quinta-feira, 5 de março de 2015

Gentle Giant



:: Um exemplo de amor e arte ::

Por: Karine Mira

Nascida nos anos 70, Gentle Giant é certamente a banda de rock ‘n’ roll que como um todo, mais impressiona qualquer músico sensato. Com 5 integrantes, soa como uma orquestra e um coral simultâneos.

Lançaram todos seus álbuns sem ramelar em nenhum, honrando sempre o titulo prog. Há quem diga que decaíram depois de Playing The Fool, gravado ao vivo em 1977, mas eu não vejo dessa forma, só acho que eles ficaram menos clássicos. Mas nunca perderam sua essência.

E o que é o prog? Quem ousaria defini-lo com precisão? Metamórfico, forte, desafiador, inovador e profundo?

O Giant sempre foi prog, e acabou na hora que tinha que acabar, sem aparentes brigas ou vaidades desequilibradas...uma verdadeira irmandade de músicos. Eles nunca mudaram porque sempre foram pura mudança. Do psico-prog às encantadoras trilhas de castelos medievais.

A característica mais marcante da banda é o uso de linhas melódicas que eu chamaria de “melodias transpostas”. Contrapontos inacreditáveis. São como um emaranhado da linha de cada instrumento ou voz, onde uma vem e em seguida é atropelada pela outra, mas ela não se machuca e já atropela a a que também esta à sua frente, e esta por sua vez cai num ataque repentino ressurgindo mais uma vez num ponto inesperado!

Não é apenas complexíssimo de se executar tais coisas, mas ainda também de compreendê-las, ou apenas assimila-las dentro da própria mente.

E que tipo de criatura cria algo como isso?

Além da criatividade e virtuose, eles transpiram uma alegria que poucos músicos conseguem passar, e porque não dizer,... sentir? Ao vivo mostram paz e comprometimento total com sua arte.

1970 - GENTLE GIANT

01. Giant
02. Funny Ways
03. Alucard
04. Isn’t It Quiet And Cold?
05. Nothing At All
06. Why Not
07. The Queen

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1971 - ACQUIRING THE TASTE

01. Pantagruel’s Nativity
02. Edge Of Twilight
03. The House, The Street, The Room
04. Acquiring The Taste
05. Wreck
06. The Moon Is Down
07. Black Cat
08. Plain Truth

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1972 - OCTOPUS

01. The Advent Of Panurge
02. Raconteur Troubadour
03. A Cry For Everyone
04. Knots
05. The Boys In The Band
06. Dog’s Life
07. Think Of Me With Kindness
08. River

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1972 - THREE FRIENDS

01. Prologue
02. Schooldays
03. Working All Day
04. Peel The Paint
05. Mister Class And Quality?
06. Three Friends


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1973 - IN A GLASS HOUSE

01. The Runaway
02. An Inmate’s Lullaby
03. Way Of Life
04. Experience
05. A Reunion
06. In A Glass House


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1974 - THE POWER AND THE GLORY

01. Proclamation
02. So Sincere
03. Aspirations
04. Playing The Game
05. Cogs In Cogs
06. No God’s A Man
07. The Face
08. Valedictory

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1975 - FREE HAND

01. Just The Same
02. On Reflection
03. Free Hand
04. Time To Kill
05. His Last Voyage
06. Talybont
07. Mobile

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1975 - CAPITOL STUDIOS
(Bootleg)


01. Cogs In Cogs
02. Proclamation
03. Funny Ways
04. Experience
05. So Sincere
06. The Advent Of Panurge
07. Mister Class and Quality

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1976 - IN'TERVIEW

01. In’terview
02. Give It Back
03. Design
04. Another Show
05. Empty City
06. Timing
07. I Lost My Head

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1977 - PLAYING THE FOOL

01. Just The Same/Proclamation
02. On Reflection
03. Excerpts From Octopus
04. Funny Ways
05. The Runaway/Experience
06. So Sincere
07. Free Hand
08. Breakdown In Brussells (Sweet Georgia Brown)
09. Peel The Paint/I Lost My Head

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1977 - ORPHEUM THEATRE, BOSTON
(Bootleg)

01. The Runaway/Experience
02. On Reflection
03. Just The Same
04. Playing The Game
05. Memories of Old Days
06. For Nobody
07. Funny Ways
08. Free Hand

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1977 - THE MISSING PIECE

01. Two Weeks In Spain
02. I’m Turning Around
03. Betcha Thought We Couldn’t Do It
04. Who Do You Think You Are?
05. Mountain Time
06. As Old As You’re Young
07. Memories Of Old Days
08. Winning
09. For Nobody

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1978 - GIANT FOR A DAY

01. Words From The Wise
02. Thank You
03. Giant For A Day!
04. Spooky Boogie
05. Take Me
06. Little Brown Bag
07. Friends
08. No Stranger
09. It’s Only Goodbye
10. Rock Climber

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1980 - CIVILIAN

01. Convenience (Clean And Easy)
02. All Through The Night
03. Shadows On The Street
04. Number One
05. Underground
06. I Am A Camera
07. Inside Out
08. It’s Not Imagination–Ending Of The Album (“That’s All There Is”)

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Alussa Fallax


Alussa Fallax é uma banda da cena italiana que infelizmente produziu uma única obra prima. Seu álbum “Intorno Alla Mia Cattiva educazione” é um prog sinfônico com flautas, Mellotron e belas passagens de violão. Lembra bem o estilo do Locanda delle Fate, embora com passagens mais escuras.

1974 | INTORNO ALLA MIA CATTIVA EDUCAZIONE

01 | Soliloquio
02 | Non Fatemi Caso
03 | Intorno Alla Mia Cattiva Educazione
04 | Fuori di Me, Dentro di Me
05 | Riflessioni al Tramonto
06 | Il Peso delle Tradizioni
07 | Carta Carbone
08 | Perché Ho Venduto il Mio Sangue
09 | Per Iniziare una Vita
10 | È Oggi
11 | È Così Poco Quel Che Conosco
12 | Ciò Che Nasce Con Me
13 | Splendida Sensazione

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terça-feira, 3 de março de 2015

R.E.M.

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Um frenesi de cobertura da mídia em relação às condições climáticas fez com que meados de 1988 passassem a ser apelidados de "greenhouse summer" (verão estufa). Em novembro do mesmo ano, o R.E.M. lançou seu sexto álbum de estúdio. O seu título demonstrava as novas preocupações sociais da esquerda liberal e a música elevou este quarteto a um nível de sucesso capaz de lotar estádios. E apesar de todos os acordes e refrões energéticos, o hábil bandolim de Peter Buck ainda pode ser ouvido em três notáveis baladas.

A mensagem de Green fica evidente logo na capa, onde folhagem, anési de árvore e postes telegráficos competem entre si. O fundo é manchado de laranja - uma referência ao agente químico Agent Orange usado pelas forças dos EUA no Vietnã para arrasar um terço da cobertura florestal daquele país. A referência continua na música "Orange Crush".

As preocupações ecológicas também estão presentes no misterioso "I Remember California". É uma visão estranha da costa ocidental que menciona carcajus, submarinos Trident e engarrafamentos de trânsito antes de fechar com os versos um pouco herméticos: "At the end of the continent / At the edge of the continent". Em seguida vem o single "Stand", com seu verso melancólico, "If wishes were trees, the trees would be falling".

Ainda que a turnê seguinte do R.E.M. tenha promovido o Greenpeace e a Anistia Internacional, Green não é um manifesto político em forma de rock. Em "World Leader Pretend" as preocupações de Stipe são expressas na primeira pessoa e "Turn You Inside Out" fala de seus embates com os dilemas da fama.

"O R.E.M. é a melhor banda do mundo?" - perguntou Andy Gill, fazendo uma resenha deste álbum na revista Q. Ele decidiu que sim, e milhões de pessoas concordaram.

1988 | GREEN

01. Pop Song 89
02. Get Up
03. You Are Everything
04. Stand
05. World Leader Pretend
06. The Wrong Child
07. Orange Crush
08. Turn You Inside Out
09. Hairshirt
10. I Remember California
11. Untitled

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segunda-feira, 2 de março de 2015

Duke Ellington & Louis Armstrong



O compositor e bandleader Ellington conduziu um das orquestras mais notáveis e autodefinidas do jazz durante 50 anos. Não só manteve uma visão musical consistente onde pode desenvolver o seu trabalho como um compositor, mas se sustentou durante décadas com um núcleo leal de solistas que construiram suas próprias marcas na história do jazz.

Dentro do contexto de direção de uma banda, Ellington se tornou figura única no mundo do jazz ao produzir um songbook da canção popular americana comparável em amplitude e profundidade ao que foi gerado por Gershwin, Rodgers, Berlim e Arlen.

Canções como "Mood Indigo", "Solitude", "In A Sentimental Mood", "Don't Get Around Much Anymore" e muitos outros foram executados amplamente e se tornaram standards americanos.

Ellington nasceu em 29 de abril de 1899, e cresceu em um ambiente de classe-média em Washington, D.C. Ele começou a tocar piano com sete anos nos estilos de ragtime e stride. Ele veio para New York com os Washingtonians, e logo assumiu liderança quando Snowden partiu.

Ellington ficou com um grupo de instrumentistas que permaneceriam com ele durante anos e o seguiriam até o topo: Sonny Greer, Otto Hardwick, Arthur Whetsol e Fred Guy. Antes do final dos anos vinte, entraram para o grupo: Harry Carney, Johnny Hodges e Cootie Williams, cada um permanecendo com Ellington até nos anos sessenta.

Os anos de formação da banda de Ellington cobrem de 1924 até 1935. Na seção rítmica a tuba e o banjo foram substituídos pelo baixo e violão e Lawrence Brown trouxe um som único para o trombone. O período também rendeu uma combinação de sucessos para Ellington, como "Rockin'In Rhythm", "Black And Tan Fantasy", "Creole Love Call, que permaneceriam no seu repertório até o fim.

O período de maturidade começa em meados dos anos trinta e atinge o auge no período de 1940-45. As presenças de Jimmy Blanton no baixo e de Ben Webster no sax-alto foram fundamentais na construção de "Ko Ko", "Concerto For Cootie", "Jack The Bear", "Cotton Tail", "Harlem Airshaft" e "Take The A Train", todas gravadas pela RCA.

Este período de intensa criatividade estende até sua composição mais ambiciosa de Ellington, o épico "Black, Brown And Beige", concebido em 1943. Depois da guerra, seu som sobreviveu, mas a intensidade compositional caiu muito até o final da década, Ellington perdeu muito das suas distintas vozes.

O período moderno, ou a Era de Newport começa em 1951 quando Sonny Greer foi substituído por Louis Bellson e a banda ganhou uma nova agilidade rítmica. Bellson ficou durante aproximadamente três anos, no final sendo substituído por Sam Woodyard.

Mas a flutuação rítmica da banda sempre era fixa com um rasto moderno e melhorias sutis inspiradas em sua musicabilidade. Quando Johnny Hodges voltou depois de uma ausência de cinco anos, Ellington sentiu-se revigorado e pronto para seguir adiante.

O desempenho histórico de "Diminuendo And Crescendo In Blue" no Newport Jazz Festival de 1956 abriu uma era nova de prosperidade para Ellington que reavivou a composição e produziu uma sucessão de trabalhos estimulantes, de "Such Sweet Thunder" (1957) para "The Far East Suite" (1966).

Durante os anos finais da banda, início de 60 até 1974, a morte cortou fora o que tinha parecia ser imutável. Duke Ellington morreu de câncer no dia 24 de maio de 1974, mas a banda continuou de forma irregular, sob a direção de seu filho Mercer Ellington.

Texto: Clube de Jazz

1961 | LOUIS ARMSTRONG & DUKE ELLINGTON
The Great Summit | The Master Takes

01 | Duke’s Place
02 | I’m Just a Lucky So and So
03 | Cottontail
04 | Mood Indigo
05 | Do Nothin’ Till You Hear from Me
06 | Beautiful American
07 | Black and Tan Fantasy
08 | Drop Me off in Harlem
09 | Mooche
10 | In a Mellow Tone
11 | It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got…
12 | Solitude
13 | Don’t Get Around Much Anymore
14 | I’m Beginning to See the Light
15 | Just Squeeze Me
16 | I Got It Bad (And That Ain’t Good)
17 | Azalea

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domingo, 1 de março de 2015

Sex Pistols

Primeiro e único álbum da banda britânica de punk rock Sex Pistols.

Os Sex Pistols duraram como banda por volta de dois anos, no final da década de 70, mas foi tempo suficiente para que eles mudassem radicalmente a cara da música. Com suas letras cruas, niilistas e violentas performances ao vivo, a banda revolucionou o Rock and Roll, sendo uma das principais influências do punk rock.

Por trás de suas táticas de choque e negativismo havia uma crítica social cuidadosamente pensada para gerar altíssimo impacto. O álbum articulava com perfeição a frustração, raiva e insatisfação da classe trabalhadora inglesa com o establishment.

O grupo abriu caminho para incontáveis outras bandas fazerem o mesmo, mas nenhuma foi tão abusada. É fácil ver como a energia da banda e sua atitude geraram uma revolução musical. Originalmente lançado em 1977, Never Mind The Bollocks não perdeu sua fúria ou originalidade com o passar do tempo.

1977 - Never Mind The Bollocks,
Here's The Sex Pistols

01. Holidays In The Sun
02. Bodies
03. No Feelings
04. Liar
05. God Save The Queen
06. Problems
07. Seventeen
08. Anarchy In The U.K.
09. Submission
10. Pretty Vacant
11. New York
12 . E.M.I.

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Mon Dyh | Murderer


Markus Worbs | drums
Harald Künemund | acoustic guitars
Andreas Pröhl | vocals, guitar
Harald Frohloff | bass


1980 | MURDERER

Don't You Break My Heard
Murderer
Trying
Magic Piano
Just A Minute
Neetle Must Not Lay Down
One Second Man
Encounterd The Edge
All Along The Watchtower
Have You Ever Loved A Woman

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

The Dog That Bit People



John Caswell | vocals, guitar
Michael Hincks | vocals, bass
Bob Lamb | drums
Keith Millar | vocals, guitar, keyboards


1971 | THE DOG THAT BIT PEOPLE

01. Goodbye Country
02. The Monkey And The Sailor
03. Lovely Lady
04. Sound of Thunder
05. Cover Me in Roses
06. Someone, Somewhere
07. A Snapshot of Rex
08. Red Queen's Dance
09. Mr Sunshine
10. Tin Soldier
11. Walking
12. Reptile Man
13. Merry Go Round (Bonus)

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Walter Franco


Um dos mais renomados, vanguardistas e geniais compositores brasileiros da década de 70, Walter Franco é um dos nomes mais importantes da música brasileira e um dos primeiros a fazer música concreta no país. Contestador, deixou quatro grandes discos nos anos 70, antes de entrar em uma reclusão e ser recuperado no ano 2000, com um documentário e no ano seguinte, com um novo disco. Desde então, Walter tem se apresentado e mostrado seu talento pelo país. Um enorme talento que merece uma homenagem humilde, mas sempre reverente.

Poucas pessoas sabem quem é Walter Franco, algo bem normal em um país que desconhece os artistas com mais de 10 anos de carreira ou quem busca um caminho totalmente pessoal e não se prende às armadilhas da indústria musical.

Mas, esse paulista nascido em 6 de janeiro de 1945, em São Paulo, foi um dos principais expoentes da música brasileira dos anos 70, ao lado de Jards Macalé, Itamar Assumpção, e por que não, Arnaldo Baptista.

Desde jovem, Walter mostrou tendências artísticas e por isso resolveu estudar teatro, onde compunha trilhas para algumas peças, além de se apresentar em festivais na virada dos anos 60 para os 70. Conseguiu alguma projeção quando Geraldo Vandré defendeu sua canção "Não se Queima um Sonho", entre outras.

Porém, seu primeiro momento solo aconteceu em 1972, no Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, quando tocou "Cabeça". A confusão começou quando o júri formado por Nara Leão, Roberto Freire, Rogério Duprat, Júlio Medaglia e Décio Pignatari, resolveu premiar aquela música estranha, experimental, com poesia cortada, com o primeiro lugar, apesar das vaias da platéia.

Se a platéia odiou, o que dirá a conservadora emissora, nos anos de chumbo da ditadura. O resultado é que o júri foi demitido. Mas, o momento de tensão ficou ainda maior, quando Roberto Freire foi ao palco e denunciou toda a armação, junto com o grupo Pholhas. Acabou sendo preso por isso.

Walter já tinha chamado atenção suficiente para conseguir um contrato e em 1972 assinou com a Continental. O produtor escolhido para a empreitada seria o radialista Walter Silva, o Pica-Pau, mas ele resolveu chamar o amigo Rogério Duprat, para a missão, por não entender muito as idéias de seu xará.

Com total liberdade no estúdio, o apoio de Duprat, e a melhor tecnologia disponível na época, Walter estréia com o clássico disco Ou Não (também conhecido como Disco da Mosca ou Disco Branco). A capa trazia apenas uma mosca ao centro de um capa branca e apenas o título na contra-capa.

Ou Não foi um lançamento revolucionário. Walter utilizava técnicas incomuns, como a poesia concreta, repetições de fragmentos de letras e arranjos extremamente elaborados. Não são poucos os que consideram como a melhor estréia de um artista brasileiro.

No ano seguinte, Walter saiu com o show "A Sagrada Desordem do Espírito" onde se apresentava sozinho, com um violão e em posição de lótus. Seu único companheiro era a mesa de mixagem comandada por Peninha Schmidt e que era usada como uma orquestra, dando liberdade para Walter criar em cima do palco.

Walter e Jards Macalé durante o Festival AberturaEm 1975, Walter participa do Festival Abertura, com a música "Muito Tudo", ao lado de amigos, como Jards Macalé.

A música é uma homenagem a alguns ídolos, casos de João Gilberto e John Lennon. Os arranjos ficaram com o maestro Júlio Medaglia. E, para variar, Walter foi duramente vaiado pela platéia, apesar do terceiro lugar obtido.


Walter conseguiu mais uma polêmica quando ele, o flautista Tony Osanah e Medaglia subiram ao palco para apresentar a canção. Sob vaias intensas, e sem ter como se apresentarem, os três começaram a jogar um estranho jogo de dados, até que Medaglia rasgou a partitura e a atirou no público.

Mas nada disso seria páreo para o novo trabalho de Walter. Gravado em outubro de 1975 e lançado no ano seguinte, Revolver mostrava um Walter totalmente diferente. Antes de mais nada, o nome do disco é tirado do verbo "revolver" e não uma tradução do disco dos Beatles lançado em 1966 (até porque em português seria Revólver).

Contudo, há uma enorme influência de John Lennon na obra. Primeiro, porque Walter se veste de terno branco, como Lennon na capa de Abbey Road e em diagonal. Segundo, porque a sonoridade está mais perto do rock, com guitarras, e principalmente da sonoridade do ex-Beatle com sua Plastic Ono Band.

O álbum é uma pérola do começo ao fim, abrindo com "Feito Gente", um rock enérgico, conciso e com versos maravilhosos: "feito gente / feito fase / eu te amei / como pude / fui inteiro / fui metade / eu te amei / como pude... fui a vela / fui o vento / eu te amei / como pude / a partida / fui a volta...". Outros momentos inesquecíveis são a vinheta de sete segundos "Apesar de tudo é muito leve", a linda "Cachorro Babucho". Um dos discos mais importantes da nossa música, seja rock ou MPB, com Walter mostrando-se mais inspirado do que nunca e buscando novos horizontes.

Walter só voltaria a lançar um novo disco em 1978. O resultado seria outra obra-prima: Respire Fundo, que levou oito meses de gestação e mais de 200 músicos envolvidos.

O disco traz grandes clássicos, casos da faixa-título e de "Coração Tranqüilo", com o belíssimo verso "Tudo é uma questão de manter / a mente quieta / a espinha ereta / e o coração tranqüilo", explicitando a influência da filosofia oriental em sua vida e obra.

No ano seguinte, Walter lança outra obra fundamental, Vela Aberta. O disco trazia a controversa canção "Canalha", que rendeu a ele, novamente, vaias quando foi defendida no Festival da Tupy. Berrada, gritada, Walter recebeu enormes vaias e defendeu sua obra, dizendo que não estava chamando ninguém de canalha e apenas falando de uma dor canalha, que é a dor da existência de todo ser humano.

Outro grande momento é a faixa título, composta com seu pai, Cid Franco, que escreveu a letra.

Em 1981, ele ainda participou do festival, MPB-Shell, com a música "Serra do Luar", grande sucesso posteriormente na voz de Leila Pinheiro. No ano seguinte, lança um último disco antes da reclusão, apenas com seu nome, pela pequena gravadora Lança.

Após o disco, Walter desapareceu da mídia, fazendo poucos e esparsos shows. Sua voz só foi ouvida novamente, quando em 2000, foi realizado o documentário Walter Franco Muito Tudo, de 25 minutos e rodado em 16 mm, e com depoimentos do poeta Augusto de Campos (um de seus grandes fãs e amigo), que traduziu o poema "Um Lance de Dados", de Mallarmè, além de entrevistas com Rogério Duprat, Júlio Medaglia, Jorge Mautner, Nelson Jacobina, Jards Macalé, Lívio Tragtenberg, Leila Pinheiro e Itamar Assumpção.

Em 2001, Walter voltou aos estúdios e lançou Tutano, seu último disco pela pequena yesbrazil? e posteriormente pela Trama e com participações especiais, como a de Arnaldo Antunes.

Ele ainda continua dando seus shows, sendo reverenciado pelos novos músicos e por gente que não o conhecia, mas que acabaram virando novos fãs.

Em 2001, os dois primeiros discos dele foram relançados na série "Clássicos da MPB - Série Dois Momentos", com a edição produzida pelo baterista dos Titãs, Charles Gavin.

Por | Mofo

1971 | TEMA DO HOSPITAL
(Compacto)


01. Tema do Hospital
02. Tire Os Pés do Chão






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1973 | OU NÃO

01. Mixturação
02. Água e Sal
03. No Fundo do Poço
04. Pátio dos Loucos
06. Flexa
07. Me Deixe Mudo
08. Xaxados e Perdidos
09. Doido de Fazê Dó
10. Vão de Boca
11. Cabeça

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1975 | REVOLVER

01. Feito Gente
02. Eternamente
03. Mamãe D´água
04. Partir do Alto / Animal Sentimental
05. Um Pensamento
06. Toque Frágil
07. Nothing
08. Arte e Manha
09. Apesar de Tudo é Muito Leve
10. Cachorro Babucho
11. Bumbo do Mundo
12. Pirâmides
13. Cena Maravilhosa
14. Revolver

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1978 | RESPIRE FUNDO

01. Respire Fundo
02. Fado do Destino
03. Coração Tranquilo
04. Lindo Blue
05. Até Breve
06. Criaturas
07. Os Bichos
08. Plenitude (Ubiqüidade)
09. Govinda
10. Berceuse dos Elefantes

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1980 | VELA ABERTA

01. Vela Aberta
02. O Dia do Criador
03. Canalha
04. Corpo Luminoso
05. Divindade
06. Tire os Pés do Chão
07. Como Tem Passado
08. Feito Gente
09. Me Deixe Mudo
09. Bicho de Pelúcia
10. O Blues é Azul

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1982 | WALTER FRANCO

01. Luz Solar
02. Quem É?
03. Luz da Nossa Luz
04. Pega no Ar
05. Mundo Pensativo
06. Filho Meu
07. Remador
08. No Exemplar de um Velho Livro
09. Paz do Mundo
10. Raça Humana

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2001 | TUTANO

01. Nasça
02. Quem Puxa aos Seus Não Degenera
03. Tutano
04. Na Ponta da Língua
05. Totem
06. Zen
07. Ai, Essa Mulher
08. Intradução
09. Senha do Motim
10. Cabeça
11. Gema do Novo
12. Acerto com a Natureza
13. Distâncias
14. Muito Tudo

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Os Brazões

Integrada por Miguel e Roberto nas guitarras, Eduardo na bateria e Taco no Baixo, Os Brazões era a banda que acompanhava Gal Costa no final dos anos 60.

Cultivavam um estilo imerso no tropicalismo, com altas doses de psicodelia, evidenciada pela guitarra fuzz de Roberto e pela guitarra wah wah de Miguel. O rico trabalho de percussão, as letras em português e a utilização recorrente de ritmos regionais, completam a fórmula sonora dos Brazões. Uma comparação com Santana não é de todo errônea.

Os Brazões é uma das mais intressantes bandas da psicodelia brasileira. Este disco, que em determinados momentos parece estar a frente do seu tempo, com pinceladas bastante elaboradas de rock e até de fusion, lamentavelmente é o único legado da banda. Um grupo que com certeza poderia ter ido muito longe.

Por | Progresiva 70s

1969 | OS BRAZÕES

01. Pega a Voga Cabeludo
02. Canastra Real
03. Módulo Lunar
04. Volkswagen Blue
05. Tão Longe de Mim
06. Carolina, Carol Bela
07. Feitiço
08. Planador
09. Espiral
10. Gotham City
11. Momento B8
12. Que Maravilha

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Neumeier-Genrich-Schmidt | Psychedelic Monsterjam


Mani Neumeier | drums
Ax Genrich | guitar
Dave Schmidt | bass


NEUMEIER-GENRICH-SCHMIDT
2004 - Psychedelic Monsterjam

Bong
(Do You Want To) Boogie In Bombay
Stone In
Stone Out
Moonlight Flight
Next Time See You At The Dalai Lhama
Rising Sun
Electric Junk
Mushroom Moon

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Led Zeppelin | Tour Over Europe 1980 | Dortmund




1980 | DORTMUND

DISC 1
01. Train Kept A Rollin'
02. Nobody's Fault But Mine
03. Black Dog
04. In The Evening
05. The Rain Song
06. Hot Dog
07. All Of My Love
08. Trampled Underfoot
09. Since I've Been Loving You

DISC 2
01. Achilles Last Stand
02. White Summer
03. Kashmir
04. Stairway To Heaven
05. Rock And Roll
06. Whole Lotta Love Intro
07. Heartbreaker
08. Whole Lotta Love

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sonic Youth


Poucas bandas gozam do prestígio do Sonic Youth. Apesar de nunca ter alcançado o sucesso comercial de seus seguidores, sua influência acabou marcando a história da música pop de forma incontestável graças à explosão do “grunge”, no início da década passada, um momento único na história da música, quando as bandas do underground saíram dos porões e viraram o mainstream de cabeça para baixo, fazendo com que o seu som fosse o “acessível”, o “rentável”, etc.

Além de sua música ser uma espécie de ponte entre o punk dos anos 70, o experimentalismo do Velvet Undeground e o som de Seattle dos anos 90, Thurston Moore, guitarrista e líder não declarado da banda, foi quem levou o Nirvana à Geffen, o que possibilitou a explosão comercial desta e de todas as bandas que acabaram despontando para as paradas em sua carona (Smashing Pumpkins, Pearl Jam, Soundgarden, Pavement, entre muitas outras).

Goo foi o primeiro disco da banda por uma grande gravadora, a Geffen, que um ano depois lançaria Nevermind. Apesar de já ser uma banda veterana, com cinco discos nas costas (entre eles clássicos do calibre de Sister e Daydream Nation), era uma situação completamente nova para Thurston, Kim, Lee e Steve. Dessa vez fazer um grande disco não era suficiente; torná-lo acessível para o grande público também fazia parte do jogo e, para isso, teriam que mudar um pouco da essência de seu som. Um disco como Evol jamais seria satisfatório para os executivos, algo experimental como Daydream Nation menos ainda. Apesar disso, não poderiam mexer em demasia na sonoridade da banda, por motivos óbvios: a integridade artística e o aval dos fãs que apreciavam o Sonic Youth desde seus primórdios. Visivelmente, não era uma situação fácil, a banda precisaria de uma boa dose de criatividade e um arsenal de grandes melodias. Felizmente, o Sonic Youth não é o tipo de banda que entra em estúdio por bobeira, e aliou esses dois lados opostos da moeda em um só. Experimentando, abusando das guitarras, mas sobre melodias mais “fáceis” (o que, em momento algum, significa “simplórias” ou “banais”) do que as dos álbuns anteriores. E graças a isso gravou um disco maravilhoso, um dos melhores de sua carreira (senão o melhor). ... (continua)

Por | Francisco Marés

1989 | GOO

01| Dirty Boots
02 | Tunic (Song for Karen)
03 | Mary-Christ
04 | Kool Thing
05 | Mote
06 | My Friend Goo
07 | Disappearer
08 | Mildred Pierce
09 | Cinderella's Big Score
10 | Scooter + Jinx
11 | Titanium Exposé

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Leno | Vida e Obra de Johnny McCartney


“Vida e Obra de Johnny McCartney” é considerado o CD mais importante da carreira solo de Leno, e foi gravado em fitas, entre novembro de 1970 e janeiro de 1971. Foi um momento em que ele deixa de lado, a questão das baladas tão presentes na Jovem Guarda, e mostra-se como um artista independente, vanguardista, crítico, rebelde, um ser politizado. Nessa época, ele fazia sucesso com a balada romântica “Festa de 15 anos” e resolveu dar uma guinada. “Eu sempre fui roqueiro, mas sempre estourava com músicas lentas. Eu queria mostrar o meu lado mais rock’n’roll”, revela. Tendo sido vetada pela Ditadura Militar em 1971, a obra que teve os Beatles, mais precisamente a dupla Lennon & McCartney, como inspiração para o compositor, ficou perdida durante 25 anos! O projeto criado em parceria com Raul Seixas reaparece em 1995, para a grande surpresa de Leno, que dava as fitas de seu inédito “Vida e Obra de Johnny McCartney” por perdidas! Acontece que elas são descobertas por acaso nos arquivos da Sony Music! Leno, então, decide remasterizar a gravação e editá-la em CD, criando seu próprio selo, o Natal Records, e lança sua obra composta em parceria com Raulzito.

Leno passou o ano de 1979 morando em Los Angeles, nos Estados Unidos, mas quase não compunha, pois estava ligado mais em cantar e tocar e quando voltou a residir em Natal, começou a se dedicar a compor e realizar shows. Guardava para si a lembrança de Raul Seixas, um cara simples que gostava de música. “Gosto muito da lembrança dele em mim, apesar das distâncias”. Essas lembranças ficam mais evidenciadas e tomam conta da vida de Leno quando este apresenta ao público o relançamento do disco “Vida e Obra de Johnny McCartney”, álbum considerado pela crítica especializada internacional como um dos melhores do rock. Foi o terceiro disco de sua carreira solo e teria sido gravado em 1970, porém a gravadora CBS vetou o projeto por achar que ele não era comercial. “Tinha umas músicas censuradas, como ‘Sr. Imposto de Renda’ e ‘Sentado no Arco-íris’. Segundo Leno, este disco antecipou muita coisa que viria a acontecer apenas nos anos 80 em termos musicais, além de ter influenciado a carreira de Raul Seixas.

Das 13 músicas do disco, seis são em parceria com o baiano. Leno comenta que “talvez a partir daí Raul tenha criado a vontade de ser cantor, pois ele não era muito a fim. Foi um laboratório para ele”.

O verdadeiro Rock já se faz presente logo na primeira faixa, “Johnny McCartney”, que é uma sátira à busca da fama tão em voga hoje em dia: “Ainda hei de ser famoso um dia / Meu nome nos jornais você vai ler / Vou ganhar mais de um milhão / Comprar o meu carrão cantando na TV / Vai pagar pra me ver no cinema / Do que me fez, irá se arrepender / Daqui pra frente sou galã lhe ofuscando / Com meu terno de lamê / Johnny McCartney vou ser).

É uma letra bem atual! Por tudo isso, “Vida e Obra de Johnny MacCartney” é considerado um disco seminal para o rock brasileiro, pós-Jovem Guarda, e deve constar em qualquer discoteca básica do estilo, onde guitarras, bateria e baixo ganham mais expressão, pela primeira vez, no rock brasileiro.

Por | Lúcia M. Zanetti

1995 | VIDA E OBRA DE JOHNNY McCARTNEY (1971)

1. Johnny McCartney
2. Por Que Não?
3. Lady Baby
4. Sentado no Arco-íris
5. Pobre do Rei
6. Peguei uma Apollo
7. Sr. Imposto de Renda
8. Não Há Lei em Grilo City
9. Convite para Ângela
10. Deixo o Tempo Me Levar
11. Contatos Urbanos
12. Bis
13. Johnny McCartney

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Huckle | Wilde Blue Yonder


Huckle: guitar, mandolin, voice
Paul Gellman: piano, fiddle, guitar
Wendi Sinclair: voice
Tommy Agostino: bass, vocals
Bob Walshaw: drums
Straw: wooden stick drums
Sky Sylamuth: : guitar (on Flowers To The Sun)


1976 | WILD BLUE YONDER

Wild Blue Yonder
Rolling River
I Surrender
Flower To The Sun
She's Coming Home
Beautiful You Are
High For Sky
Gather The Children
Wild Night

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