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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Muzak


Você já deve ter ouvido seu rock preferido transformado num meloso arranjo orquestral. Pois bem. A idéia original foi da empresa Muzak lncorporated, que fez fortuna infestando salas de espera e alto falantes públicos com este tipo de fórmula.

Existe um trio de rapazes que resolveu chamar-se Muzak. No dialeto musical o termo significa, ainda, deturpação da música. Como assim? "O lixo americano que reinava nas FMs quando começamos, há um ano e meio", explica o vocalista, baixista, letrista, artista plástico e, acredite se quiser, laboratorista farmacêutico Osmar Buono, um dos componentes do trio.

Das primeiras composições, permeadas de uma natureza pesada e tribal tão provocativa quanto o nome Muzak o grupo passou a dar mais importância a temas líricos, românticos. "Percebemos uma preocupação maior com o exotismo, o lado literário da vida. E o que se respira hoje", acrescenta Osmar, Apesar da maioria das letras serem dele, todos do grupo discutem os arranjos. E o resultado éuma espantosa eficiência.

Victor, o baterista, já é velho na guerra tocou no Ira!, Gang 90, Força Aérea, além de bailinhos e festas de carnaval. Ao esquentar os pulsos para couros e pratos, não esquece as preciosas contribuições do jazz rock e da marcação soul. Osmar, no baixo, contra-ataca os ritmos de Victor. E Nivaldo, o guitarrista, alinhava tudo para atingir direto o meio centro do ouvinte.

Pulando de palco em palco desde 84, o trio saltou, em setembro deste ano, para duas gravações relâmpago. Primeiro, numa coletânea do selo independente Baratos Afins. "Muzak merecia um LP só deles", comentou Luiz Calanca, proprietário do selo.
Nem precisou espalhar a notícia. Quando Jorge Davidson, da EMI-Odeon, ouviu Muzak, não pensou duas vezes. Em três semanas colocou-os no estúdio.

Texto retirado de | Painel do Rock Brasieliro 80

1986 | MUZAK

01. Onde Estou
02. Pés No Vazio
03. Rosto Humano
04. Longe Demais
05. Teu Coração
06. Céu Escuro
07. Jovens Ateus [Bônus]
08. Ilha Urbana [Bônus]
09. TV Morte (Ao Vivo) [Bônus]

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

V.A. Não São Paulo


VOLUME 1

"Não São Paulo" traz quatro bandas paulistanas que representavam o lado mais monocromático do rock paulistano da metade dos anos 80. Um álbum de bandas esteticamente inspiradas no pós punk, mas com as janelas abertas para buscar referências em outras manifestações artísticas e, mesmo, na música brasileira, principalmente no seu lado experimental.

O disco se inspira no cultuado "No New York", que revelou quatro bandas tão barulhentas quanto influentes, sob produção de Brian Eno. Semelhante à produção novaiorquina, as bandas do "Não São Paulo" pareciam estar em contante construção, experimentavam no estúdio, mas demonstravam maturidade. Provavelmente não tinham a intenção de encontrar seu lugar no rock nacional vigente, conformado o suficiente para não aceitar desafios, mas surpreenderam o público, e até mesmo se surpreenderam com a resposta do público. Havia um sentimento em comum de que "Não São Paulo" não seria marcado pelo tempo. E estavam certos.

O primeiro volume da coletânea abre com o Akira S & As Garotas que Erraram, capitaneados por um vocalista, Pedreira "Alex" Antunes, mais afeito a narrar letras do que a buscar qualquer harmonia vocal, e um baixista único por estas plagas, Akira S. “Sobre as pernas” traz a participação do Holger Czukay, fundador do Can alçado a condição de ídolo daquela turma. Holger tocou e editou a trompa que rasga o arranjo de "Sobre as pernas", que inclusive chegou a ser bem executada na 89 FM.

O Chance traz a frente a única voz feminina do álbum, Marcinha, e suas duas músicas anteciparam o que na década seguinte ficou conhecido como trip hop. “Samba do morro” desconstrói e desacelera um samba, insere ruídos e cadencia uma levada lenta. “O striptease de Madame X” é densa, com arranjo econômico de piano e versos recitados na voz masculina do Scot, alter ego do José Augusto Lemos.

O Muzak á a mais ruidosa das bandas do disco.“Ilha urbana” traz um arranjo brilhante composto basicamente por uma guitarra barulhenta e uma cozinha bem marcada. Por outro lado, “Jovens ateus” mostra que o Muzak apresentava potencial para canções mais próximas ao rock nacional da época, tanto que foi a única banda do disco que despontou para um contrato com grande gravadora, a EMI, pela gravou seu único disco.

O Ness, aqui reduzido ao duo Fernando e Walter, mostram um trabalho igualmente soturno, mas menos experimental, soam mais acessíveis que as demais bandas do álbum. “Adeus Buck Rogers” também entrou na programação da 89 FM, graças a produtora Aninha Sanchez.

Depois de "Não São Paulo" todas as bandas chegaram ao primeiro álbum completo, exceto o Chance. Nenhuma delas galgou passos além do underground e em menos de quatro anos todas já haviam encerrado atividades. Contudo, juntos construíram uma fotografia ainda bastante nítida da sombria metrópole que se mostrava em completa sintonia com outras grandes cidades e seus artistas urbanos.

O disco foi bem recebido pela crítica especializada, o que gerou um certo desconforto para as bandas, pois boa parte da crítica interessada em "Não São Paulo" era formada por músicos/jornalistas, dois deles presentes na coletânea, Alex Antunes (Akira S & As Garotas que Erraram), José Augusto Lemos (Chance).

“Não São Paulo” foi relançado em CD pela Baratos Afins, em 1997. A edição com um bônus ao vivo para cada banda está disponível nos links abaixo:

1986 | NÃO SÃO PAULO VOL. 1

01. Akira S & As Garotas Que Erraram | Sobre as Pernas
02. Muzak | Jovens Ateus
03. Chance | Samba do Morro
04. Ness | Adeus Buck Rogers
05. Muzak | Ilha Urbana
06. Ness | M.R.O.
07. Akira S & As Garotas Que Erraram | Swing Basses Series I (Eu Dirijo O Carro Bomba)
08. Chance | O Striptease de Madame X
09. Chance | Beaultiful But True
10. Ness | Vie Moderne (Vida Moderna)
11. Muzak | TV Morte (Ao Vivo)
12. Akira S & As Garotas Que Erraram | Kkbalah (Ao Vivo)

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VOLUME 2

Segundo volume da aclamada coletânea lançada pelo selo Baratons Afins. As bandas escolhidas dessa vez foram 365, Gueto, Nau e Vultos.

Sem o mesmo impacto da primeira, vale, pelo menos, pela qualidade das bandas selecionadas, em especial Gueto, com duas faxias mais próximas ao rock do que ao rap.

Diferente do primeiro disco, neste cada banda gravou duas faixas distintas, a terceira foi uma versão ao vivo, ou demo, no cado dos Vultos, de uma das outras canções.

1987 | NÃO SÃO PAULO VOL. 2

01. Nau | Madame Oráculo
02. Gueto | Fotografia
03. 365 | 31 de Março
04. Vultos | O Analista
05. Gueto | Luta
06. Vultos | Farsantes Amantes
07. Nau | Sofro
08. 365 | Grandola Vila Morena
09. Nau | Madame Oráculo (Ao Vivo)
10. Vultos | Farsantes Amantes (Ao Vivo)
11. Gueto | Luta (Ao Vivo)
12. 365 | Grandola Vila Morena (Ao Vivo)

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Texto retirado de | Disco Furado

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Muzak

Power-trio paulista de post punk, criado em 1984 e formado por Osmar (baixo e voz), Nivaldo (guitarras), Victor Leite (bateria) e Régis (bateria - substituindo Victor). Surgiram dentro da cena underground em São Paulo, influenciados primeiramente, pelas bandas inglesas Killing Joke e Gang of Four. As letras de suas canções tinham como característica o caos urbano e suas consequências e o som produzido era muitas vezes propositalmente assimétrico e hardcore (Ilha Urbana) servindo de trilha sonora para suas divagações existenciais e críticas.

Em 1985 foram convidados a participar de uma coletãnea do selo Baratos Afins chamada Não São Paulo, onde foram gravadas as músicas Ilha Urbana e Jovem Ateus.

Em 1986 foram contratados pela EMI-Odeon e lançaram o mini-lp Muzak, contendo as musicas: Onde Estou, Pés no Vazio, Céu Escuro, Teu Coração, Longe Demais e Rosto Humano.

Em 2004 a dupla Tétine juntamente com a gravadora inglesa Soul Jazz Records lançou na Europa a coletânea The Sexual Life of Savages - Underground Post-Punk from São Paulo, com a faixa Ilha Urbana, no mesmo ano outra coletânea semelhante é lançada na Alemanha pelo selo Man Recordings com o título No Wave, contendo a musica Ilha Urbana…

Texto: Last.fm

1986 | MUZAK

01 | Onde Estou?
02 | Pés no Vazio
03 | Rosto Humano
04 | Longe de Mais
05 | Teu Coração
06 | Céu Escuro


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