terça-feira, 8 de março de 2011

Five Horse Johnson

Five Horse Johnson é uma banda de blues-rock americana, formada em 1995 de Toledo, Ohio. A banda combina hard rock, o blues e outras influências em uma mistura de stoner rock / blues.

2003 - LAST MEN ON EARTH

Cry Rain
Cherry Red
Soul Digger
Three at a Time
Blood Don't Pay
Love 2 Lose
Sweetwater
B.C. Approved
Sawhill
Yer Mountain

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Foghat


Foghat é uma banda de rock britânica que teve o auge de seu sucesso na segunda metade da década de 1970. Seu estilo pode ser descrito como blues-rock, dominados por guitarras e guitarras slide. A banda conseguiu cinco discos de ouro, e conseguiu se manter popular durante a era da música disco; a popularidade do grupo, no entanto, entrou em declínio no início dos anos 80.

A banda contava inicialmente com Dave Peverett ("Lonesome Dave") na guitarra e vocal, Tony Stevens no baixo e Roger Earl na bateria. Após os três saírem do Savoy Brown em dezembro de 1970, Rod Price foi chamado para a guitarra e a guitarra slide, e o Foghat foi formado oficialmente em janeiro de 1971. Seu álbum de 1972, Foghat, foi produzido por Dave Edmunds, e tinha um cover de "I Just Want to Make Love to You", de Willie Dixon, que foi muito tocada nas estações de rádio FM da época.

Mais sobre Foghat: ::AQUI ::

1972 | FOGHAT

01 | I Just Want to Make Love to You
02 | Trouble,Trouble
03 | Leavin' Again (Again!)
04 | Fool's Hall of Fame
05 | Sarah Lee
06 | Highway (Killing Me)
07 | Maybellene
08 | A Hole to Hide In
09 | Gotta Get to Know You

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gary Moore

O LEGADO DE GARY MOORE

O rock perdeu um de seus grandes guitarristas. O irlandês Gary Moore morreu na madrugada de domingo, aos 58 anos. Embora as causas da morte ainda não tenham sido confirmadas, a autópsia aponta para morte natural.

Moore foi um dos grandes guitarristas do rock e um dos maiores bluesmen contemporâneos. Começou sua carreira no grupo Skid Row (uma banda de blues-rock influenciada pelos Bluesbreakers de John Mayall, muito diferente da banda de hair metal), com quem gravou três discos entre 1970 e 1971.

Fez amizade com o baixista e vocalista Phil Lynott, do Thin Lizzy, e participou da banda esporadicamente. Em 1979, Moore gravou o disco Black Rose: A Rock Legend, um dos melhores registros do grupo.

Seu grande sucesso comercial veio com o disco Still got the blues, de 1990. Nesse disco, fica claro o talento de Moore na guitarra, unindo sentimento e técnica de uma maneira única. Em sua carreira solo, o guitarrista ainda gravou outros álbuns importantes, como After hours, de 1993, e Live at Monsters of Rock, um disco ao vivo impecável lançado em 2003.

Moore ainda colaborou com os Traveling Wilburys (o supergrupo de Jeff Lynne, Tom Petty, Bob Dylan, Roy Orbison e George Harrison), tocando o solo de “She’s my baby”, música do disco Traveling Wilburys Vol. 3, gravado após a morte de Orbison.

Por: André Sollitto

1990 | STILL GOT THE BLUES

Moving On
Oh, Pretty Woman
Walking by Myself
Still Got the Blues
Texas Strut
Too Tired
King of the Blues
As the Years Go Passing By
Midnight Blues
That Kind of Woman
All Your Love
Stop Messin' Around

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

The Raven

:: O CORVO ::

de Edgar Allan Poe
tradução: Fernando Pessoa


Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

The Carpenters

Músicos de sensibilidade e de formação jazzística desde muito jovens, Richard e Karen Carpenter souberam amalgamar a suavidade e a densidade desse gênero musical com uma linguagem pop, influenciada por artistas como os Beatles.

Depois de algumas experiências em conjuntos, pelos anos 60, como o Richard Carpenter Trio e outro, embrião da linguagem musical que eles iam entronizar pelos anos seguintes, Spectrum, ambos desenvolveram um estilo que chamou a atenção do trompetista Herb Alpert, líder do mítico conjunto tex-mex mariachi boogie-woogie, Tijuana Brass, então um dos donos da gravadora A&M, e até então o artista de maiores vendagens deste selo.

A despeito de terem carta branca para gravarem um álbum ao seu estilo, não lograram o êxito esperado. No entanto, nos ensaios para o segundo disco, Alpert sugeriu a os dois uma antiga canção do maestro Burt Bacharach, chamada Close To You. O tema, que chegou a ser gravado por Richard Chamberlain e Dionne Warwick, nem com o próprio Bacharach havia feito o sucesso esperado — com relação a outras músicas do compositor. Mesmo hesitante, Richard aceitou pô-la no próximo compacto.

Lançada em maio de 1970, não só virou um sucesso acachapante quanto catapultou a dupla para o mundo, com canções românticas e marcantes, como Only Yesterday e I Need To Be In Love, além de covers de qualidade e muito bom gosto, como Please Mr. Postman (Marvelettes) e There’s a Kind Of Hush (Herman’s Hermits), entre outros.

O álbum homônimo, que viria à luz em agosto daquele mesmo ano, mostrava o gênero easy listening, que Karen e Richard transformaram numa avassaladora fórmula de sucesso. E tão insólito quanto o grande êxito inesperado do cover do autor de This Guy’s In Love With You foi o do segundo single do álbum, a linda We’ve Only Just Begun, que originalmente não passava de um jingle de um banco californiano.

Lançado no Verão de 70, subiu ao segundo lugar na parada da Billboard junto com Close to You, um verdadeiro fenômeno. Além dessas duas canções, o disco da dupla também trazia canções de Richard do tempo do Spectrum, como Maybe It’s You e versões bem particulares para dois outros temas de Bacharach, Baby It’s You e I’ll Never Fall In Love Again e ainda outra regravação bem peculiar de um antigo sucesso dos quatro cabeludos de Liverpool, Help! Contudo, mesmo soando ligeiramente comercial (e não deveria não deixar de ser) Close To You possui momentos bem experimentais, como uma obscura canção deles, Second Part, exótica e densa, bem diferente dos sucessos de Karen e Richard, e que fecha de forma singular o LP.

Texto: 1001 albuns

1970 | CLOSE TO YOU

01 | We've Only Just Begun
02 | Love Is Surrender
03 | Maybe It's You
04 | Reason To Believe
05 | Help
06 | (They Long To Be) Close To You
07 | Baby It's You
08 | I'll Never Fall In Love Again
09 | Crescent Noon
10 | Mr | Guder
11 | I Kept On Loving You
12 | Another Song

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Gang Of Four

"Se os membros do Clash eram os guerrilheiros urbanos do rock'n'roll, os da Gang of Four eram teóricos do movimento revolucionário", já dizia o Truser Press Record Guide, com acerto. Uma primeira leva do pós-punk britânico - que trouxe essas duas bandas e o PIL, entre outras - se atirava com a mesma fúria contra os fundamentos da sociedade burguesa, fossem eles destrutíveis ou não. Não eram. Mas isso só se soube depois.

As marcas da artilharia ainda estão aí. Uma das mais eloquentes é Entertainment!, primeiro LP da Gang, que viria a ser chamado pelo Melody Maker de "guia jovem para sobrevivência em tempos de recessão" (!).

O grupo surgiu em 1977 na cidade portuária e industrial de Leeds. O baterista Hugo Burnham, o guitarrista Andy Gill e o vocalista Jon King - todos egressos da universidade local - recrutaram Dave Allen (esse, o único proletário de verdade da banda) para o baixo. E em poucos meses já lançavam um primeiro LP, Damaged Goods, pelo selo independente Fast Products. O sucesso de crítica do disco e o furor que as apresentações ao vivo sempre causavam em clubes ou escolas deixaram a EMI interessada no grupo. A "camarilha dos quatro" (xingamento cunhado pelo governo chinês para o grupo político da viúva de Mao Tse Tung, expurgada do poder tempos depois da morte do marido) se garantiu, exigindo da gravadora - a mesma que rompeu com os Sex Pistols em 1976 - controle total sobre o produto: repertório, capa, produção e divulgação. A EMI pagou para ver.

O aperitivo já causou encrenca: o single "At Home He's a Tourist" esbarrou na censura do programa de TV Top of the Pops, por uma referência, na letra, a camisinhas. O LP confirmou a porrada. Numa espécie de lapidação do diamante cristalizado no carvão punk, o som da Gang não é mero suporte para textos de agitação. Ele é político: sintético, reduzindo ao mínimo essencial, valorizando cada elemento musical e não fazendo concessões a fórmulas ou estilos convencionalmente aceitos - ainda que seja perfeitamente rock. A base sonora das faixas resume-se praticamente a baixo e bateria - uma cozinha que conseguiu juntar de forma única simplicidade, criatividade e peso -, e é apenas pontuada pela guitarra de Gill, pelos vocais e por uma eventual escaleta (monocórdica) de King. Apesar das intervenções brutais dos instrumentos, o silêncio também é ostensivamente usado na texto musical, criando climas inusitados a partir da formação mais tradicional do rock.

Gill, o guitarrista, uma das promessas da década (não realizada desde que ele se afastou para tratar de um câncer), mantém-se nos acordes - ao contrário dos próximos discos da banda, onde predominariam riffs e notas. Musicais como "Natural's Not in It" e "Damaged Goods" (regravada), por incrível que pareça, resumem-se a dois acordes básicos de guitarra - todo o clima se baseia na dinâmica dos instrumentos.

Mas Gill também tinha outras cartas na manga (ou entre os dedos). Basta observar suas intervenções insólitas no (anti) funk "Not Great Men" ou o puro noise que encerra "Guns Before Butter", numa dissonância que também aparece em "Ether" e "Glass". No início de "Anthrax", parece que iremos escutar a versão de "Star Spangled Banner" de Jimi Hendrix, tal a brilhante manipulação do feedback. Mas logo surge um beat tribal de Allen e Burnham, seguido da dupla vocalização de King e Gill (à maneira de "The Murder Mistery", do terceiro LP do Velvet Underground).

Um perfeito veículo para a visão (eminentemente marxista) da banda, a da "política em microcosmo" das relações humanas em uma sociedade capitalista: o casamento como posse, o trabalho alienado, a tortura como rotina (nas prisões políticas) e a rotina como tortura, lá e cá.

Num lampejo de incorformismo: that's not entertainment!

(Celso Pucci e Alex Antunes - Bizz 44, Março/1989)

1979 | ENTERTAINMENT!

01 | Ether
02 | Natural’s Not in It
03 | Not Great Men
04 | Damaged Goods
05 | Return the Gift
06 | Guns Before Butter
07 | I Found That Essence Rare
08 | Glass
09 | Contract
10 | At Home He’s a Tourist
11 | 5.45
12 | Anthrax
13 | Outside the Trains Don’t Run on Time
14 | He’d Send in the Army
15 | It’s Her Factory

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Anita Baker

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Em meados dos anos 80 não havia muita procura por música soul. Baterias eletrônicas e seqüenciadores tinham enrijecido a música, e a chegada de artistas excessivamente afetados, como Whitney Houston, deixava sem muitas escolhas os amantes da autenticidade e da candura. Anita Baker, uma jovem de 29 anos, desafiou as tendências musicais com um álbum tentador: Rapture.

Já era versada em gospel e no estilo Motown quando, em 1975, assinou um contrato com o selo Chapter 8, onde teve um sucesso moderado com "I Want To Be Your Girl". Pelo selo de Otis Smith, Beverly Music, ela gravou o sucesso underground The Songstress (1983). Um contrato com a Elektra foi o empurrão que faltava para que atingisse o verdadeiro sucesso.

Contando com diversos músicos de estúdio de grande talento, Rapture é um álbum digno de uma diva, com uma bela produção e que permanece atual. O produtor e ex-colega do Chapter 8, Michael J. Powell, preparou uma série de versões e faixas originais ideais para a sensual voz de contralto de Baker.

Anita Baker queria cantar apenas músicas de jazz, enquanto Powell queria um R&B suave e com swing. Da negociação enter os dois resultou a intensidade que enche de beleza este trabalho. Dizer que não passa de música de consumo para uma rádio de R&B seria ignorar o preciosismo vocal de Baker - "Sweet Love" tornou-se um grande e irresistível sucesso, enquanto "Been Alone So Long"`'e um blues lento e meditativo.

As críticas da imprensa mundial foram unânimes, e Rapture foi um sucesso mundial. A Revista inglesa The Wire chegou a dizer que "o brilho comercial de Rapture não consegue ofuscar sua intensidade emocional transbordante". Contudo, o disco caiu relativamente rápido no esquecimento.

1986 | RAPTURE

01 | Sweet Love
02 | You Bring Me Joy
03 | Caught up in the Rapture
04 | Been So Long
05 | Mystery
06 | No One in the World
07 | Same Ole Love
08 | Watch Your Step

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pearl Jam | Backspacer

Como soar feroz na era pós-Bush
Pearl Jam entre o vigor das guitarras e a contemplação da paisagem no novo CD

por Marcos Espíndola

Para quem apostava que o fim da Era Bush representaria um vácuo criativo na carreira de artistas que passaram os últimos oito anos vociferando (e “faturando”) contra a doutrina republicana, o Pearl Jam parece não revelar sintomas. E o melhor, voltou-se para o rock em Backspacer, seu nono trabalho e o primeiro após três anos de infindáveis lançamentos de registros ao vivo. Simples, direto, enérgico e rápido, 11 faixas que se diluem em 36 minutos.

Oficialmente lançado ontem, Backspacer sai em formato digital (incluindo uma edição especial em CD e LP, que traz ainda um livreto concebido em parceria com o ilustrador Tom Tomorrow) e totalmente independente – eles deixaram a J Records, muito embora a Universal garanta a distribuição do álbum fora dos Estados Unidos. Ou seja, o quinteto liderado por Eddie Vedder ainda se revela disposto a comprar novas brigas, nesta caso pelo livre compartilhamento de conteúdo pela internet. Mas está em paz, seja entre seus integrantes, com o seu país e com o rock.

E nesta volta às raízes, o Pearl Jam foi buscar Brendan O’Brien, que produziu do aclamado Vs. (1993) ao fraco Yield (1998). O resultado é um álbum que dialoga entre o rock acelerado e o contemplativo, condensando a instrospecção de Eddie na trilha de Na Natureza Selvagem (filme de Sean Penn e que rendeu a Vedder um Globo de Ouro em 2007) e o vigor sonoro dos guitarristas Stone Gossard e Mike McCready.


Começa com duas faixas de riffs acelerados (porém nada extensos) e de poucos refrãos, Gonna See My Friend e Got Some. Músicas que, a exemplo de Supersonic (oitava faixa), remetem à despretensão do punk rock. Mas a veia sessentista do Pearl Jam também soa vigorosa na potente Force of Nature.

Mas esta curta viagem também se permite a paradas esporádicas para a contemplação da paisagem, como Just Breathe, Almongst The Waves e até a derradeira The End.

Ainda que esteja distante de um trabalho que venha a ser lembrado daqui a cinco anos, Backspacer pode ser festejado justamente por conferir um sorriso à faixada carrancuda sustentada pela banda ao longo de quase uma década de brigas contra gravadoras, empunhando causas políticas, contra as guerras do Iraque e Afeganistão e contra o governo George W. Bush. Assim como toda a ala liberal do showbiz norte-americano, o Pearl Jam resolveu dissimular enquanto a América do democrata Barack Obama arde em chamas em sua crepitante dissensão racial. Mas, até quando?

2009 | BACKSPACER

01. Gonna See My Friend
02. Got Some
03. The Fixer
04. Johnny Guitar
05. Just Breathe
06. Amongst The Waves
07. Unthought Known
08. Supersonic
09. Speed Of Sound
10. Force Of Nature
11. The End

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desapego

“Natal, fim de ano, recomeçar. Tempo de abrir mão do que não serve mais.

E o que é o apego? É a tentativa de reter o que está a nossa volta. Muitas vezes nos apegamos a um sem fim de coisas como se isto fosse possível preservá-las para sempre. Relacionamentos, bens materiais e idéias. E, quanto mais apego sentimos a qualquer uma dessas coisas, mais vulneráveis ficamos ao ciúmes, à mágoa, ao medo da perdas. E, então, vem o sofrimento.

É preciso coragem para aliviar a bagagem que carregamos ao longo da vida. Seja ela de bens materiais que já não usamos mais como também de crenças e pensamentos cristalizados ou obsoletos.

E, se o antigo não serve mais, como abrir espaço para o novo? Abrindo mão do que pode ir embora sem deixar saudades. Tenha sempre em mente que algo melhor para nosso crescimento espiritual precisa entrar. E se não abrimos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?

Por isso, o exercício do compartilhar é tão importante. Ainda mais no mundo de hoje em que imperam o egoísmo e o individualismo.

Compartilhar não é deixar de ter. Podemos compartilhar livros que estão empoeirando nas estantes, roupas que não usamos mais, objetos sem valores estocados nos armários de nossas casas.

Mas, o melhor mesmo é compartilhar o amor. Porque, no que diz respeito ao amor - ao verdadeiro amor - ele não é subtraído quando o damos aos outros. O amor compartilhado não diminui mas aumenta os laços afetivos a nossa volta

Praticar o desapego é acreditar que o que se possui verdadeiramente nunca se perde, sempre está aqui e, quando compartilhado, aumenta, não diminui.”

Desconheço o autor.

Texto enviado pelo brother e parceiro Jorge Carlet do blog: Só Para Morcegos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carole King


Carole King havia entrado para o panteão pop, durante os anos 60, numa legendária parceria com seu então marido, Gerry Goffin, como autora de vários sucessos gravados por diferentes artistas. Mas se reinventou de forma dramática e surgiu como uma estrela solo com este álbum marcante.

A capa é claramente doméstica - King, de jeans, bordado nas mãos, com seu gato em primeiro plano - e seu clima caseiro se reflete na produção despojada e nos arranjos. Os vocais sem enfeites de King variam entre estridentes e pesados e pesados ("I Feel The Earth Move"), melancólicos ("So Far Away", "Home Again") e divertidos ("Smackwater Jack"). Músicas como "Will You Still Love Me Tomorrow" e "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman" já tinham sido gravdas pelas Shirelles e por Aretha Franklin, respectivamente. Mas as versões nuas de King - em especial a primeira, que ela canta com uma tocante tristeza - são releituras que valeram a pena.

A qualidade absoluta do disco não demorou a dar frutos. A honestidade dolorida de "It's Too Late" garantiu a King o 1º lugar nos EUA. O álbum ficou no topo das paradas americanas durante 15 semanas seguidas, vendendo mais de 15 milhões de cópias no mundo inteiro.

Há uma tradição não escrita nos EUA de que os calouros tem de conhecer Simon & Garfunkel - as reflexões literárias, muitas vezes melancólicas, da dupla parecem casar com a cabeça dos universitários. No mesmo espírito, Tapestry deveria fazer parte do currículo do 1º ano, como exemplo de uma artista empenhada em deixar seu próprio legado, mas fazendo o público se sentir em casa.

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

1971 | TAPESTRY

01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Where You Lead
09. Will You Still Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

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1971 | TAPESTRY
(Remaster 1999)


01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It’s Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You’ve Got A Friend
08. Where You Lead
09. Will You Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman
13. Out in the Cold (Previously Unreleased)
14. Smackwater Jack (Previously Unreleased Live Version)

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1971 | TAPESTRY
(Legacy Edition 2008)


DISC 1 | ORIGINAL ALBUM

01. I Feel the Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Where You Lead
09. Will You Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

DISC 2 | TAPESTRY LIVE

01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Will You Love Me Tomorrow?
09. Smackwater Jack
10. Tapestry
11. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Van Halen



Van Halen é o álbum de estreia da banda Van Halen, gravado em 1977 e lançado em 10 de fevereiro de 1978. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Ocupa também a 415ª colocação na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos pela revista Rolling Stone.

A banda ja era conhecida por tocar covers nos bares de Los Angeles. Os integrantes da banda queriam mostrar um som diferente do que era tocado nas rádios nos anos 70. Durante uma apresentação em um bar em 1976 o baixista e vocalista do Kiss, Gene Simmons, viu eles tocando, gostou e os chamou para gravar uma demo que, entretanto, não foi aceita pelas gravadoras. Eles continuaram procurando mais oportunidades de mostrar o som da banda.

Já em 77, Ted Templeman (um produtor da Warner Music Group) apareceu e os viu tocando de novo no mesmo bar em que Gene Simmons encontrou-os tocando em 76. Ted gostou e resolveu dar um jeito de contrata-los e gravar o disco. Os integrantes da banda assinaram contrato com a Warner Music Group em maio de 1977.

Esse album é considerado um dos melhores e mais famosos albuns de hard rock e heavy metal até hoje, chegando até a ser comparado com alguns albuns do Led Zeppelin.

Por sua grande habilidade com a guitarra, Eddie Van Halen passou a ser comparado à ícones da música, como Jimi Hendrix, popularizando também a técnica de Tapping, visível no famoso solo Eruption, que influenciou milhares e milhares de guitarristas atuais.

Fonte: Wikipédia

1978 | VAN HALEN

Runnin' With the Devil
Eruption
You Really Got Me
Ain't Talkin' 'Bout Love
I'm the One
Jamie's Cryin
Atomic Punk
Feel Your Love Tonight
Little Dreamer
Ice Cream Man
On Fire

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Yes



Um dos mais elogiados grupos do rock progressivo escreveu em definitivo seu nome no cenário mundial com um álbum de 1972, intitulado simplesmente “Fragile”. Com produção do lendário Eddie Offord e capa de Roger Dean (que daria início a uma longa parceria e passaria a ser uma das marcas registradas do Yes desde então), o disco trazia ao todo nove faixas: quatro músicas desenvolvidas pelo grupo e as cinco restantes por cada um de seus integrantes, onde sua individualidade era explorada em benefício do todo.

A primeira faixa, “Roundabout” (que, lançada em compacto em versão reduzida, tornou-se o grande hit de “Fragile”), principiava por uma nota soando, imperceptível a princípio, e terminando não por um estrondoso acorde, como seria esperado, mas por um suave harmônico no violão de Howe. Seu arsenal de guitarras, violões, pedal steels (e o que mais você imaginar que tenha cordas), os diversos teclados de Rick Wakeman, o timbre agudo do baixo Rickenbacker de Squire (que acabou tornando o instrumento mundialmente conhecido e um must entre todos os baixistas do gênero), a bateria explorada como se fossem peças independentes de percussão por Bill Bruford e o vocal peculiarmente alto de Jon Anderson reinariam absolutos na cena progressiva nos anos seguintes e ditariam padrões para os grupos que surgiriam naqueles dias. “Roundabout” tem tudo isso numa composição de rara felicidade, onde letra, melodia e arranjo se completam. Os versos “I’ll be the round about/The world will make you out ‘n’ out/You change the day your way...” seriam cantados nos palcos de todo o mundo quase como um hino pelos fãs.

A segunda faixa, “Cans and Brahms” é a primeira das “idéias individuais, pessoalmente arranjadas e organizadas”, como anunciava o encarte do disco. Na verdade não passa de um exercício de Wakeman sobre extratos do terceiro movimento da Quarta Sinfonia em Mi menor, do compositor erudito alemão Johannes Brahms, onde se utiliza, com maior destaque, do piano elétrico e do órgão. Dando continuidade à idéia de cada componente compor, arranjar e interpretar uma peça, ouvimos Jon Anderson se desdobrar nos vocais, inclusive eletronicamente modificados, em “We Have Heaven”.

Ao fechar-se a porta (literalmente, em termos de áudio) e ouvirmos um cavalo trotando ao som do vento que anuncia uma tempestade, surge “South Side Of The Sky”, com o grupo desenvolvendo o tema da peça por três vezes, onde a guitarra de Howe sobressai-se ao som da banda, em frases pequenas e gritantes. A banda pára, permitindo destacar-se apenas o piano de Wakeman em uma linda passagem, que conduz à outra (como convém a uma música dita progressiva), onde os vocais de Anderson, Howe e Squire traduzem uma imensa sensação de tranqüilidade, até morrerem no som do piano e preparar a volta ao tema central, forte e angustiante.

Para recomeçar, uma idéia de Brufford que dura somente 33 segundos, onde o ritmo sobrepõe-se aos outros elementos (melodia e harmonia). As cordas de Howe criam uma linha alegre e meio jazzística e preparam outro momento brilhante do grupo, em “Long Distant Runaround”. Imperceptivelmente ela se liga ao momento de Chris Squire no disco, “The Fish (Shindleria Prematurus)”. Ao contrário de músicas solos de baixistas, Squire utiliza os diversos baixos, vocais e percussões para gerar uma massa sonora que se assemelha ao som do Yes completo. Aí se tem uma real noção de sua importância na música e no timbre do Yes.

Chegamos a um ponto em que temos que dar uma pausa, pois a próxima peça (e a última das experiências individuais) é nada mais, nada menos que “Mood For A Day”. Esta pequena jóia para violão, uma obra-prima de 2 minutos e 55 segundos, serviu de teste para violonistas e guitarristas por todo o planeta. Sua singeleza, suavidade e beleza, executada por Steve Howe com uma musicalidade extrema, deveria servir de bíblia para muitos guitarristas que acreditam que disparar qualquer nota com muita velocidade é saber tocar.

O álbum fecha com “Heart Of The Sunrise”: analisar essa música é dissecar a própria essência do som do Yes. O tema inicial, criado a partir de uma escala de Lá menor, vigoroso e ao mesmo tempo reflexivo, é executado com uma velocidade e precisão atordoantes, e irá nos levar ao vocal de Anderson, que chega a soar diferente e distante, tamanha a suavidade que ele empresta à interpretação. Os temas vão e vem, permitindo que todos os músicos se destaquem e mostrem seu imenso talento. E embora se fale muito em Howe, Squire, Anderson e Wakeman, apure seus ouvidos nesta faixa para o trabalho de Brufford.

A porta se abre e o tema de “We Have Heaven” é repetido até suas notas morrerem ao longe e nascer, assim, a vontade de se voltar à primeira faixa e ouvir tudo de novo.

Não é exatamente isso que acaba fazendo de um disco um clássico?

Por: Raul Branco

2003 | FRAGILE
(Remastered)


Roundabout
Cans And Brahms
We Have Heaven
South Side Of The Sky
Five Percent For Nothing
Long Distance Runaround
The Fish (Schindleria Praematurus)
Mood For A Day
Heart Of The Sunrise
America
Roundabout (Early Rough Mix)

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sub Rosa


The Gigsaw (expressão intraduzível para o português, que faz um trocadilho entre as palavras inglesas Jigsaw – quebra-cabeças – e Gig – evento musical) é o disco de estréia da banda, com 14 faixas. Este disco é uma narrativa velada do ciclo da vida, permeada pelos eventos que marcam a passagem do indivíduo pela existência e as marcas que este indivíduo deixa em outrem, que refletirão a longo prazo, quando este não mais estiver presente.

Temas como plenitude, impulso de conhecer e passar o conhecimento aos demais, atos passionais, devoção, expansão da consciência, emoções-afetos-desejos, conflito, aniquilação, poder, ansiedade, alienação x manipulação, evolução e finitude são trabalhados dentro de uma narrativa que faz com que uma música complemente a outra, fazendo do disco uma peça indivisível, mas também permite que cada faixa tenha sua individualidade, seja auto-suficiente e funcione fora do conceito do disco.

Mais informações: subrosa.com.br

2009 - GIGSAW

Symptoms of Life
Igneous Vortex Dancer
Ensalvement Of Beauty
Equinox
Amok
Your Eyes
The Order
Zeitgeist
Widow´s Daughter
The Mirror
The Last Ride Part 1
The Last Ride Part 2
Fatality Show
Symptoms of Life
Canon In D (Live Bonus)

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AC/DC


Uma capa pode ser descrita apenas como preta? Ok. Um vocalista principal morto, afogado no próprio vômito? Sim. Perspectivas pré-históricas sobre sexualidade nos títulos das músicas? É isso aí. É perfeitamente possível confundir o AC/DC com o Spinal Tap, já que os dois grupos preenchem tudo o que é necessário para ser uma paródia de banda de heavy metal. Mas os australianos escaparam dessa caricatura ao produzirem um rock básico, divertido e poderoso.

Quando o cantor Bon Scott morreu, em fevereiro de 1980, o AC/DC já tinha conquistado a Europa, mas os Estados Unidos ainda era um território distante. O grupo era extremamente ambicioso e recrutou o vocalista Brian Johnson, seguindo uma recomendação do produtor Robert Lange.

A única insinuação real de Tappery está logo no início de Hells Bells, quando as badaladas de um sino sinistro nos fazem temer que a banda esteja a ponto de embarcar em seu próprio Stonehenge. Logo em seguida, contudo, as guitarras dos irmãos Young entram e a pauleira rola solta.

Back In Black e Have A Drink On Me são homenagens a Scott, mas quase não sentimos sua falta no restante do disco, já que os poderosos gritos de Johnson se encaixam perfeitamente na mixagem.

A libertinagem rude de Let Me Put My Love... - "deixe que eu corte seu bolo com minha faca" - reafirma que a morte de Scott não mudou em nada a cabeça dos rapazes. A última faixa, Rock And Roll Ain't Noise Pollution, é uma alfinetada nos críticos mais intelectualizados.

O AC/DC finalmente fez sucesso nos Estados Unidos com Back In Black, atingindo a soma de um milhão de discos vendidos por ano nos cinco anos seguintes. Eles, bem como todos aqueles que curtiram seu rock, nunca olharam para trás.

Por: Seth Jacbson

1980 | BACK IN BLACK

01 | Hells Bells
02 | Shoot To Thrill
03 | What Do You Do for Money Honey
04 | Givin' The Dog A Bone
05 | Let Me Put My Love Into You
06 | Back In Black
07 | You Shook Me All Night Long
08 | Have A Drink On Me
09 | Shake A Leg
10 | Rock And Roll Ain't Noise Pollution

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Ira!

Um dos mais subestimados discos dos anos 80, Psicoacústica é um dos últimos bons momentos do Ira!, apesar do fracasso comercial do álbum. Um disco difícil, com apenas oito faixas e sem nenhuma faixa de trabalho que quase decretou o final do quarteto, após dois LPs de sucessos.

Dois discos de sucessos, cheios de hits e trilha-sonora até em uma novela da Globo.

Certamente, o Ira! era uma das mais bem-sucedidas bandas dos anos 80 e dono de um dos melhores shows da década, com performances sempre fortes, contundentes e precisas. Encharcados do espírito mod, a primeira grande inspiração de Edgard Scandurra, desde menino apaixonado pelo filme e disco Quadrophenia, do The Who, o Ira! tinha alcançado uma posição extremamente confortável no cenário brasileiro. Por isso, causou tamanha perplexidade o terceiro LP do Ira!, Psicoacústica.

O título fazia alusão a um fenômeno físico. A psicoacústica estuda a percepção subjetiva das qualidades (características) do som: intensidade, tom e timbre. Estas qualidades ou características do som estão, por sua vez, determinadas pelos próprios parâmetros do som, principalmente, freqüência e amplitude (explicação retirada do Wikipedia). E o grupo queria uma obra ousada, como o rock brasileiro não havia tentado.

O Ira! passava um momento complicado. A visão romântica e sonhadora dos primeiros tempos era substituída por uma visão mais crua e real do mundo. Os integrantes começavam a constituir família, as responsabilidades cresciam, as drogas eram consumidas em maior escala e os gostos musicais dos integrantes iam se alargando. Nasi e o baterista André Jung estavam interessados em rap e acabaram produzindo o primeiro LP de Thaíde e DJ Hum, Pergunte a Quem Conhece, em 1989. E os dois participariam de forma mais ativa no disco.

A concepção foi extremamente complicada. Primeiro, fizeram uma faixa em homenagem ao filme ao filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, Rubro Zorro, onde desejavam usar algumas falas da película, ao fundo. Nasi procurou o diretor para a liberação da mesma e ouviu um ok, desde que ele dirigisse um vídeo para a música. A idéia foi aceita pela a WEA, a gravadora, mas que refugou ao saber do montante pedido pelo diretor para o trabalho. Irritado, o diretor ligou para o vocalista várias vezes, ameaçando embargar a faixa.

O segundo problema aconteceu com a faixa Receita Para Se Fazer Um Herói. Edgard havia utilizado uma parte de uma letra feito por um colega de exército de Edgard, Esteves. Contudo, Esteves pediu uma grana alta para a liberação da mesma e ameaçou também embargar a obra. A confusão só foi resolvida quando a viúva do escritor português Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira, que era o verdadeiro dono do poema, foi encontrada e liberou a utilização.

O disco foi editado no estúdio Nas Nuvens, de Liminha, no Rio de Janeiro, em um clima pesadíssimo. Nasi conta que a banda passou boa parte do tempo fumando maconha que havia sido encontrada em uma grande lata do iate Solano Star, que havia despejado 20.000 delas com 1,5 quilos de maconha prensada com mel e glicose, nas costas litorâneas de São Paulo e Rio de Janeiro, para não ser preso pela Polícia Federal. A polícia conseguiu recuperar apenas 2500 delas, e a restante abasteceu a capital fluminense, que viveu o famoso "Verão da Lata". A produção foi assinada pela banda e pelo engenheiro de som português Paulo Junqueiro e o LP foi gravado em um clima de caos, improviso e caos.

O disco causou apreensão na gravadora. Não havia uma faixa de trabalho evidente, as músicas eram longas, difíceis e pretendia uma ruptura com o passado do grupo. Ao invés de hinos à juventude, feitos por Edgar, o Ira! entregava um álbum com samplers, rap e temas pesados. Além disso, o álbum original trazia, no encarte, um óculo de 3D para brincar com os efeitos da imagem da capa. E, pela primeira vez, o Ira! gravava uma música que não tivesse a participação do guitarrista; Advogado do Diabo era uma parceria de Nasi e de André Jung e uma grande inspiração para o músico Chico Science, que a apresentava nos shows do ação Zumbi.

O grupo abusava dos efeitos na guitarra de Edgard, que foi a voz principal em Farto de Rock'n'Roll. Edgard fez uma letra que atacava o estilo de uma maneira sutil, mas Nasi não quis cantar a letra, preferindo fazer scratches. Rubro Zorro é, certamente, uma das melhores faixas do grupo, uma mistura muito bem feita de um solo ácido de Edgar, combinando com violão, samplers do filme de Sganzerla, porém, ousado demais para o público brasileiro. Outra bela faixa é Manhãs de Domingo, um dos últimos momentos "adolescentes" do grupo.

Por Mofo

1988 | PSICOACÚSTICA

01 | Rubro Zorro
02 | Manhãs de Domingo
03 | Poder, Sorriso, Fama
04 | Receita Para Se Fazer um Herói
05 | Peguei Essa Arma
06 | Farto do Rock 'n' Roll
07 | Advogado do Diabo
08 | Mesmo Distante


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