quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Ghost


Banda janponesa de acid folk/psychedelic rock formada em 1984.

Snuffbox Immanence é um álbum da banda japonesa Ghost. Foi lançado pela Drag City em 1999. A banda também lançou Tune In, Turn On e Free Tibet no mesmo dia. O álbum apresenta uma versão cover de "Live With Me", originalmente dos Rolling Stones.

1999 | SNUFFBOX IMMANENCE

01. Regenesis
02. Live With Me
03. Soma
04. Daggma
05. Snuffbox Immanence
06. Obiit 1961
07. Tempera Tune
08. Fukeiga
09. Sad Shakers
10. Hanmiyau

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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Secos & Molhados


Apresentações ousadas, figurino e maquiagem extravagantes. O grupo Secos e Molhados fugiu do óbvio e, justamente por isso, ganhou notoriedade e reconhecimento. Mesmo com o passar dos anos, as criações de Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad não deixaram de servir de referência artística para novos nomes da música.

Recheado de críticas à ditadura militar, que estava implantada no Brasil, o primeiro disco do grupo, que leva o mesmo nome da banda, foi lançado em 1973 e foi o maior sucesso, batendo todos os recordes de vendagens de discos e público. "Primavera nos Dentes", "Assim Assado", "Sangue Latino", "O Vira" e "Rosa de Hiroshima" são algumas canções do álbum, que conta com 13 faixas. A capa do disco, inclusive, foi eleita pela Folha de S.Paulo como a melhor dos discos brasileiros de todos os tempos.

No ano seguinte, a banda bateu os recordes de público em um show no Maracanãzinho, no Rio da Janeiro. O estádio comportava 30 mil pessoas, mas outras 90 mil ficaram do lado de fora. No fim daquele ano, eles saíram em turnê internacional que, segundo Ney Matogrosso, gerou oportunidades de criar uma carreira sólida fora do país. Pouco antes do fim da formação clássica da banda, em 1974, saiu o segundo disco de estúdio, cujo destaque era a música "Flores Astrais". Este, que não teve título e contou com uma capa preta, já não fez tanto sucesso.

Os três membros então se separaram e seguiram em carreira solo. Já em 1978, João Ricardo, Lili Rodrigues, Wander Taffo, Gel Fernandes e João Ascensão lançaram o terceiro disco do Secos e Molhados. "Que Fim Levaram Todas as Flores?" foi uma das canções mais executada no Brasil naquele ano. Já em 1980, com os irmãos Lempé – César e Roberto -, saiu o quarto disco da banda. Em maio de 1988, o álbum "A Volta do Gato Preto" foi o último da década.

Sozinho, mas com a marca Secos e Molhados, João Ricardo lançou o disco "Teatro?", em 1999. No ano seguinte, saiu o álbum "Memória Velha" composto por músicas gravadas em 1986.

Em 2011, João formou uma dupla com Daniel Iasbeck e lançou o álbum autobiográfico intitulado "Chato-boy".

Texto | UOL
1973 | SECOS & MOLHADOS

01. Sangue Latino
02. O Vira
03. O Patrão Nosso de Cada Dia
04. Amor
05. Primavera Nos Dentes
06. Assim Assado
07. Mulher Barriguda
08. El Rey
09. Rosa de Hiroshima
10. Prece Cósmica
11. Rondo do Capitão
12. As Andorinhas
13. Fala

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1974 | SECOS & MOLHADOS EM INSTRUMENTAL MÓBILE

01. Sangue Latino
02. O Vira
03. Delírio
04. Fala
05. Assim Assado
06. Preto Velho
07. Flores Astrais
08. Rosa de Hiroshima
09. Amor
10. Não Não Digas Nada
11. O Patrão Nosso de Cada Dia
12. Caixinha de Música do João

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1974 | SECOS & MOLHADOS II

01. Tercer Mundo
02. Flores Astrais
03. Não, Não Digas Nada
04. Medo Mulato
05. Oh! Mulher Infiel
06. Vôo
07. Angústia
08. O Hierofante
09. Caixinha de Música Do João
10. O Doce e o Amargo
11. Preto Velho
12. Delírio
13. Toada & Rock & Manbo & Tango & Etc

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1978 | SECOS & MOLHADOS III

01. Que Fim Levaram Todas As Flores?
02. Lindeza
03. De Mim Pra Você
04. Minha Namorada
05. Anônimo Brasileiro
06. Última Lágrima
07. Insatisfação
08. Oh! Canção Vulgar
09. Como Eu,Como Tu
10. Quadro Negro
11. Cobra Coral Indiana

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1980 | SECOS & MOLHADOS IV

01. Quantas Canções É Preciso Cantar
02. Roído de Amor
03. Meu Coração Não Pode Parar
04. Sem As Plumas, Numas
05. Homenzarrão
06. Pão João
07. Muitas Pessoas
08. Você Faz Amor Engraçado
09. Pelos Dois Cantos da Boca
10. Aja
11. Contudo
12. Vira Safado

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1980 | AO VIVO NO MARACANÃZINHO 1974

01. As Andorinhas
02. Rosa de Hiroshima
03. Instrumental
04. Mulher Barriguda
05. Primavera nos Dentes
06. El Rey
07. Toada & Rock & Mambo & Tango etc
08. Fala
09. Assim Assado
10. Instrumental II
11. O Vira

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1988 | A VOLTA DO GATO PRETO

01. Sem Rei Nem Rock
02. Habitante da Guiné
03. Sangue de Barata
04. Eu Amo Dizer Te Amo
05. Aquém-Mar
06. Armadilhas com Vodu
07. Eu Estou Fugindo de Casa
08. Sonho de Valsa: Dancei
09. Estrábico-Democrático
10. Aventurar

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1999 | TEATRO?

01. Tom de Dó
02. Teatro?
03. O Soldado e o Anjo
04. Bola de Berlim
05. Fios de Tempo
06. Zanzibar
07. Sida
08. Puta
09. Rosinha, A Vermelha
10. Smgbl
11. Louca de Pedra
12. Sacaneou Animal
13. Dura Aquilo Que Passar Pelo Tempo Que Durar

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2000 | MEMÓRIA VELHA

01. Os Portugueses Deixam a Língua nos Trópicos
02. Foi Só Amor
03. Tom de Dó
04. Cantilena
05. Romântico Vício de Mel
06. Dura Aquilo que Passar pelo Tempo que Durar
07. Sangue de Barata
08. Sem Rei Nem Rock
09. Eu Amo Dizer Te Amo
10. Aventurar
11. Sonho de Valsa: Dancei

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2009 | SEMPRE

01. Amor
02. O Vira
03. Flores Astrais
04. Sangue Latino
05. Rosa de Hiroshima
06. Fala
07. Não, Não Digas Nada
08. O Patrão Nosso de Cada Dia
09. Assim Assado
10. O Doce e o Amargo
11. El Rey
12. Mulher Barriguda
13. Prece Cósmica
14. Vôo

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2011 | CHATO-BOY

01. Chato-Boy








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domingo, 20 de outubro de 2019

Secos & Molhados | Tributos


Álbum de 2003 em comemoração aos 30 anos do Secos e Molhados.

O disco traz a participação de vários artistas da nova geração reinterpretando todas as faixas do primeiro álbum de 1973 do grupo.

2003 | ASSIM ASSADO
(Tributo ao Secos & Molhados)


01. Nando Reis | Sangue Latino
02. Falamansa e Maskavo | O Vira
03. Toni Garrido | O Patrão Nosso de Cada Dia
04. Ira! | Amor
05. Eduardo Dussek | Primavera nos Dentes
06. Capital Inicial | Assim Assado
07. Pitty | Mulher Barriguda
08. Matanza | El Rey
09. Arnaldo Antunes | Rosa de Hiroshima
10. Raimundos | Prece Cósmica
11. Pato Fu | Rondó do Capitão
12. Marcelinho da Lua | As Andorinhas
13. Ritchie | Fala

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Completando 40 anos, a personalíssima estreia fonográfica dos Secos e Molhados tem mais uma tentativa de modernização de sonoridade com 13 componentes da nova cena roqueira (indie?) brasileira. Em 2003, tal empreitada já havia sido alavancada por nomes, hoje estrelados, como Arnaldo Antunes, Nando Reis, Ira!, Pato Fú e até Falamansa. Na ocasião o saldo foi pífio.

Dez anos depois, o selo RockinPress faz outro mergulho neste repertório com resultados que, se não soam tão rasos, também não empolgam muito. Como todo trabalho sem direção artística – no caso, cada artista fez sua versão livremente, sem conceito musical definido – a irregularidade dá a tônica do álbum. Sejamos justos, o álbum original é tão marcante que, hoje, depois de uma revisão histórica, se configura como uma das melhores estreias musicais brasileiras em todos os tempos. Não é trabalho fácil fugir de símbolos como “O Vira”, “Sangue Latino” e “Assim Assado”. Deixar de lado as comparações então, é impossível.

Mas há bons momentos em “Armazém 73″. A banda sergipana Bicicletas de Atalaia acerta o tom roqueiro de“Mulher Barriguda”. Nevilton vai pelo mesmo caminho acrescentando doses de psicodelia à “Prece Cósmica” e também se sai bem. Mais reverente, Phillip Long, não se arrisca muito e vai no caminho do folk em “O Patrão Nosso de Cada Dia”. Curiosa é a versão feita pelo carioca Thiago El Niño, apontando um surpreendente fraseado rap para “Primavera Nos Dentes”. No meio do caminho ficam, com suas pálidas leituras, A Banda Mais Bonita da Cidade com “Assim Assado” e Leo Fressato com “Rondó do Capitão”. Não dizem muito a que vieram.

Nome muito comentado na cena independente, a baiana Nana erra mão em “Rosa de Hiroshima” ao apostar na eletrônica, overdubs e afins que soterram a melodia de Gerson Conrad e um fiapo de voz que fazem banais os belos versos de Vinicius de Moraes. Também errática, abrindo o cd, é a versão do maior sucesso dos Secos e Molhados, ”Sangue Latino”, por Mahmundi.

2013 | ARMAZÉM 73
(Tributo ao Secos & Molhados)


01. Mahmundi | Sangue Latino
02. Rafael Castro | O Vira
03. Phillip Long | O Patrão Nosso de Cada Dia
04. Lucas Vasconcellos | Amor
05. Thiago Elniño | Primavera nos Dentes
06. A Banda Mais Bonita da Cidade | Assim Assado
07. Bicicletas de Atalaia | Mulher Barriguda
08. Phill Veras | El Rey
09. Nana | Rosa de Hiroshima
10. Nevilton | Prece Cósmica
11. Leo Fressato | Rondó do Capitão
12. Ana Larousse | As Andorinhas
13. Maglore | Fala
14. Daniel Peixoto | O Vira

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A gravadora Deck lançou, em formato digital, o álbum Primavera nos Dentes. O trabalho conta com releituras de 11 das 26 canções lançadas pelo Secos & Molhados durante a fase inicial do grupo (1973 a 1974).

A Secos & Molhados surgiu, durante os anos 70, influenciada pela explosão da Tropicália. A partir da iniciativa do guitarrista João Ricardo, os demais membros da formação inicial foram recrutados para participar. A escolha de Ney Matogrosso como vocalista se encaixava nos planos originais de João, que queria um vocalista com um timbre mais feminino. O grupo ganhou o status de um dos mais importantes da música brasileira dos anos 70.

O Primavera nos Dentes começou através do baterista e pesquisador (e também ex-Titãs) Charles Gavin. Ele se juntou a mais alguns nomes de peso para dar vida ao álbum: Pedro Coelho (que participou da peça “Cássia Eller – O Musical“) no baixo, Paulo Rafael (que já tocou com Alceu Valença) na guitarra e Felipe Ventura (da banda Baleia) mesclando violino e guitarra. Os vocais principais ficaram por responsabilidade da cantora Duda Brack.

O grupo já está junto tem um tempo, mas a produção do álbum surgiu a partir de um convite do produtor musical Rafael Ramos (Pitty, Los Hermanos, Cachorro Grande). O nome do projeto veio do título da quinta faixa do lado A do álbum de estreia Secos & Molhados, lançado em 73.

Mesmo passados 40 anos, as canções continuam atuais

Mas não são apenas meras releituras. Com arranjos que deram às músicas uma nova roupagem, o projeto mostra a atemporalidade presente nas letras do grupo. Novas linguagens musicais foram adicionadas às canções originais.

O resultado final acaba por misturar diversos estilos. Tem MPB, rock tradicional, indie, psicodelia, música nordestina e ainda influências da cultura musical de outros países, mostrando as faces musicais de cada membro do projeto.

Charles Gavin conta que:

"A sonoridade e os arranjos se distanciaram bastante dos originais, diria que cada versão que fizemos tem a assinatura de cada um de nós. Também foi surpreendente constatar o fato de que a poesia das letras permanece extremamente atual e assertiva após décadas, deliciosamente doce e ácida, ingênua e politizada ao mesmo tempo, conectando-se com pessoas de qualquer geração e qualquer lugar."

2017 | PRIMAVERA NOS DENTES

01. Delírio
02. Angústia
03. Primavera nos Dentes
04. O Patrão Nosso de Cada Dia
05. Vira
06. O Doce e O Amargo
07. Hierofante
08. Rosa de Hiroshima
09. Tercer Mundo
10. Fala
11. Sangue Latino

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terça-feira, 15 de outubro de 2019

John Killigrew


Pouco se sabe a respeito de John Killigrew, mas o que não deixa dúvida é a sua incrível capacidade de criar belas melodias e letras comovedoras. Killigrew foi o único álbum de sua carreira, foi produzido por Pete Dello, e conta como banda de apoio, membros do Honeybus e o grande guitarrista Billy Brem.

O disco foi lançado em 1971 pelo selo Penny Farthing.

Texto retirado de | Folk'n Blues

1971 | KILLIGREW

01. Just A Line
02. Brand New World
03. Nothing's Impossible
04. Hold On Baby
05. Yesterday And You
06. Roverman
07. John Dupree
08. Got Your Number
09. You Don't Know What You've Got
10. Hey Mocking Bird
11. Do I Love You
12. Just The Way You Are

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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Temple Of The Dog


A formação do supergrupo começa de uma maneira muito triste. Andy Wood, carismático vocalista do Mother Love Bone, era viciado em drogas e, em uma dessas viagens sem volta, acabou tendo uma overdose e ficou alguns dias internado no hospital para que amigos e parentes se despedissem antes de os aparelhos serem desligados.

Chris Cornell ficou muito abalado com a perda e escreveu duas músicas: “Reach Down” e “Say Hello 2 Heaven”, composições que eram muito diferentes do que o Soundgarden, sua banda principal, fazia. E essas duas canções foram o impulso para a ideia de homenagear o amigo.

Logo que teve a ideia, Cornell tratou de chamar Stone Gossard e Jeff Ament, companheiros de Wood no Mother Love Bone, para trabalharem nas canções. Todos estavam arrasados emocionalmente, então isso seria uma boa válvula de escape para os três, que ganharam as companhias de Mike McCready, virtuoso e talentoso guitarrista, do baterista Matt Cameron, convidado por Cornell, e Eddie Vedder – vindo de San Diego, Califórnia, Vedder enviou uma fita e logo foi convidado para ser o vocalista do Mookie Blaylock, que logo viraria Pearl Jam.

Com as demos em mãos e trabalhando nisso, os cinco divergiram na ideia de lançar um single prévio do disco – ideia rechaçada e considerada “estúpida” por Cornell, que demonstrou, logo de cara, favorável ao lançamento de um EP ou um disco. Como era mais próximo de Wood e era o principal compositor, a ideia do vocalista superou às demais, e o álbum foi gravado em 15 dias e produzido pelos seis.

Não havia pressão da gravadora para o lançamento, então tudo ocorreu no tempo em que os seis trabalhavam juntos nas faixas e na gravação. Foi nesse período que todos descobriram o potencial de Vedder nos vocais. Com apenas apresentações ao vivo no currículo, o jovem cantor ainda era questionado pelo seu jeito tímido e introspectivo dentro da banda – o que era normal, já que ele era o único que não havia se desenvolvido dentro da cena de Seattle. Foi fazendo a segunda voz em “Hunger Strike” que ele provou que tinha potencial e capacidade para ser muito mais do que mostrava aos amigos próximos.

O nome Temple of the Dog surgiu a partir de uma canção do Mother Love Bone, composta por Wood, chamada “Man Of Golden Words” (I want to show you something, like joy inside my heart/Seems I've been living in the temple of the dog/Where would I live if I were a man of golden words?/Or would I live at all?). Não existiria melhor homenagem do que usar uma canção para nomear o grupo.

Lançado em 16 de abril de 1991, o disco vendeu 70 mil cópias no primeiro mês e foi muito elogiado pela crítica, e foi muito bem recebido pelo público. Mas o álbum só viria a estourar nas paradas no ano seguinte, graças ao lançamento dos discos do Soundgarden, Badmotorfinger, e do Pearl Jam, Ten. Então a A&M Records bancou a gravação do clipe de “Hunger Strike”, que impulsionou ainda mais a carreira das duas bandas.

O Temple of the Dog só fez um set longo em toda sua história: foi em 13 de novembro de 1991, sem Eddie Vedder. No mais, o grupo só se reuniu em momentos esporádicos, como Lollapalooza-93, arrecadação de eventos e comemorações. A última vez foi em 2011, no aniversário de 20 anos da formação do Pearl Jam, em que Cornell e o Pearl Jam se uniram para tocar três músicas (“Say Hello 2 Heaven”, “Reach Down”, e “Hunger Strike”). Sempre questionados sobre um possível segundo trabalho, os seis alegam que o Temple of the Dog não nasceu para ser um grupo fixo, mas uma homenagem a um amigo querido que se foi.

Texto | Fagner Morais

1991 | TEMPLE OF THE DOG

01. Say Hello 2 Heaven
02. Reach Down
03. Hunger Strike
04. Pushin' Foward Back
05. Call Me A Dog
06. Times Of Trouble
07. Wooden Jesus
08. Your Savior
09. Four Walled World
10. All Night Thing

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sábado, 5 de outubro de 2019

The Kinks


THE KINKS: UMA DAS MAIS SUBLIMES ÓPERAS ROCK JÁ GRAVADAS

O ano de 1969 foi bastante produtivo para o grupo inglês The Kinks. Neste ano o grupo havia lançado o clássico disco "The Village Green Preservation Society", considerado por muitos o melhor de sua carreira, recheado com composições belíssimas de Ray Davis, vocalista principal, acompanhadas de melodia igualmente belas como a faixa homônima que dá titulo ao álbum e "Starstruck", entre outras.

Aproveitando a boa fase de sua carreira no final do mesmo ano os Kinks lançam aquela que seria considerado por muitos como a melhor Ópera Rock já feita na história da música "Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire)". E com absoluta razão. Este trabalho é magistral em todos os sentidos.

Ray Davis estava em sua melhor fase como compositor e acabou criando uma verdadeira epopeia em apenas 12 faixas, ao narrar a aventura de um personagem que se muda do Reino Unido para a Austrália. A narrativa tem como cenário de fundo a decadência do Antigo Império Britânico, Reino Unido que no inicio do século XX era a maior potencia econômica e militar do planeta e que após o período das grandes Guerras(1914-1918, 1939-1945) foi perdendo gradativamente status no contexto mundial. Nas letras das canções podem ser percebidas ferrenhas críticas ao estilo de vida britânico; por causa disso, na época de seu lançamento o disco foi fortemente censurado pelo governo inglês que proibiu a sua execução nas rádios ao redor do país.

Também é importante salientar o papel dos demais membros da banda: o baixista John Dalton, que substituiu de forma brilhante o baixista Peter Quaife; Dave Davis, sempre criando uma série de riffs e solos fantásticos, sem dúvida um dos grandes gênios da guitarra; e o sempre criativo baterista Mick Avory. Juntos criaram linhas melódicas inspiradíssimas, únicas na história da musica, com quebras de ritmo e andamentos ainda impressionantes durante a n-ésima audição deste álbum, tamanha a perfeição alcançada, e que combinam perfeitamente com as composições de Ray Davis, que de modo desafiador carrega uma elevada dose de sarcasmo nos vocais principais ao longo do disco.

Não quero aqui salientar um ou outro aspecto de determinada música, nem ao menos dar destaque a uma ou outra canção, por acreditar que cada uma carrega em si uma particularidade no contexto do álbum que transcende qualquer afirmação deste gênero. Além disto, as músicas deste álbum se completam de uma maneira simplesmente fantástica e quando ouvidas em sequência possuem uma força incrível raríssimas vezes experimentada na história da música.

Na época de seu lançamento "Arthur" passou um pouco despercebido ao grande público, devido ao recém-lançamento da ópera Rock "Tommy" que invadiria as paradas de sucesso naquele período, encabeçada pelo hit "Pinball Wizard". Este trabalho só teria o seu merecido reconhecimento vários anos após o seu lançamento e nos dias de hoje é aclamado pela crítica especializada como uma das mais sublimes (e possivelmente, a melhor) Óperas Rock já realizada na história do Rock.

Em 1970 a banda lançaria outro clássico absoluto do Rock o disco "Lola Vs Powerman And The Moneygoround Part One", uma fábula sobre travestis. Uma das canções que dá nome ao álbum "Lola" até hoje é uma das mais emblemáticas da banda. A fase áurea da banda atingiria o fim em 1971 com o lançamento do mediano "Muswell Hillbillies". Depois a banda se aventuraria por Óperas Rock pouco inspiradas antes de seu trágico final.

Os Kinks, legítimos representantes da British Invasion, sempre foram uma das bandas mais injustiçadas da história da música durante sua existência, tendo sua importância reconhecidas somente anos após o seu fim, apesar de ter brindado os amantes do rock com vários momentos agradabilíssimos.

Em resumo, mais um disco que merece ser ouvido por todo bom apreciador do bom e velho Rock & Roll, que dia 13 de julho (data em que esta resenha foi escrita) comemora mais um ano de existência.

Texto | Elias Rodigues Emidio

1969 | ARTHUR, OR THE DECLINE AND FALL OF THE BRITISH EMPIRE

01. Victoria
02. Yes Sir, No Sir
03. Some Mother's Son
04. Drivin'
05. Brainwashed
06. Australia
07. Shangri-La
08. Mr. Churchill Says
09. She's Bought A Hat Like Princess Marina
10. Young And Innocent Days
11. Nothing To Say
12. Arthur

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2011 | DOUBLE DISC JAPAN SHM REMASTER

CD 1 | THE ORIGINAL MONO ALBUM

01. Victoria
02. Yes Sir, No Sir
03. Some Mother's Son
04. Drivin'
05. Brainwashed
06. Australia
07. Shangri La
08. Mr. Churchill Says
09. She's Bought A Hat Like Princess Marina
10. Young And Innocent Days
11. Nothing To Say
12. Arthur
Bonus Tracks | ORIGINAL MONO SINGLES
13. Plastic Man
14. This Man He Weeps Tonight
15. Mindless Child Of Motherhood
16. Creeping Jean
17. Lincoln County
18. Hold My Hand
Studio Recordings For The BBC:
19. Victoria
20. Mr. Churchill Says
21. Arthur

CD 2 | THE ORIGINAL STEREO ALBUM

01. Victoria
02. Yes Sir, No Sir
03. Some Mother's Son
04. Drivin'
05. Brainwashed
06. Australia
07. Shangri La
08. Mr. Churchill Says
09. She's Bought A Hat Like Princess Marina
10. Young And Innocent Days
11. Nothing To Say
12. Arthur
Bonus Track
13. Plastic Man (Stereo)
14. This Man He Weeps Tonight (Stereo)
15. Drivin' (Alternative Mix)
16. Mindless Child Of Motherhood (Stereo)
17. Hold My Hand (Alternative Take)
18. Lincoln County (Stereo)
19. Mr. Shoemaker's Daughter (Stereo)
20. Mr. Reporter (Stereo)
21. Shangri La (Backing Track)

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

V.A. Hearts of Stone | Brasilian 60's Beat & Garage


Coletânea lançada em vinil pelo selo alemão Magia Records em que se destacam bandas brasileiras da década de 1960. Vale destaca o trabalho de remasterização que nos proporciona um arquivo de melhor qualidade, visto que nem sempre é possível encontrar material antigo em boa qualidade.

2000 | VOLUME 1

01. Os Jovens | Coração De Pedra
02. Beatniks | Fire
03. Luizinho e Seus Dinamites | Choque Que Queima
04. Som Beat | My Generation
05. Beat Boys | Canudinho
06. Os Baobás | Down Down
07. Beatniks | Cansado De Esperar
08. Renato e Seus Blue Caps | Vivo Só
09. Top Five | Esqueces Que Te Ami
10. Beatniks | Outside Chance
11. Brazilian Bitles | Filhinho Do Papai
12. Maskers | Veja Só
13. Os Jovens | Se Você Contar
14. Os Aranhas | Gloria

2001 | VOLUME 2

01. Os Baobás | Pintada de Preto
02. The Bubbles | Não Vou Cortar O Cabelo
03. Analfabitles | Sunnyside Up
04. Os Brasas | Não Vá Me Deixar
05. Beggers | Slow Down
06. Os Jovens | Sofrendo Por Amor
07. Beezoons | Treat Her Right
08. Blackstones | Os Monstros
09. Analfabitles | Shake
10. Luizinho E Seus Dinamites | Caranga Twist
11. Beezoons | Hey! Good Lookin'
12. Jungle Cats | Sapato Nôvo
13. Os Brasas | Mulher Reindeira
14. Renato e Seus Blue Caps | Negro Gato
15. Brazilian Bitles | L'onda
16. Os Incrìveis | Vai, Meu Bem

2001 | VOLUME 3

01. Os Juvenis | Eu Tenho de Achar um Alguém
02. The Brazilian Bitles | Dedicado a Quem Amei
03. Bargs | O Louco
04. Paulo Hilário | Não Dou Meu Braço a Torcer
05. The Jungle Cats | Vai
06. The Snakes | Você Não Me Agrada
07. Outcasts | Go On Home
08. The Maskers | É Dificil Esquecer
09. Os Santos | Três Garotas
10. Altafini | Xaropão
11. Os Minos | Febre de Minos
12. The Beggers | Why, Oh Why?
13. Os Bittus | Vem Depressa Meu Amor
14. Os Brasas | Lutamos Para Viver
15. Outcasts | Dying
16. Le Groupe 'F' | Whisky

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sábado, 28 de setembro de 2019

Jim Morrison & The Doors


Fitas caseiras e uma gravação perdida na Elektra reuniram novamente o trio Manzarek, Krieger e Densmore, dessa vez com o objetivo de musicar os poemas que Jim Morrison registrou.

Dividido em cinco grandes faixas, cada uma com uma série de poemas entoados pelo próprio Jim, An American Prayer funciona principalmente para percebemos o quão complexa era a poesia de Morrison, e como as mesmas tornam-se belas canções quando recebem uma mão cheia de criatividade. O trio usou trechos de canções já registradas e fez novas partes instrumentais, e assim, trouxe ao mundo alguns dos poemas que Morrison gravou apenas a voz em 9 de fevereiro de 1969 e 8 de dezembro de 1970.

Para as quatro partes de “To Come of Age”, o grupo usou um pouco de “Unknown Soldier” durante a introdução de “Black Polished Chrome”, que ainda tem um blues elétrico muito bom, transformando em uma peça santaniana em “Latino Chrome”, virando um blues tradicional em “Angels and Sailors” e usando “The WASP (Texas Radio and the Big Beat”) para “Stoned Immaculate”. Outra faixa que o blues predomina é “World on Fire”, com uma performance ao vivo acachapante de “Roadhouse Blues”, em sua versão definitiva que uniu três apresentações distintas (Nova Iorque, em 17/1/1970, Detroit em 08/5/1970 e Boston, em 10/4/1970), unida a “The Hitchhiker”, cujo som de fundo é “Riders on the Storm”, além do poema “American Night” sobre barulhos diversos, “Lament”, entoada iniclamente sobre os gritos da plateia no show de Boston.

Adoro o embalo dançante de “Ghost Song”, uma das partes de “Awake”, onde as outras duas, “Dawn’s Highway” e “Newborn Awakening”, foram musicadas sobre a dupla “Peace Frog” / “Blue Sunday”, enquanto “The Poet’s Dreams” é uma viagem embriagada de Morrison entoando “The Movie” e “Curses, Invocations”, na qual a primeira possui apenas barulhos de sintetizadores por Arthur Barrow, enquanto a segunda ganhou um bonito instrumental feito pelo trio em companhia do baixista Jerry Scheff.

Encerra o álbum o melhor dos poemas de Morrison, “An American Prayer”, cuja parte musical inicialmente é de um suingue inimaginável para quem criou “The End” ou “When the Music’s Over”, e cujo encerramento, transformando-se de “The End” na lindíssima “Adagio”, de Albinoni, é um dos momentos mais tocantes da história da música. Um disco para fãs, que vale a pena adquirir principalmente por conta de “Roadhouse Blues” e da faixa-título.

Texto | Mairon Machado

1978 | AN AMERICAN PRAYER

Awake
01. Awake
02. Ghost Song
03. Dawns Highways
04. Newborn Awakening
To Come Of Age
05. To Come Of Age
06. Black Polished Chrome
07. Latino Chrom
08. Angels And Sailors
09. Stoned Immaculate
The Poet's Dream
10. The Movie
11. Curses Invocation
World On Fire
12. American Night
13. Roadhouse Blues
14. The World On Fire
15. Lament
16. The Hitchhiker
An American Prayer
17. An American Prayer
18. Hour For Magic
19. Freedom Exists
20. A Feast Of Friends
Bonus Tracks
21. Babylon Fading
22. Bird Of Prey
23. The Ghost Song (Extended Version)

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

V.A. O Triângulo Sem Bermudas | Mutantes - Uma Homenagem À Trois


"Os Mutantes foram pioneiros em misturar o rock com ritmos e estilos brasileiros, abrindo as portas para que bandas como Novos Baianos, Secos & Molhados, Paralamas do Sucesso e Chico Science & Nação Zumbi operassem caminhos similares, a partir de outras influências e bases peculiares, mas também misturando influências estrangeiras com sonoridades tipicamente nacionais."

Leia a íntegra em | Hypeness

1996 | O TRIÂNGULO SEM BERMUDAS
(Mutantes - Uma Homenagem À Trois)


01. Pato Fú | Vida De Cachorro
02. Gilberto Gil e Jorge Mautner | Não Vá Se Perder Por Aí
03. Kid | Quem Tem Medo De Brincar De Amor
04. Barão Vermelho | Beijo Exagerado
05. Lulu Santos | Ave Lúcifer
06. Ney Matogrosso | El Justiciero
07. Tiburón Caribe | Cantor De Mambo
08. Planet Hemp | Top Top
09. Arnaldo Antunes | Dia 36
10. Daúde e Toni Garrido | Desculpe Babe
11. Celso Fonseca e Paulinho Moska | Panis Et Circenses
12. Edgard Scandurra e Taciana | Ando Meio Desligado
13. André Abujamra, Lucia Turnbull e Tom Zé | 2001

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domingo, 22 de setembro de 2019

Genesis


Todos se lembram de The Lamb Lies Down on Broadway por ser o último trabalho de Peter Gabriel como cantor do Genesis. Alguns, por isso, consideram o melhor. Na verdade, esse disco duplo lançado originalmente em 1974 não é o meu favorito; gosto mais do anterior Selling England by the Pound. Mas é inegável que a banda conseguiu grandes momentos, ao contar a história de um garoto porta-riquenho chamado Rael, que é engolido por uma dimensão alternativa e precisa resgatar seu irmão John. Apesar das letras peculiares de Peter Gabriel, estrela também dos 102 shows feitos para promover o disco, os maiores responsáveis pelos arranjos foram o baixista Michael Rutherford e o tecladista Anthony Banks. Esse detalhe, pouco lembrado por fãs, é um dos maiores motivos para a mágoa dos dois até hoje. E depois de Peter, o Genesis seria um outro Genesis. Mas por hora, fiquemos com a história desse histórico disco...

o Genesis em 1974, da esquerda para a direita: Phil Collins, Michael Rutherford, Anthony Banks, Peter Gabriel (sentado) e Steve HackettO ano de 1974 foi um divisor de águas na carreira do Genesis. Respeitado por fãs e crítica, o Genesis não era, no entanto, um grande vendedor de discos como o Pink Floyd ou Yes. Na verdade, a banda tinha uma certa reputação cult entre os fãs do rock progressivo, dividindo esse status com King Crimson, Gentle Giant, Soft Machine, entre outros.

O grupo tinha desenvolvido uma presença teatral muito forte no palco, especialmente Peter Gabriel, que se travestia com roupas e máscaras, incorporandos personagens e servindo mais como um narrador do que como cantor. Os demais integrantes muitas vezes ficavam quase escondidos no palco, embaixo das luzes. Peter era o frotman na mais pura tradução do termo.

Peter Gabriel conta que a idéia nasceu em cima de um garoto: "Apresentei várias idéias para a banda para que fizéssemos uma espécie de exercício democrático, embora eu tivesse certeza que eu venceria ou, ao menos, achava que teria que vencer. A idéia básica era contar a história de um garoto, o que agradou Michael. Eu pretendia fazer uma grande história e comecei a falar indiretamente de experiências pessoais, ainda que muitas partes sejam indecifráveis, o que dificultou o sucesso do disco. Rael, o personagem, seria um menino de jaqueta de couro e jeans, uma espécie de pré-punk, mas sem aquela conotação da geração de 1976. Não havia ainda os Ramones, por exemplo; New York Dolls sim, mas eles eram completamente desconhecidos."

Rael, um pequeno marginalzinho porto-riquenho que vivia em West Side, e que é sugado para outra dimensão, descobre que precisa salvar seu irmão, John. No meio de tudo isso, uma criação imensa e um trabalho, titânico.

"Nós estávamos vivendo todos juntos numa casa, em Headley Grange", recorda Phil Collins - "uma casa onde Led Zeppelin, Bad Company e Pretty Things já haviam morado. Começamos a trabalhar em conjunto para o disco e Peter disse que desejava escrever todas as letras, por isso, Mike e Tony ficavam atrás dele enquanto criávamos as melodias. Sempre que sentávamos para tocar, surgia algo maravilhoso."

Os atritos começaram quando Peter recebeu um telefonema do diretor William Friedkin, responsável pelo filme O Exorcista. Friedkin tinha adorado a história que Peter havia escrito na contra-capa do discos Genesis Live e procurava alguém para escrever um roteiro de ficção científica, mas que não fosse do ramo. Resolveu então convidar Peter, que aceitou o convite.

Peter perguntou se a banda se incomodava em parar por algum tempo a confecção do disco enquanto ele escrevia o roteiro e a banda disse que sim, que não desejavam parar por nada. "Bem, eu quero fazer o filme, então deixarei o Genesis".

A primeira reação da banda foi "ok, temos bastante material instrumental, vá em frente", mas logo viram que era uma loucura.

"Eu sempre gostei de trabalhar com Peter e senti que o grupo precisava de toda a energia que tivesse para terminar o projeto. Mas Peter continuava dizendo que se a oferta fosse realmente séria ele deixaria o grupo, o que considerei um absurdo. E ele realmente saiu um tempo para escrever o roteiro, mas não deu muito certo e ele acabou voltando e se comprometeu que acabaria o disco antes de fazer qualquer outra coisa. Porém, aquilo foi um sinal de que ele estava ficando cheio daquela vida."

Peter se sentiu muito contrariado e resolveu voltar para Bath até porque sua esposa estava grávida e deixou a parte de composição das melodias com o restante da banda. Ele já havia tido um pequeno atrito com Rutherford que queria fazer o disco em cima do livro O Pequeno Príncipe, o que não aconteceu. "Quanto mais você pressiona Peter, mais ele fica no canto. Nós o puxávamos para o grupo, ele ficava vago até que ele foi para Bath e nós ficamos com todo o trabalho. Sabíamos que não iríamos durar muito tempo", conta o baixista.

O convite do cineasta causou uma briga da banda com a gravadora Charisma e pouco-a-pouco o projeto do filme foi ficando mais difícil e Peter aceitou retornar ao trabalho após um telefonema de Michael. O vocalista disse que não queria ser pressionado e Michael pediu apenas para que ele adiasse por uns tempos seus projetos pessoais para se dedicar ao novo disco. Acordo fechado. Phil Collins acha que Peter voltou também porque Friedkin ficou muito assustado ao saber que poderia estar rachando o grupo e pediu desculpas pelo ocorrido.

capa do disco The Lamb Lies Down on BroadwayCom o vocalista de volta, todo o conceito começou a ser montado. O disco possui uma longa história introdutória contada por um narrador. Rael faria uma viagem ao seu subconsciente e se confrontaria com a morte - caso de "The Supernatural Anaesthetist"; com o amor - "The Lamia" - e Peter povoaria tudo com seu grande conhecimento de mitologia.

Mas as gravações foram tensas e os músicos se revezavam em turnos no estúdio. Phil Collins trabalhava de madrugada no Island Studios, em Notting Hill, enquanto o restante trabalhava pela manhã. Para piorar, Gabriel ficava revisando as letras várias vezes, atrasando ainda mais o projeto. Quando resolveu gravar seus vocais, os demais foram expulsos do local. A tensão era tão gigantesca que o guitarrista Steve Hackett acabou machucando um tendão e um nervo do seu dedão ao se cortar com um copo de vinho, o que adiou em três semanas a excursão britânica, sendo jogada para depois da parte norte-americana. O disco ainda teve a colaboração de Brian Eno, que fez algumas ambientações.

O disco foi lançado em Novembro de 1974 e no mês seguinte iniciava-se a turnê pelos Estados Unidos. Peter adotou o personagem Rael, usando em boa parte uma jaqueta de couro e calça jeans, o que era diferente para quem costumava usar máscaras e mais máscaras nos shows em anos anteriores.

No entretanto, ele logo começou a usar criações assustadores no palco e o show logo deixaria os demais integrantes irritados, pois Peter Gabriel parecia ser a grande estrela e não o Genesis. Claramente os demais membros ficavam escondidos ou em segundo plano.

Em "The Colony of Slippermen", Peter usava uma fantasia de um bulbo monstruoso, com órgãos genitais inflados.

Jill, a esposa do cantor, conta que era a primeira vez que Peter expunha de maneira explícita sua sexualidade em palco: "ele estava extremamente irritado e isso fez daqueles shows tão inesquecíveis. Ele se expôs de uma maneira inédita ao público de uma maneira que não fazia na nossa intimidade. Eu me sentia totalmente excitada vendo-o na platéia, mas ele só conseguia ser assim no palco, e isso me frustrava."

The Lamb Lies Down on Broadway não foi um sucesso comercial, na verdade foi um tremendo fiasco. Alcançou apenas a 41ª posição na parada norte-americana, apesar de ser disco de ouro no Reino Unido em fevereiro de 1975, onde chegou ao 10º posto na parada, apesar de ter deixado talvez o maior clássico do grupo até hoje, "Carpet Crawlers". Para se ter uma idéia o disco demorou 16 anos para conquistar o almejado Disco de Ouro, na América, ou seja, 500 mil cópias.

Quando a banda começou a turnê pelo Reino Unido, Gabriel já tinha resolvido deixar o Genesis, mas só anunciou o fato em agosto do mesmo ano, causando choque entre os fãs, embora seus companheiros soubessem que isso ocorreria logo.

O cantor mostrava todo seu abatimento ao sair chorando dos palcos a cada apresentação, misto de tristeza por deixar o Genesis e pelas letras. Sem ele, a história do grupo seria outro e Gabriel partiria em carreira-solo fazendo discos excepcionais e, em boa parte, sombrios.

Texto retirado de | Mofo

1974 | THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY

CD 1

01. The Lamb Lies Down On Broadway
02. Fly On A Windshield
03. Broadway Melody Of 1974
04. Cuckoo Cocoon
05. In The Cage
06. The Grand Parade Of Lifeless Packaging
07. Back In N.Y.C.
08. Hairless Heart
09. Counting Out Time
10. Carpet Crawlers
11. The Chamber Of 32 Doors

CD 2

01. Lilywhite Lilith
02. The Waiting Room
03. Anyway
04. Here Comes The Supernatural Anaesthetist
05. The Lamia
06. Silent Sorrow In Empty Boats
07. The Colony Of Slippermen
08. Ravine
09. The Light Dies Down On Broadway
10. Riding The Scree
11. In The Rapids
12. It

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

V.A. Rio Grande do Rock


Esta coletânea veio para atualizar as amostras de rock gaúcho que já haviam surgido nacionalmente através do disco “Rock Grande do Sul” (Plug/RCA, 1986) e regionalmente pelos dois volumes do compilado “Rock Garagem”.

“Rio Grande do Rock” apresenta cinco novas bandas de Porto Alegre e se divide entre formações até então recentes, Prize, Apartheid e Justa Causa, com outras já tidas como veteranas, Julio Reny & Expresso Oriente e Cascavelettes. Por sinal, estas duas dão um banho nos demais nomes de “Rio Grande do Rock”. Julio Reny e sua banda suavizam o rock em “Expresso Oriente” e “Anita”, duas preciosidades também presentes no primeiro disco do crooner do rock gaúcho. Já os Cascavelettes não deixam as crianças na sala com suas duas canções, as não menos clássicas “Morte por tesão” e “Estou amando uma mulher”.

Apartheid e Prize mostram um trabalho bastante influenciado pelo pós-punk. Enquanto o Justa Causa não parece muito certo de sua própria estética sonora, a canção “Exilados” é pavorosa

O disco foi lançado pelo selo SBK, propriedade de Jairo Pires, experiente executivo de gravadoras que enveredara pelos independentes. A SBK tinha um acordo de distribuição nacional, mas como de costume, afundou diante do serviço precário oferecido pelos conluios com grandes empresas do disco.

O trabalho teve uma boa repercussão e, consequentemente, boas vendas, ainda que tenha ficado restrito ao Rio Grande do Sul. Hoje item colecionável e totalmente fora de cogitação de ser relançado.

Texto retirado de | Disco Furado

1988 | RIO GRANDE DO ROCK

01. Julio Reny & Expresso Oriente | Expresso Oriente
02. Apartheid | Roleta Russa
03. Prize | Forças do Interesse
04. Justa Causa | Exilados
05. Os Cascavelettes | Estou Amando uma Mulher
06. Os Cascavelletes | Morte por Tesão
07. Justa Causa | Status
08. Apartheid | Criticos
09. Julio Reny & Expresso Oriente | Anita
10. Prize | Brasil

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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Genesis


Em meados de 1973, o Genesis estava encerrando a bem sucedida turnê do elogiado álbum Foxtrot, trabalho lançado em julho de 1972. A turnê passou pela Europa e Estados Unidos, e ficou marcada por ter sido a primeira onde o vocalista Peter Gabriel revelou o lado de artista performático ao se apresentar fazendo uso de maquiagens faciais e de figurinos dos mais esquisitos. Suas performances acabaram se tornando atrações à parte nos shows do Genesis, o que só fez valorizar os concertos da banda inglesa de rock progressivo.

Tais performances somadas à boa receptividade do álbum Foxtrot fizeram o Genesis conquistar o mercado norte-americano. Numa tentativa de saciar os fãs por novos lançamentos do Genesis, a gravadora Charisma lançou em julho de 1973 o álbum gravado ao vivo Genesis Live, enquanto deu à banda tempo suficiente para compor material inédito para um novo álbum. Genesis Live trouxe registros ao vivo do banda gravados durante a turnê do álbum Foxtrot.

Com novas composições prontas, o Genesis entrou nos estúdios da Island Records, em Londres, em agosto de 1973 para gravar o seu novo álbum, Selling England By The Pound. A produção ficou a cargo de John Burns, o mesmo produtor de Foxtrot.

Para conceber a capa do novo álbum, a banda contou com arte da pintora inglesa Betty Swanwick (1915-1989). Porém, Swanwick não tinha tempo hábil para entregar no prazo a pintura para a capa. A alternativa foi a artista pegar uma obra sua já pronta, e a pedido da banda, acrescentou um cortador de grama encostado num arbusto do lado esquerdo da pintura, uma alusão a um verso da canção “I KnowWhat I Like”.

Quinto álbum de estúdio do Genesis, Selling England By The Pound foi lançado em 13 de outubro de 1973, e apresenta uma banda bastante entrosada. Para alguns críticos musicais, Selling England By The Pound foi o grande momento de Steve Hackett como guitarrista do Genesis. O álbum mostra pela primeira vez o baterista Phil Collins cantando como vocalista principal e uma faixa do álbum. Selling England By The Pound é marcado também por outro ineditismo dentro do Genesis com Tony Banks fazendo pela primeira vez do sintetizador ARP Pro-Solist.

Tematicamente, o quinteto inglês critica em Selling England By The Pound a instabilidade econômica na Inglaterra (o país vivia um estado de recessão econômica nos anos 1970), o consumismo e a “americanização” da cultura inglesa.

O álbum começa com um canto a capella de Peter Gabriel: “Can you tell me where my country lies?” (“Você poderia me dizer onde se encontra o meu país?”). A pergunta faz parte dos primeiros versos de “Dancing With The Moonlit Knight”, longa faixa de cerca de oito minutos que abre o álbum Selling England By The Pound. A canção carrega um certo clima medieval tanto na letra quanto nos arranjos, fazendo lembrar as cantorias dos velhos trovadores medievais. A canção começa calmamente com o piano de Tony Banks e os acordes de guitarra de Steve Hackett, seguindo depois para uma entrada explosiva de todos os outros instrumentos.

Um ruído de cortador de grama simulado pelos teclados de Tony Banks dá início a “I Know What I Like (In Your Wardrobe)”, segunda faixa do álbum. A canção é sobre um jardineiro, e cortador de grama que aparece na capa no lado esquerdo, faz referência a esse personagem. Merece destaque nesta faixa, a percussão executada por Peter Gabriel em alguns trechos da música. Gabriel usou um tambor falante comprado na Nigéria.

“Firth of Fifth” começa com um belo solo de piano solo executado por Tony Banks. Com duração de cerca de nove minutos, “Firth ofForth” é dividida em várias seções com andamentos diferentes. No meio da faixa, há um longo trecho instrumental onde Gabriel faz solos de flauta, Banks faz o mesmo com os seus teclados e Steve Hackett um solo “choroso” de guitarra. Após uma longa pausa instrumental, a faixa termina com Gabriel voltando a cantar e é concluída com um curto solo de piano de Banks. O título da música vem de um trocadilho com Firth of Forth, um estuário localizado na Escócia que envolve vários rios, dentre eles o Rio Forth.

A faixa seguinte, “More Fool Me” é uma canção folk à base de voz e violão, e tem como ineditismo, Phil Collins nos vocais principais pela primeira vez no Genesis. Cerca de dois anos mais tarde, com a saída de Peter Gabriel, será Collins quem assumirá os vocais do Genesis em definitivo.

A faixa "More Fool Me" traz o baterista Phil Collins fazendo o vocal principal pela primeira vez no Genesis.

“The Battle Of Epping Forest” foi composta por Gabriel baseado numa notícia de jornal que leu anos antes a respeito de um conflito entre gangues no leste de Londres. A música começa calmamente com uma bateria em ritmo marcial acompanhada por um som de flauta. Em seguida, entra toda a banda com seu rock progressivo. “The Battle Of Epping Forest” é mais uma longa faixa de Selling England By The Pound (cerca de onze minutois), e divida em vários andamentos. Os teclados de Tony Banks faz belas intervenções, seja fazendo solos ou criando as bases de fundo instrumental.

“After The Ordeal” mostra o talento do Genesis em criar músicas instrumentais. Essa faixa é uma espécie de “epílogo” de “The Battle Of Epping Forest”, fazendo um elo com a faixa seguinte. Muito bem arranjada, “After The Ordeal” é dividia em duas partes: a primeira parte essencialmente acústica, com Steve Hackett fazendo solos no violão que dão um clima todo medieval à música, e Tony Banks executando o seu piano ao fundo. A segunda parte é lenta e elétrica, com toda a banda tocando e Hackett fazendo um lindo e emocionado solo de guitarra na reta final da música.

Inspirada num poema de T.S.Eliot (1888-1965), poeta norte-americano radicado na Inglaterra, “The Cinema Show” possui outra referência literária: Romeu e Julieta, William Shakespeare (1564-1616). A letra da música faz citações a Romeu e Julieta dentro de uma visão contemporânea. Começa com solos delicados de violão e piano, acompanhando depois os vocais de Peter Gabriel. Assim como as outras longas faixas presentes no álbum, “The Cinema Show” com seus onze minutos de duração, é dividida em várias seções, entre vocais instrumentais e coral de apoio. Talvez o grande momento de “The Cinema Show” sejam os seus quatro minutos finais em que contando com o apoio do resto da banda, Tony Banks reina em absoluto executando os seus teclados de uma maneira grandiosa e habilidosa. Banks faz solos fantásticos no seu sintetizador ARP-Soloist, capaz de transportar o ouvinte a outros mundos. É sem sombra de dúvidas, um dos melhores solos de sintetizador da história do rock progressivo.

Fechando o álbum, a curtíssima “Aisle Of Plenty” que é praticamente uma reprise de “Dancing With The MoonlitKnight”, porém com um letra referindo-se a outro assunto: o consumismo. A canção termina de maneira sarcástica com Peter Gabriel anunciando produtos em promoção de um supermercado como creme de leite, manteiga, lava-louças, pacote de biscoitos, dentre outras coisas.
A turnê de Selling England By The Pound começou em setembro de 1973, um mês antes do álbum ser lançado, e terminou em maio de 1974, passando pela Europa e Estados Unidos. O álbum teve uma reação positiva por parte da crítica especializada. O público recebeu bem o álbum: no Reino Unido, Selling England By The Pound foi 3º lugar, enquanto que nos Estados Unidos, ficou em 70º lugar. O single de “I Know What I Like (In Your Wardrobe)” foi o primeiro grande sucesso comercial do Genesis na sua fase rock progressivo.

Com Selling England By The Pound, o Genesis encontroo seu estilo. O álbum representou o reconhecimento do trabalho da banda, e pôs o Genesis entre os gigantes do rock progressivo dos anos 1970, ao lado de Yes, Emerson Lake & Palmer, King Crimson e Pink Floyd. Selling England By The Pound abriu caminho para o mais ousado trabalho da banda durante a sua fase progressiva, o álbum duplo The Lamb Lies Down On Broadway, de 1974 e que representaria o ápice da fase Peter Gabriel do então quinteto inglês.

Texto retirado de |
Discos Essenciais

1973 | SELLING ENGLAND BY THE POUND

01. Dancing With the Moonlit Knight
02. I Know What I Like (In Your Wardrobe)
03. Fifth of Firth
04. More Fool Me
05. The Battle of Epping Forest
06. After the Ordeal
07. The Cinema Show
08. Aisle of Plenty

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

V.A. Não São Paulo


VOLUME 1

"Não São Paulo" traz quatro bandas paulistanas que representavam o lado mais monocromático do rock paulistano da metade dos anos 80. Um álbum de bandas esteticamente inspiradas no pós punk, mas com as janelas abertas para buscar referências em outras manifestações artísticas e, mesmo, na música brasileira, principalmente no seu lado experimental.

O disco se inspira no cultuado "No New York", que revelou quatro bandas tão barulhentas quanto influentes, sob produção de Brian Eno. Semelhante à produção novaiorquina, as bandas do "Não São Paulo" pareciam estar em contante construção, experimentavam no estúdio, mas demonstravam maturidade. Provavelmente não tinham a intenção de encontrar seu lugar no rock nacional vigente, conformado o suficiente para não aceitar desafios, mas surpreenderam o público, e até mesmo se surpreenderam com a resposta do público. Havia um sentimento em comum de que "Não São Paulo" não seria marcado pelo tempo. E estavam certos.

O primeiro volume da coletânea abre com o Akira S & As Garotas que Erraram, capitaneados por um vocalista, Pedreira "Alex" Antunes, mais afeito a narrar letras do que a buscar qualquer harmonia vocal, e um baixista único por estas plagas, Akira S. “Sobre as pernas” traz a participação do Holger Czukay, fundador do Can alçado a condição de ídolo daquela turma. Holger tocou e editou a trompa que rasga o arranjo de "Sobre as pernas", que inclusive chegou a ser bem executada na 89 FM.

O Chance traz a frente a única voz feminina do álbum, Marcinha, e suas duas músicas anteciparam o que na década seguinte ficou conhecido como trip hop. “Samba do morro” desconstrói e desacelera um samba, insere ruídos e cadencia uma levada lenta. “O striptease de Madame X” é densa, com arranjo econômico de piano e versos recitados na voz masculina do Scot, alter ego do José Augusto Lemos.

O Muzak á a mais ruidosa das bandas do disco.“Ilha urbana” traz um arranjo brilhante composto basicamente por uma guitarra barulhenta e uma cozinha bem marcada. Por outro lado, “Jovens ateus” mostra que o Muzak apresentava potencial para canções mais próximas ao rock nacional da época, tanto que foi a única banda do disco que despontou para um contrato com grande gravadora, a EMI, pela gravou seu único disco.

O Ness, aqui reduzido ao duo Fernando e Walter, mostram um trabalho igualmente soturno, mas menos experimental, soam mais acessíveis que as demais bandas do álbum. “Adeus Buck Rogers” também entrou na programação da 89 FM, graças a produtora Aninha Sanchez.

Depois de "Não São Paulo" todas as bandas chegaram ao primeiro álbum completo, exceto o Chance. Nenhuma delas galgou passos além do underground e em menos de quatro anos todas já haviam encerrado atividades. Contudo, juntos construíram uma fotografia ainda bastante nítida da sombria metrópole que se mostrava em completa sintonia com outras grandes cidades e seus artistas urbanos.

O disco foi bem recebido pela crítica especializada, o que gerou um certo desconforto para as bandas, pois boa parte da crítica interessada em "Não São Paulo" era formada por músicos/jornalistas, dois deles presentes na coletânea, Alex Antunes (Akira S & As Garotas que Erraram), José Augusto Lemos (Chance).

“Não São Paulo” foi relançado em CD pela Baratos Afins, em 1997. A edição com um bônus ao vivo para cada banda está disponível nos links abaixo:

1986 | NÃO SÃO PAULO VOL. 1

01. Akira S & As Garotas Que Erraram | Sobre as Pernas
02. Muzak | Jovens Ateus
03. Chance | Samba do Morro
04. Ness | Adeus Buck Rogers
05. Muzak | Ilha Urbana
06. Ness | M.R.O.
07. Akira S & As Garotas Que Erraram | Swing Basses Series I (Eu Dirijo O Carro Bomba)
08. Chance | O Striptease de Madame X
09. Chance | Beaultiful But True
10. Ness | Vie Moderne (Vida Moderna)
11. Muzak | TV Morte (Ao Vivo)
12. Akira S & As Garotas Que Erraram | Kkbalah (Ao Vivo)

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VOLUME 2

Segundo volume da aclamada coletânea lançada pelo selo Baratons Afins. As bandas escolhidas dessa vez foram 365, Gueto, Nau e Vultos.

Sem o mesmo impacto da primeira, vale, pelo menos, pela qualidade das bandas selecionadas, em especial Gueto, com duas faxias mais próximas ao rock do que ao rap.

Diferente do primeiro disco, neste cada banda gravou duas faixas distintas, a terceira foi uma versão ao vivo, ou demo, no cado dos Vultos, de uma das outras canções.

1987 | NÃO SÃO PAULO VOL. 2

01. Nau | Madame Oráculo
02. Gueto | Fotografia
03. 365 | 31 de Março
04. Vultos | O Analista
05. Gueto | Luta
06. Vultos | Farsantes Amantes
07. Nau | Sofro
08. 365 | Grandola Vila Morena
09. Nau | Madame Oráculo (Ao Vivo)
10. Vultos | Farsantes Amantes (Ao Vivo)
11. Gueto | Luta (Ao Vivo)
12. 365 | Grandola Vila Morena (Ao Vivo)

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Texto retirado de | Disco Furado

terça-feira, 10 de setembro de 2019

The Police


O sucesso inesperado de "Outlandos d'Amour" (1978) deu ao Police credenciais junto ao público de que um trio poderia fazer um novo tipo de música -- nem punk, nem rock clássico --, mas alguma que misturasse referências em algo único e original para atrair o maior número de pessoas possíveis. Não à toa, eles foram classificados como "New Wave" -- ou "Nova Onda" -- que vinha para mostrar às rádios, público e gravadoras que o passado realmente estava ficando para trás.

Claro que o sucesso do trio formado por Sting, Andy Summers e Stewart Copeland veio com muito trabalho. Mas claro que "Can't Stand Losing You" e "Roxanne" ajudaram muito, principalmente a segunda nos Estados Unidos. Porém havia uma enorme desconfiança, afinal quantas bandas também não explodiram após o primeiro álbum e o sucessor foi medíocre? Uma parte do público e dos críticos optou por esse caminho na hora de avaliar o futuro do Police pouco menos de um ano da estreia.

A gravadora A&M acreditou no potencial deles para o segundo disco e visou um estúdio maior e um produtor de alto calibre, já que a sonoridade deles foi muito bem recebida na América. Tudo foi prontamente recusado pelo trio, que optou por algo menor e com ajuda de Nigel Gray, engenheiro de som promovido a coprodutor do álbum.

Em uma banda desse calibre, todos chegaram com ideias de músicas para o novo trabalho. Mesmo assim, o material era insuficiente para preencher todo LP. E ainda havia o fato de eles estarem em turnê, então era praticamente impossível ter qualquer tipo de foco no trabalho sem dividir atenção com outras coisas. Mesmo assim, foram apenas quatro semanas em estúdio, um tempo relativamente curto para fazer um álbum do início ao fim. E sem muito material novo, partiram para o baú de antigas gravações.

"Foi um álbum realmente fácil para nós gravarmos, levou apenas três ou quatro semanas. 'Outlandos...' foi gravado durante um período de seis meses. No 'Reggatta...' nós realmente cancelamos duas semanas de estúdio. O material não foi ensaiado, mas a banda estava pronta. Nós conhecíamos o estilo um do outro porque estávamos juntos constantemente por oito meses, o que não aconteceu quando gravamos o primeiro álbum", disse o baterista Stewart Copeland para 'Trouser Press', em dezembro de 1979.

O trabalho também foi o ponto em que o Police, enfim, conseguiu mostrar ao mundo que era uma banda original. Segundo Sting, esse trabalho foi o início do trio como uma unidade musical com referências, mas com uma cara própria.

"Tínhamos influências de reggae em nosso vocabulário e foram sintetizados em nossa infraestrutura. Como músico, você aprende seu ofício, imita e copia pessoas, e de repente há um momento em seu desenvolvimento em que você cresce e finalmente se torna você mesmo. Acho que o 'Reggatta De Blanc' foi esse momento para nós", contou o baixista à revista 'Musician', em 1983.

Lançado em 2 de outubro de 1979, "Reggatta de Blanc" separou definitivamente o Police do punk ao apresentar um trabalho de qualidade musical absurda. O LP chegou ao primeiro lugar da parada no Reino Unido e ao 25º lugar nos Estados Unidos. E aqui começou uma subida absurda nadas paradas, o que transformaria o trio na maior banda do mundo no início dos anos 1980.

Texto retirado de | Music On The Run

1979 | REGGATTA DE BLANC

01. Message In A Bottle
02. Reggatta De Blanc
03. It's Alright For You
04. Bring On The Night
05. Deathwish
06. Walking on the Moon
07. On Any Other Day
08. The Bed's Too Big Without You
09. Contact
10. Does Everyone Stare
11. No Time This Time

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