sábado, 1 de maio de 2010

The Cult

Antes de caírem no rock pesado e virarem uma cópia do Guns N' Roses, o Cult era uma das bandas mais interessantes do anos 80. Começaram como uma banda meio gótica, de batida meio tribal. O vocalista Ian Astbury dizia-se influenciado pelos índios norte-americanos e junto com o fabuloso guitarrista Billy Duffy formou uma das parcerias mais simpáticas da nova fase psicodélica que assolou a Inglaterra nos anos 80. Após formarem o Southern Death Cult, Death Cult e depois finalmente o Cult, a banda arregimentou uma legião de fãs. Fizeram um excepcional disco de hard, Electric, e depois caíram de boca no som mais pesado e foram colocados como uma banda de segunda linha. Uma injustiça para um dos grupos mais promissores da década.

Ian começou com a idéia de montar uma banda de rock influenciado pelos anos 60, logo após largar o exército. Depois de montar o Southern Death Cult, que conquistou um certo público e deu espaço para o cantor, ele resolveu desmontar a banda. Conheceu Billly, montaram o Death Cult, que rendeu a dançante God´s Zoo nas paradas independentes.

A banda debutou com Dreamtime, que trazia "Spiritwalker". Após isso, foi lançado um disco ao vivo, chamado Dreamtime Live at the Lyceum, que chegou a ser lançado na época como um brinde do primeiro álbum. O grupo já tinha sua posição consolidada na Inglaterrra como um dos principais nomes do neo-psicodelismo que atingira a Grã-Bretanha. A letra dizia algo como: "Eu quero minha hora do sonho, eu quero minha hora do sonho, A única coisa intocável que é minha. Eu irei usar meu cabelo comprido, ele é uma extensão do meu coração" - embora na letra do encarte esteja escrita "extensão da minha alma".

A música subiu várias posições nas paradas independentes, já que tinham assinado com a Beggar's Banquet, mesma gravadora do Bauhaus. Ian Astbury deixava seu cabelo cada vez mais comprido. Juntaram o baixista Jamie Stewart e deixaram a bateria com vários membros, sem ter um fixo. O som era bebido dos Doors, Pink Floyd, Love, e outras coisas.

"O Cult era uma banda que te chamava atenção no palco. Ian todo de preto, sendo acompanhado pela selvagem guitarra de Billy, tocando com toda aquela energia saindo deles. O público era formado por góticos, punks, harders, todo tipo. Tinha gosto para tudo. E você saía simplesmente chapado do ginásio. Parecia que tinha acabado de ver uma cerimônia, um ritual", lembra Ian McCulloch, vocalista do Echo and the Bunnymen.

O grupo era simplesmente idolotrado na Inglaterra, sendo cultuado mais até do que o nome sugere. O auge surgiu com o lançamento do álbum Love. Ainda uma excentricidade para o mercado norte-americano, o Cult foi tomando as paradas de sucesso de assalto e ganhando rasgados elogios da mídia, que via naquele quarteto um novo Led Zeppelin, embora a comparação ficasse mais forte com o álbum posterior Electric.

"Não podemos esquecer que o Cult fez ressurgir em muito a volta do Led nos anos 80. Eles tinham uma energia e carisma parecidos em palco", relembra Bono, do U2.

O disco foi gravado em 1985, e o primeiro single "She Sells Sanctuary", foi gravado entre os dias 11 e 15 de março. A versão de 12 polegadas, por incrível que pareça, chegou a sair no Brasil na época, mas passou em branco para variar. Mas nenhuma casa noturna ficava indiferente quando tocava. Era botar todo mundo para dançar.

Texto: Mofo

1985 | LOVE

01 | Nirvana
02 | Big Neon Glitter
03 | Love
04 | Brother Wolf, Sister Moon
05 | Rain
06 | Phoenix
07 | Hollow Man
08 | Revolution
09 | She Sells Sanctuary
10 | Black Angel

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Damon Shulman

Damon Shulman é parte de uma longa tradição musical. Seu pai e tios foram membros fundadores da banda Simon Dupree & The Big Sound e, posteriormente, do grupo de rock progressivo Gentle Giant.

Damon começou a tocar em bandas muito cedo: Chaos, Band A Part (com participação de Phil Shulman), The Woking Stifs e Different Trains, obtendo reconhecimento da crítica e arrebentando um bom número de fãs

Em 2003, Damon lançou o CD "In Pieces". O álbum incluiu performances de seu pai, Phil. Em 2006, Damon lança seu próximo álbum através da Alucard Publishing: "A Brief Moment Of Panic". O álbum foi gravado e produzido no estúdio caseiro de Damon. "Vultures And Sheep", seu terceiro álbum, sai em 2008.

Mais informações:
damonshulman.co.uk
gentlegiantmusic.com

2003 | IN PIECES

01 | Everything
02 | No Control
03 | Walk On water
04 | Rats
05 | The Devil Wants A Ride
06 | Forever
07 | The Finest Feeling
08 | In My House

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2006 | A BRIEF MOMENT OF PANIC

01 | Scream
02 | Self Pity At The Guildhall
03 | While We're In Flight
04 | Pleasure
05 | She Fades Away
06 | Soul Seeks Rebellion
07 | Telead
08 | When We Were

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2008 | VULTURES AND SHEEP

01 | How You Want It
02 | I'll Break Your Heart
03 | Re-Animator
04 | Scum
05 | Vultures And Sheep
06 | Walk
07 | Wanted
08 | Wish I Was A

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Cocteau Twins


Do Livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer


Foi neste terceiro álbum que a beleza misteriosa dos Cocteau Twins começou a se revelar. O baixista Simon Raymonde, mais recente membro da banda, aos poucos foi se envolvendo cada vez mais com a composição, orquestração e produção musical. Junto com o guitarrista Robin Guthrie e a incomparável vocalista Liz Frazer, ele se enfurnou nos estúdios Palladium, em Londres, e criou uma obra-prima.

A reluzente teia abstrata da capa assim como os títulos das músicas inspirados em belos nomes mitológicos são um bom exemplo da influência estética do selo 4AD. Nada mais adequado, então, que a primeira música receba o nome do fundador do selo, Ivo. Com a delicada introdução vocal e a guitarra cortante que emerge ao longo da música "Ivo" inicia o álbum em alto e bom tom, literalmente.

Em seguida vem "Lorelei", a melhor música do álbum. Conduzindo os ouvintes com toques de sinos e camadas de sintetizadores, a música irrompe em ritmo persuasivo e uma interpretação vocal estupenda. A voz de Frazer se estende e sobe, suspira e plaina, flutuando acima da música. É difícil acreditar que seus refrões ascendentes e modulados estão saindo da mesma boca que os vibratos graves que estão na base da música.

"Persephone" dá ao álbum um toque industrial e um pouco grunge, enquanto "Pandora" desliza para uma vertente jazzística. "Domino" conclui o LP com a mesma intensidade do início com sua introdução ambiente e angelical de dois minutos que finalmente explode em um ritmo forte antes de se dissolver em silêncio. Treasure é inesquecível.

1984 - TREASURE

01. Ivo
02. Lorelei
03. Beatrix
04. Persephone
05. Pandora (For Cindy)
06. Amelia
07. Aloysius
08. Cicely
09. Otterley
10. Donimo

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quinta-feira, 11 de março de 2010

Paulinho Pedra Azul

Paulo Hugo Morais Sobrinho, o Paulinho Pedra Azul, é um cantor, poeta, artista plástico e compositor brasileiro.

Nascido em Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, no dia 3 de agosto de 1954.

Além de músico, também é autor de 200 telas a óleo e acrílico e de 15 livros.

Sua carreira artística teve início por volta dos 13 anos de idade, inicialmente com as artes plásticas. Enveredando pela música participou de um conjunto chamado “The Giants”, em que trabalhou com Rogério Braga, Mauro Mendes, Marivaldo Chaves, Salvador, Edmar Moreira e André, interpretando canções dos Beatles, The Fevers, Os Incríveis, Erasmo e Roberto Carlos, dentre outros.

A partir do final dos anos 1960 participou de festivais regionais de música e de poesia, tendo realizado inúmeros shows em cidades do interior de Minas Gerais. Nos anos 70, mudou-se para São Paulo onde morou por dez anos, período no qual trabalhou com o cantor, humorista e ator Saulo Laranjeira, também oriundo de Pedra Azul. Retornou depois para Minas, se fixando em Belo Horizonte onde até hoje reside.

Durante o tempo em que viveu em São Paulo gravou seus três primeiros discos. O LP de estréia fez grande sucesso com a canção que lhe dá o título: "Jardim da Fantasia", popularmente conhecida como "Bem-te-vi".

Com um estilo que varia do romântico à MPB, fortemente influenciada pelo Clube da Esquina, e com algumas composições de chorinhos, Paulinho Pedra Azul tem 21 discos gravados, a maioria deles independentes, tendo vendido cerca de 500 mil exemplares de toda a sua obra. É também autor de 200 telas a óleo e acrílico e de 15 livros, dentre eles “Delírio Habanero - Pequeno Diário em Cuba”, escrito durante visita à ilha de Fidel Castro.

Apesar de não ser um constante freqüentador da mídia de massa, Paulinho Pedra Azul consegue ser conhecido por um segmento específico que envolve principalmente universitários. Pesquisa feita pela AMAR (Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes), o destacou como o segundo cantor mais conhecido de Minas Gerais, perdendo apenas para Milton Nascimento.

Texto: Wikipédia

1982 | JARDIM DA FANTASIA

01. Ave Cantadeira
02. Pobre Bichinho
03. Valsa do Desencanto
04. Voarás
05. Nascente
06. Cortinas de Ferro
07. Jequitinhonha
08. Cantar
09. Jardim da Fantasia
10. Vagando

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cocteau Twins


1988 - BLUE BELL KNOLL

01. Blue Bell Knoll
02. Athol-Brose
03. Carolyn's Fingers
04. For Phoebe Still A Baby
05. The Itchy Glowbo Blow
06. Cico Buff
07. Suckling The Mender
08. Spooning Good Singing Gum
09. A Kissed Out Red Floatboat
10. Ella Megalast Burls Forever

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Soundgarden


O Soundgarden, uma das bandas mais importantes da cena Grunge, nascida em Seattle, na década de 90. O som da banda era mais pesado que o dos outros grupos que faziam parte desse movimento como o Nirvana e Pearl Jam e suas músicas, tecnicamente superiores.

Mas a história do Soundgarden começou na verdade em Illinois, em 1981, quando Kim Thayil (guitarrista), Hiro Yamamoto (baixista) e Bruce Pavitt estudavam juntos. Após terminarem o colegial, resolvem dar continuidade aos estudos em Seattle, mas quando chegaram, foram atraídos pelo underground local e passaram a tocar em várias bandas.

Em 1984, Hiro conheceu o vocalista Chris Cornell e, junto a Thayil e o baterista Scott Sundquist formaram o Soundgarden. Bruce não entrou em nenhuma banda e sim, fundou um fanzine que viria a ser o selo Sub Pop.

Após dois anos tocando em pequenos lugares por toda a cidade, o baterista Scott deixa o grupo e é substituído por Matt Cameron (hoje no Pearl Jam). Já em 1987, o selo de Bruce, o Sub-Pop, estava começando a render bons resultados e ele assinou um contrato com seus amigos da época de colégio.

No mesmo ano, saiu o primeiro EP "Screaming Life" e, em 1988, o segundo "Fopp". Com esses primeiros lançamentos e os constantes shows, começam a ganhar fama dentro dos EUA, assinando com outro selo, o SST Records. Foi lançado então, ainda em 1988, o primeiro álbum, Ultraomega OK. Muitas gravadoras se interessaram pelo grupo e eles acabam aceitando uma proposta da A&M Records.

Em 1989, chegou Louder Than Love. Esse disco fez muito sucesso na época, chegando a receber uma indicação ao Grammy. O baixista Yamamoto abandona a banda e é substituído por Jason Everman. Após uma turnê com o Voivod e Faith No More, Everman é substituído por Ben Shepperd e ainda os dois primeiros EPs são relançados em um único álbum, chamado Fopp/Screaming Life.

Em 1991, alguns integrantes do Pearl Jam junto com Cornell e Cameron, montam um projeto paralelo batizado de Temple Of the Dog. As músicas são uma homenagem ao amigo Andy Wood, vocalista do Mother Love Bone, que havia morrido de overdose. A faixa "Hunger strike" vira hit, sendo tocada exaustivamente nas rádios e na MTV.

O Soundgarden entra em estúdio novamente e, ainda em 1991, é lançado Badmotorfinger. Esse álbum consolidou de vez a fama da banda. Fizeram grandes turnês, abrindo inclusive para o Guns N' Roses, sendo reconhecidos mundialmente. O grupo só voltou a lançar material inédito em 1994, no clássico Superunknow. A faixa "Black hole sun", virou um dos vídeos mais pedidos da MTV, inclusive no Brasil e o álbum faturou 3 Grammies.

Dois anos depois, chega Down on the Upside que, apesar de não ter feito tanto sucesso quanto os anteriores, foi muito bem aceito pelos fãs. Boatos sobre brigas internas e problemas com as cordas vocais de Cornell começaram a surgir e após a turnê desse, que acabou sendo o último disco da banda, o Soundgarden anuncia, em 1997, o fim de suas atividades. A gravadora ainda soltou uma coletânea intitulada A-Sides, com os maiores hits do grupo.

Texto: Kiss Fm

1988 | ULTRAMEGA OK

01 | Flower
02 | All Your Lies
03 | 665
04 | Beyond The Wheel
05 | 667
06 | Mood For Trouble
07 | Circle Of Power
08 | He Didn’t
09 | Smokestack Lightning
10 | Nazi Driver
11 | Head Injury
12 | Incessant Mace
13 | One Minute Of Silence

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1989 | LOUDER THAN LOVE

01 | Ugly Truth
02 | Hands All Over
03 | Gun
04 | Power Trip
05 | Get On The Snake
06 | Full On Kevin’s Mom
07 | Loud Love
08 | I Awake
09 | No Wrong No Right
10 | Uncovered
11 | Big Dumb Sex
12 | Full On (Reprise)

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1991 | BADMOTORFINGER

01 | Rusty Cage
02 | Outshined
03 | Slaves & Bulldozers
04 | Jesus Christ Pose
05 | Face Pollution
06 | Somewhere
07 | Searching With My Good Eye Closed
08 | Room A Thousand Years Wide
09 | Mind Riot
10 | Drawing Flies
11 | Holy Water
12 | New Damage

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1994 | SUPERUNKNOWN

01 | Let Me Drown
02 | My Wave
03 | Fell On Black Days
04 | Mailman
05 | Superunknown
06 | Head Down
07 | Black Hole Sun
08 | Spoonman
09 | Limo Wreck
10 | The Day I Tried To Live
11 | Kickstand
12 | Fresh Tendrils
13 | 4th Of July
14 | Half
15 | Like Suicide
16 | She Likes Surprises

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1996 | DOWN ON THE UPSIDE

01 | Pretty Noose
02 | Rhinosaur
03 | Zero Chance
04 | Dusty
05 | Ty Cobb
06 | Blow Up The Outside World
07 | Burden In My Hand
08 | Never Named
09 | Applebite
10 | Never The Machine Forever
11 | Tighter & Tighter
12 | No Attention
13 | Switch Opens
14 | Overfloater
15 | An Unkind
16 | Boot Camp

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2012 | KING ANIMAL

01 | Been Away Too Long
02 | Non-State Actor
03 | By Crooked Steps
04 | A Thousand Days Before
05 | Blood on the Valley Floor
06 | Bones of Birds
07 | Taree
08 | Attrition
09 | Black Saturday
10 | Halfway There
11 | Worse Dreams
12 | Eyelid’s Mouth
13 | Rowing

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domingo, 20 de dezembro de 2009

U2

Primeiro registro em vídeo da banda, Live At Red Rocks foi gravado em 1983, no Red Rocks Amphitheatreme, Colorado.

O EP Under A Blood Red Sky, lançado no mesmo ano, contém músicas de três shows da banda durante a War Tour registrados na Europa e EUA.

O disco abaixo é o áudio retirado do DVD, e que traz cinco músicas que não estavam na fita original à época de seu lançamento. O U2 encontra-se na sua melhor forma, com suas influências do pós-punk.

1983 | LIVE AT RED ROCKS
"Under a Blood Red Sky"

(DVD áudio)


01 | Openning: "Clannad | Theme From Harry's Game"
02 | Out of Control
03 | Twilight
04 | An Cat Dubh
05 | Into the Heart
06 | Surrender
07 | Two Hearts Beat As One
08 | Seconds
09 | Sunday Bloody Sunday
10 | Cry/The Electric Co.
11 | October
12 | New Years Day
13 | I Threw a Brick Through a Window
14 | A Day Without Me
15 | Gloria
16 | Party Girl
17 | 11 O'Clock Tick Tock
18 | I Will Follow
19 | "40"
20 | End Titles: "Clannad | Theme From Harry's Game"

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Elton John

HONKY CHATEAU

Dia desses, eu estava saindo de casa para ir à aula, e fui procurar algum disco que combinasse com chuva para ouvir enquanto dirigia (fazer isso em Brasília é uma delícia), já que tenho dessa coisa de achar que um disco combina com determinado clima ou hora do dia. Vasculhando o iPod encontrei o “Honky Château”, do Elton John, que eu havia baixado, mas ouvido uma única vez. Mal me lembrava do disco.

Não lembrava, por exemplo, se esse disco de 1972 (quinto da carreira do cantor) podia ser ouvido sob chuva e a oitenta quilômetros por hora, limite de velocidade da via L4. Também não lembrava que é um clássico, um caso raro de aclamação de crítica e público (foi número 1 nas paradas americanas por cinco semanas), ou qualquer outra coisa. “Honky Château” é tudo isso.

Mas nem precisaria lembrar, bastava ouvir: mal começou “Honky Cat” e eu já estava encantado dentro do carro. Não consegui pegar a letra muito bem enquanto a música tocava, mas parecia interessante. Quando voltei para casa, descobri que ela termina dizendo “viver na cidade, garoto, vai partir seu coração / mas como você pode ficar, quando seu coração diz ‘não’/ como você pode parar quando seus pés dizem ‘vá’?”.

Como qualquer pessoa deveria saber, esse tal de Elton John faz umas melodias de te partir ao meio. Mas logo de cara, e com uma letra dessas acompanhando, é covardia. Tamanha covardia que “Mellow”, a segunda música, nem é memorável, talvez até um pouco chatinha, e não me importei com isso.

A terceira, em compensação, é uma porrada que se explica já no título: “I Think I’m Going To Kill Myself”. Mas por que, Elton? “I’m getting bored being part of mankind / there’s not a lot to do no more, this race is a waste of time”. Obra de Bernie Taupin, letrista parceiro de Elton John, um cara que escreve letras como se fosse um terno sob medida para mim, e para você. Mas Bernie, além de grande letrista, é um espertinho: como condição para não se matar, o suicida pede que Brigitte Bardot o visite todo dia, e o sacrifício não aconteça.

Depois vem “Susie (Dramas)”, e ele fala da linda e pequena Susie, uma garota de olhos negros que brinca com o coração dele o tempo todo - um drama que só. Ela fez com que ele congelasse patinando no gelo ao lado dela e com que ele comprasse novos sapatos, mas ele não liga para nenhum dos dramas, porque ela está ali com ele. Talvez pela imagem da patinação, talvez pela imagem dos dramas, sempre me lembro das tiras do Snoopy (”Peanuts”) na imagem que tenho dessa música.

Ok, melhor segurar. Não vamos chorar agora, porque é a vez de “Rocket Man”, o sucesso do disco. A vida no espaço pode ser uma metáfora para drogas ou para o estrelato, como já li em vários lugares alguém falando sobre o sentido dessa balada, mas o sentimento de solidão é o mesmo… seja num avião entre uma cidade e outra, seja num ônibus espacial entre um planeta e outro. O golpe de misericórdia vem nos versos “and all this science I don’t understand / it’s just my job five days a week”. Reconheceu o seu emprego burocrático aí?

Finda a primeira metade do disco, no lado 2 temos “Salvation”, mas não, não é a salvação, e sim mais uma melodia que deveria ser exposta em algum lugar, como referência para quem queira fazer música nos dias de hoje. “Slave”, em seguida, é o momento politizado, uma prima de “Southern Man”, música do Neil Young lançada dois anos antes. Não é ruim, mas não é como Elton John cantando sobre seus sentimentos.

Por isso mesmo, melhor falar da oitava canção, chamada “Amy”, em homenagem a alguma mulher-tsunami. Conhece esse tipo? São aquelas mulheres que varrem da sua vida tudo aquilo que você mais preza: seu sossego, sua honra, seus amigos, seu dinheiro. Daquelas que te fazem vender seu Honda Civic para comprar dois Fiestas, e um ficar com ela. “Meu pai disse que seu nome é Amy / E que me quebra o pescoço se eu jogar seu jogo / Mas ele não pode fazer isso porque eu te amo do mesmo jeito”, canta Elton, antes de dizer que apanha na rua por gostar dela. E liquida: “Amy, posso não ser o James Dean / Amy, posso não ter dezenove anos / E eu posso ainda usar botas e jeans / Mas você é a mulher que destrói meus sonhos”.

Essa música tem um clima country, o mesmo clima country que você encontra em “Amy”, do Ryan Adams, presente no disco de estreia do matuto de Jacksonville, “Heartbreaker”. Aí começa uma troca de figurinhas: Ryan já disse, numa entrevista, que adora o “Honky Château”, enquanto é sabido que seu “Heartbreaker” fez Elton John pirar e sair de um período de oito anos sem gravar nada. E, só por causa de um disco inspirador, acabou fazendo os dois dividirem um especial de TV um tempo depois, com direito até a um dueto em “Mona Lisas and Mad Hatters”, que sucede “Amy”.

O disco acaba com “Hercules”, uma melodia acolhedora como um abraço e que fala sobre perder a namorada (ou paixão platônica, você escolhe) para um bombado: “and it hurts like hell / to see my gal / messin’ with a mus cle boy / no superman gonna ruin my plans / playin’ with my toys”.

Não conheço muito mais da carreira de Sir Elton, mas também acho “Madman Across The Water” um disco lindo (”Tiny Dancer”, momento cantando junto do filme “Quase Famosos”, saiu daqui) e sei que “Goodbye Yellow Brick Road” não vendeu mais de 30 milhões de cópias à toa. Mas felizmente chove em Brasília durante seis meses seguidos e tenho gasolina no tanque para ir daqui a Uberlândia ouvindo os discos do cara. Bora pegar a estrada?

Por | Eduardo Palandi

Eduardo Palandi é colaborador do S&Y desde a Idade Média e assina o blog Life In Slow Motion

1972 | HONKY CHATEAU

01 | Honky Cat
02 | Mellow
03 | I Think I'm Going to Kill Myself
04 | Suzie (Dramas)
05 | Rocket Man (I Think It's Going to Be a Long Long Time)
06 | Salvation
07 | Slave
08 | Amy
09 | Mona Lisas and Mad Hatters
10 | Hercules

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Heitor Villa-Lobos

Passados 50 anos de sua morte, Heitor Villa-Lobos mantém seu lugar no panteão dos gênios da música.

Hoje (ontem) se completam 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos. Maestro e compositor, foi um gênio que ao longo de 72 anos imprimiu uma nova linguagem à música brasileira, ao incorporar elementos das canções folclóricas, populares e indígenas, com combinações inusitadas de instrumentos e imitação do canto de pássaros.

Villa-Lobos é um dos poucos compositores que conseguiu derrubar as barreiras entre o popular e o erudito ao fazer com que os dois gêneros conversassem entre si. Difícil? Não para ele, que percorreu o Brasil recolhendo toda a riqueza de sons ao desbravar florestas e sertões.

– É admirável o poder de absorção, catalização e síntese em Villa-Lobos. Dizem que muitas vezes compunha com o rádio ligado... Ele faz questão que o mundo que o circunda penetre em sua criação. Villa-Lobos foi um orquestrador magistral: impressionam até hoje as sonoridades que ele criou através da orquestra – diz o pianista e pesquisador Alberto Andrés Heller.

O resultado das viagens pelo interior do país foi um repertório com 1,2 mil peças. Para o pianista, a principal contribuição de Villa-Lobos foi a sistemática utilização da música folclórica em suas composições, aliando-a à estética modernista.

Por volta de 1915, a Europa estava na moda e a cultura popular não era valorizada no Brasil. O cenário muda em 1922, com a Semana de Arte Moderna, quando o trabalho de Villa tem grande repercussão junto a intelectuais. O modernismo de caráter nacionalista de Villa-Lobos se deve em grande parte à influência de Mário de Andrade, um dos principais articuladores ideológicos da Semana de 1922.

– Quer-se fugir do Brasil “romantizado” (como em Iracema, de José de Alencar, por exemplo) e ao mesmo tempo abrir-se a um futuro vanguardista e renovador. Trata-se, portanto, de criar uma identidade para o Brasil – comenta Heller.

Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro e traz em sua formação toda a sonoridade dos cariocas. A mãe queria que fosse médico, o pai o incentivou para a música. Aos 12 anos, começou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes. Interessou-se pelo choro e passou a conviver com representativos nomes da música popular. Entre suas composições mais conhecidas estão Trenzinho Caipira e As Bachianas, Uirapurú e choros para piano e orquestra.

O maestro Jeferson Della Rocca considera o compositor como um dos principais do cenário musical erudito, no Brasil e no exterior.

– Conseguiu, assim como Carlos Gomes, receber grande reconhecimento internacional e ter suas músicas na programação da maior parte das orquestras e cameristas de todo o mundo _ diz Jeferson.

Para a maestrina Mércia Ferreira Villa-Lobos tinha uma fertilidade incrível, tanto vocal quanto instrumental.

– Passadas cinco décadas de sua morte, sua música soa de outra forma aos ouvidos da crítica especializada. E a visão de nacionalistas e vanguardistas converge na mesma direção.

JACQUELINE IENSEN
jacqueline.iensen@diario.com.br

HEITOR VILLA LOBOS | BACHIANAS BRASILEIRAS

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Michael Jackson | Dangerous


Lançado por Michael Jackson pela Epic em 1991 que figura como o segundo melhor desempenho de vendas da carreira do cantor. Até 2002, havia sido adquirido por 32 milhões de pessoas no mundo, segundo estimativas da gravadora. O álbum marca o término da parceria de 12 anos entre Jackson e Quincy Jones na produção, que nesse disco fica a cargo, essencialmente, de Teddy Riley - considerado um dos criadores de um então-novo tipo de som chamado 'new jack swing'.

Dangerous figura como o álbum de um artista masculino mais vendido da década de 90.É a primeira coleção de músicas inéditas lançada pelo astro nos Anos 90 e o primeio álbum distribuído como parte do contrato recorde de 890 milhões de dólares firmado entre Jackson e a Sony em 1990. Dangerous reúne 14 canções e gerou nove compactos, incluindo três números um: "Black Or White" (Hard Rock), "Remember The Time" (R&B) e "In The Closet" (R&B). Outras canções, como "Heal The World" e "Will You Be There", tema do filme Free Willy (1993), também se tornaram imeditamente reconhecidas.A turnê Dangerous consagrou definitivamente Michael Jackson como ícone pop. No dia 10 de fevereiro de 1993, uma entrevista de Michael com Oprah Winfrey é assistida por 100 milhões de pessoas, sendo o quarto evento mais assistido ao mesmo tempo na história da televisão.Como já estava se tornando hábito para Michael, os video clips ficaram entre os mais caros e inovativos de sua época.

Give in to Me teve Slash, da banda Guns N' Roses, participando do clip. O clip foi filmado alguns dias antes do início da turnê de Dangerous, em 1992 em Munique. Os diretores foram os austríacos Rossacher e Dolezal, responsáveis por muitos (senão todos) os videos e especiais de Freddie Mercury e do Queen. O video de Heal the World mostrou crianças e adultos ao redor do mundo, em alusão à campanha de caridade de Michael de mesmo nome. Will You Be There mostou Michael cantando em frente a cenas do filme Free Willy, do qual a música foi tema. Muitos dos outros clips têm histórias e seqüencias de dança complexas, e a presença de celebridades fazendo pontas. O clip de Jam, dirigido por David Kellogg, mostou Michael dançando e jogando basquete junto com Michael Jordan, enquanto Remember the Time se passava num palácio do Antigo Egito e estrelava Eddie Murphy e Iman Abdulmajid como o faraó e sua rainha, e Magic Johnson também fez uma ponta. In the Closet mostrava Michael Jackson e Naomi Campbell como amantes.

O diretor do clip foi o fotógrafo Herb Ritts, que também foi responsável por uma série de fotos promocionais para o álbum Dangerous.Black or White provavelmente perdura como o clip mais visto e lembrado de Dangerous. Originalmente tinha 10 minutos e foi estreado simultaneamente em 14 de novembro de 1991 nos canais MTV, VH1, BET e FOX em Dolby Surround, tornando-se uma das estréias mais assistidas de todos os tempos. O clip é tecnicamente relevante por mostrar uma das primeiras metamorfoses geradas em computador. Os últimos 4 minutos do clip geraram muita controvérsia por mostrarem um agressivo Michael quebrando vitrines de lojas e destruindo um carro com um pé-de-cabra.

A MTV e outras emissoras decidiram cortar esses últimos 4 minutos, e Michael escreveu um termo desculpando-se a todos os que houvessem se sentido ofendidos, e explicando que ele havia tentado personificar os instintos selvagens da pantera que aparece no clip. O então ator-mirim Macaulay Culkin também aparece no clip, que foi dirigido por John Landis, o diretor do curta-metragem Thriller.

1991 | DANGEROUS

01 | Jam
02 | Why You Wanna Trip On Me
03 | In The Closet
04 | She Drives Me Wild
05 | Remember the Time
06 | Can't Let Her Get Away
07 | Heal The World
08 | Black Or White
09 | Who Is It
10 | Give In To Me
11 | Will You Be There
12 | Keep The Faith
13 | Gone Too Soon
14 | Dangerous


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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Michael Jackson | Bad


Sétimo álbum de estúdio em carreira solo lançado por Michael Jackson pela Epic em 31 de agosto de 1987, que figura como a última das três colaborações do cantor com o produtor Quincy Jones. Nos anos 1980, recebeu críticas severas da imprensa e foi considerado pouco ousado na comparação com álbuns anteriores do astro, principalmente em comparação à Thriller, seu álbum anterior de 1982 — O mais vendido e bem sucedido de todos os tempos.

Em contrapartida, porém, foi bem recebido pelo público e vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo, segundo listas do ano de 2012. Estreou em 1º das paradas de sucesso em 25 países, e permaneceu, durante algum tempo, como o segundo disco mais vendido da história.

Um recorde de nove canções foram lançadas como compacto durante a divulgação de Bad. Cinco delas chegaram à primeira posição nos Estados Unidos: "I Just Can't Stop Loving You", "Bad", "The Way You Make Me Feel", "Man in the Mirror" e "Dirty Diana". Foi a primeira vez que um artista colocou cinco músicas de um mesmo álbum em 1º lugar na história da música, feito apenas igualado em 2011 por Teenage Dream, de Katy Perry. Uma sexta canção, "Another Part of Me", ainda chegou ao topo da lista de black music. Nos EUA foram cinco singles em #1 e seis no restante do mundo.

1987 | BAD

01 | Bad
02 | The Way You Make Me Feel
03 | Speed Demon
04 | Liberian Girl
05 | Just Good Friends
06 | Another Part Of Me
07 | Man In The Mirror
08 | I Just Can't Stop Loving You
09 | Dirty Diana
10 | Smooth Criminal
11 | Leave Me Alone

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Bread


Bread foi uma banda norte-americana de rock, formada em 1968, em Los Angeles, na Califórnia. O grupo foi um dos mais populares do início da década de 1970, que se notabilizou por belas composições melódicas e harmonia bem trabalhada.

O Bread foi formado em 1968, a partir do encontro entre David Gates e Jimmy Griffin. Acrescidos da presença de Robb Royer, o grupo começou a tocar nos bares de Los Angeles e contratado pela gravadora Warner/Elektra - inicialmente apenas para ser uma banda de estúdio. O baterista Mike Botts se juntou a eles em seguida.

O primeiro single da banda, "Make It With You", alcançou o primeiro lugar da parada norte-americana da Billboard, em 1970. O sucesso inesperado com o álbum "Bread", de 1969, fez com que a banda começasse a realizar apresentações ao vivo pelos Estados Unidos.

O soft-rock de fácil assimilação conquistou as paradas norte-americanas, com destaque para "If", "Everything I Own", "Baby I'm-A Want You", "Guitar Man", "infringement" e "Aubrey". Ao mesmo tempo, criou-se um choque de egos entre seus componentes Gates e Griffin. A banda iria acabar em 1973.

Três anos mais tarde, reencontraram-se para lançar um último trabalho, "Lost Without Your Love", também bem recebido pela crítica e público.

1972 | GUITAR MAN

01 | Welcome to the Music
02 | The Guitar Man
03 | Make It by Yourself
04 | Aubrey
05 | Fancy Dancer
06 | Sweet Surrender
07 | Tecolote
08 | Let Me Go
09 | Yours For Life
10 | Picture in Your Mind
11 | Don't Tell Me No
12 | Didn't Even Know Her Name

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Genesis

THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY

Em cinco anos e tanto de BIZZ, esta é a terceira vez que um grupo progressivo "clássico" chega à Discoteca Básica (os outros dois grupos que compareceram a esta coluna da revista foram: King Crimson, com In The Court Of The Crimson King (1969), na Bizz 6, e Pink Floyd, com The Dark Side Of The Moon (1973), na Bizz 21). Por mais controversa que seja a posição deste "movimento" dentro da história do rock, ele marcou seus tentos. The Lamb Lies Down On Broadway faz parte do score favorável ao time dos dinossauros.

Antes de The Lamb..., o Genesis já havia superado sua imagem de mera college band inglesa dos anos 70 com Nursery Crime, em que estabeleceu as coordenadas de seu estilo particular a partir da formação mais consistente do grupo - Peter Gabriel (voz, letras), Steve Hackett (guitarra), Phil Collins (bateria), Michael Rutherford (baixo) e Tony Banks (teclados). Este estilo, para quem gosta de etiquetas, carregaria sem problemas a marca de "rock programático", ou seja, uma música de intenções pop inspirada por uma idéia não-musical, uma espécie de descrição de imagens elaborada através dos sons.
Esta "trilha sonora" das letras alegóricas de Gabriel - que se colocava em posição diametralmente oposta à música absoluta praticada pelo King Crimson, fase 72/74 - chega ao seu ápice em The Lamb... Ao mesmo tempo, Gabriel praticamente monopoliza a concepção do álbum, a ponto de não ser muito difícil considerar o disco como seu primeiro trabalho solo.

Sem dúvida, seus colegas tiveram um trabalho considerável em dar movimento a uma história criada basicamente segundo a velha técnica surrealista da escrita automática. Gabriel concentrou uma massa de referências literárias dentro de uma trip de autoconhecimento. Seu personagem - Rael - é um porto-riquenho líder de gangue juvenil em Nova York. Ele é capturado por um objeto voador e perde-se em um esquisito mundo de alegorias da sociedade de consumo. Durante a viagem, Rael se embaralha em encontros com Marshall McLuhan (em "Broadway Melody Of 1974") ou figuras saídas das visões de William Blake (as "wise and foolish virgins" de "Carpet Crawl"). Por trás das máscaras, simulações e citações que o próprio Gabriel só entenderia nos mais de cem shows que o grupo fez para divulgar o álbum.

No geral, as músicas se revelam brilhantes. Optando por um formato mais compacto de cada canção, o quinteto concentra atenção nas experimentações com timbres e na construção de uma narrativa musical. A faixa-título é uma tijolada conduzida pelo baixo de Rutherford, revidada no lado 2 pelo "quase-blues" apresentado em "Back In N.Y.C.". O primeiro disco perde um pouco de sua unidade no final, deixando o melhor para o lado 3: a condução da bateria de Collins na seção final da desconstruída "The Waiting Room" e a pérola de ironia na conversa de Rael com a morte em "Anyway" ("Dizem que ela vem a cavalo/mas estou certo que ouço um trem."). O lado 4 abre "The Colony Of Slippermen" com uma vinheta instrumental "japonesa", retomando os temas principais em "The Lamb Dies Down On Broadway" e encerrando com a antecipação do que seria o som do Genesis depois da saída de Gabriel, logo depois. Sintomaticamente, é a pior parte do álbum.

The Lamb... é um disco de entrelinhas, com detalhes que demoram a ser assimilados. Contribui para isso a pequena participação de Brian Eno, fazendo "tratamentos" reconhecíveis nas faixas ambientais (como "Silent Sorrow In Empty Boats"). As hierarquizações dos planos vocais, as intervenções de Collins interpretando John - o irmão de Rael - são aspectos do testamento da união entre Gabriel e o Genesis. Depois deste álbum, só o vocalista faria algo que mereça ser acrescentado a outra edição desta coluna.

Marcos Smirkoff
Revista BIZZ - ano 7 - nº 02 - edição 67 - Fevereiro, 1991
página 66 - Discoteca Básica - Editora Azul

1974 - THE LAMB LIES DOWN ON BROADWAY

CD 1:
The Lamb Lies Down on Broadway
Fly on a Windshield
Broadway Melody of 1974
Cuckoo Cocoon
In the Cage
The Grand Parade of Lifeless Packaging
Back in N.Y.C.
Hairless Heart
Counting Out Time
The Carpet Crawlers
The Chamber of 32 Doors

CD 2:
Lilywhite Lilith
The Waiting Room
Anyway
Here Comes The Supernatural Anaesthetist
The Lamia
Silent Sorrow in Empty Boats
The Colony of Slippermen (Arrival – A Visit to the Doktor – Raven)
Ravine
The Light Dies Down on Broadway
Riding the Scree
In the Rapids
It

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Pearl Jam


Como soar feroz na era pós-Bush
Pearl Jam entre o vigor das guitarras e a contemplação da paisagem no novo CD

Por | Marcos Espíndola

Para quem apostava que o fim da Era Bush representaria um vácuo criativo na carreira de artistas que passaram os últimos oito anos vociferando (e “faturando”) contra a doutrina republicana, o Pearl Jam parece não revelar sintomas. E o melhor, voltou-se para o rock em Backspacer, seu nono trabalho e o primeiro após três anos de infindáveis lançamentos de registros ao vivo. Simples, direto, enérgico e rápido, 11 faixas que se diluem em 36 minutos.

Oficialmente lançado ontem, Backspacer sai em formato digital (incluindo uma edição especial em CD e LP, que traz ainda um livreto concebido em parceria com o ilustrador Tom Tomorrow) e totalmente independente – eles deixaram a J Records, muito embora a Universal garanta a distribuição do álbum fora dos Estados Unidos. Ou seja, o quinteto liderado por Eddie Vedder ainda se revela disposto a comprar novas brigas, nesta caso pelo livre compartilhamento de conteúdo pela internet. Mas está em paz, seja entre seus integrantes, com o seu país e com o rock.

E nesta volta às raízes, o Pearl Jam foi buscar Brendan O’Brien, que produziu do aclamado Vs. (1993) ao fraco Yield (1998). O resultado é um álbum que dialoga entre o rock acelerado e o contemplativo, condensando a instrospecção de Eddie na trilha de Na Natureza Selvagem (filme de Sean Penn e que rendeu a Vedder um Globo de Ouro em 2007) e o vigor sonoro dos guitarristas Stone Gossard e Mike McCready.

Começa com duas faixas de riffs acelerados (porém nada extensos) e de poucos refrãos, Gonna See My Friend e Got Some. Músicas que, a exemplo de Supersonic (oitava faixa), remetem à despretensão do punk rock. Mas a veia sessentista do Pearl Jam também soa vigorosa na potente Force of Nature.

Mas esta curta viagem também se permite a paradas esporádicas para a contemplação da paisagem, como Just Breathe, Almongst The Waves e até a derradeira The End.

Ainda que esteja distante de um trabalho que venha a ser lembrado daqui a cinco anos, Backspacer pode ser festejado justamente por conferir um sorriso à faixada carrancuda sustentada pela banda ao longo de quase uma década de brigas contra gravadoras, empunhando causas políticas, contra as guerras do Iraque e Afeganistão e contra o governo George W. Bush. Assim como toda a ala liberal do showbiz norte-americano, o Pearl Jam resolveu dissimular enquanto a América do democrata Barack Obama arde em chamas em sua crepitante dissensão racial. Mas, até quando?

2009 | BACKSPACER

01 | Gonna See My Friend
02 | Got Some
03 | The Fixer
04 | Johnny Guitar
05 | Just Breathe
06 | Amongst The Waves
07 | Unthought Known
08 | Supersonic
09 | Speed Of Sound
10 | Force Of Nature
11 | The End

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sábado, 5 de setembro de 2009

Micheal Jackson | Thriller


Sexto álbum de estúdio do artista musical estadunidense Michael Jackson. O seu lançamento ocorreu em 30 de novembro de 1982, através da Epic Records. Assim como o álbum anterior do cantor, Off the Wall (1979), que foi aclamado e bem sucedido comercialmente, Thriller foi inteiramente produzido por Quincy Jones e co-produzido por Jackson. As gravações do projeto ocorreram entre 14 de abril de 1982 e 8 de novembro de 1982 nos estúdios Westlake Recording. O orçamento total da produção do disco foi de 750 mil dólares, financiados por Jones. Jackson compôs e co-produziu quatro das nove faixas do disco. Musicalmente, Thriller explora gêneros semelhantes aos usados em Off the Wall, incluindo o pop, o pop rock, o pós-disco e o funk, além de estilos suaves, como a música contemporânea e o R&B.1 2 3

O álbum foi aclamado por fãs e pela mídia especializada, que frequentemente o citam como "um dos melhores álbuns da história". Consequentemente, venceu um recorde de oito Grammy Awards em 1984, incluindo o de Album of the Year. Thriller foi bem sucedido comercialmente, liderando as tabelas do Canadá, dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outras sete nações, enquanto listou-se entre as dez melhores posições em todas as tabelas em que entrou. Em um ano, tornou-se — e continua sendo — o álbum mais vendido de todos os tempos, com diversas fontes citando vendas estimadas entre 51 e 65 milhões de cópias ao redor do mundo.4 5 6 nota 1 Adicionalmente, converteu-se no álbum mais vendido de todos os tempos nos Estados Unidos, vendendo 29 milhões de cópias no país.11 Todos os cinco singles do disco classificaram-se entre as dez melhores posições nos Estados Unidos, dos quais "Billie Jean" e "Beat It" lideraram a tabela musical Billboard Hot 100.

Com Thriller, o cantor quebrou preconceitos e barreiras raciais na música pop com suas apresentações na MTV, além de seu encontro na Casa Branca com Ronald Reagan, então presidente dos Estados Unidos. O disco foi o primeiro a ter vídeos musicais como materiais de divulgação bem sucedidos; os vídeos correspondentes de "Billie Jean", "Beat It" e "Thriller" eram constantemente transmitidos na MTV, sendo que o vídeo musical da última citada tem sido frequentemente citado como o "melhor vídeo musical de todos os tempos". Em 2001, Thriller foi relançado com entrevistas audíveis, uma gravação demonstrativa, a faixa "Someone in the Dark", contida na trilha sonora do filme E.T. the Extra-Terrestrial e vencedora de um Grammy Award, e "Carousel", descartada da lista final de faixas do álbum.12 O disco foi novamente relançado em 2008 intitulado de Thriller 25 com duas novas capas, remixes com artistas contemporâneos, uma canção inédita e um DVD que inclui curtas-metragens do álbum e a apresentação de "Billie Jean" durante o evento Motown 25.

O álbum foi classificado na 20ª posição entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos, publicado em 2003 pela revista Rolling Stone;13 a National Association of Recording Merchandisers listou Thriller na terceira colocação entre os 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. O disco foi incluído no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que lista gravações significativas, e o vídeo musical da faixa homônima compõe o National Film Registry da Preservation Board, que compila os "filmes historicamente, culturalmente ou esteticamente significativos". Em 2012, a revista Slant Magazine qualificou Thriller na primeira posição entre os "melhores álbuns dos anos 1980"

1982 | THRILLER

01 | Wanna Be Startin' Somethin'
02 | Baby Be Mine
03 | The Girl is Mine
04 | Thriller
05 | Beat It
06 | Billie Jean
07 | Human Nature
08 | P.Y.T (Pretty Young Thing)
09 | The Lady In My Life

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