terça-feira, 13 de novembro de 2018

Yes


Sempre que alguém chega para mim e diz: “Não consigo entender teu amor pelo Yes, que bandinha bem chata!”, eu coloco uma faixa que resume o que é o Yes para mim e explico para o cidadão/ã a tal faixa, e após os 15’38” de “Awaken”, ou a pessoa já foi embora ou então deu a mão a palmatória e finalmente foi batizado pelo Espírito Prog.

“Awaken” não é apenas uma canção, é uma ode a Deus. O Yes sempre foi uma banda que primou por letras fantásticas, que falavam sobre o ser humano, Deus e contos mirabolantes como poucos. Ao lado da Van der Graaf Generator (onde Peter Hammill comandava letras assombrosas e enormemente enormes para falar sobre a vida como poucos), o Yes possui “n” canções que se encaixam perfeitamente na proposta desta seção. Até mesmo na época mais pop do grupo, canções como “Endless Dream” (do álbum Talk, de 1994) ou “I’m Running” (Big Generator, de 1987) traziam um tema que falava sobre os assuntos citados acimas, mas “Awaken” foi aquela canção onde a ideia da letra se encaixou perfeitamente com a música.

Registrada no excepcional Going for the One (1977), que marcou o retorno da segunda formação clássica do Yes, com Jon Anderson (voz, percussão, harpa, flautas), Steve Howe (guitarras, voz), Chris Squire (baixo, voz, harmônica, percussão), Alan White (bateria, piano) e Rick Wakeman (teclados), “Awaken” é dividida em três partes, as quais foram todas construídas no genial cérebro de Anderson, que apesar de ser um ótimo compositor, não tinha o mesmo talento para tocar os instrumentos, e assim, encarregou os demais membros do Yes a darem corpo ao que estava na mente do vocalista.

Anderson sempre foi um entusiasta das religiões orientais, vide o espetacular disco duplo Tales From Topographic Oceans (1973), o qual foi concebido totalmente em cima do livro de mantras Autobiography of Yogi, de Paramahansa Yogananda, e manteve todo o clima viajante em “Awaken”.

Tudo começa com uma introdução apenas ao piano de Wakeman, que prepara o terreno para os minutos seguintes. Teclados surgem como formando um universo de várias dimensões, e a voz celestial de Anderson surge falando sobre as vibrações humanas e o poder que o Sol (como um Deus) tem sobre os seres humanos, que vivem apenas em um mero planeta, a Terra.

Logo após, em uma explosão, a guitarra de Howe surge estourando os alto falantes junto com Squire e White, e entramos na canção em si, onde palavras são jogadas ao vento de forma aleatória, parecendo não fazer nenhum sentido. Mas não! Pegando o encarte e lendo como elas estão disponibilizadas, você ve que a forma como você lê as palavras (seja na horizontal ou na vertical), as frases vão fazendo sentido, que é apresentar o mundo onde a personagem principal da canção está vivendo os fatos que estão sendo narrados.

Essa personagem não tem nome, não tem sexo, não tem idade, mas pelo andar da carruagem se percebe claramente que o objetivo dela é chegar no despertar (“Awaken”), o qual é o tema central da canção. Esse despertar não é explícito dentro da letra, o que torna tudo mais interessante, pois tanto pode ser o despertar de apenas se acordar como pode ser o despertar do tipo “te liga magrão, o mundo não é como parece!”, e principalmente, implícito está o despertar para uma força maior que a da humanidade, ou seja, Deus.


Após essa primeira parte, entramos em uma longa sessão instrumental, onde Anderson assume a harpa junto com o órgão de Wakeman (o qual é realmente o órgão de uma igreja suíça onde Wakeman fez peripécias que quase o levaram a virar o organista oficial da igreja). Aqui a viagem dentro do consciente da personagem é feita de forma única. Lentamente, o tempo passa (percussão e harpa) enquanto a personagem “pensa” sobre a vida (órgão).

À medida que a personagem vai se dando de conta que ela é uma pessoa como toda qualquer, o órgão vai aumentando o ritmo das notas, enquanto o tempo passa de forma igual (mostrando que basta apenas querermos ser conscientes de nossos atos para agir da forma que é correta. O tempo é medido da mesma forma sempre).

Entramos então na terceira e última parte, onde a personagem encontra a Deus, o qual é apresentado como o Mestre das Imagens, Mestre da Luz, Mestre da Alma e Mestre do Tempo, uma rápida referência ao livro Bhagavad Gita (de onde Raul Seixas construiu a clássica canção “Gitâ”, que tem em suas frases a ideia de Deus/Gitâ estar presente em tudo na natureza) tendo ao fundo uma sonoridade grandiosa, quase que como uma orquestra inteira tocando, até chegarmos novamente ao tema inicial.

Ali, a frase “no momento em que fugia, me virei e vi que você estava parado perto de mim“, revela toda a moral da história: o perdão. A personagem cometera um ato falho, abandonando uma pessoa em um momento de dificuldade, e teve que passar por todo um processo divino para se dar conta de que a pessoa era um ser igual a ela, e que não importava onde ela estivesse, essa pessoa iria perdoá-la por que simplesmente a amava e a respeitava como um semelhante!


A profundidade de “Awaken” pode ser conferida nas apresentações ao vivo do Yes. Squire utiliza um baixo de três braços para conseguir fazer todas as partes da canção (utiliza mesmo). Fora isso, o desgaste de Howe e Wakeman fazendo os temas para dar o clima da canção, bem como a marcação precisa de White, faziam dessa uma das últimas a serem apresentadas nos shows.

No show de encerramento da turnê Union Tour, tem-se outra grande prova. Todo o show é feito em clima de festa, com Wakeman brincando e debochando o tempo todo do guitarrista Trevor Rabin e com Steve Howe totalmente insatisfeito em cima do palco. Mas na hora de “Awaken”, o clima no palco muda. Seriedade e concentração a mil, e uma execução soberba de mais uma maravilha do mundo prog é assistida pelos presentes.

Como detalhe adicional, e que poucos conhecem, a capa original de Going for the One foi proibida pela gravadora Atlantic, por achar que uma mulher nua pegaria muito mal no mercado americano. Assim, ficou a famosa capa com o homem nu de costas, mas para aqueles que não conhecem a versão original, segue a mesma.

Texto | Consultoria do Rock

1977 | GOING FOR THE ONE
(Expanded & Remastered 2003)


01. Going For The One
02. Turn Of The Century
03. Parallels
04. Wonderous Stories
05. Awaken
Bonus Tracks
06. Montreux's Theme
07. Vevey (Revisited)
08. Amazing Grace
09. Going For The One (Rehearsal)
10. Parallels (Rehearsal)
11. Turn Of The Century (Rehearsal)
12. Eastern Numbers

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sábado, 10 de novembro de 2018

Kin Ping Meh


Não, ‘Kin Ping Meh’ não é uma banda chinesa, é alemã e embora seja rotulada como krautrock é uma banda de rock progressivo e hard rock formada em 1970 em Manheim, cujo embrião era o grupo escolar ‘Thunderbirds’ e tinha Werner Stephan nos vocais; Joachim Schafer na guitarra, piano e vocais; Fritz Schmitt no órgão e piano; Torsten Herzog no baixo e Kalle Weber na bateria. O gênero krautrock deriva da palavra krauts (chucrute) que era um termo depreciativo usado para os soldados alemães na Segunda Guerra Mundial, e foi criação de John Peel, apresentador de destaque de uma estação de rádio britânico em 1968, que o utilizava para designar as bandas de rock da Alemanha Ocidental que se destacavam internacionalmente.

O nome da banda, ‘Kin Ping Meh’, significa ‘um ramo de flor de ameixa em um vaso de ouro’ foi retirado de um romance chinês do século 16 que retrata a vida e os costumes da época. E os integrantes tinham como modelo as bandas inglesas ‘Deep Purple’, ‘Uriah Heep’ e ‘Spooky Tooth’. Em 1970, deram o primeiro concerto e nos meses seguintes participaram de sete concursos importantes. Foram descobertos pelos caçadores de talentos da ‘Polydor’ em 1971, e antes da gravação do primeiro álbum Joachim Schafer, que deixou a banda, foi prontamente substituído por Willie Wagner. O ano de 1972 foi um ano muito bom para ‘Kin Ping Meh’, participaram de um musical anti-drogas, compuseram a trilha sonora para um seriado, abriram os Jogos Olímpicos de Vela de Kiel, saíram em turnê com Rory Gallagher e lançaram o segundo álbum ‘Nº 2' que conta com um cover dos Beatles: Come Together. Mas o grupo pagou um alto preço por estar constantemente na estrada: Willie Wagner, Werner Stephan e Torsten Herzog saíram para serem substituídos por Gerhard ‘Gagey’ Mrozeck, Uli Gross, o baixista britânico Alan Joe Wroe e seu conterrâneo Geff Harrison. Com essa formação gravaram ‘Kin Ping Meh 3’ que contou com um coro feminino.

E foi principalmente por causa do vocalista Geff Harrison que a banda desenvolveu uma imagem de hard rock e apareceu em alguns programas de televisão com ‘Deep Purple’ e ‘Slade’. O quarto álbum ‘Virtues & Sins’ recebeu comparações com os ‘Rolling Stones’ e ‘Spooky Tooth’. Em 1976 lançaram ‘Concrete’, um álbum ao vivo. Após o término do contrato com a gravadora, Geff Harrison e Alan Joe Wroe deixaram a banda, os outros integrantes ainda tentaram um novo começo, mas foram incapazes de continuar a história de sucesso, principalmente por causa do fraco desempenho vocal. No verão de 1977, a banda finalmente foi extinta. Em novembro de 1982 aconteceu um show revival de ‘Kin Ping Meh’ na Universidade de Berlim, mas o grupo era constituído principalmente por membros da banda de Geff Harrison, Gerhard Mrozeck e Kalle Weber não participaram. Kalle Weber, da formação original da banda, morreu de um ataque cardíaco em 1995.

Texto: mara


1999 | FAIRY TALES & CRYPTIC CHATERS (4 CD BOX SET)

CD 1: TAKE FIVE DREAMS UNTIL KISSING TIME

01. Fantasy I
02. I Love You More Than You'll Ever Know
03. Something
04. You've Made Me So Very Happy
05. Light My Fire (Doors)
06. Spinning Wheel
07. My Future
08. Too Many People
09. Haze
10. In A Better Way
11. Old Man From Peru
12. Woman (Live)
13. Organ Intro
14. My Dove
15. Fairy Tales
16. Fantasy II

CD 2: LIVE LESSONS AT BIER'S DANCING SCHOOL

01. I Believe, that I'm a Winner
02. Help
03. Forget It, I Got It
04. Everyday (Live)
05. Don't You Know (Live)
06. I'm a Man (Live)
07. Progressive Blues Jam
08. Everything's My Way
09. Child in Time
10. Alexandra (Live)
11. Salty Dog
12. Happy Song
13. Killing Time

CD 3: SOMETIME BESIDE DRUGSON'S TRIP

01. Good Morning Kin Ping Meh
02. Everything's My Way (Live)
03. Everything's My Way (Alternate Instrumental)
04. My Future (Alternate Instrumental)
05. Too Many People (Alternate Instrumental)
06. Theme From Fairy Tales (Alternate Instrumental)
07. Don't You Know (Alternate Instrumental)
08. Final Blues (Alternate Instrumental)
09. The Ballad Of Drugson's Trip (Live)
10. Sometime (Live 1971)
11. Don't Get Confused (Live Early Fairy Tales)
12. Help (Live)
13. Too Many People
14. Do It Babe (Early Dove Version)
15. Drugson's Trip

CD 4: FINAL CUTS FROM "BIER" CONVENTIONS

01. Stage Announcements
02. Everything's my Way
03. Haze
04. Witch Craft
05. In a Better Time
06. Salty Dog
07. I'm a Man
08. Child in Time
09. Stage Announcement by Joachim Schafer
10. Everything's My Way
11. Salty Dog
12. Alexandra (Rehearsal for a Musical Called Rausch)

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Bauhaus


Em 1978, na cidade de Northampton na Inglaterra. Os irmãos David Jay (baixista e vocalista) e Kevin Haskins (baterista) decidiram montar uma banda - The Craze - que iniciou suas atividades com uma sonoridade próxima ao punk rock. Juntamente com os amigos Daniel Ash e Dave Exton, fizeam o debut na cidade. Porém, a formação se completaria com a entrada de Peter Murphy um amigo de Daniel Ash que foi convidado para ser vocalista, mesmo sem nunca ter cantado em nenhuma banda.

A dupla Daniel Ash e Peter Murphy deu início as composições. Ao mesmo tempo, os convites e os primeiros shows na cidade incentivavam os jovens que se apresentavam já com o nome S.R, neste momento, com Chris Barber no lugar de David Haskins. Pouco tempo depois, David voltou a ocupar seu lugar e Chris deixou a banda. Então o nome também foi alterado para Bauhaus 1919 (como referência à Escola de Arquitetura e Desenho Industrial da Alemanha) inaugurada em 1919, e logo depois fechada pelos nazistas em 1933. Passaram a se chamar apenas Bauhaus.

O primeiro single foi gravado com um ano de banda, no estúdio Small Wonder, intitulado Bela Lugosi's Dead. Uma referência a morte do ator Bela Lugosi em 1956, que se tornou conhecido após sua interpretação no filme Drácula de 1931. A capa do single trazia o cartaz publicitário do filme, e na contracapa foi colocada uma cena de O Gabinete do Doutor Caligari, de 1919. Motivos mais do que suficientes para que fossem rotulados como góticos. Porém, Peter Murphy declarou: "Nós nunca fomos góticos.

Fizemos uma música de brincadeira, uma ironia e um monte de idiotas no mundo começou a nos chamar de góticos, nunca fomos, era uma ironia, uma única música com o tema, achamos esses caras loucos, nós nunca fomos e nunca seremos góticos. Além disso, a faixa título deste single durava mais de nove minutos. Uma verdadeira afronta as rádios".

Em 1980 a banda lançou três singles: Dark Entries, Telegram Sam e Terror Couple Kill Colonel, pela Axis Records. Sua primeira apresentação nos EUA aconteceu em setembro. O primeiro álbum veio em seguida “In The Flat Field” foi um marco na carreira. Os temas diversificados das músicas incluíam a crucificação de Cristo, como na faixa Stigmata Martyr com citações em latim.

Em 1981 o Bauhaus mudou de gravadora. A Beggars Baquet com um esquema de divulgação mais sólido, através da B.B., a banda lançou dois singles: Kick in the Eye e Passion of Lover. Logo após o segundo álbum da carreira, denominado Mask. Neste disco, a música de destaque é Of Lillies and Remains com uma atmosfera surreal e mórbida. Neste momento ficou evidente o amadurecimento musical dos rapazes ingleses.

A popularidade era tanta que no ano seguinte, foram convidados a compor a trilha sonora do filme The Hunger (Fome de Viver), e atuaram ao lado de David Bowie, Catherine Deneuve e Susan Sarandon. Seguem mais dois singles que fortalecem a discografia: Searching for Satori e Spirit.

Press the Eject and Give Me that Tape foi o primeiro álbum ao vivo gravado em Londres. O single que trazia a faixa Ziggy Stardust, de David Bowie, confirmou a ascensão que o Bauhaus conseguia a cada lançamento. Em 1982 The sky's gone out foi lançado.

No início de 1983, foi realizada uma turnê pela França, Grécia, Israel e Japão. Mais dois singles foram lançados: Lagartja Nick e She's in Parties. Alguns meses depois, o Bauhaus emplacou o álbum Burning from the inside e o anunciaram o fim da banda. Kevin, David e Daniel Ash prosseguiram com outra banda chamada The Love & Rockets. O vocalista Peter Murphy seguiu carreira solo. Logo após, a gravadora lançou uma coletânea intitulada Bauhaus The Singles 1981-1983.

Em 1997 os ex-integrantes voltaam a se encontrar para lançar o disco Live in Studio, para comemorar os vinte anos de Bauhaus. Em 1998 foi realizada a turnê Ressurrection Tour, que deu origem ao disco Crackle. Ainda em 1998 surgiu mais uma coletânea chamada Gotham. Entre singles e álbuns, a discografia do Bauhaus contém mais de vinte trabalhos. Porém, os cinco discos lançados quando a banda ainda estava ativa, somados aos três lançados em seu breve retorno nos anos 90, compõem a base da carreira do Bauhaus.

Texto | Projeto Autobahn

1980 | IN THE FLAT FIELD
(Remastered 2009)

CD 1 | IN THE FLAT FIELD

01. Double Dare
02. In The Flat Field
03. A God In An Alcove
04. Dive
05. The Spy In The Cab
06. Small Talk Stinks
07. St. Vitus Dance
08. Stigmata Martyr
09. Nerves

CD 2 | SINGLES AND OUT-TAKES

01. Dark Entries
02. A God In An Alcove
03. Untitled
04. Terror Couple Kill Colonel
05. Telegram Sam
06. Terror Couple Kill Colonel
07. Scopes
08. Terror Couple Kill Colonel
09. Crowds
10. Dive
11. The Spy In The Cab
12. Stigmata Martyr
13. Rosegarden Funeral Of Sores
14. Double Dare
15. Telegram Sam
16. Untitled #2

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1981 | MASK
(Remastered 2009)


CD 1 | MASK

01. Hair Of The Dog
02. The Passion Of Lovers
03. Of Lilies And Remains
04. Dancing
05. Hollow Hills
06. Kick In The Eye 2
07. In Fear Of Fear
08. Muscle In Plastic
09. The Man With X-Ray Eyes
10. Mask

CD 2 | SINGLES AND OUT-TAKES

01. Kick In The Eye
02. Satori
03. In Fear Of Fear
04. In Fear Of Dub
05. Muscle In Plastic
06. Dancing
07. Hair Of The Dog
08. Monkey (Poison Pen)
09. Ziggy Stardust
10. Earwax
11. 1-2-3-4
12. Muscle In Plastic
13. Hollow Hills
14. Hair Of The Dog
15. Poison Pen
16. Kick In The Eye
17. Dave And Danny's Waspie Dub #2

CD 3 | THIS IS FOR WHEN
(Live at Hammersmith Palais, 9th November 1981)


01. This Is For When
02. The Passion Of Lovers
03. In The Flat Field
04. Silent Hedges
05. In Fear Of Fear
06. Terror Couple Kill Colonel
07. The Man With X-Ray Eyes
08. Dancing
09. Mask
10. Rosegarden Funeral Of Sores
11. Hair Of The Dog
12. Kick In The Eye
13. A God In An Alcove
14. Hollow Hills
15. Stigmata Martyr
16. Dark Entries
17. Bela Lugosi's Dead

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1982 | ODISSEA 2001
Live In Milano


01. Double Dare
02. In the Flat Field
03. Silent Hedges
04. In Fear of Fear
05. Of Lilies and Remains
06. Rose Garden Funeral of Sores
07. Sanity Assassin
08. Terror Couple Kill Colonel
09. Spirit
10. Kick in the Eye
11. Hollow Hills
12. Stigmata Martyr
13. Dark Entries

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1982 | THE SKY'S GONE OUT
(Reissue)


01. Third Uncle
02. Silent Hedges
03. In The Night
04. Swing The Heartache
05. Spirit
06. The Three Shadows Part 1
07. The Three Shadows Part 2
08. The Three Shadows Part 3
09. All We Ever Wanted Was Everything
10. Exquisite Corpse
11. Ziggy Stardust
12. Party Of The First Part
13. Spirit
14. Watch That Grandad Go

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1983 | 4AD

01. Dark Entries
02. Terror Couple Kill Colonel
03. Telegram Sam
04. Terror Couple Kill Colonel (version)
05. Rosegarden Funeral of Sores
06. Crowds



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1983 | BURNING FROM THE INSIDE
(Reissue)


01. She's In Parties
02. Antonin Artaud
03. Wasp
04. King Volcano
05. Who Killed Mr. Moonlight
06. Slice of Life
07. Honeymoon Croon
08. Kingdom's Coming
09. Burning From the Inside
10. Hope
11. Lagartija Nick
12. Here's the Dub
13. Departure
14. The Sanity Assassin

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1986 | 1979-1983

VOLUME ONE

01. Double Dare
02. In The Flat Field
03. Dark Entries
04. Stigmata Martyr
05. Bela Lugosi's Dead
06. God In An Alcove
07. Telegram Sam
08. St. Vitus Dance
09. A Spy In The Cab
10. Terror Couple Kill Colonel
11. Dancing
12. Hair Of The Dog
13. The Passion Of Lovers
14. Mask

VOLUME TWO

01. Kick In The Eye
02. Hollow Hills
03. In Fear Of Fear
04. Ziggy Stardust
05. Silent Hedges
06. Lagartija Nick
07. Paranoia, Paranoia
08. Swing The Heartache
09. Third Uncle
10. Spirit
11. All We Ever Wanted
12. Slice Of Life
13. She's In Parties
14. The Sanity Assassin
15. Who Killed Mr. Moonlight?
16. Satori
17. Crowds

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1988 | PRESS THE EJECT AND GIVE ME THE TAPE

01. In The Flat Field
02. Rose Garden Funeral Of Sores
03. Dancing
04. The Man With X-Ray Eyes
05. Bela Lugosi Is Dead
06. The Spy In The Cab
07. Kick In The Eye
08. In Fear Of Fear
09. Hollow Hills
10. Stigmata Martyr
11. Dark Entries
12. Terror Couple Kill Colonel
13. Double Dare
14. In The Flat Field
15. Hair Of The Dog
16. Of Lillies And Remains
17. Waiting For The Man

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1989 | SWING THE HEARTACHE
The BBC Sessions


01. A God In An Alcove
02. Telegram Sam
03. Double Dare
04. The Spy In The Cab
05. In The Flat Field
06. St. Vitus Dance
07. In Fear Of Fear
08. Poison Pen
09. Party Of The First Part
10. Departure
11. The Three Shadows Part 2
12. Silent Hedges
13. Swing The Heartache
14. Third Uncle
15. Ziggy Stardust
16. Terror Couple Kill Colonel
17. Night Time
18. She's In Parties

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1992 | REST IN PEACE
The Final Concert


CD 1

01. (Introduction) Satori
02. Burning from the Inside
03. In Fear of Fear
04. Terror Couple Kill Colonel
05. The Spy in the Cab
06. Kingdom's Coming
07. She's in Parties
08. Antonin Artaud
09. King Volcano
10. Passion of Lovers
11. Slice of Life
12. In Heaven
13. Dancing
14. Hollow Hills
15. Stigmata Martyr
16. Kick in the Eye
17. Dark Entries

CD 2

01. Double Dare
02. In the Flat Field
03. Boys
04. God in an Alcove
05. Hair of the Dog
06. Bela Lugosi's Dead

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1997 | LIVE IN THE STUDIO 1979

01. In The Night
02. A God In An Alcove
03. Dark Entries
04. Telegram Sam
05. Nerves
06. Honeymoon Croon
07. Kamikazi Dive
08. Shows (Fragment)

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1998 | CRACKLE
The Best Of

01. Double Dare
02. In The Flat Field
03. The Passion Of Lovers
04. Bela Lugosi's Dead
05. The Sanity Assassin
06. She's In Parties
07. Silent Hedges
08. Hollow Hills
09. Mask
10. Kick In The Eye
11. Ziggy Stardust
12. Dark Entries
13. Terror Couple Kill Colonel
14. Spirit
15. Burning From The Inside
16. Crowds

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1999 | GOTHAM

CD 1

01. Double Dare
02. In The Flat Field
03. A God In An Alcove
04. In Fear Of Fear
05. Hollow Hills
06. Kick In The Eye
07. Terror Couple Kill Colonel
08. Silent Hedges
09. Severance
10. Boys
11. She's In Parties
12. Passion Of Lovers
13. Dark Entries

CD 2

01. Telegram Sam
02. Ziggy Stardust
03. Bela Lugosi's Dead
04. All We Ever Wanted Was Everything
05. Spirit
06. Severence

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2005 | LIVE IN LOS ANGELES, CA

CD 1

01. Bela Legosi's Dead
02. In the Flat Field
03. God in An Alcove
04. In Fear of Fear
05. Terror Couple Kills Colonel
06. Swing the Hearthache
07. She's in Parties
08. The Passion of Lovers

CD 2

01. Silent Hedges
02. Kick in the Eye
03. Hollow Hills
04. Rosegarden Funeral of Sores
05. Stigmata Martyr
06. Hair of the Dog
07. Dark Entries
08. Slice of Life
09. Telegram Sam
10. Ziggy Stardust

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2008 | GO AWAY WHITE

01. Too Much 21st Century
02. Adrenalin
03. Undone
04. International Bullet Proof Talent
05. Endless Summer of the Damned
06. Saved
07. Mirror Remains
08. Black Stone Heart
09. The Dog's a Vapour
10. Zikir
11. Endless Summer of the Damned (Live)

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2009 | ...AND REMAINS

01. Bela Lugosi's Dead
02. Terror Couple Kill Colonel
03. Double Dare
04. A God In An Alcove
05. Poison Pen
06. Hollow Hills
07. Poem

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2013 | SINGLES
(Remastered Edition)


01. Rosegarden Funeral of Sores
02. Poison Pen
03. Telegram Sam
04. Ziggy Stardust
05. Dark Entries
06. Scopes
07. The Sanity Assassin
08. Spirit
09. Lagartija Nick
10. Earwax
11. Watch That Grandad Go
12. Third Uncle (Single Edit)
13. Terror Couple Kill Colonel
14. In Fear of Dub
15. Kick in the Eye (Remix Single Version)
16. She’s in Parties (Single Edit)
17. Crowds
18. Paranoia, Paranoia
19. Spirit in the Sky
20. Bela Lugosi’s Dead (Tomb Raider Mix)

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domingo, 4 de novembro de 2018

Jimi Hendrix


JIMI HENDRIX, SUA GUITARRA, SUA MAGIA E SEU LEGADO

Há 45 anos, Hendrix deixava o mundo após uma overdose de comprimidos para dormir, mas até hoje continua despertando emoções e inspirando músicos do mundo todo.

Ele tocava guitarra com a boca e tirava o som que quisesse dela. Durante os 27 anos de sua existência, criou solos incríveis e continua despertando emoções e inspirando músicos do mundo todo.

James Marshall “Jimi” Hendrix nasceu em Seattle, em novembro de 1942. Ao longo de sua vida, enchia bares com seu blues inconfundível, incendiava seus próprios instrumentos e se reinventava a cada faixa.

Foi paraquedista do exército americano, afastado por machucar o tornozelo em um salto. Fora das Forças Armadas, fundou duas bandas com as quais alcançou seu mais monstruoso sucesso: Jimi Hendrix Experience e Band of Gypsys. Nessa fase lançou três de seus maiores hits e teve um disco no primeiro lugar das paradas de sucesso americanas.

Toda força e o talento de sua guitarra levaram Hendrix a fazer, em uma única turnê, 120 shows; e as aparições em festivais como o histórico Woodstock, em 1969, arrastavam multidões hipnotizadas pela relação de amor e cumplicidade estabelecida entre ele e o instrumento.

A guitarra de Hendrix tornou-se tão famosa quanto a música: uma Fender Stratocaster. Sua música era chamada por ele mesmo de electric church – igreja elétrica. E a personalidade forte marcou toda a sua vida: episódios de explosões raivosas em hotéis, o sexo e o assassinato da guitarra no palco, e a execução emblemática de Star Spangled Banner – o hino nacional dos Estados Unidos – em claro protesto contra a Guerra do Vietnã.

Há 45 anos, ele deixava o mundo numa overdose de comprimidos para dormir (talvez cumprindo a regra de outros gênios da música cometendo suicídio aos 27) e foi eternizado entre os amantes e profissionais da música. Abriu caminhos para guitarristas, provando que o som não tem barreiras e não pode existir sem magia.

A importância da música dele para o mundo é percebida na sonoridade das distorções em cada solo e nas experiências com microfonias e tremolos.

Texto | Monise Berno

2010 | VALLEYS OF NEPTUNE

01. Stone Free
02. Valleys of Neptune
03. Bleeding Heart
04. Hear My Train a Comin’
05. Mr. Bad Luck
06. Sunshine of Your Love
07. Lover Man
08. Ships Passing Through The Night
09. Fire
10. Red House
11. Lullaby For The Summer
12. Crying Blue Rain

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2013 | PEOPLE, HELLS AND ANGELS

0. Earth Blues
02. Somewhere
03. Hear My Train a Comin’
04. Bleeding Heart
05. Let Me Move You
06. Izabella
07. Easy Blues
08. Crash Landing
09. Inside Out
10. Hey Gypsy Boy
11. Mojo Man
12. Villanova Junction Blues

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2018 | BOTH SIDES OF THE SKY

01. Mannish Boy
02. Lover Man
03. Hear My Train a Comin’
04. Stepping Stone
05. $20 Fine
06. Power of Soul
07. Jungle
08. Things I Used to Do
09. Georgia Blues
10. Sweet Angel
11. Woodstock
12. Send My Love to Linda
13. Cherokee Mist

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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Jimi Hendrix


MONTEREY POP 1967 | UM SHOW QUE MUDOU O ROCK

Diz a lenda que naquela noite do festival, o The Who era a atração principal, mas escolheu entrar antes de Hendrix, pois Pete Townsend andava incomodado com o fato de ele copiar sua mania de quebrar a guitarra nos shows. Considerou que ele se apropriou de sua arte. Hendrix tinha um relativo sucesso na Inglaterra e já era bastante admirado (e invejado) no meio artístico, mas ainda era um desconhecido do grande público. Entrando depois, ele não causaria o mesmo impacto e seria visto apenas como um mero imitador, calculou Townsend. E assim foi feito. O The Who dá um grande espetáculo e, ao final, destrói seu equipamento. Naquela noite, a catarse seria dele.

Agora era a vez de Hendrix. Ele entra com um ataque de guitarras em “Killing Floor”, seguida de um desfile de hits de seu primeiro e recém lançado álbum Are You Experienced, recebendo boa resposta do público. Simpático, conversava com a plateia, enquanto afinava a guitarra entre uma música e outra. Parecia relaxado, lépido, senhor de si. Tocou de costas, com os dentes e impressionou a todos com seu som e fúria. De qualquer maneira, para Townsend, a situação parecia “controlada”. Mas aí veio a última música.

Depois de todo o mise-en-scène com o feedback, ele emendou uma versão raivosa de “Wild Thing”. Através dos acordes simples e da letra quase ingênua da música, Hendrix mostrava ao mundo que uma guitarra não serve apenas para roçar acordes e que fazer um show não é apenas subir no palco e tocar. Ele improvisou, solou, se jogou no chão, tocou de costas. Não satisfeito, “sodomizou” a guitarra, violentando-a contra o amplificador. Depois jogou a guitarra no chão e “masturbou-a”, como se ela tivesse clitóris… Uma total profanação para os costumes daquela época. Mas ainda não tinha terminado.

Grand-finale: guitarra no chão, Hendrix se ajoelha e prepara uma espécie de culto. Esguicha fluido de isqueiro, dá-lhe um beijo de despedida e risca o fósforo. Genial. A guitarra ardendo em chamas, como que num ritual de sacrifício. O fogo e a destruição não era jogo de cena, querendo parecer cool para a câmera. Àquelas alturas, eu já tinha visto um monte de metaleiros posers na MTV, com cara de mau, destruindo seus equipamentos, mas já conseguia perceber o quanto aquilo era fake. Hendrix era o contrário. Não tinha como ser mais visceral e verdadeiro do que aquilo. Esse sim era o grande momento de catarse da noite. Atônito no backstage, Pete Townsend ainda ouve o deboche do baterista Keith Moon: “Seu idiota, porque você não pensou nisso antes? Ele colocou fogo, fogo!”.

O impacto dessa performance foi tão demolidor, que pôde ser notado de imediato na plateia. A câmera flagrou pessoas chocadas com o furor de Hendrix, o que só aumentou ainda mais o seu feito. Sim, o mundo se ajoelhou diante de Jimi Hendrix a partir daquele show. Um show que, definitivamente, mudou o curso da história do rock. Depois que mergulhei em sua discografia, passei a entender o significado do todo aquele mito que tinha se criado. Percebi como ele foi pioneiro em algumas coisas, inovador em outras, e genial sempre. Enfim, a partir daquele dia, entendi porque a guitarra — e o rock — se dividem em a.H. e d.H..

Texto | Diogo Salles

1967 | JIMI PLAYS MONTEREY: LIVE 1967 (1986)

01. Killing Floor
02. Foxy Lady
03. Like a Rolling Stone
04. Rock Me Baby
05. Hey Joe
06. Can You See Me
07. The Wind Cries Mary
08. Purple Haze
09. Wild Thing

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1967 | LIVE AT MONTEREY (2007)

01. Introduction By Brian Jones
02. Killing Floor
03. Foxey Lady
04. Like a Rolling Stone
05. Rock me Baby
06. Hey Joe
07. Can You See me
08. The Wind Cries Mary
09. Purple Haze
10. Wild Thing

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1968 | MIAMI POP FESTIVAL (2013)

01. Introduction
02. Hey Joe
03. Foxey Lady
04. Tax Free
05. Fire
06. Hear My Train A Comin'
07. I Don't Live Today
08. Red House
09. Purple Haze
10. Fire (Afternoon Show)
11. Foxey Lady (Afternoon Show)

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1969 | LIVE AT WOODSTOCK (1999)

CD 1
01. Introduction
02. Message To Love
03. Hear My Train A Comin’
04. Spanish Castle Magic
05. Red House
06. Lover Man
07. Foxey Lady
08. Jam Back At The House

CD 2
01. Izabella
02. Fire
03. Voodoo Child (Slight Return)
04. The Star Splangled Banner
05. Purple Haze
06. Woodstock Improvisation
07. Villanova Junction
08. Hey Joe

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1970 | FREEDOM: ATLANTA POP FESTIVAL (2015)

CD 1
01. Fire
02. Lover Man
03. Spanish Castle Magic
04. Red House
05. Room Full Of Mirrors
06. Hear My Train A Comin’
07. Message To Love

CD 2
01. All Along The Watchtower
02. Freedom
03. Foxey Lady
04. Purple Haze
05. Hey Joe
06. Voodoo Child (Slight Return)
07. Stone Free
08. Star Spangled Banner
09. Straight Ahead

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1970 | BLUE WILD ANGEL
LIVE AT THE ISLE OF WIGHT FESTIVAL (2002)


CD 1
01. God Save the Queen
02. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
03. Spanish Castle Magic
04. All Along The Watchtower
05. Machine Gun
06. Lover Man
07. Freedom
08. Red House
09. Dolly Dagger
10. Midnight Lighting

CD 2
01. Foxey Lady
02. Message to Love
03. Hey Baby (New Rising Sun)
04. Ezy Ryder
05. Hey Joe
06. Purple Haze
07. Voodoo Child (Slight Return)
08. In From The Storm

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bob Dylan


“Bob Dylan é um artista de relevância quase inigualável na música popular moderna”, diz o biografo Howard Sounes na primeira frase de seu livro lançado em 2001 (no Brasil, no ano seguinte pela Conrad) sobre Robert Allen Zimmerman. O documentário “No Direction Home” (2005), de Martin Scorsese, jogou mais luz sobre um dos artistas menos compreendidos daquilo que se convencionou chamar de música pop, e se serviu para apresentá-lo a novas gerações, não explicou o mito (se pudesse, Dylan diria aqui que não há nada para explicar).

O fato é que Dylan representa um fenômeno cultural e social que permite vislumbres maiores sobre a música como partícula de uma sociedade. Um cara que começou escrevendo canções simples inspiradas em Woody Guthrie e folk singers do começo do século (muitos apresentados a ele pela coletânea “Anthology of American Folk Music”) até criar sua própria persona estética escrevendo canções políticas e arranjar, em 1965/1966, uma briga com os puristas ao amplificar suas canções, o que o aproximou da ala rock and roll conquistando tanto admiração quanto repulsa dos artistas folk.

Em 1965, no auge da polêmica conversão à eletricidade, Bob Dylan respondeu quando perguntado sobre o seu papel: “Sou um cara que canta e dança”. Nada mais certo. Existem vários Dylan: o pai de família, o pregador católico, o guardião da música tradicional americana, mas nenhum supera o Bob Dylan dos anos 60. A imagem de iconoclasta, hipster, descolado, todo de preto, com óculos Ray Ban, chapado de maconha e anfetaminas, ainda persiste. E olha que ele se acidentou quase que mortalmente, converteu-se ao cristianismo, retornou ao judaísmo, casou-se, separou-se, pariu filhos e viu amigos partirem, mas continua “andando em ruas que estão mortas”.

Em quase 50 anos de carreira, Dylan tem mais de 450 composições originais, sendo que uma delas é o hino dos direitos civis (“Blowin The Wind”) e a outra é praticamente a Cidadão Kane do rock (“Like a Rolling Stone”). Com quatro discos de inéditas lançados nos anos 2000, um livro escrito (“Crônicas”), além do documentário feito por Martin Scorsese, o melhor documentarista de rock da história, e de um pretensioso longa feito por Todd Haynes, Bob Dylan continua na ativa, sempre em movimento, como uma pedra que rola.

E o que é melhor: sem viver do passado, sem turnês de despedida, sem sujar seu nome. Raros são os artistas que seguem a sua visão interior de forma tão radical na indústria da música. De todos, Robert Allen Zimmerman é o maior.

Texto | Gabriel Innocentini

2007 | DYLAN
(Deluxe Edition)


DISC 1

01. Song to Woody
02. Blowin' In the Wind
03. Masters of War
04. Don't Think Twice, It's All Right
05. A Hard Rain's A-Gonna Fall
06. The Times They Are A-Changin'
07. All I Really Want to Do
08. My Back Pages
09. It Ain't Me Babe
10. Subterranean Homesick Blues
11. Mr. Tambourine Man
12. Maggie's Farm
13. Like a Rolling Stone
14. It's All over Now, Baby Blue
15. Positively 4th Street
16. Rainy Day Women #12 & 35
17. Just Like a Woman
18. Most Likely You Go Your Way (And I'll Go Mine)
19. All Along the Watchtower

DISC 2

01. You Ain't Goin' Nowhere - Bob Dylan & The Band
02. Lay, Lady, Lay
03. If Not for You
04. I Shall Be Released
05. Knockin' On Heaven's Door
06. On a Night Like This
07. Forever Young
08. Tangled up in Blue
009. Simple Twist of Fate
10. Hurricane
11. Changing of the Guards
12. Gotta Serve Somebody
13. Precious Angel
14. The Groom's Still Waiting at the Altar
15. Jokerman
16. Dark Eyes

DISC 3

01. Blind Willie McTell
02. Brownsville Girl
03. Silvio
04. Ring Them Bells
05. Dignity
06. Everything Is Broken
07. Under the Red Sky
08. You're Gonna Quit Me
09. Blood In My Eyes
10. Not Dark Yet
11. Things Have Changed
12. Make You Feel My Love
13. High Water (For Charley Patton)
14. Po' Boy
15. Someday Baby
16. When the Deal Goes Down

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domingo, 28 de outubro de 2018

Caetano Veloso


“Um dia, Caetano chegou pra ficar”, assim dizia o título da reportagem assinada pelo crítico Sérgio Bittencourt, na edição do Globo de 25 de novembro de 1966. O texto anunciava a chegada ao Rio de Janeiro de um “compositor jovem, vindo da Bahia”, que acabara de conquistar o prêmio de melhor letra no II Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, com a música “Um dia”, interpretada pela cantora Maria Odete. Na ocasião, “o moço simples, de Santo Amaro da Purificação”, decretava, em tom profético:

— Começo a sentir os primeiros sintomas de uma nova virada. Ela está para acontecer, não tenham dúvidas. Eu quero estar na crista dessa virada, com todo o meu coração.

De fato, não demoraria muito para que Caetano Emanuel Viana Teles Veloso viesse a se tornar uma das referências da música popular brasileira. Versátil e universal, o baiano se converteu num dos mais influentes artistas de uma geração de ouro que despontou em fins dos anos 60, contando com os talentos de Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Edu Lobo, Maria Bethânia, Gal Costa, entre outros. Expoente do tropicalismo, ajudou a fundar e difundir o movimento de vanguarda no meio musical, abalando as estruturas da MPB.

O menino Caetano nasceu, em 7 de agosto de 1942, na pequena Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Era o quinto dos sete filhos do funcionário público José Teles Velloso, que apreciava música e poesia, e da festeira e musical Dona Canô. Da família, intensamente ligada às tradições folclóricas da região, como o samba de roda, Caetano herdou a vocação artística e musical.

Logo cedo, mostrou interesse em desenho, pintura, cinema e aprendeu a tocar violão. Enquanto acompanhava o trabalho de cantores de rádios e músicos da bossa nova, apaixonou-se pela canção “Chega de saudade” (1959), do disco homônimo de João Gilberto, que se tornou sua principal referência artística. Entre 1960 e 1962, estimulado pelo Cinema Novo, escreveu críticas de filmes para o “Diário de Notícias”, de Salvador. No ano seguinte, iniciou o curso superior em Filosofia, na Universidade Federal da Bahia, e realizou seu primeiro trabalho na música, compondo a trilha sonora para a peça “Boca de ouro”, de Nelson Rodrigues, dirigida por Álvaro Guimarães. Em 1964, participou de espetáculos quase amadores em Salvador, como o musical “Nós, por exemplo”, ao lado da irmã Maria Bethânia, Gal Costa, Tom Zé e Gilberto Gil.

Seu primeiro trabalho profissional na música, com pegada bossa-novista, veio em 1965, com o compacto “Cavaleiro/Samba em paz”, lançado pela RCA, enquanto acompanhava Bethânia na turnê do espetáculo “Opinião”, no Rio de Janeiro, cidade que escolheria para viver. Foi Bethânia, aliás, que o lançara ao mercado como compositor, pouco antes, com a gravação em compacto de “É de manhã”. Ainda influenciado pela bossa nova, Caetano gravou seu primeiro LP, “Domingo”, em 1967, em parceria com Gal Costa, emplacando sua primeira canção de sucesso (“Coração vagabundo”), e obtendo reconhecimento da crítica.

Ainda em 1967, casou-se com Dedé Gadelha, em Salvador, e enlouqueceu o público do III Festival de Música Popular, da TV Record, ao apresentar “Alegria, alegria”. Na ocasião, a música cantada por Caetano, acompanhado de guitarras elétricas do grupo argentino “Beat Boys”, causou enorme frisson, terminando em quarto lugar na competição. Junto com “Domingo no Parque”, também executada ao som de guitarras por Gilberto Gil e Os Mutantes, e classificada em segundo lugar, a canção lançou a base do som tropicalista — influenciado pela Jovem Guarda e pelos Beatles —, dando início ao movimento de vanguarda que provocou efervescência na música popular brasileira.

No início de 1968, Caetano lançou seu primeiro LP solo (“Caetano Veloso”), que contou com sucessos como “Soy loco por tí, America” e “Superbacana”, além da própria “Alegria, alegria” e da canção-manifesto “Tropicália” (com o verso “eu organizo o movimento”). O principal marco do Tropicalismo, no entanto, foi o lançamento, no ano seguinte, do álbum “Tropicália” ou “Panis et circensis”, em que Caetano e Gil — ao lado de Gal Costa, Nara Leão, Os Mutantes, Tom Zé, Capinam, Torquato Neto e Rogério Duprat —, apresentavam uma inusitada mistura de estilos e sonoridades musicais, de raízes brasileiras e estrangeiras, firmando as bases do movimento. Ainda em 1968, em meio ao endurecimento do regime militar, Caetano apresentou no III Festival Internacional da Canção, da TV Globo, a canção “É proibido proibir”, sendo vaiado e desclassificado na final paulista após realizar histórico discurso de improviso contra o público e o júri: “vocês não estão entendendo nada!”, gritou, na ocasião.

O estilo vanguardista e contestador de Caetano atraiu a atenção do regime militar, até que, em dezembro de 1968, ele foi preso, em São Paulo, junto com Gilberto Gil sob a acusação de terem desrespeitado a bandeira e o hino brasileiros durante uma apresentação. A delação, segundo revelou o compositor anos mais tarde, teria sido feita pelo locutor de rádio Randal Juliano, que noticiou o fato sem checar sua veracidade. Os dois foram levados para o Rio, tiveram as cabeças raspadas, sendo submetidos a interrogatório, e permaneceram detidos num quartel do Exército. Após quase dois meses, Caetano e Gil foram inocentados e autorizados a voltar para Salvador, devendo cumprir, no entanto, prisão domiciliar. Em julho de 1969, os militares decidiram que a situação dos dois só se resolveria com o exílio, e os autorizaram a realizar um show de despedida para arrecadação de fundos, partindo em seguida para Londres, na Inglaterra. ( ... )

Texto | Fabio Ponso
Leia mais em | Acervo O Globo

:: ANOS 70 ::

1971 | CAETANO VELOSO

01. A Little More Blue
02. London, London
03. Maria Bethânia
04. If You Hold a Stone
05. Shoot Me Dead
06. In the Hot Sun of a Christmas Day
07. Asa Branca


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1972 | TRANSA

01. You Don't Know Me
02. Nine Out of Ten
03. Triste Bahia
04. It's a Long Way
05. Mora na Filosofia
06. Neolithinc Man
07. Nostalgia


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1972 | BARRA 69 AO VIVO NA BAHIA
Caetano Veloso e Giberto Gil


01. Caetano Veloso | Cinema Olympia
02. Gilberto Gil | Frevo Rasgado
03. Caetano Veloso | Superbacana
04. Gilberto Gil | Madalena (Entra em Beco, Sai em Beco)
05. Caetano Veloso | Atrás do Trio Elétrico
06. Gilberto Gil | Domingo no Parque
07. Caetano e Gil | Medley: Alegria, Alegria | Hino Do Esporte Clube Bahia | Aquele Abraço

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1973 | ARAÇÁ AZUL

01. Viola, Meu Bem
02. De Conversa/Cravo e Canela
03. Tu Me Acostumbraste
04. Gilberto Misterioso
05. De Palavra Em Palavra
06. De Cara/Eu Quero Essa Mulher
07. Sugar Cane Fields Forever
08. Júlia/Moreno
09. Épico
10. Araçá Azul

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1975 | JÓIA

01. Minha Mulher
02. Guá
03. Pelos Olhos
04. Asa, Asa
05. Lua, Lua, Lua, Lua
06. Canto do Povo de Um Lugar
07. Pipoca Moderna
08. Jóia
09. Help
10. Gravidade
11. Tudo Tudo Tudo
12. Na Asa do Vento
13. Escapulário

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1975 | QUALQUER COISA

01. Qualquer Coisa
02. Da Maior Importância
03. Samba e Amor
04. Madrugada e Amor
05. A Tua Presença Morena
06. Drume Negrinha
07. Jorge de Capadócia
08. Eleanor Rigby
09. For No One
10. Lady Madonna
11. La Flor de La Canela
12. Nicinha

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1977 | MUITOS CARNAVAIS

01. Muitos Carnavais
02. Chuva, Suor e Cerveja
03. A Filha de Chiquita Bacana
04. Deus e o Diabo
05. Piaba
06. Hora da Razão
07. Atrás do Trio Elétrico
08. Um Frevo Novo
09. Cara a Cara
10. La Barca
11. Qual é, Baiana?
12. Guarde Seu Conselho

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1977 | BICHO

01. Odara
02. Two Naira Fifty Kobo
03. Gente
04. Olha o Menino
05. Um Ídio
06. A Grande Borboleta
07. Tigresa
08. O Leãozinho
09. Alguém Cantando

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1978 | MUITO
Dentro da Estrela Azulada


01. Terra
02. Tempo de Estio
03. Muito Romântico
04. Quem Cochicha o Rabo Espicha
05. Eu Sei Que Vou Te Amar
06. Muito
07. Sampa
08. Love Love Love
09. Cá Já
10. São João, Xangô Menino
11. Eu Te Amo

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1979 | CINEMA TRANSCENDENTAL

01. Lua de São Jorge
02. Oração ao Tempo
03. Beleza Pura
04. Menino do Rio
05. Vampiro
06. Elegia
07. Trilhos Urbanos
08. Louco por Você
09. Cajuína
10. Aracaju
11. Badauê
12. Os Meninos Dançam

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