-se na América Latina.

Retirado de Wikipédia

1980 | THE PRETENDERS

01 | Precious
02 | The Phone Call
03 | Up the Neck
04 | Tattooed Love Boys
05 | Space Invader
06 | The Wait
07 | Stop Your Sobbing
08 | Kid
09 | Private Life
10 | Brass in Pocket
11 | Lovers of Today
12 | Mystery Achievement

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sábado, 14 de agosto de 2010

Cocteau Twins | Heaven or Las Vegas


Um piquenique em dia de sol celebrou o primeiro ano da década de 1990

Por:
Fernando Baldan

Ano: 1990. A década começa chacoalhada pela dance music e por uma penca de bandas fazendo mistura de estilos. Soup Dragons, Happy Mondays, EMF, Jesus Jones, Living Color... Clipes desses e outros grupos pipocam na TV. Inserido nessa leva, vem da Escócia, via o seminal selo 4AD, o novo disco do Cocteau Twins, Heaven or Las Vegas. Velho para quem viveu o rock independente dos anos 80, novo e estranho para a maioria. O clipe, "Iceblink Luck".

Luzes borram a tela. Um som igualmente psicodélico, meio rock, levemente dançante, cheio de "efeitos", colore os ouvidos. Surge uma moça de terninho, corpo em preto-e-branco contrastando com o fundo, cantando com uma voz absurda. Uma Enya depois de tomar um bom ácido. A música causa sensações confusas: torpor delirante, melancolia efervescente, alegria cool. Ao fim do clipe e antes que comece outro vídeo do New Kids on the Block, você se sente feliz por estar no início dos anos 90 vivenciando aquilo, mesmo estando sozinho sentado no sofá da sala tomando Coca-Cola.

Isso pode não dizer muito a uma geração atual, acostumada à imersão eletrônica das raves. Mas "Iceblink Luck" e o disco de onde ela veio constroem um panorama onírico que leva qualquer um onde a imaginação quiser ainda hoje. A faixa-título e outras canções como "Pitch the Baby", "Cherry-Coloured Funk" e "Fotzepolitic" estão entre outras delícias viajantes do disco.

O vocal epifânico (às vezes ininteligível) de Liz, somado à guitarra esquizóide de Robin, que serpenteia junto ao baixo, ao teclado e à bateria eletrônica, fizeram do Cocteau Twins uma das bandas mais originais e enigmáticas do pop, em pleno processo de redescoberta.

Heaven or Las Vegas nem é considerado o melhor álbum do Cocteau Twins. Os críticos não cansam de citar Treasure (de 1984) - até uma amiga que não conhecia o Cocteau Twins, a quem indiquei ouvir Heaven or Las Vegas, preferiu Treasure depois de ouvir os dois álbuns. Mas, como diz a banda em sua biografia no site oficial, "pergunte a qualquer fã do Cocteau Twins qual o seu álbum favorito e Heaven or Las Vegas estará quase sempre entre as mais prováveis respostas".

O disco marcou uma abertura na carreira da banda, tirando-a da cena alternativa. Conquistou uma legião de admiradores, fazendo-os ter orgasmos musicais diante da TV ou ouvindo rádio. Encaixou-se perfeitamente no festivo espírito de abertura da nova década, que logo em seguida ganharia meio que outra configuração ao ver o grunge nascer. Ouvir Heaven or Las Vegas é como participar de um piquenique num parque envolto em névoa com o sol brilhando de um lado e uma tempestade com nuvens negras espreitando de outro.

1990 - HEAVEN OR LAS VEGAS

01. Cherry-Coloured Funk
02. Pitch the Baby
03. Iceblink Luck
04. Fifty-Fifty Clown
05. Heaven or Las Vegas
06. I Wear Your Ring
07. Fotzepolitic
08. Wolf in the Breast
09. Road, River and Rail
10. Frou-Frou Foxes in Midsummer Fire

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