domingo, 10 de julho de 2011

The Jeff Beck Group


The Jeff Beck Group foi uma banda de rock britânica formada em Londres em fevereiro de 1967 pelo guitarrista Jeff Beck.

Sua primeira formação consistia de Jeff Beck (guitarra), Rod Stewart (vocais), Ron Wood (baixo) e Aynsley Dunbar (bateria).

A banda se separou em 1969. Wood e Stewart foram para o Small Faces, que então passou a ser chamado The Faces. Beck reformou o grupo em 1971 com o vocalista Bob Tench, o tecladista Max Middleton, o baixista Clive Chaman e o baterista Cozy Powell. Esta formação lançaria mais dois álbuns, até sua dissolução em 1972.

Fonte: Wikipédia


1971 - ROUGH AND READY

01 | Got the Feeling
02 | Situation
03 | Short Business
04 | Max's Tune
05 | I've Been Used
06 | New Ways Train Train
07 | Jody


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sábado, 9 de julho de 2011

Van Morrison

MOONDANCE

Astral Weeks, o LP de 1968 de Van Morrison, o tornou um herói cult. Mas Moondance foi seu primeiro álbum a entrar no Top 30 e também o primeiro a ganhar o disco de platina.

Morrison estava vivendo no paraíso rural de Woodstock quando compôs boa parte das músicas do disco, mas acabou saindo dali por conta da invasão de novos moradores depois do famoso festival. Alguns dos músicos reunidos para este álbum continuaram com ele durante anos, como o guitarrita John Platania, o trompetista Jack Schorer e o tecladista Jeff Labes.

Moondance mostra o talento de mestre de Van Morrison como compositor e vocalista. Em contraponto ao acústico Astral Weeks, o álbum apresenta um som maior, mais robusto, com um naipe de metais que acrescenta potência à música; as canções são mais bem estruturadas, com menos improvisação. O lado A do LP é quase perfeito. "And It Stoned Me" traça um quadro detalahado da adolescência, enquanto a jazzística faixa-título é, até hoje, uma das músicas mais importantes da carreira de Morrison. Uma etérea balada de marinheiros, "Into The Mystic" é uma reflexão emocionada sobre o esplendor do amor, na qual o arrepiante naipe de cordas combina maravilhosamente com os vocais. No mais, um ar comemorativo, quase de alegria espiritual, permeia várias faixas - como as três últimas: "Brand New Day", Everyone" e "Glad Things".

Em 1971, Helen Raddy fez sucesso nos EUA com "Crazy Love" e a versão de Johnny Rivers para "Into The Mystic" chegou às paradas em 1970. O próprio Van ficou entre os Top 40 com "Come Running".

Sua carreira solo estava em ascensão.

1970 | MOONDANCE

01 | And It Stoned Me
02 | Moondance
03 | Crazy Love
04 | Caravan
05 | Into the Mystic
06 | Come Running
07 | These Dreams of You
08 | Brand New Day
09 | Everyone
10 | Glad Tidings

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Texto: 1001 discos para ouvir antes de morrer.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Soneto 22

o espelho não me prova que envelheço
enquanto andares par com a mocidade;
mas se de rugas vir teu rosto impresso,
já sei que a morte a minha vida invade.

pois toda essa beleza que te veste
vem de meu coração, que é teu espelho;
o meu vive em teu peito, e o teu me deste:
por isso como posso ser mais velho?

portanto, amor, tenhas de ti cuidado
que eu, não por mim, antes por ti, terei;
levar teu coração, tão desvelado
qual ama guarda o doce infante, eu hei.

e nem penses em volta, morto o meu,
pois para sempre é que me deste o teu.

william shakespeare

...::: para ana paula :::...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Carlos Drummond de Andrade


:: VERDADE ::

Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível antigir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

sábado, 16 de abril de 2011

Tame Impala

Na biologia, espécie endêmica é aquela que só ocorre em uma determinada região do planeta. O Tame Impala é de Perth, na Austrália e parece que o seu som – espaçoso, supersônico e psicodélico - só poderia ser feito por quatro sujeitos que habitam uma região tão remota e isolada do planeta, mesmo para os padrões globalizantes. A origem dessa espécie ajuda um pouco a explicar o modo como ela soa no seu disco de estréia, “Innerspeaker”.

Na sua própria definição, o que a banda faz é “psychedelic hypno groove melodic rock music”. Não precisa traduzir: basta ouvir as 11 músicas do disco para perceber que os caras realmente gostam muito de rock psicodélico, sejam os campos floridos dos Beatles em sua fase “ácida” ou as pesadas viagens instrumentais do Cream. O importante, u-hu, é drop out.

É uma trilha interessante e que, apesar de bastante percorrida, ainda serve como inspiração para muita gente boa, como o Spiritualized já provou há algum tempo, quando nos levou para flutuar no espaço. O lance é que a psicodelia do Tame Impala – nome lindo para uma banda – parece diferente de todas as outras. Talvez seja a distância e o isolamento que façam com que o grupo liderado por Kevin Parker (voz, guitarra) pareça com tantos outros, mas nunca deixe de ser, paradoxalmente, tão original e avançado.

“Innerspeaker” reflete, de certa forma, o desenho de sua capa: uma vasta e exuberante floresta, levemente alterada por um campo de força (ou só eu que vi isso?). Na psicodelia do Tame Impala e seus mágicos de Oz, há áreas de atração ao stoner rock (também um filho da psicodelia) e ao pop britânico (via Stone Roses). O que faz com que essa mistura não desande ou soe ordinária é a exuberância técnica dos integrantes da banda – alémde Parker, Dominic Simper (guitarra), Nick Allbrook (baixo) e Jay Watson (bateria) – e sua postura progressista, privilegiando texturas e riffs, em vez de exibições de virtuose.

Além da mixagem de Dave Fridman (Mercury Rev, Flaming Lips), deve ter ajudado também a dar um clima especial/espacial ao disco o fato de ele ter sido gravado em um estúdio em frente ao mar, em Injidup, uma cidade de praia, a quatro horas de Perth. Entenderam? Os caras moram em Perth! Na Austrália!! E foram se isolar ainda mais para fazer “Innerspeaker”!!!

O disco – daqueles para ouvir ALTO e em boas caixas de som - é encharcado de reverb, aquele efeito que dá “espaço” às gravações, fazendo com que, às vezes, elas soem como se tivessem sido feitas em uma grande catedral. Nos vitrais, imagens do Animal Collective, Jimi Hendrix Experience, MGMT (com quem o TI excursionou recentemente), Kyuss e Love. Dentro desse contexto todo, dá para entender o poder e o estranho encanto de músicas como “Arrow time”(que parece que vai virar “I want you”, dos Beatles, a qualquer hora), “Jeremy´s Storm” e, a preferida da casa, “Alter ego”, pesada, grandiosa, ventilada, com todas as suas janelas e dimensões abertas à nossa visitação.

Texto | O Globo

2010 | INNERSPEAKER

It's Not Meant To Be
Desire Be Desire Go
Alter Ego
Lucidity
Make Up Your Mind
Solitude Is Bliss
Jeremy's Storm
Expectations
Bold Arrow Of Time
Runway Houses City Clouds
I DonT Really Mind

terça-feira, 8 de março de 2011

Five Horse Johnson

Five Horse Johnson é uma banda de blues-rock americana, formada em 1995 de Toledo, Ohio. A banda combina hard rock, o blues e outras influências em uma mistura de stoner rock / blues.

2003 - LAST MEN ON EARTH

Cry Rain
Cherry Red
Soul Digger
Three at a Time
Blood Don't Pay
Love 2 Lose
Sweetwater
B.C. Approved
Sawhill
Yer Mountain

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quarta-feira, 2 de março de 2011

Foghat


Foghat é uma banda de rock britânica que teve o auge de seu sucesso na segunda metade da década de 1970. Seu estilo pode ser descrito como blues-rock, dominados por guitarras e guitarras slide. A banda conseguiu cinco discos de ouro, e conseguiu se manter popular durante a era da música disco; a popularidade do grupo, no entanto, entrou em declínio no início dos anos 80.

A banda contava inicialmente com Dave Peverett ("Lonesome Dave") na guitarra e vocal, Tony Stevens no baixo e Roger Earl na bateria. Após os três saírem do Savoy Brown em dezembro de 1970, Rod Price foi chamado para a guitarra e a guitarra slide, e o Foghat foi formado oficialmente em janeiro de 1971. Seu álbum de 1972, Foghat, foi produzido por Dave Edmunds, e tinha um cover de "I Just Want to Make Love to You", de Willie Dixon, que foi muito tocada nas estações de rádio FM da época.

Mais sobre Foghat: ::AQUI ::

1972 | FOGHAT

01 | I Just Want to Make Love to You
02 | Trouble,Trouble
03 | Leavin' Again (Again!)
04 | Fool's Hall of Fame
05 | Sarah Lee
06 | Highway (Killing Me)
07 | Maybellene
08 | A Hole to Hide In
09 | Gotta Get to Know You

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gary Moore

O LEGADO DE GARY MOORE

O rock perdeu um de seus grandes guitarristas. O irlandês Gary Moore morreu na madrugada de domingo, aos 58 anos. Embora as causas da morte ainda não tenham sido confirmadas, a autópsia aponta para morte natural.

Moore foi um dos grandes guitarristas do rock e um dos maiores bluesmen contemporâneos. Começou sua carreira no grupo Skid Row (uma banda de blues-rock influenciada pelos Bluesbreakers de John Mayall, muito diferente da banda de hair metal), com quem gravou três discos entre 1970 e 1971.

Fez amizade com o baixista e vocalista Phil Lynott, do Thin Lizzy, e participou da banda esporadicamente. Em 1979, Moore gravou o disco Black Rose: A Rock Legend, um dos melhores registros do grupo.

Seu grande sucesso comercial veio com o disco Still got the blues, de 1990. Nesse disco, fica claro o talento de Moore na guitarra, unindo sentimento e técnica de uma maneira única. Em sua carreira solo, o guitarrista ainda gravou outros álbuns importantes, como After hours, de 1993, e Live at Monsters of Rock, um disco ao vivo impecável lançado em 2003.

Moore ainda colaborou com os Traveling Wilburys (o supergrupo de Jeff Lynne, Tom Petty, Bob Dylan, Roy Orbison e George Harrison), tocando o solo de “She’s my baby”, música do disco Traveling Wilburys Vol. 3, gravado após a morte de Orbison.

Por: André Sollitto

1990 | STILL GOT THE BLUES

Moving On
Oh, Pretty Woman
Walking by Myself
Still Got the Blues
Texas Strut
Too Tired
King of the Blues
As the Years Go Passing By
Midnight Blues
That Kind of Woman
All Your Love
Stop Messin' Around

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

The Raven

:: O CORVO ::

de Edgar Allan Poe
tradução: Fernando Pessoa


Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

The Carpenters

Músicos de sensibilidade e de formação jazzística desde muito jovens, Richard e Karen Carpenter souberam amalgamar a suavidade e a densidade desse gênero musical com uma linguagem pop, influenciada por artistas como os Beatles.

Depois de algumas experiências em conjuntos, pelos anos 60, como o Richard Carpenter Trio e outro, embrião da linguagem musical que eles iam entronizar pelos anos seguintes, Spectrum, ambos desenvolveram um estilo que chamou a atenção do trompetista Herb Alpert, líder do mítico conjunto tex-mex mariachi boogie-woogie, Tijuana Brass, então um dos donos da gravadora A&M, e até então o artista de maiores vendagens deste selo.

A despeito de terem carta branca para gravarem um álbum ao seu estilo, não lograram o êxito esperado. No entanto, nos ensaios para o segundo disco, Alpert sugeriu a os dois uma antiga canção do maestro Burt Bacharach, chamada Close To You. O tema, que chegou a ser gravado por Richard Chamberlain e Dionne Warwick, nem com o próprio Bacharach havia feito o sucesso esperado — com relação a outras músicas do compositor. Mesmo hesitante, Richard aceitou pô-la no próximo compacto.

Lançada em maio de 1970, não só virou um sucesso acachapante quanto catapultou a dupla para o mundo, com canções românticas e marcantes, como Only Yesterday e I Need To Be In Love, além de covers de qualidade e muito bom gosto, como Please Mr. Postman (Marvelettes) e There’s a Kind Of Hush (Herman’s Hermits), entre outros.

O álbum homônimo, que viria à luz em agosto daquele mesmo ano, mostrava o gênero easy listening, que Karen e Richard transformaram numa avassaladora fórmula de sucesso. E tão insólito quanto o grande êxito inesperado do cover do autor de This Guy’s In Love With You foi o do segundo single do álbum, a linda We’ve Only Just Begun, que originalmente não passava de um jingle de um banco californiano.

Lançado no Verão de 70, subiu ao segundo lugar na parada da Billboard junto com Close to You, um verdadeiro fenômeno. Além dessas duas canções, o disco da dupla também trazia canções de Richard do tempo do Spectrum, como Maybe It’s You e versões bem particulares para dois outros temas de Bacharach, Baby It’s You e I’ll Never Fall In Love Again e ainda outra regravação bem peculiar de um antigo sucesso dos quatro cabeludos de Liverpool, Help! Contudo, mesmo soando ligeiramente comercial (e não deveria não deixar de ser) Close To You possui momentos bem experimentais, como uma obscura canção deles, Second Part, exótica e densa, bem diferente dos sucessos de Karen e Richard, e que fecha de forma singular o LP.

Texto: 1001 albuns

1970 | CLOSE TO YOU

01 | We've Only Just Begun
02 | Love Is Surrender
03 | Maybe It's You
04 | Reason To Believe
05 | Help
06 | (They Long To Be) Close To You
07 | Baby It's You
08 | I'll Never Fall In Love Again
09 | Crescent Noon
10 | Mr | Guder
11 | I Kept On Loving You
12 | Another Song

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Gang Of Four

"Se os membros do Clash eram os guerrilheiros urbanos do rock'n'roll, os da Gang of Four eram teóricos do movimento revolucionário", já dizia o Truser Press Record Guide, com acerto. Uma primeira leva do pós-punk britânico - que trouxe essas duas bandas e o PIL, entre outras - se atirava com a mesma fúria contra os fundamentos da sociedade burguesa, fossem eles destrutíveis ou não. Não eram. Mas isso só se soube depois.

As marcas da artilharia ainda estão aí. Uma das mais eloquentes é Entertainment!, primeiro LP da Gang, que viria a ser chamado pelo Melody Maker de "guia jovem para sobrevivência em tempos de recessão" (!).

O grupo surgiu em 1977 na cidade portuária e industrial de Leeds. O baterista Hugo Burnham, o guitarrista Andy Gill e o vocalista Jon King - todos egressos da universidade local - recrutaram Dave Allen (esse, o único proletário de verdade da banda) para o baixo. E em poucos meses já lançavam um primeiro LP, Damaged Goods, pelo selo independente Fast Products. O sucesso de crítica do disco e o furor que as apresentações ao vivo sempre causavam em clubes ou escolas deixaram a EMI interessada no grupo. A "camarilha dos quatro" (xingamento cunhado pelo governo chinês para o grupo político da viúva de Mao Tse Tung, expurgada do poder tempos depois da morte do marido) se garantiu, exigindo da gravadora - a mesma que rompeu com os Sex Pistols em 1976 - controle total sobre o produto: repertório, capa, produção e divulgação. A EMI pagou para ver.

O aperitivo já causou encrenca: o single "At Home He's a Tourist" esbarrou na censura do programa de TV Top of the Pops, por uma referência, na letra, a camisinhas. O LP confirmou a porrada. Numa espécie de lapidação do diamante cristalizado no carvão punk, o som da Gang não é mero suporte para textos de agitação. Ele é político: sintético, reduzindo ao mínimo essencial, valorizando cada elemento musical e não fazendo concessões a fórmulas ou estilos convencionalmente aceitos - ainda que seja perfeitamente rock. A base sonora das faixas resume-se praticamente a baixo e bateria - uma cozinha que conseguiu juntar de forma única simplicidade, criatividade e peso -, e é apenas pontuada pela guitarra de Gill, pelos vocais e por uma eventual escaleta (monocórdica) de King. Apesar das intervenções brutais dos instrumentos, o silêncio também é ostensivamente usado na texto musical, criando climas inusitados a partir da formação mais tradicional do rock.

Gill, o guitarrista, uma das promessas da década (não realizada desde que ele se afastou para tratar de um câncer), mantém-se nos acordes - ao contrário dos próximos discos da banda, onde predominariam riffs e notas. Musicais como "Natural's Not in It" e "Damaged Goods" (regravada), por incrível que pareça, resumem-se a dois acordes básicos de guitarra - todo o clima se baseia na dinâmica dos instrumentos.

Mas Gill também tinha outras cartas na manga (ou entre os dedos). Basta observar suas intervenções insólitas no (anti) funk "Not Great Men" ou o puro noise que encerra "Guns Before Butter", numa dissonância que também aparece em "Ether" e "Glass". No início de "Anthrax", parece que iremos escutar a versão de "Star Spangled Banner" de Jimi Hendrix, tal a brilhante manipulação do feedback. Mas logo surge um beat tribal de Allen e Burnham, seguido da dupla vocalização de King e Gill (à maneira de "The Murder Mistery", do terceiro LP do Velvet Underground).

Um perfeito veículo para a visão (eminentemente marxista) da banda, a da "política em microcosmo" das relações humanas em uma sociedade capitalista: o casamento como posse, o trabalho alienado, a tortura como rotina (nas prisões políticas) e a rotina como tortura, lá e cá.

Num lampejo de incorformismo: that's not entertainment!

(Celso Pucci e Alex Antunes - Bizz 44, Março/1989)

1979 | ENTERTAINMENT!

01 | Ether
02 | Natural’s Not in It
03 | Not Great Men
04 | Damaged Goods
05 | Return the Gift
06 | Guns Before Butter
07 | I Found That Essence Rare
08 | Glass
09 | Contract
10 | At Home He’s a Tourist
11 | 5.45
12 | Anthrax
13 | Outside the Trains Don’t Run on Time
14 | He’d Send in the Army
15 | It’s Her Factory

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Anita Baker

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Em meados dos anos 80 não havia muita procura por música soul. Baterias eletrônicas e seqüenciadores tinham enrijecido a música, e a chegada de artistas excessivamente afetados, como Whitney Houston, deixava sem muitas escolhas os amantes da autenticidade e da candura. Anita Baker, uma jovem de 29 anos, desafiou as tendências musicais com um álbum tentador: Rapture.

Já era versada em gospel e no estilo Motown quando, em 1975, assinou um contrato com o selo Chapter 8, onde teve um sucesso moderado com "I Want To Be Your Girl". Pelo selo de Otis Smith, Beverly Music, ela gravou o sucesso underground The Songstress (1983). Um contrato com a Elektra foi o empurrão que faltava para que atingisse o verdadeiro sucesso.

Contando com diversos músicos de estúdio de grande talento, Rapture é um álbum digno de uma diva, com uma bela produção e que permanece atual. O produtor e ex-colega do Chapter 8, Michael J. Powell, preparou uma série de versões e faixas originais ideais para a sensual voz de contralto de Baker.

Anita Baker queria cantar apenas músicas de jazz, enquanto Powell queria um R&B suave e com swing. Da negociação enter os dois resultou a intensidade que enche de beleza este trabalho. Dizer que não passa de música de consumo para uma rádio de R&B seria ignorar o preciosismo vocal de Baker - "Sweet Love" tornou-se um grande e irresistível sucesso, enquanto "Been Alone So Long"`'e um blues lento e meditativo.

As críticas da imprensa mundial foram unânimes, e Rapture foi um sucesso mundial. A Revista inglesa The Wire chegou a dizer que "o brilho comercial de Rapture não consegue ofuscar sua intensidade emocional transbordante". Contudo, o disco caiu relativamente rápido no esquecimento.

1986 | RAPTURE

01 | Sweet Love
02 | You Bring Me Joy
03 | Caught up in the Rapture
04 | Been So Long
05 | Mystery
06 | No One in the World
07 | Same Ole Love
08 | Watch Your Step

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pearl Jam | Backspacer

Como soar feroz na era pós-Bush
Pearl Jam entre o vigor das guitarras e a contemplação da paisagem no novo CD

por Marcos Espíndola

Para quem apostava que o fim da Era Bush representaria um vácuo criativo na carreira de artistas que passaram os últimos oito anos vociferando (e “faturando”) contra a doutrina republicana, o Pearl Jam parece não revelar sintomas. E o melhor, voltou-se para o rock em Backspacer, seu nono trabalho e o primeiro após três anos de infindáveis lançamentos de registros ao vivo. Simples, direto, enérgico e rápido, 11 faixas que se diluem em 36 minutos.

Oficialmente lançado ontem, Backspacer sai em formato digital (incluindo uma edição especial em CD e LP, que traz ainda um livreto concebido em parceria com o ilustrador Tom Tomorrow) e totalmente independente – eles deixaram a J Records, muito embora a Universal garanta a distribuição do álbum fora dos Estados Unidos. Ou seja, o quinteto liderado por Eddie Vedder ainda se revela disposto a comprar novas brigas, nesta caso pelo livre compartilhamento de conteúdo pela internet. Mas está em paz, seja entre seus integrantes, com o seu país e com o rock.

E nesta volta às raízes, o Pearl Jam foi buscar Brendan O’Brien, que produziu do aclamado Vs. (1993) ao fraco Yield (1998). O resultado é um álbum que dialoga entre o rock acelerado e o contemplativo, condensando a instrospecção de Eddie na trilha de Na Natureza Selvagem (filme de Sean Penn e que rendeu a Vedder um Globo de Ouro em 2007) e o vigor sonoro dos guitarristas Stone Gossard e Mike McCready.


Começa com duas faixas de riffs acelerados (porém nada extensos) e de poucos refrãos, Gonna See My Friend e Got Some. Músicas que, a exemplo de Supersonic (oitava faixa), remetem à despretensão do punk rock. Mas a veia sessentista do Pearl Jam também soa vigorosa na potente Force of Nature.

Mas esta curta viagem também se permite a paradas esporádicas para a contemplação da paisagem, como Just Breathe, Almongst The Waves e até a derradeira The End.

Ainda que esteja distante de um trabalho que venha a ser lembrado daqui a cinco anos, Backspacer pode ser festejado justamente por conferir um sorriso à faixada carrancuda sustentada pela banda ao longo de quase uma década de brigas contra gravadoras, empunhando causas políticas, contra as guerras do Iraque e Afeganistão e contra o governo George W. Bush. Assim como toda a ala liberal do showbiz norte-americano, o Pearl Jam resolveu dissimular enquanto a América do democrata Barack Obama arde em chamas em sua crepitante dissensão racial. Mas, até quando?

2009 | BACKSPACER

01. Gonna See My Friend
02. Got Some
03. The Fixer
04. Johnny Guitar
05. Just Breathe
06. Amongst The Waves
07. Unthought Known
08. Supersonic
09. Speed Of Sound
10. Force Of Nature
11. The End

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desapego

“Natal, fim de ano, recomeçar. Tempo de abrir mão do que não serve mais.

E o que é o apego? É a tentativa de reter o que está a nossa volta. Muitas vezes nos apegamos a um sem fim de coisas como se isto fosse possível preservá-las para sempre. Relacionamentos, bens materiais e idéias. E, quanto mais apego sentimos a qualquer uma dessas coisas, mais vulneráveis ficamos ao ciúmes, à mágoa, ao medo da perdas. E, então, vem o sofrimento.

É preciso coragem para aliviar a bagagem que carregamos ao longo da vida. Seja ela de bens materiais que já não usamos mais como também de crenças e pensamentos cristalizados ou obsoletos.

E, se o antigo não serve mais, como abrir espaço para o novo? Abrindo mão do que pode ir embora sem deixar saudades. Tenha sempre em mente que algo melhor para nosso crescimento espiritual precisa entrar. E se não abrimos mão do velho, como pode haver espaço para o novo?

Por isso, o exercício do compartilhar é tão importante. Ainda mais no mundo de hoje em que imperam o egoísmo e o individualismo.

Compartilhar não é deixar de ter. Podemos compartilhar livros que estão empoeirando nas estantes, roupas que não usamos mais, objetos sem valores estocados nos armários de nossas casas.

Mas, o melhor mesmo é compartilhar o amor. Porque, no que diz respeito ao amor - ao verdadeiro amor - ele não é subtraído quando o damos aos outros. O amor compartilhado não diminui mas aumenta os laços afetivos a nossa volta

Praticar o desapego é acreditar que o que se possui verdadeiramente nunca se perde, sempre está aqui e, quando compartilhado, aumenta, não diminui.”

Desconheço o autor.

Texto enviado pelo brother e parceiro Jorge Carlet do blog: Só Para Morcegos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carole King


Carole King havia entrado para o panteão pop, durante os anos 60, numa legendária parceria com seu então marido, Gerry Goffin, como autora de vários sucessos gravados por diferentes artistas. Mas se reinventou de forma dramática e surgiu como uma estrela solo com este álbum marcante.

A capa é claramente doméstica - King, de jeans, bordado nas mãos, com seu gato em primeiro plano - e seu clima caseiro se reflete na produção despojada e nos arranjos. Os vocais sem enfeites de King variam entre estridentes e pesados e pesados ("I Feel The Earth Move"), melancólicos ("So Far Away", "Home Again") e divertidos ("Smackwater Jack"). Músicas como "Will You Still Love Me Tomorrow" e "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman" já tinham sido gravdas pelas Shirelles e por Aretha Franklin, respectivamente. Mas as versões nuas de King - em especial a primeira, que ela canta com uma tocante tristeza - são releituras que valeram a pena.

A qualidade absoluta do disco não demorou a dar frutos. A honestidade dolorida de "It's Too Late" garantiu a King o 1º lugar nos EUA. O álbum ficou no topo das paradas americanas durante 15 semanas seguidas, vendendo mais de 15 milhões de cópias no mundo inteiro.

Há uma tradição não escrita nos EUA de que os calouros tem de conhecer Simon & Garfunkel - as reflexões literárias, muitas vezes melancólicas, da dupla parecem casar com a cabeça dos universitários. No mesmo espírito, Tapestry deveria fazer parte do currículo do 1º ano, como exemplo de uma artista empenhada em deixar seu próprio legado, mas fazendo o público se sentir em casa.

Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

1971 | TAPESTRY

01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Where You Lead
09. Will You Still Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

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1971 | TAPESTRY
(Remaster 1999)


01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It’s Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You’ve Got A Friend
08. Where You Lead
09. Will You Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman
13. Out in the Cold (Previously Unreleased)
14. Smackwater Jack (Previously Unreleased Live Version)

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1971 | TAPESTRY
(Legacy Edition 2008)


DISC 1 | ORIGINAL ALBUM

01. I Feel the Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Where You Lead
09. Will You Love Me Tomorrow?
10. Smackwater Jack
11. Tapestry
12. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

DISC 2 | TAPESTRY LIVE

01. I Feel The Earth Move
02. So Far Away
03. It's Too Late
04. Home Again
05. Beautiful
06. Way Over Yonder
07. You've Got a Friend
08. Will You Love Me Tomorrow?
09. Smackwater Jack
10. Tapestry
11. (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

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