Mostrando postagens com marcador Ira !. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ira !. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de novembro de 2019

V.A. - Brazilian Post Punk


Duas décadas após ter passado desapercebido pelo grande público, o pós-punk brasileiro é tema de duas compilações internacionais: "Não Wave - Brazilian Post Punk 1982-1988", que acaba de ser lançada na Alemanha pelo selo Man Recordings, e "The Sexual Life of the Savages - Underground Post-Punk from Brazil", da gravadora inglesa Soul Jazz.

Os discos têm diferenças sutis entre si. "Não Wave", por exemplo, traz em seu repertório uma música inédita do Ira!, "Lá Fora Pode até Morrer"; o punk funk dos cariocas do Black Future; "Prince no Deserto Vermelho", da "superbanda underground" AKT, formada por integrantes dos grupos De Falla (Porto Alegre), R. Mutt (Belo Horizonte), Mercenárias e Bruhaha Babélico (SP); e "Agentss", do Agentss.

"The Sexual Life of the Savages" é mais paulistana e tem a dissonância dark do Smack; "Madame Oráculo do Nau", que revelou Vange Leonel; o groove inventivo do Gueto; dois momentos robustos da Patife Band; a new wave tropical da Gang 90 & Absurdettes; Cabine C, de Ciro Pessoa, um dissidente dos Titãs; e a eletrônica santista do Harry. Akira S & as Garotas que Erraram, Fellini, Mercenárias, Chance e Muzak são onipresentes nos dois registros.

"Selecionamos músicas de que gostamos. É lógico que muita coisa legal ficou de fora", diz Bruno Verner, 33, do Tetine, que assina, ao lado de Eliete Mejorado, a curadoria do projeto.

A idéia surgiu em 2004, depois de um especial das Mercenárias feito no programa de rádio Slum Dunk, que o Tetine mantém na Resonance FM de Londres. Segundo Verner, a gravadora adorou as composições, entrou em contato, e as conversas resultaram no álbum que tem como título uma das frases da canção "Nosso Louco Amor", de Júlio Barroso e Herman Torres.

"Escolhemos "The Sexual Life of the Savages" primeiro para homenagear o Júlio, pois o começo dessa história no Brasil se deve muito a ele e à Gang 90. Segundo, porque queríamos brincar com a imagem selvagem que o Brasil tem para o mundo com ironia e ao mesmo tempo celebratória", diz Verner.

O produtor inglês Andy Comming, 40, seis anos de Brasil, foi o responsável pela concepção de "Não Wave". Na seleção, teve o auxílio de dois importantes personagens da cena: o jornalista, músico e escritor Alex Antunes, do Akira S, e o guitarrista Miguel Barrella, do Agentss, Voluntários da Pátria e Gang 90. "Reunimos o material que foi masterizado em Berlim", diz Comming.

Segundo o produtor, o lançamento já está repercutindo. "DJs têm tocado as faixas, críticos como [o britânico] Simon Reynolds [autor do livro "Rip It Up And Start Again: Post-Punk 1978-1984'] ficaram surpresos, e a revista alemã De-Bug publicou uma resenha bem positiva."

Para Alex Antunes, 45, as revisões internacionais servem de alento psicológico aos envolvidos. "Achávamos que toda aquela intensidade iria se perpetuar, mas de certo modo o movimento se perdeu. Isso deixou uma sensação esquisita em muitos de nós. Os álbuns permitem que a cena, que foi enterrada viva, dê uma respirada", diz Antunes.

Texto | Rodrigo Carneiro

2005 | NÃO WAVE
(Brazilian Post Punk 1982 - 1988)


01. Agentss | Agentss
02. Black Future | Eu Sou o Rio
03. Akira S & as Garotas Que Erraram | O Futebol
04. Akira S & as Garotas Que Erraram | Sobre as Pernas
05. Azul 29 | Ciências Sensuais
06. Chance | Samba do Morro
07. Fellini | Teu Inglês
08. Fellini | Funziona Senza Vapore
09. Ira! | Lá Fora Pode Até Morrer
10. Akt | Prince no Deserto Vermelho
11. Vzyadoq Moe | Redenção
12. As Mercenárias | Polícia
13. Muzak | Ilha Urbana
14. Voluntários de Pátria | Iô Iô

DOWNLOAD

2005 | THE SEXUAL LIFE OF THE SAVAGES
(Underground Post-Punk from Sao Paulo, Brasil)


01. As Mercenárias | Inimigo
02. As Mercenárias | Pâico
03. Akira S & as Garotas Que Erraram | Sobre as Pernas
04. Akira S & as Garotas Que Erraram | Eu Dirijo o Carro Bomba
05. Fellini | Rock Europeu
06. Gang 90 | Jack Kerouac
07. Chance | Samba de Morro
08. Patife Band | Poema em Linha Reta
09. Patife Band | Teu Bem
10. Nau | Madame Óraculo
11. Chance | Striptease de Madame X
12. Smack | For a Daqui
13. Smack | Mediocridade Afinal
14. Fellini | Zum Zum Zazoeira
15. Muzak | Ilha Urbana
16. Cabine C | Tão Perto
17. Harry | You Have Gone Wrong

DOWNLOAD

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ira!

Um dos mais subestimados discos dos anos 80, Psicoacústica é um dos últimos bons momentos do Ira!, apesar do fracasso comercial do álbum. Um disco difícil, com apenas oito faixas e sem nenhuma faixa de trabalho que quase decretou o final do quarteto, após dois LPs de sucessos.

Dois discos de sucessos, cheios de hits e trilha-sonora até em uma novela da Globo.

Certamente, o Ira! era uma das mais bem-sucedidas bandas dos anos 80 e dono de um dos melhores shows da década, com performances sempre fortes, contundentes e precisas. Encharcados do espírito mod, a primeira grande inspiração de Edgard Scandurra, desde menino apaixonado pelo filme e disco Quadrophenia, do The Who, o Ira! tinha alcançado uma posição extremamente confortável no cenário brasileiro. Por isso, causou tamanha perplexidade o terceiro LP do Ira!, Psicoacústica.

O título fazia alusão a um fenômeno físico. A psicoacústica estuda a percepção subjetiva das qualidades (características) do som: intensidade, tom e timbre. Estas qualidades ou características do som estão, por sua vez, determinadas pelos próprios parâmetros do som, principalmente, freqüência e amplitude (explicação retirada do Wikipedia). E o grupo queria uma obra ousada, como o rock brasileiro não havia tentado.

O Ira! passava um momento complicado. A visão romântica e sonhadora dos primeiros tempos era substituída por uma visão mais crua e real do mundo. Os integrantes começavam a constituir família, as responsabilidades cresciam, as drogas eram consumidas em maior escala e os gostos musicais dos integrantes iam se alargando. Nasi e o baterista André Jung estavam interessados em rap e acabaram produzindo o primeiro LP de Thaíde e DJ Hum, Pergunte a Quem Conhece, em 1989. E os dois participariam de forma mais ativa no disco.

A concepção foi extremamente complicada. Primeiro, fizeram uma faixa em homenagem ao filme ao filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, Rubro Zorro, onde desejavam usar algumas falas da película, ao fundo. Nasi procurou o diretor para a liberação da mesma e ouviu um ok, desde que ele dirigisse um vídeo para a música. A idéia foi aceita pela a WEA, a gravadora, mas que refugou ao saber do montante pedido pelo diretor para o trabalho. Irritado, o diretor ligou para o vocalista várias vezes, ameaçando embargar a faixa.

O segundo problema aconteceu com a faixa Receita Para Se Fazer Um Herói. Edgard havia utilizado uma parte de uma letra feito por um colega de exército de Edgard, Esteves. Contudo, Esteves pediu uma grana alta para a liberação da mesma e ameaçou também embargar a obra. A confusão só foi resolvida quando a viúva do escritor português Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira, que era o verdadeiro dono do poema, foi encontrada e liberou a utilização.

O disco foi editado no estúdio Nas Nuvens, de Liminha, no Rio de Janeiro, em um clima pesadíssimo. Nasi conta que a banda passou boa parte do tempo fumando maconha que havia sido encontrada em uma grande lata do iate Solano Star, que havia despejado 20.000 delas com 1,5 quilos de maconha prensada com mel e glicose, nas costas litorâneas de São Paulo e Rio de Janeiro, para não ser preso pela Polícia Federal. A polícia conseguiu recuperar apenas 2500 delas, e a restante abasteceu a capital fluminense, que viveu o famoso "Verão da Lata". A produção foi assinada pela banda e pelo engenheiro de som português Paulo Junqueiro e o LP foi gravado em um clima de caos, improviso e caos.

O disco causou apreensão na gravadora. Não havia uma faixa de trabalho evidente, as músicas eram longas, difíceis e pretendia uma ruptura com o passado do grupo. Ao invés de hinos à juventude, feitos por Edgar, o Ira! entregava um álbum com samplers, rap e temas pesados. Além disso, o álbum original trazia, no encarte, um óculo de 3D para brincar com os efeitos da imagem da capa. E, pela primeira vez, o Ira! gravava uma música que não tivesse a participação do guitarrista; Advogado do Diabo era uma parceria de Nasi e de André Jung e uma grande inspiração para o músico Chico Science, que a apresentava nos shows do ação Zumbi.

O grupo abusava dos efeitos na guitarra de Edgard, que foi a voz principal em Farto de Rock'n'Roll. Edgard fez uma letra que atacava o estilo de uma maneira sutil, mas Nasi não quis cantar a letra, preferindo fazer scratches. Rubro Zorro é, certamente, uma das melhores faixas do grupo, uma mistura muito bem feita de um solo ácido de Edgar, combinando com violão, samplers do filme de Sganzerla, porém, ousado demais para o público brasileiro. Outra bela faixa é Manhãs de Domingo, um dos últimos momentos "adolescentes" do grupo.

Por Mofo

1988 | PSICOACÚSTICA

01 | Rubro Zorro
02 | Manhãs de Domingo
03 | Poder, Sorriso, Fama
04 | Receita Para Se Fazer um Herói
05 | Peguei Essa Arma
06 | Farto do Rock 'n' Roll
07 | Advogado do Diabo
08 | Mesmo Distante


DOWNLOAD

sábado, 15 de agosto de 2009

Ira!

Meses depois da decepcionante apresentação no festival Hollywood Rock, em janeiro de 1988, o Ira! lançou aquele que seria um dos seus discos mais cultuados. Muito lembrado em listas que relacionam os melhores discos da história do rock brasileiro, Psicoacústica foi visto como um disco um tanto quanto ousado e visionário para a sua época, com faixas em estilos muito pouco convencionais para a mídia. O aspecto hermético do disco o deixou com uma aura anti-comercial, resultando em vendagens de apenas 50 mil cópias. Psicoacústica mostra o direcionamento do Ira! a diversos gêneros. A banda transitava pelo reggae ("Receita Para Se Fazer um Herói"), hard rock ("Farto do Rock 'n' Roll", a única canção do disco não cantada por Nasi, sendo interpretada por Edgard Scandurra) e rock psicodélico ("Mesmo Distante").

Psicoacústica mostra o direcionamento do Ira! a diversos gêneros. A banda transitava pelo reggae ("Receita Para Se Fazer um Herói"), hard rock ("Farto do Rock 'n' Roll", a única canção do disco não cantada por Nasi, sendo interpretada por Edgard Scandurra) e rock psicodélico ("Mesmo Distante"). Somente "Manhãs de Domingo" e "Poder, Sorriso, Fama" seguiam a sonoridade dos dois primeiros álbuns da banda, calcados na música mod. Porém, existem outras surpresa no álbum: além de antecipar tendências que seriam utilizadas pelas bandas do rock brasileiro dos anos 90 (como a junção entre o rock, a embolada e o rap em "Advogado do Diabo", fórmula mais tarde seguida por grupos como Chico Science & Nação Zumbi), ainda foi um dos primeiros álbuns brasileiros a aderir a utilização dos samplers (nas faixas "Rubro Zorro" e "Pegue Essa Arma", que trazem trechos do áudio do filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, por sinal a principal inspiração das respectivas músicas) e da técnica do scratching (muito usada pelos DJs, consistindo no método de produzir ruídos ao se "arranhar" um disco de vinil em uma pick-up), feita por Nasi na já citada "Farto do Rock 'n' Roll".

1988 | PSICOACÚSTICA

01 | Rubro Zorro
02 | Manhãs de Domingo
03 | Poder, Sorriso, Fama
04 | Receita Para Se Fazer um Herói
05 | Peguei Essa Arma
06 | Farto do Rock 'n' Roll
07 | Advogado do Diabo
08 | Mesmo Distante

DOWNLOAD

sábado, 8 de agosto de 2009

Ira!

Considerado por muitos fãs como seu melhor álbum, Vivendo e Não Aprendendo era o mais famoso e o também o mais bem sucedido comercialmente disco da banda até o lançamento do Acústico MTV em 2004. O disco de 1986, segundo o jornalista Ricardo Alexandre em seu livro Dias de Luta (cujo nome foi tirado, obviamente, de um dos sucessos deste álbum), vendeu 180 mil exemplares à época de seu lançamento, apesar de outras fontes divergirem quanto à isto (estimando as vendagens entre 150 e 250 mil cópias). Por mais de dez anos, foi o único álbum do Ira! a ter alcançado o status de disco de ouro.

O Ira! não teve relação fácil com o produtor Liminha durante as gravações do seu segundo disco, no Rio de Janeiro. O grupo desejava para o álbum um padrão sonoro que lembrasse o do conjunto inglês The Jam, uma de suas mais notórias influências, porém Liminha julgava como "desafinada" a sonoridade que Edgard Scandurra e cia. queriam como referência. A relação entre banda e produtor se tornou tão tensa que foi preciso transferir os trabalhos restantes de gravação e a mixagem para São Paulo.

"Gritos na Multidão" e "Pobre Paulista", gravadas para o compacto (jamais lançado) de estréia da banda em 1984, foram finalmente lançadas em Vivendo e Não Aprendendo, porém, em versões gravadas durante um show. A WEA tinha pretensões de lançar ambas como músicas de trabalho do disco, e pediu para que o grupo as regravasse. O Ira! recusou a fazê-lo, inicialmente, mas acabou por registrá-las, só que não em estúdio. O argumento era de que não seria possível fazer playback, recurso muito usual em programas televisivos da época, de canções que eram registradas ao vivo. Uma demo de "Pobre Paulista" aparece como faixa bônus da segunda edição em CD do álbum, lançada em 2000.

1986 | VIVENDO E NÃO APRENDEDO

01 | Envelheço na Cidade
02 | Casa de Papel
03 | Dias de Luta
04 | Tanto Quanto Eu
05 | Vitrine Viva
06 | Flores em Você
07 | Quinze Anos (Vivendo e Não Aprendendo)
08 | Nas Ruas
09 | Gritos na Multidão
10 | Pobre Paulista

DOWNLOAD

sábado, 1 de agosto de 2009

Ira!

Gravado em apenas nove dias, Mudança de Comportamento é um disco cujo título faz jus às transformações pelas quais o Ira! passava naquela fase. Além da adesão do ponto de exclamação em seu nome e do redirecionamento musical, passando do punk rock dos primeiros anos (e registrado em Ira, o single de 1984) para um estilo baseado na cultura mod, a banda ganhou uma nova formação com a entrada de dois novos componentes: o baixista Ricardo Gasparini, o Gaspa, companheiro de Nasi no grupo Voluntários da Pátria, ex-integrante do Cabine C e irmão de Ted Gaz (Fábio Gasparini), membro do Magazine; e o baterista André Jung, demitido dos Titãs no révellion de 1984 e convidado por Nasi para integrar o grupo em 2 de janeiro de 1985. Tal formação permaneceria intacta por 22 anos (1985 - 2007), uma das mais duradoras de um grupo do rock brasileiro, longevidade esta superada apenas pelos Paralamas do Sucesso e pelo Kid Abelha.

É neste disco que se encontra aquele que talvez seja seu maior clássico. "N.B. (Núcleo Base)" foi composta por Edgard Scandurra à época em que ele serviu para o Exército, representando um verdadeiro manifesto anti-alistamento militar. Além desta canção, destacaram-se a faixa-título, a balada "Tolices", e os rocks "Longe de Tudo" (com a linha de baixo baseada nas de "Start!", do Jam, e de "Taxman", dos Beatles) e "Coração".

1985 | MUDANÇA DE COMPORTAMENTO

01 | Longe de Tudo
02 | Núcleo Base
03 | Mudança de Comportamento
04 | Tolices
05 | Coração
06 | Saída
07 | Ninguém Precisa da Guerra
08 | Por Trás de Um Sorriso
09 | Como os Ponteiros de Um Relógio
10 | Sonhar Com Quê?
11 | Ninguém Entende um Mod

DOWNLOAD
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...