“Natal, fim de ano, recomeçar. Tempo de abrir mão do que não serve mais.
E o que é o apego? É a tentativa de reter o que está a nossa volta. Muitas vezes nos apegamos a um sem fim de coisas como se isto fosse possível preservá-las para sempre. Relacionamentos, bens materiais e idéias. E, quanto mais apego sentimos a qualquer uma dessas coisas, mais vulneráveis ficamos ao ciúmes, à mágoa, ao medo da perdas. E, então, vem o sofrimento.
É preciso coragem para aliviar a bagagem que carregamos ao longo da vida. Seja ela de bens materiais que já não usamos mais como também de crenças e pensamentos cristalizados ou obsoletos.
E, se o antigo não serve mais, como abrir espaço para o novo? Abrindo mão do que pode ir embora sem deixar saudades. Tenha sempre em mente que algo melhor para nosso crescimento espiritual precisa entrar. E se não abrimos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?
Por isso, o exercício do compartilhar é tão importante. Ainda mais no mundo de hoje em que imperam o egoísmo e o individualismo.
Compartilhar não é deixar de ter. Podemos compartilhar livros que estão empoeirando nas estantes, roupas que não usamos mais, objetos sem valores estocados nos armários de nossas casas.
Mas, o melhor mesmo é compartilhar o amor. Porque, no que diz respeito ao amor - ao verdadeiro amor - ele não é subtraído quando o damos aos outros. O amor compartilhado não diminui mas aumenta os laços afetivos a nossa volta
Praticar o desapego é acreditar que o que se possui verdadeiramente nunca se perde, sempre está aqui e, quando compartilhado, aumenta, não diminui.”
Desconheço o autor.
Texto enviado pelo brother e parceiro Jorge Carlet do blog: Só Para Morcegos
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Desapego
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Crack: um problema de todos !
Texto: Jorge Carlet
Como Morcegos À Luz do Dia
Não é mais segredo para ninguém que o crack emergiu do submundo e está espalhando seus devastadores efeitos sobre todos. Sobre todos ? Sim amigo, quando falamos de crack não estamos tratando apenas sobre os usuários, o que já seria mais do que suficiente para levantarmos nossas bundas da poltrona e fazermos algo a respeito. Quem não conhece alguém que embarcou nessa canoa prá lá de furada e as conseqüências diretas e indiretas disso tudo ? Estou falando de algum amigo, vizinho, conhecido ou mesmo daquele estranho que vemos em estado lamentável sucumbindo às terríveis crises de abstinência. E nessas ocasiões a desesperada busca por mais e mais doses que aplaquem as dores torna a busca pela próxima pedra como objetivo último de uma vida que se esvai quase que irremediavelmente. E de alguém neste estado de sofrimento não podemos exigir o cumprimento de todas aquelas regras que tornam tolerável nossa convivência em sociedade. A conseqüência lógica e imediata é o aumento da criminalidade pois a busca pela grana necessária, na medida em que o vício se aprofunda, vai se sobrepondo aos valores civilizatórios. E neste estágio de dependência o livre arbítrio passa a ser nada além do que uma longínqua abstração.
Pois outro dia conversava a esse respeito com amigos, enquanto bebericava minha horrorosa cerveja sem álcool - já há alguns anos o único contato que tenho com o álcool é quando lavo as mãos com álcool gel 70%. Contei-lhes sobre a grande iniciativa da minha amiga e escritora Jana Lauxen http://www.janalauxen.blogspot.com/ de criar uma rede de blogues a partir deste http://www.todoscontraocrack.blogspot.com/ por ela criado. Objetivo: conscientizar e buscar alternativas para diminuir ou, por quê não, acabar com o flagelo do crack. O argumento da Jana que conquistou minha adesão incondicional foi o de que o crack é um problema de todos, não só por uma questão de humanidade, o que já seria mais do que suficiente, mas também pelas conseqüências que cedo ou tarde baterão à nossa porta. Todos concordaram e elogiaram a iniciativa. Trocamos impressões sobre as notícias que saíram na imprensa a respeito da iniciativa de traficantes de Santa Cruz do Sul/RS, segundo a qual teriam feito um acordo com Associações Comunitárias comprometendo-se a não venderem mais crack a partir de meados de dezembro (na verdade assim que acabassem seus estoques, pois não são tão bonzinhos assim) e, se for preciso, reprimirem quem não cumpra o trato. A partir daí voltariam a vender só o que tradicionalmente vendiam: maconha e cocaína.
Vejam só, até para os traficantes o crack passou a ser problemático; imagine-se para nós cidadãos comuns... Por instantes ficamos pensativos, até que o silêncio foi rompido por um de nossos amigos (que fuma seus baseadinhos) e que saiu-se com uma afirmação que nos surpreendeu : "tá muito mais fácil conseguir crack do que um baseado !" Como assim ?, perguntamos espantados. "É isso aí que vocês ouviram. Conseguir uma droga pesada como o crack é facílimo; mas conseguir uma leve como um baseado tá difícil." E completou: "conheço vários parceiros que passaram a usar crack pois não conseguem mais maconha".
A revelação caiu como uma bomba. Como é que pode uma coisa dessas ? Estaríamos, por uma suposta política míope no que se refere ao trato da drogadição, fazendo gol contra ? As autoridades estão apreendendo maconha demais e, inadvertidamente, abrindo as portas para o crack ? Será que é mais difícil efetuar apreensões de crack ? Será que os traficantes daqui são mais burros do que os de Santa Cruz do Sul ? Será que...? Será que...? Será que... ?".
Diante do non sense da situação ficamos boquiabertos e sem respostas plausíveis. Mas aquela afirmação ficou desfilando pelos meus neurônios...Bueno, mas o fato é que é absolutamente inequívoco que uma grande parcela de qualquer sociedade do planeta necessita ou gosta de "sair do ar" vez ou outra. E isso vale para qualquer forma utilizada: seja por meio do uso de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas. Trata-se de um fenômeno sociológico largamente comprovado e sobre o qual mais cedo ou mais tarde teremos que erguer o tapete e discutir o tema com maturidade e sem preconceitos, pois não caberá mais embaixo dele. E aí meus queridos, a questão terá que ser enfrentada pois os métodos repressivos adotados até agora tem se revelado um fracasso absoluto onde quer que tenham sido adotados. E talvez esteja chegando a hora de enfrentarmos o problema e, quem sabe, transferirmos a questão da da esfera da Segurança para a da Saúde Pública.
Vejam bem: cada vez que agimos por medo tendemos a acreditar que qualquer problema só pode ser resolvido através da repressão. E nessas ocasiões sempre achamos que a punição é o melhor remédio. Então pedimos leis mais "duras" para isto ou para aquilo; e vamos abarrotando os presídios de gente que talvez não precisassem estar lá, na escola do crime. Pois eu acho que punição nem sempre é a solução. E no caso da drogadição, há muito venho amadurecendo o ponto de vista de que estamos caminhando na contramão. Mas esta é uma opinião provisória que, dependendo de argumentos racionais pode ser modificada. Por ora, os fatos e dados estatísticos só a reforçam.
Mal comparando, quando as DST´s, em especial o HIV, passaram a assombrar a humanidade, deixamos de fazer sexo ? Claro que não, felizmente. Simplesmente foram adotadas medidas alternativas e preventivas e a festa continuou. Agora tem uma coisa, com o crack não há festa, e isto tem que ficar claro. Mas, como falei no parágrafo anterior, em todos os lugares há uma "festa" nos subterrâneos das cidades, que talvez fossem menos perigosas para todos se fossem regradas com maturidade e reponsabilidade - vários são os exemplos positivos mundo afora. Entretanto, preferimos enfiar nossas cabeças num buraco como fazem as avestruzes, pensando estar resolvendo o problema com a criminalização. Assim, cortamos a luz pensando acabar com a festa. Mas ela continua, mesmo no escuro. E agora, pela incrível contradição descrita por nosso amigo, parece que trancamos a porta por fora e estamos deixando apenas um vírus letal como alternativa. Muito inteligente...
De qualquer forma, independentemente do que você pensa, considere que nossos pontos de vista individuais só tendem a enriquecer quando em contato com outros. Então fica o convite: se você tem um blog, passa lá em http://www.todoscontraocrack.blogspot.com/ , pegue o selo da campanha e poste no seu blog, orkut ou seja lá o que for. E divulgue, discuta; converse com seus amigos, colegas e conhecidos.
Lembre-se do que dizia o grande Chico Sciense: "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar!"
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Caretice
Sei, os manuais parecem garantir uma condução estável a tua trajetória de vida, entretanto o preço é a negação das possibilidades, e isso é demais, ao menos para mim.
Mas, é claro, não pretendo aviar receita alguma - sequer as tenho para mim -, mas rejeito, e que isto fique bem claro, as tuas; o preço é demasiado alto para o que espero, que é simplesmente evitar que óleos conservadores impregnem as asas que me carregam em meu vôo, por mais cego que seja. E talvez seja este meu horizonte: aproveitar as brisas para lançar-me com todo o vigor, mesmo que seja para enfrentá-las quando for de meu gosto (ou não), por minha conta e risco.
E é justamente isto que tua caretice bíblica impede ao negar quando o que mais espero é o sim.
Então fique com a aridez com que espera alcançar os prazeres na eternidade e deixe-me aqui buscando meus oásis imediatos, sem culpas, ao contrário do destino que resolveste construir para ti.
A escolha é tua; a minha, já fiz.
domingo, 9 de maio de 2010
Como morcegos à luz do sol
Mais uma noite em que as pílulas escorreram pela garganta como balas de goma.Olhos cerrados e cérebro alerta.
A lua já encontra o sol anunciando um novo dia.
Mas não há começo sem fim.
Um moto-contínuo mantém o estado de alerta.
Não há ciclos; apenas permanência.
Mal-estar tomando conta e trajetos a serem trilhados, as vezes acompanhados do medo de não chegar.
Como morcegos à luz do sol.
...:: Jorge Carlet ::...

