segunda-feira, 23 de março de 2020

Marvin Gaye


GRANDES TRILHAS DO CINEMA: TROUBLE MAN DE MARVIN GAYE

Nem sempre o sucesso de um filme é o mesmo de sua trilha sonora. Não são poucos os casos de produções que tiveram uma história discreta, mas suas trilhas originais tornaram-se consagradas, lembradas por décadas, transformadas em referência no meio musical e cinematográfico. Talvez Trouble Man também se enquadre nessa estatística: um filme de ação setentista que tinha ninguém mais, ninguém menos, que Marvin Gaye como compositor de sua trilha sonora. O album foi um best-seller desde o seu lançamento, um clássico que atravessou décadas e hoje, mais de 40 anos depois do seu lançamento, merece a nossa atenção.

Início da década de 70. Os Estados Unidos e o mundo vivenciavam o crescente florescer dos movimentos sociais nas ruas e nos meios de comunicação. Do trabalho a produção artística, toda forma de expressão carregava consigo o poder das ideias, seja de uma forma branda e singela ou em silhuetas fortes e bem definidas. É nesse contexto histórico que Marvin Gaye, logo após o lançamento de um dos seus mais aclamados discos – What’s Going On, se dedicava à produção da trilha sonora de Trouble Man, um marco para o seu trabalho e a música em geral.

Trouble Man foi lançado em novembro de 1972, com direção de Ivan Dixon e estrelado por Robert Hooks como Mr. T, aquele que “carrega duas armas, uma para acabar com a confusão e outra para fazer confusão” – como nos é apresentado no trailer. Uma espécie de detetive particular que é respeitado por onde passa, abusando da elegância e eficiência para resolver os casos que acaba se envolvendo. O filme é um dos clássicos de um movimento do cinema norte-americano chamado Blaxploitation, cujas películas eram protagonizadas e produzidas por negros, muitas vezes contando com grandes compositores e arranjadores da soul music nas suas trilhas sonoras, dentre eles Barry White, Isaac Hayes e Marvin Gaye. Esse movimento revelou diversos astros e emplacou grandes sucessos na década de 70, tendo como ícones deste período filmes como Shaft e Superfly, além de influenciar diretamente obras mais recentes, como Jackie Brown, de Quentin Tarantino, e a série Luke Cage.

Marvin Gaye iniciou sua carreira como artista solo em 1961 na famosa Motown Records, tornando-se uma referência dentro do soul e R&B ao longo das décadas de 60, 70 e 80. Um dos seus maiores sucessos, o album Whats Going On de 1971, é constantemente inserido nas listas do maiores discos de todos os tempos pelas principais revistas musicais do mundo e pode ser considerado revolucionário por abordar temas historicamente relevantes a seu momento, tratando com letras introspectivas temas como a pobreza, o abuso de drogas e a Guerra do Vietnã, sempre em consonância com as lutas sociais da época. Esse clima influenciaria Gaye na composição de Trouble Man, lançado no ano seguinte.

A trilha sonora é recheada de ótimas faixas, mas a sua marca definitivamente está na música que recebe o mesmo nome da película. Trouble Man é impactante desde os primeiros rudimentos de bateria, nos aquecendo rapidamente para todo o resto que está por vir. Com vocais simultaneamente rápidos e melódicos, a voz de Marvin é milimetricamente intercalada, nota a nota, com o som dos metais e das teclas, havendo espaço para Gaye brilhar com seus timbres únicos, mas também para os instrumentistas reivindicarem o seu espaço. E mais: definitivamente é uma música feita para o filme. Carrega todo o clima da produção, de forma dinâmica, elegante e rica em elementos. Essa música, por si só, já valeria uma análise em 500 páginas.

De forma geral, a maior parte do album conta com música instrumentais que, apesar de não contar todo o tempo com a fantástica capacidade vocal de Marvin Gaye ao seu lado, nos fazem viajar no clima do filme, entre o noir, o nostálgico e a elegância. Destaco também o modo como os sintetizadores foram explorados ao longo do disco, dando um toque único para determinadas faixas, como em Deep In It, em um período onde os moduladores ganhavam cada vez mais espaço desde o icônico album Bitches Brew de Miles Davis em 1970. E se acabei de dizer que nem sempre os vocais de Gaye estão presentes nas trilhas, não se deixe enganar, quando eles surgem roubam logo as atenções e você irá parar o que está fazendo para tentar entender como poucas palavras conseguem carregar tanto sentimento.


O fantástico trabalho de composição rendeu resultados: o album esteve entre os primeiros da lista da Billboard e foi muito bem recebido pelos críticos, rendendo ótimas resenhas e avaliações. A própria canção Trouble Man sempre estará entre as grandes canções da carreira de Marvin Gaye, sendo eternamente lembrada junto com toda a sua fantástica obra. E em 2013 uma edição especial do album foi lançada em formato duplo, comemorando os 40 anos de lançamento do disco: 40th Anniversary Expanded Edition.

Ainda tem dúvidas que Trouble Man é um dos grandes albums do cinema e tem influenciado gerações desde o seu lançamento? E se eu dissesse que tem uma referência a este disco em toda parte, até em filmes de super-herói? Pois é, parece loucura, mas em Capitão América 2 temos uma referência a obra de Marvin Gaye durante a interação entre Steve Rogers e Sam Wilson, mas isso eu deixo para vocês encontrarem por aí. Essa é uma das milhares de referências dessa trilha na cultura pop, só demonstrando o quão influente ela consegue ser até hoje.

"If you are looking for trouble… watch out! ‘Cause trouble is here. Trouble Man!"

Texto | Gael Mota

1972 | TROUBLE MAN
(O Terrível Mister T)
Motion Picture Soundtrack


1972 | ORIGINAL ALBUM

01. Main Theme from Trouble Man (2)
02. "T" Plays It Cool
03. Poor Abbey Walsh
04. The Break In (Police Shoot Big)
05. Cleo's Apartment
06. Trouble Man
07. Theme from Trouble Man
08. "T" Stands for Trouble
09. Main Theme from Trouble Man (1)
10. Life Is a Gamble
11. Deep-In-It
12. Don't Mess With Mister "T"
13. There Goes Mister "T"

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2012 | 40th ANNIVERSRY EXPANDED EDITION

CD 1

ORIGINAL ALBUM

01. Main Theme From Trouble Man (2)
02. "T" Plays It Cool
03. Poor Abbey Walsh
04. The Break In (Police Shoot Big)
05. Cleo's Apartment
06. Trouble Man
07. Theme From Trouble Man
08. "T" Stands For Trouble
09. Main Theme From Trouble Man (1)
10. Life Is A Gamble
11. Deep-In-It
12. Don't Mess With Mister "T"
13. There Goes Mister "T"

THE "T" SESSIONS

14. Main Theme From Trouble Man (2) (Alternate Take With Strings)
15. "T" Plays It Cool (Unedited)
16. Poor Abbey Walsh, Part 2 (Take 1)
17. Poor Abbey Walsh, Part 2 (Take 2)
18. Trouble Man (Extended Version)
19. Theme From Trouble Man (Vocal Version)
20. "T" Stands For Trouble (Unedited Vocal Version)
21. "T" Stands For Trouble (Alternate Version)
22. Main Theme From Trouble Man (Vocal Version)

CD 2

TROUBLE MAN ORIGINAL FILM SCORE

01. Trouble Man
02. Poor Hall
03. "T" Plays It Cool
04. Cadillac Interlude-Cleo's Apartment
05. Man Tied Up-Jimmy's West-Conversation With Cleo
06. Crap Game (A.K.A. The Break In)-Getting Rid Of Body-Talking To Angel
07. Outside Police Station
08. Bowling Alley-Parking Lot
09. Stick Up
10. Cleaners-Cleo
11. Closing Jimmy's
12. Police Break In
13. "T" Cleans Up-Police Station
14. Packing Up-Jimmy Gets Worked-Saying Goodbye-"T" Breaks In-Movie Theater
15. Car Ride-Looking For Pete
16. Parking Garage-Elevator
17. Penthouse
18. Getting Pete
19. My Name Is "T"-End Credits

FILM BAND BONUS

20. "T" At The Cross

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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Detrito Federal


A cena rock de Brasília nos anos oitenta não era formada apenas por nomes como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. Uma das bandas mais cultuadas dessa época, mas que acabou não alcançando o sucesso nacional do trio citado acima, foi o Detrito Federal. Seu primeiro álbum, "Vítimas do Milagres", lançado em 1987, é um clássico incontestável do punk rock brasileiro.

O grupo nasceu em 1983, de uma discidência do também punk Derrame Cerebral, de onde saíram o vocalista Alexandre "Podrão" Veiga e o guitarrista João Bosco. A dupla uniu forças com a baixista Mila Menezes (que mais tarde integraria o Volkana) e o baterista Paulo César "Cascão".

O primeiro registro do grupo foi na coletânea "Rumores", lançada pelo selo Sebo do Disco em 1985. O Detrito Federal participou com as faixas "Fim de Semana" e "Desempregado". Os outros grupos presentes na compilação foram o Finis Africae, a Elite Sofisticada e a Escola de Escândalos. Esse LP é bastante raro de se encontrar hoje em dia, já que foram prensadas apenas 1.000 cópias do mesmo.

Apesar da boa repercussão do disco, no final de 1985 Mila e Bosco deixam a banda. Seus postos são preenchidos pela entrada do guitarrista Will Pontes e do baixista Paulinho. Ainda como reflexo da ótima impressão causada pela coletânea Rumores, em janeiro de 1986 o Detrito Federal participa do programa Mixto Quente, da Rede Globo, programa esse que era transmitido diretamente das praias do Rio de Janeiro para todo o país.

A participação solidifica a reputação da banda e projeta seu nome para um número maior de ouvintes, ao mesmo tempo em que causa um racha no conjunto, com o vocalista Alexandre Podrão deixando a banda e acusando os membros restantes de "traidores do movimento", já que eles teriam se "vendido para o sistema". Podrão junta-se ao ex-guitarrista Bosco, e juntos montam o BSB-H.

Cascão decide assumir os vocais, e Luciano Dobal vira o titular da bateria. Nessa confusão toda, outro que pula fora do barco é o baixista Paulinho, sendo substituído por Milton Medeiros. Sob a liderança de Cascão, o Detrito Federal faz algumas mudanças em seu som, tornando-se menos radical, deixando de lado o visual punk e aproximando-se da sonoridade dos grupos de Brasília que estavam estourando no Brasil naquela época, como Legião, Plebe e Capital.

O line-up é novamente alterado, com a entrada de Simone Death (ou Si Young ,aquela mesmo que, anos mais tarde, ficaria famosa em todo o Brasil como Syang no programa Casa dos Artistas, do SBT) e Mauro Manzolli nas guitarras e Deborah Derwish na bateria. Finalmente estabilizados, assinam com a Polygram e entram em estúdio para gravar o seu disco de estreia, produzido pelo baterista dos Titãs, Charles Gavin, e batizado como "Vítimas do Milagre".

Lançado em 1987 e contando com uma capa pra lá de provocativa, o play apresenta um som vigoroso e agressivo, com canções simples construídas sobre três acordes. O principal destaque do LP são as letras, repletas de ironia e inteligência. O álbum abre com a grudenta "Se o Tempo Voltasse", cuja ótima letra possui a clássica frase "se o seu pai pudesse escolher, você acha que o filho seria você?". De arrepiar quem viveu naquela época e tinha o disco como uma das trilhas sonoras da sua adolescência.

O play segue com "Adolescência", poema de Paulo Leminski musicado pelo grupo. Ouvir essa faixa hoje em dia, quando somos bombardeados por coisas horríveis como Fresno e NX Zero, mostra o quando a qualidade dos grupos daquela época possuíam muito mais qualidade que aqueles consumidos pela juventude atual, infelizmente.

"O Vírus do Ipiranga" é uma pérola do rock brazuca, um petardo cuja letra faz uma crítica feroz e certeira ao Brasil, tendo como base a letra do hino nacional. Ouça e delicie-se! "Sun City" tem um bom riff de Syang e um andamento mais funkeado, enquanto "Bloco K" é o retrato fiel dos jovens brasilienses do período.

O lado B abre com "Último Grito", cadenciada e com influências da new wave. A faixa título une o punk com algumas características country, e, mais uma vez, a letra merece destaque. A agressiva e chiclete "Tá Com Nada" é um dos grandes destaques do disco, e ouvir sua letra imaginando que situações e personagens atuais poderiam substituir os citados é um retrato, infelizmente verdadeiro, da realidade do nosso país. O disco fecha com a pauleira de "Angra (A Dança das Ogivas)", que critica as usinas nucleares instaladas pelo governo militar na cidade de Angra dos Reis.

"Vítimas do Milagre" alcançou boas vendas - cerca de 50 mil cópias -, e levou a banda a tocar em programas de repercussão nacional, como Perdidos na Noite e Clube do Bolinha. Infelizmente, até onde eu sei o álbum não foi relançado em CD, estando disponível apenas através do vinil original de 1987. Se você se interessou, indico pesquisar em sites como o Mercado Livre, onde volta e meia o LP dá as caras.

Apesar da boa receptividade do disco, a Polygram dispensou o grupo, o que gerou uma nova debandada geral. Simone Death virou Syang e formou o P.U.S., Milton Medeiros foi para o Rio estudar produção de discos na escola de Antônio Adolfo e Deborah foi morar nos Estados Unidos. Mesmo assim, o Detrito Federal manteve-se ativo com inúmeras formações ao longo dos anos, e chegou a lançar mais dois discos (o EP "Guerra, Guerrilha, Revolução" em 2002 e o CD "1983", em 2005), ambos com momentos interessantes, mas inferiores à sua estreia.

Texto | Ricardo Seelig

1985 | RUMORES
(Coletânea)


01. Escola de Escândalo | Complexos
02. Finis Africae | Van Gogh
03. Elite Sofisticada | Fuga
04. Detrito Federal | Desempregado
05. Finis Africae | Ética
06. Escola de Escândalo | Luzes
07. Detrito Federal | Fim-de-semana
08. Elite Sofisticada | Sozinho

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1987 | VÍTIMAS DO MILAGRE

01. Se o Tempo Voltasse
02. Adolescência
03. O Vírus do Ipiranga
04. Sun City
05. Bloco K
06. Último Grito
07. Dependentes do Circo
08. Vítimas do Milagre
09. Tá Com Nada
10. Angra (A Dança das Ogivas)

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2005 | 1983

01. Antraz
02. Órfãos da Nação
03. Desempregado
04. Ecos Periféricos
05. Animais
06. Álcool
07. Palestina
08. 1983
09. Alienação e Repressão
10. Digo Não II
11. Brasil

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

The Specials


A década de 1970 teve um importante papel na proliferação da música Jamaicana pelo mundo.

Da manifestação ativa do Reggae aos passeios pelo Ska e Dub, a sonoridade original da ilha caribenha era a base para uma centena de bandas que nasciam naquele momento, entre eles o coletivo britânico The Specials.

Formado na cidade de Coventry, em 1977, o grupo trouxe na mistura entre a sonoridade firmada no fim da década de 1960 e as rajadas de guitarras calorosas o mecanismo de alimento para tudo o que representa o registro de estreia do grupo.

Lançado em Novembro de 1979 e contando com a produção de Elvis Costello, o disco brinca com os sons em uma medida que não se afasta do contexto maduro dos versos, trechos melódicos que vão do racismo ao aborto em uma propriedade essencialmente comercial.

Lançado pelo selo 2-Tone, do próprio grupo, The Specials (o disco) seria a base criativa para toda uma sequência de artistas que ocupariam a década de 1980 com os mesmos sons.

Texto | Cleber Facchi

1979 | THE SPECIALS

01. A Message To You Rudy
02. Do The Dog
03. It's Up To You
04. Nite Klub
05. Doesn't Make It Alright
06. Concrete Jungle
07. Too Hot
08. Monkey Man
09. (Dawning Of A) New Era
10. Blank Expression
11. Stupid Marriage
12. Too Much Too Young
13. Little Bitch
14. You're Wondering Now

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Sting


JAZZ E POP NA MEDIDA CERTA

Tudo começou no final de 1984. Na época, Sting era famoso por ter integrado o The Police, um trio que fez história por misturar pop, rock, reggae e ska, tudo em um mesmo caldeiro sonoro. Com o fim do grupo, o cantor e baixista que também era um prolífico compositor, resolveu se jogar de cabeça em sua carreira solo. O músico tinha em mente uma sonoridade completamente diferente de sua antiga banda. Sting queria algo mais rebuscado, com uma sonoridade mais elaborada e para tanto, viajou em janeiro de 1985 até Nova Iorque a fim de conseguir novos músicos que o acompanhassem em sua empreitada. De inicio, o cantor queria um tecladista realmente bom, que fosse a base do grupo. Um músico que pudesse transitar do pop ao jazz com muita facilidade. Logo lhe indicaram Kenny Kirkland, um pianista e tecladista que havia tocado com jazzistas famosos como Dizzy Gillespie e Elvin Jones. Na bateria foi escalado Omar Hakim, que vinha do fusion, sendo responsável pelas baquetas do grupo Weather Report durante longos anos. Na cabeça de Sting o principal instrumento de solo seria o saxofone, e para comandar o instrumento o cantor convidou Branford Marsalis, jovem saxofonista, que vinha de uma família eminentemente jazzista. Seu pai Elis, era um pianista laureado no circuito de jazz e seu irmão Winton foi diversas vezes apontado como o principal nome da nova geração de trompetistas.

Como Sting resolveu que não tocaria baixo em sua nova banda, recrutou para o instrumento Darryl Jones, Baixista que na época integrava o grupo de Miles Davis. De propósito ou não, o fato é que todos na banda eram negros, eméritos jazzistas e conseguiam transitar por vários estilos com igual desenvoltura. Sting e sua nova trupe viajaram para Barbados, e em sete semanas já havia composto a maioria das canções. Deste modo, em 1º de junho de 1985 chegava às lojas "The Dream of Blue Turtles", o primeiro disco solo do cantor do The Police.

O disco obviamente caiu como uma bomba no meio musical. Sting não tocava seu principal instrumento, o baixo, se limitando uma tímida guitarra base. Além disso, a sonoridade do disco, as letras, os arranjos em nada lembravam sua antiga banda. Tal fato fez muitos fãs antigos torcerem o nariz para o disco, mas em contrapartida, o músico angariou toda uma nova geração de admiradores entusiasmados com seu pop rebuscado e encharcado de jazz.

No geral é um trabalho bem eclético, com faixas mais rápidas e outras mais tranquilas, como se o cantor quisesse ser o Chet Baker do pop. Além de pop e jazz, é notório elementos de música negra, como o soul e o blues, além de algumas poucas influências de seu antigo grupo.

O disco abre com "If You Love Someboy Set Me Free", com seus vocais femininos o fundo, cortesia das fantásticas Dollette Mcdonalds e Janice Pendarvis. Aqui o cantor mostrou um estilo que continuava cheio de swing como fazia com seu antigo grupo, mas mostra também toda sua evolução como compositor e intérprete. O tema fala da escravidão e censura. "Love Is The Seventh Wave" é talvez a única canção que pode lembrar vagamente seu antigo grupo, talvez pela Base levemente reggae ao fundo. "Russians" é uma introspectiva balada onde voz de Sting se sobressai aos arranjos. "Children´s Crusade" tem letra contando a história das crianças que lutavam nas cruzadas. Sting a canta de modo melancólico, e até mesmo o belo sax de Branford consegue soar triste em seu solo. "Shadows In The Rain" é um tema mais rápido, comandado pelo piano elétrico de Kirkland que faz um interessante contraponto com voz de Sting."

"We Work The Black Seam" é uma outra balada composta pelo cantor, que tirou inspiração para o tema em sua infância. "Consider Be Gone", é um canção fantástica, que começa com a voz e o baixo aveludado de Darryl e vai crescendo a medida que o tem se desenvolve. Em seguida temos a faixa titulo que é uma pequena música instrumental. Um verdadeiro tema de jazz, comandado por piano e saxofone. A música foi indicada o Grammy como melhor tema instrumental do ano. Como o próprio Sting declarou mais tarde: "Fiquei embaraçado pela indicação. Aquele tema foi apenas uma brincadeira entre a banda durante um ensaio..." Pode até ser, mas acredito que a brincadeira tenha valido a indicação. "Moon Over Bourbon Street", é a canção preferida de Sting e foi composta após o músico ler "Entrevista com o Vampiro" da autora Anne Rice. A canção tem ares de trilha sonora e uma atmosfera bem cool, comandada pelo baixo fretless de Darryl. "Fortress Around You Heart" encerra o trabalho e é uma das minhas canções preferidas. Um tema que fala eminentemente de amor e relacionamento. É mais uma daquelas canções que começam introspectivas e vão crescendo conforme performance de Sting vai se desenvolvendo.

Embora "The Dream of Blue Turtles" seja um trabalho elaborado por grandes músicos, é também um disco primordialmente feito de canções, onde os arranjos privilegiam as ideias e não o oposto. Das dez canções incluídas no trabalho cinco viraram singles e alcançaram as paradas.

O resultado de crítica e público foi bem superior ao esperado e Sting pôde mostrar o mundo que não precisava de seu antigo grupo pra fazer sucesso.

Uma pena a banda ter gravado somente este disco de estúdio e o ao vivo "Bring On The Night", que saiu logo em seguida, pois o grupo tinha fôlego pra muito mais. De qualquer modo fica um trabalho irrepreensível, elegante e cheio de grandes canções como só um compositor do porte de Sting Sabe fazer.

Texto | Márcio Chagas

1985 | THE DREAM OF THE TURTLES

01. If You Love Somebody Set Them Free
02. Love Is The Seventh Wave
03. Russians
04. Children's Crusade
05. Shadows In The Rain
06. We Work The Black Seam
07. Consider Me Gone
08. The Dream Of The Blue Turtles
09. Moon Over Bourbon Street
10. Fortress Around Your Heart

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1986 | BRING ON THE NIGHT

CD 1
01. Bring On The Night - When The World Is Running Down You Make The Best Of What's Still Around
02. Consider Me Gone
03. Low Life
04. We Work The Black Seam
05. Driven To Tears
06. The Dream Of The Blue Turtles - Demolition Man

CD 2
01. One World (Not Three) - Love is the Seventh Wave
02. Moon over Bourbon Street
03. I Burn for You
04. Another Day
05. Children's Crusade
06. Down So Long
07. Tea in the Sahara

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Black Future


O Black Future foi formado por Satanésio, Tantão – seu núcleo – Lui (que logo deixou a banda), Olmar e Edinho em algum momento dos anos 80 (1984?), no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Lançaram apenas um álbum, mas nada mais era preciso; a história já estava escrita, e nunca poderá ser apagada.

Eu sou o Rio saiu em 1988 pela BMG/Plug. Considerado pela crítica especializada como um dos álbuns do ano, com reportagens entusiasmadas no jornal O Globo, na revista Bizz, videoclipe, incensos e mirras, o disco nasceu, cresceu e morreu no submundo sob os Arcos. Era demais para ouvidos acostumados ao rock de Brasília. .

Produzido por Thomas Pappon (Fellini) e com participações de Edgar Scandurra, Edu K (De Falla), Paulo Miklos e Alex Antunes (Akira S e As Garotas que Erraram), Eu sou o Rio é uma ode ao caos urbano e à demência das grandes cidades, longe, muito longe dos corpos sarados e do eterno verão carioca.

À época do lançamento do disco Satanésio disse em entrevista a O Globo que “No fundo, o nosso trabalho é uma trilha sonora para o Rio”. Sim, o Black Future fez a trilha sonora do Rio, do Rio real, não o de cartões postais; expôs as entranhas da cidade não tão maravilhosa, numa época em que a Lapa não aparecia na TV e não era vista com bons olhos pelas ‘pessoas de bem’.

Eu sou o Rio tem dois pilares básicos de sustentação sobre os quais foi construído: primeiro, musicalmente não segue um padrão. É extremamente experimental, explorando terrenos obscuros do pós punk (Bauhaus, PIL, Wire, The Fall, etc) e do industrial (Einstürzende Neubauten, Clock DVA), mas também abraçando o samba (obviamente em “Eu sou o Rio”), o latente hip hop, enfim, um disco sem amarras; segundo, as letras e a forma de cantar de Satanésio.

Em cada uma das faixas do álbum o vocalista e letrista do Black Future destila veneno em forma de palavras. Irônico, com um humor altamente ácido, Satanésio verbaliza (ele não canta, declama, quase como um poeta do spoken word) o ódio pelas instituições (estado, igreja, família), pela caretice vigente, pelo modus operandi da cidade; mas narra também – com toques de realismo fantástico – as experiências surreais das noites cariocas movidas à psicotrópicos.

Dois anos após o lançamento de Eu sou o Rio e seis após seu surgimento, o Black Future saia de cena e deixava um enorme buraco no rock brasileiro. Nunca, antes ou depois, uma banda conseguiu usar o absurdo como força motriz e criar um álbum tão fragmentado (musicalmente) e tão coeso (liricamente) quanto Eu sou o Rio.

Mais que um panorama do que era o submundo da cidade nos anos 80, ele é uma fotografia em preto e branco da realidade carioca não mostrada nas novelas de Manoel Carlos. O Futuro é Negro, e eles já sabiam disso 25 anos atrás.

Texto | Fábio Bridges

1988 | EU SOU O RIO

01. Introdução: Dança da Chuva
02. Interrupção
03. Sinfonia para um Morto
04. Reflexão
05. Piada
06. Eu Sou o Rio
07. Teatro do Horror
08. No Nights
09. Cartas do Absurdo
10. Bem Depois
11. Thor & Loki
12. Eu Quero Tocar a Lapa

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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Ave Sangria


Quatro décadas e meia se passaram entre o lançamento do primeiro álbum, homônimo, da banda pernambucana Ave Sangria, e Vendavais, o segundo disco. O primeiro foi prensado em vinil em 1974. O segundo, em 2019, saiu em plataformas de streaming, depois em CD e, só aí, em vinil, bancado por financiamento coletivo, numa espécie de linha do tempo invertida em que o trabalho mais recente se encontra com o antecessor no exato ponto em que ele termina.

Se, por um lado, a tecnologia atual permitiu ao disco timbres, mixagem e masterização mais modernos, por outro, os elementos que consagraram a banda nos anos 1970 continuam todos lá: os ritmos regionais nordestinos, misturados à guitarra do rock e à poesia aguçada que tornaram a banda um ícone da chamada psicodelia nordestina, ladeada por conterrâneos como Alceu Valença, Flaviola e o Bando do Sol e Lula Côrtes, que lançaram trabalhos semelhantes na mesma época.

“Foi intencional. A gente queria que fosse uma continuidade. Queria pagar esses 45 anos como se não tivessem existido. Dar às pessoas que gostam de nossa música um segundo álbum que fosse continuação do primeiro”, conta o poeta Marco Polo, cantor e letrista da banda. “É como se não tivéssemos sido castrados pela ditadura. Queremos reafirmar que, mesmo 45 anos depois, continuamos vivos e com os mesmos ideais de rebeldia e liberdade”, declara.

O OVO DA AVE

Em 1972, o jovem Marco Polo voltava ao Recife de uma temporada em São Paulo e no Rio de Janeiro, com um punhado de poemas embaixo de braço e um monte de ideias na cabeça. Saiu da cidade para fugir do marasmo, mas encontrou, na volta, a terra natal fervendo e um bando de rapazes dispostos a tocar um som autoral. Assim surgiu o Tamarineira Village, cujo nome alude ao Village, bairro boêmio novaiorquino, e o recifense Tamarineira, povoado por artistas e um hospício.

Este paralelo entre a cultura regional tradicional e as novidades estrangeiras se encontrava também, já naquela época, na proposta musical da banda. “A nossa influência era Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Beatles, Rolling Stones, Led Zepellin e Jimi Hendrix”, enumera Marco Polo. “Pra mim, era natural que o que importasse era que a música fosse boa, ao contrário do Manguebeat, que fez um manifesto para justificar a postura deles”, compara.

Conseguir os discos de música brasileira era fácil. Marco Polo recorda que, desde que era criança, havia na casa dele uma vitrola a manivela que tocava de Nelson Gonçalves a Luiz Gonzaga. Difícil era encontrar os discos de rock. Era preciso esperar alguém voltar de Londres com as novidades, não tão novas na Inglaterra, ou abordar os marinheiros no cais para trazer os discos de fora. “As lojas não importavam os discos de rock, porque achavam que não ia vender”, lembra o músico.

“É claro que, na época, a gente sofreu muita repressão da crítica, mas a gente não ligava a mínima” afirma. Logo, porém, a vocação para desafiar o conservadorismo da época se tornaria marca registrada do grupo. “O Zé da Flauta dizia que, na época, a gente não sabia que estava fazendo história. Mas a gente tinha consciência de que queria provocar”, diz o vocalista, citando o conterrâneo, que tocou com toda a turma psicodélica da época, incluindo a própria Ave Sangria.


OS DENTES DO OFÍCIO

Se o choque causado pela sonoridade do sexteto não era planejado, as letras e o comportamento extravagante do grupo eram um desafio declarado ao status quo, cujo ápice se deu com a música Seu Waldir: “Seu Waldir o senhor/ Magoou meu coração/ Fazer isso comigo, seu Waldir/ Isso não se faz não /Eu trago dentro do peito/ Um coração apaixonado batendo pelo senhor/ O senhor tem que dar um jeito!/ Se não eu vou cometer um suicídio/ Nos dentes de um ofídio vou morrer”.

“Eu namorava uma atriz que trabalhava com Marília Pêra, que estava com uma peça, e fiz a música para o personagem dela, que era muito debochado e irônico. A parte do ‘suicídio nos dentes de um ofídio’ era uma referência a Cleópatra, uma brincadeira”, descreve o compositor. Como a música não entrou na peça, Marco Polo decidiu incluí-la no show, para peitar o machismo pernambucano. “Tinha amigos meus que saíram revoltados: 'Não sabia que o Marco Polo era gay!”, diverte-se.

E ele não era. “Apesar de não ser homossexual, eu me solidarizava perante o machismo e a homofobia. Pernambuco era um lugar muito tradicionalista. A esquerda era preconceituosa e nos marginalizava. Eu tinha uma namorada comunista, e a gente tinha brigas, porque ela dizia que eu era um americanista alienado, porque gostava de rock e fumava maconha”, diverte-se. A direita, então, gostou menos ainda, e mandou recolher o primeiro disco da banda por causa da faixa Seu Waldir.
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Cair nas presas da ditadura foi um duro golpe para o bando de aves ainda no ninho. Excelentes, os instrumentistas da banda acabaram alçando outros voos. O grupo, porém, teve sua trajetória interrompida. Mas as lendas continuaram. “As pessoas saíam à noite pelos bares procurando pelo Seu Waldir, pois achavam que era dono de um boteco”, ri Marco Polo, e garante: “Seu Waldir nunca existiu!”. “Eu gostava de inventar histórias porque era o marketing que tínhamos na época”, admite.

Outra lenda espalhada era a de que o nome da banda tinha sido sugerido por uma cigana, mas, na verdade, ele surgiu de um devaneio do vocalista. “Eu estava pensando numa capa pro disco e pensei num bando de prédios cinzentos, como eu via em São Paulo, e, em cima deles, voando, uma ave toda vermelha, vermelho-sangue, que, pra mim, significa a vida, a liberdade. Ave Sangria é uma ave sangrenta, sanguinária… o pessoal gostou e ficou!”, explica.

AS CINZAS DO OVO

Quarenta e cinco anos se passaram e muita coisa aconteceu entre o céu e a terra. Marco Polo seguiu carreira como jornalista e poeta, com vários livros publicados, e teve composições gravadas por intérpretes como Ney Matogrosso e Elba Ramalho. Três dos membros originais da banda morreram: Ivson Wanderlei, conhecido como Ivinho; Israel Semente Proibida e Agrício Noya, músicos notáveis que, antes de partir, deixaram sua marca na música popular brasileira com outros projetos.

“O Alceu Valença vivia tentando seduzir nossos músicos para tocar com ele. Ele assistiu o show da gente e percebeu essa coisa de eletrificar o baião, e conseguiu fazer também esse trabalho”, recorda Marco Polo. “Quando o disco foi censurado, a gente percebeu que não tinha futuro para banda. Éramos de classe média baixa, alguns eram casados e tinham filhos. Precisávamos nos sustentar. Os meninos vieram falar como a gente e a gente falou: ‘Pode ir.’”

A partir de 2008, as novas gerações começaram a redescobrir e cultuar a banda graças à internet, o que deu gás para um breve retorno em 2014, com Ivinho ainda vivo. Agora, a banda a banda volta à carga total e com a mesma vontade de causar. “É até curioso a banda ter nascido numa ditadura e estar voltando numa época em que o conservadorismo está na presidência”, analisa o cantor.

“Quarenta e cinco anos depois, continuamos com a mesma pegada”, garante. Aposentado, Marco Polo, ao lado dos membros originais Paulo Rafael (guitarra e voz) e Almir de Oliveira (baixo) está se dedicando totalmente ao projeto e disposto a tocar até em festinha de aniversário. Sem perder a ternura, jamais.

Texto | Devana Babu


1974 | AVE SANGRIA

01. Dois Navegantes
02. Lá Fora
03. Três Margaridas
04. O Pirata
05. Momento na Praça
06. Cidade Grande
07. Seu Waldir
08. Hei! Man
09. Por Que?
10. Corpo em Chamas
11. Geórgia, a Carniceira
12. Sob o Sol de Satã

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1974 | PERFUMES Y BARATCHOS
(Bootleg Ao Vivo)


01. Grande Lua
02. Janeiro em Caruaru
03. Vento Vem (Boi Ruache)
04. Dia-a-dia
05. Geórgia, a Carniceira
06. Sob o Sol de Satã
07. Instrumental
08. Por Que
09. Hey Man
10. O Pirata
11. Lá Fora

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2019 | VENDAVAIS

01. O Poeta
02. Silêncio Segredo
03. Vendavais
04. Dia a Dia
05. Olho da Noite
06. Carícias
07. Sete Minutos
08. Ser
09. Sundae
10. Marginal
11. Em Órbita

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Violeta de Outono


Violeta de Outono é uma banda brasileira de rock formada em São Paulo. Bastante influenciada pelos Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin e Gong, eram originalmente uma banda de pós-punk com alguns elementos psicodélicos embutidos, mas gradualmente acabariam por abandonar suas influências pós-punk e acrescentar elementos mais progressivos à sua sonoridade com o passar do tempo.

A banda passou por inúmeras mudanças em sua formação desde sua fundação; o único membro fundador remanescente é o vocalista/guitarrista Fabio Golfetti.

Fabio Golfetti fundou o Violeta de Outono em 1985 junto a Cláudio Souza; ambos haviam recentemente saído da pioneira banda New Romantic Zero. Angelo Pastorello mais tarde se juntaria a eles, e com esta formação lançaram uma fita demo, Memories, no mesmo ano. A fita chamou a atenção da gravadora independente Wop-Bop Records, que lançou seu primeiro EP, Reflexos da Noite, em 1986.

Em 1987, o primeiro álbum epônimo do Violeta de Outono saiu pela RCA Records. Foi muito bem-recebido; elogios em particular foram ao seu cover da canção dos Beatles "Tomorrow Never Knows".

Em 1988 lançaram um EP de quatro faixas intitulado The Early Years, contendo covers de "Citadel", dos Rolling Stones, "Interstellar Overdrive", do Pink Floyd, "Within You Without You", dos Beatles, e "Blues for Findlay", do Gong. Tais gravações originalmente haviam sido feitas entre 1984 e 1986. No ano seguinte, seu segundo álbum de estúdio, Em Toda Parte, foi lançado pela Ariola Records. Começando com este álbum, o Violeta de Outono abandonou sua sonoridade pós-punk anterior e rumou a uma direção mais experimental, influenciada pelo rock progressivo.

Em 1990, Cláudio Souza deixou a banda, e foi substituído por Cláudio Fontes (Souza voltaria à banda em 1993 porém). De 1993 a 1995 o Violeta de Outono entrou num curto período de hiato; voltaram à ativa com um álbum ao vivo, Eclipse, e com seu terceiro álbum de estúdio, Mulher na Montanha, que começou a ser gravado em 1995 mas não seria concluído até 1999. Em 2000, lançariam seu segundo álbum ao vivo, Live at Rio ArtRock Festival '97, uma gravação de sua performance no Rio ArtRock Festival no Rio de Janeiro em 1997. Durante o hiato do Violeta de Outono, Golfetti lançou três álbuns com o Invisible Opera Company of Tibet (Tropical Version Brazil), um projeto paralelo ao Violeta de Outono que formara em 1988;porém, o projeto não foi tão bem-sucedido e memorável quanto o próprio Violeta de Outono e chegou ao fim em 1995, ressuscitando em 2010.

Também em 2000, o Violeta de Outono mudou sua formação quase completamente, com Gregor Izidro substituindo Cláudio Souza e Sandro Garcia substituindo Pastorello. Porém, ambos retornariam para a gravação do quarto álbum de estúdio da banda em 2003, Ilhas, que foi lançado em 2005.

Violeta de Outono & Orquestra, seu primeiro vídeo, saiu em 2006, gravado durante uma performance em São Paulo dois anos antes, com a participação especial da Orquestra Sinfônica da USP. No mesmo ano, Pastorello deixou a banda e foi substituído por Gabriel Costa, enquanto o novato Fernando Cardoso assumiu a posição de tecladista. Com esta formação lançaram seu quinto álbum de estúdio (e sétima gravação de estúdio como um todo), Volume 7, em 2007.

Em 2009, Cláudio Souza deixou o Violeta de Outono pela terceira vez, mas antes gravaram outro vídeo, Seventh Brings Return, no qual fizeram covers ao vivo de Pink Floyd e Syd Barrett, e também tocaram seu primeiro álbum na íntegra em um show ocorrido no Teatro Municipal de São Paulo. Fred Barley entrou no lugar de Souza - porém, Barley deixou a banda em 2011 para juntar-se ao Terço, e foi substituído pelo ex-A Chave do Sol José Luiz Dinola; desde então, a formação do Violeta de Outono permanece não mudada.

O sexto álbum da banda, Espectro, foi lançado em 2012.

Em 19 de setembro de 2016 a banda anunciou que começou a trabalhar em seu sétimo álbum de estúdio, Spaces, eventualmente lançado a 14 de outubro de 2016. No mesmo ano, a revista Rolling Stone Brasil o elegeu o 25º melhor álbum brasileiro de 2016.

Texto | Wikipédia

1985 | MEMORIES (Demo)

01. Outono
02. Transe
03. Dia Eterno
04. Fim Do Começo (Declinio de Maio)
05. Luz
06. Tomorrow Never Knows
07. Violeta '67 (Reflexos da Noite)
08. Noturno
09. Autumn (Instrumental)
10. Heavy Man
11. Floating World
12. The Visitor
13. People
14. Time
15. Material
16. Transformation
17. Sundays

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1986 | REFLEXOS DA NOITE (EP)

01. Outono
02. Tropico
03. Reflexos da Noite
Bonus Tracks
04. Venus
05. Em Toda Parte
06. Rinoceronte na Montanha de Geleia
07. Em Toda Parte II
08. Outra Manha
09. O Retorno
10. Aum
11. Numa Pessoa Só

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1987 | VIOLETA DE OUTONO

01. Dia Eterno
02. Outono
03. Declínio De Maio
04. Noturno Deserto
05. Faces
06. Sombras Flutuantes
07. Tomorrow Never Knows
08. Luz

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1988 | THE EARLY YEARS

01. Citadel (Rolling Stones)
02. Interstellar Overdrive (Pink Floyd)
03. Blues For Findlay (Gong)
04. Within You Without You (The Beatles)
05. Echoes (Pink Floyd) / No Quarter (Led Zeppelin)




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1989 | EM TODA PARTE

01. Rinoceronte na Montanha de Geléia
02. Em Toda Parte
03. Vênus
04. Aqui & Agora
05. Outra Manhã
06. Ilhas
07. Terra Distante
08. Dança
09. Lunática

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1999 | MULHER NA MONTANHA

01. Mulher na Montanha
02. Lirio de Vidro
03. Outro Lado
04. Total Silencio
05. Lagrimas do Dragao
06. Creme Gelado Desculpe
07. Espelhos Planos
08. Duna
09. Flutuando
10. Sonho
11. Terra Distante
12. Ilusao
13. Tropico
14. Reflexos da Noite
15. Astronomy Domine

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2000 | LIVE AT RIO ARTROCK FESTIVAL '97

01. Astronomy Domine
02. Mulher Na Montanha
03. Outro Lado
04. Dia Eterno
05. Eclipse
06. Noturno Deserto
07. Faces
08. Sombras Flutuantes
09. Declinio De Maio
10. Tomorrow Never Knows
11. Em Toda Parte

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2005 | ILHAS

01. Linguas de Gato em Gelatina
02. Mahavishnu
03. Blues
04. Estrelas
05. Ecos
06. Eclipse
07. Supernova
08. Azul
09. Transe
10. Cartas
11. Jupiter
12. Danca
13. Moon Princess

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2007 | VOLUME 7

01. Além do Sol
02. Caravana
03. Broken Legs
04. Eyes Like Butterflies
05. Em Cada Instante
06. Pequenos Seres Errantes
07. Ponto de Transição
08. Fronteira

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2011 | THEATRO MUNICIPAL
São Paulo, 03.05.2009


01. Introdução
02. Outono
03. Trópico
04. Reflexos da Noite
05. Declínio de Maio
06. Faces
07. Luz
08. Retorno
09. Dia Eterno
10. Noturno Deserto
11. Sombras Flutuantes
12. T.N.K.
13. Em Toda Parte
14. Vênus

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2012 | ESPECTRO

01. Formas-Pensamentos
02. Montanhas Da Mente
03. Dia Azul
04. Ondas Leves
05. Claro Escuro
06. Algum Lugar
07. Anos-Luz (Manito`s Dream)
08. Espectro
09. Solstício
10. News From Heaven

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2016 | SPACES

01. Imagens
02. Kevinland
03. Parallax T-Blues
04. Imagens (Reprise)
05. Flowers On The Moon
06. A Painter Of The Mind
07. Cidade Extinta


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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Marillion


A ERA FISH

Marillion é uma banda de rock progressivo formada em 1979. Eles são os expoentes mais populares do sub-gênero conhecido como neo-progressivo. A banda foi formada como Silmarillion, inspirada no livro de mesmo nome de J.R.R. Tolkien. Depois de uma alta rotatividade de integrantes nos primeiros anos, Steve Rothery foi o único membro original a permanecer. O nome do grupo foi encurtado depois de uma ameaça de processo feita pela família de Tolkien em 1980. O grupo lança seu primeiro compacto em 1982, "Market Square Heroes". Depois do sucesso alcançado, eles lançam seu primeiro álbum em 1983. Até os dias de hoje, já emplacaram 23 hits no UK Singles Chart e, até o ano 2000, já haviam vendido cerca de 14 milhões de álbuns em todo o mundo, tendo ainda feito turnês em vários países e continentes, como América, Europa e Japão.

A banda foi formada em 1979, originalmente como Silmarillion, uma referência ao livro de J.R.R. Tolkien Silmarillion. O nome foi encurtado em 1980 após ameaças de ações legais contra a propriedade intelectual do nome criado por Tolkien. Os primeiro trabalhos do Marillion continham as letras poéticas e introspectivas de Fish, moldados com arranjos musicais complexos e sutis, refletindo as influências claras da banda com o rock progressivo, especialmente de bandas como Pink Floyd, Genesis, Van der Graaf Generator, Rush e Yes.

Lançaram seu primeiro single em 1982, Market Square Heroes no lado A, e que continha o épico Grendel, de 17min., no lado B. Em 1983 a banda lançou seu primeiro álbum, Script for a Jester's Tear. Apesar do clima sombrio do disco em si, o álbum surpreende pelos instrumentais bem trabalhados e pela intensidade de sua concepção musical. Para os fãs de rock progressivo mais aficionados, este foi o melhor álbum. A crítica o considera uma referência para todo o gênero progressivo. O segundo álbum, Fugazi (1984), foi construído sobre o sucesso do primeiro álbum e com uma nítida influência de música eletrônica. Lançaram então em novembro de 1984 seu primeiro álbum ao vivo, Real to Reel.

O terceiro álbum Misplaced Childhood, de 1985, foi o mais bem sucedido comercialmente da banda. O álbum Clutching at Straws (1987) reforçou o apelo mais melódico dos dois discos predecessores e lidou com temas como o excesso, alcoolismo e a vida na estrada, representando a rotina da banda em suas turnês, o que também acabou resultando na saída de Fish da banda, partindo este para a carreira solo. A perda do líder deixou uma grande marca na banda e a projetou para uma sensível mudança de direcionamento e estilo musicais.

Após batalhas legais, o contato entre Fish e os outros quatro membros do Marillion não foi refeito até 1999. Apesar de atualmente estarem em relações cordiais, ambas as partes deixaram claro a impossibilidade em uma reunião da banda nos termos anteriores a 1988.

1983 | EMBRYONIC
Rarities 1980-1982


01. Close
02. Lady Fantasy
03. Alice
04. Institution Waltz
05. I Know What I Like
06. He Knows You Know
07. Garden Party

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1983 | SCRIPT FOR JESTER'S TEAR

CD 1
01. Script For A Jester's Tear
02. He Knows You Know
03. The Web
04. Garden Party
05. Chelsea Monday
06. Forgotten Sons

CD 2 | BONUS
01. Market Square Heroes (Battle Priest Version)
02. Three Boats Down (From The Cand)
03. Grendel (Fair Deal Studios Version)
04. Chelsea Monday (Manchester Square Demo)
05. He Knows You Know (Manchester Square Demo)
06. Charting The Single
07. Market Square Heroes (Alternative Version)

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1984 | FUGAZI

CD 1
01. Assassing
02. Punch & Judy
03. Jigsaw
04. Emerald Lies
05. She Chameleon
06. Incubus
07. Fugazi

CD 2 | BONUS
01. Cinderella Search (12'' Version)
02. Assassing (Alternate Mix)
03. Three Boats Down From The Cand
04. Punch & Judy (Demo)
05. She Chameleon (Demo)
06. Emerald Lies (Demo)
07. Incubus (Demo)

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1984 | REAL TO REEL

02. Incubus
03. Cinderella Search
04. Emerald Lies
05. Forgotten Sons
06. Garden Party
07. Market Square Heroes



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1985 | MISPLACED CHILDHOOD

CD 1
01. Pseudo Silk Kimono
02. Kayleigh
03. Lavender
04. Bitter Suite
05. Heart Of Lothian
06. Waterhole (Expresso Bongo)
07. Lords Of The Backstage
08. Blind Curve
09. Childhoods End?
10. White Feather

CD 2 | BONUS
01. Lady Nina
02. Freaks
03. Kayleigh (Alternative Mix)
04. Lavender Blue
05. Heart Of Lothian (Extended Mix)
06. Pseudo Silk Kimono (Demo)
07. Kayleigh (Demo)
08. Lavender (Demo)
09. Bitter Suite (Demo)
10. Lords Of The Backstage (Demo)
11. Blue Angel (Demo)
12. Misplaced Rendezvous (Demo)
13. Heart Of Lothian (Demo)
14. Waterhole (Expresso Bongo) (Demo)
15. Passing Strangers (Demo)
16. Childhoods End ? (Demo)
17. White Feather (Demo)

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1985 | MISPLACED CHILDHOOD
Deluxe Edition 2017


CD 1 | MISPLACED CHILDHOOD
(2017 Remaster)
01. Pseudo Silk Kimono
02. Kayleigh
03. Lavender
04. Bitter Suite
05. Heart Of Lothian
06. Waterhole (Expresso Bongo)
07. Lords Of The Backstage
08. Blind Curve
09. Childhood’s End
10. White Feather

CD 2 | LIVE AT UTRECHT 1985
01. Emerald Lies (Intro)
02. Script For A Jester’s Tear
03. Incubus
04. Chelsea Monday
05. The Web

CD 3 | LIVE AT UTRECHT 1985 (Continued)
Misplaced Childhood
01. Pseudo Silk Kimono
02. Kayleigh
03. Lavender
04. Bitter Suite
05. Heart Of Lothian
06. Waterhole (Expresso Bongo)
07. Lords Of The Backstage
08. Blind Curve
09. Childhood’s End
10. White Feather
Encores
11. Fugazi
12. Garden Party
13. Market Square Heroes

CD 4 | SINGLES, B-SIDES & DEMOS
01. Lady Nina (B-Side)
02. Freaks (B-Side)
03. Kayleigh (Alternative Mix)
04. Lavender Blue
05. Heart Of Lothian (Extended Mix)
06. Lady Nina (Steven Wilson Stereo Remix)
'Misplaced Childhood' Demos
07. Pseudo Silk Kimono
08. Kayleigh
09. Lavender
10. Bitter Suite: Brief Encounter / Lost Weekend
11. Lords Of The Backstage
12. Blue Angel
13. Misplaced Rendezvous
14. Heart Of Lothian: Wide Boy / Curtain Call
15. Waterhole (Expresso Bongo)
16. Passing Strangers: Mylo / Perimeter Walk / Threshold
17. Childhood’s End?
18. White Feather

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1986 | BRIEF ENCOUNTER

01. Lady Nina
02. Freaks
03. Kayleigh (Live)
04. Fugazi (Live)
05. Script For A Jester's Tear




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1987 | CLUTCHING AT STRAWS

CD 1
01. Hotel Hobbies
02. Warm Wet Circles
03. That Time of the Night (The Short Straw)
04. Going Under
05. Just for the Record
06. White Russian
07. Incommunicado
08. Torch Song
09. Slainte Mhath
10. Sugar Mice
11. The Last Straw

CD 2 | BONUS
01. Incommunicado (Alternative Version)
02. Tux On
03. Going Under (Extended Version)
04. Beaujolais Day
05. Story from a Thin Wall
06. Shadows on the Barley
07. Sunset Hill
08. Tic-Tac-Toe
09. Voice in the Crowd
10. Exile on Princes Street
11. White Russians (Demo)
12. Sugar Mice in the Rain

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1988 | B'SIDES AND THEMSELVES

CD 1
01. Hotel Hobbies
02. Warm Wet Circles
03. That Time of the Night (The Short Straw)
04. Going Under
05. Just for the Record
06. White Russian
07. Incommunicado
08. Torch Song
09. Slainte Mhath
10. Sugar Mice
11. The Last Straw

CD 2 | BONUS
01. Incommunicado (Alternative Version)
02. Tux On
03. Going Under (Extended Version)
04. Beaujolais Day
05. Story from a Thin Wall
06. Shadows on the Barley
07. Sunset Hill
08. Tic-Tac-Toe
09. Voice in the Crowd
10. Exile on Princes Street
11. White Russians (Demo)
12. Sugar Mice in the Rain

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1988 | THE THIEVING MAGPIE
(La Gazza Ladra)


CD 1
01. Intro - La Gazza Ladra
02. Slainte Mhath
03. He Knows You Know
04. Chelsea Monday
05. Freaks
06. Jigsaw
07. Punch & Judy
08. Sugar Mice
09. Fugazi
10. Script For A Jester's Tear
11. Incommunicado
12. White Russian

CD 2
01. Pseudo Silk Kimono
02. Kayleigh
03. Lavender
04. Bitter Suite
05. Heart of Lothian
06. Waterhole
07. Lords of the Backstage
08. Blind Curve
09. Childhoods End
10. White Feather

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2000 | THE SINGLES '82-88'

CD 1: 1982 | MARKET SQUARE HEROES
01. Market Square Heroes
02. Three Boats Down from The Candy
03. Grendel (17:16)

CD 2: 1983 | HE KNOWS YOU KNOW
01. He Knows You Know 7"
02. Chartering the Single
03. He Knows You Know 12''

CD 3: 1983 | GARDEN PARTY
01. Garden Party (Edited Version)
02. Margaret (Edited Live 7th April 1983)
03. Garden Party
04. Charting The Single (Live 18th April 1983)
05. Margaret (Live 7th April 1983)

CD 4: 1984 | PUNCH & JUDY
01. Punch And Judy
02. Market Square Heroes (Edited Re-recorded Version)
03. Three Boats Down From The Candy (Re-recorded Version)
04. Market Square Heroes (Re-recorded Version)

CD 5: 1984 | ASSASSING
01. Assassing (7'' Version)
02. Cinderella Search (7'' Version)
03. Assassing
04. Cinderella Search

CD 6: 1985 | KAYLEIGH
01. Kayleigh (Single Edit)
02. Lady Nina (Single Edit)
03. Kayleigh (Alternative Mix)
04. Kayleigh (Extended Version)
05. Lady Nina (Extended Version)

CD 7: 1985 | LAVENDER
01. Lavender
02. Freaks
03. Lavender Blue

CD 8: 1985 | HEART OF LOTHIAN
01. Heart Of Lothian
02. Chelsea Monday (Live Utrecht Vredenburg 15th October 1985)
03. Heart Of Lothian (Full Version)

CD 9: 1987 | INCOMMUNICADO
01. Incommunicado
02. Going Under
03. Incommunicado (Album Version)
04. Incommunicado (Alternate Version)

CD 10: 1987 | SUGAR MICE
01. Sugar Mice
02. Tux On
03. Sugar Mice (Radio Edit)
04. Sugar Mice (Extended Version)

CD 11: 1987 | WARM WET CIRCLES
01. Warm Wet Circles (7'' Version)
02. White Russian (Live At Loreley)
03. Incommunicado (Live At Loreley)

CD 12: 1988 | FREAKS (Live)

01. Freaks (Live)
02. Keyleigh (Live)
03. Childhoods End? (Live)
04. White Feather (Live)

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2004 | CURTAIN CALL
A Live Archive 1983-1988


VOL A | RUNDSPORTHALLE
Bauntal, Germany (1-10-83)

CD 1
01. Intro
02. He Knows You Know
03. Garden Party
04. Script For A Jester's Tear
05. Three Boats Down From The Cand
06. Assassing

CD 2
01. Chelsea Monday
02. Forgotten Sons
03. Market Square Heroes
04. Charting The Single

VOL B | HAMMERSMITH ODEON
London, England (3-02-86)

CD 1
01. Intro
02. Script For A Jester's Tear
03. Incubus
04. Jigsaw
05. The Web
06. Pseudo Silk Kimono
07. Kayleigh
08. Lavender
09. Bitter Suite
10. Heart Of Lothian

CD 2
01. Heart Of Lothian (Outro)
02. Waterhole
03. Lords of the Backstage
04. Blind Curve
05. Childhood's End
06. White Feather
07. Fugazi
08. Punch and Judy
09. Market Square Heroes

VOL C | PALATRUSSARDI
Milan, Italy (26-01-88)

CD 1
01. Intro
02. Slаinte Mhath
03. Assassing
04. White Russian
05. Sugar mice
06. Fugazi
07. Hotel Hobbies
08. Warm Wet Circles
09. That Time of the Night

CD 2
01. Intro
02. Waterhole
03. Lords of the Backstage
04. Blind Curve
05. Childhood's End
06. White feather
07. Kayleigh
08. Lavender
09. Heart Of Lothian
10. Incommunicado
11. Garden Party

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2008 | EARLY STAGES
Official Bootleg Box Set


CD 1 | LIVE AT THE MAYFAIR
Glasgow, 13.9.82
01. Garden Party
02. The Web
03. He Knows You Know
04. She Chameleon
05. Three Boats Down From The Candy
06. Market Square Heroes
07. Forgotten Sons

CD 2 | LIVE AT THE MARQUEE
London, 30.12.82, Part 1
01. Garden Party
02. Three Boats Down From The Candy
03. Grendel
04. Chelsea Monday

CD 3 | LIVE AT THE MARQUEE
London, 30.12.82, Part 2
01. He Knows You Know
02. The Web
03. Script For A Jester's Tear
04. Forgotten Sons
05. Market Square Hero
06. Margaret

CD 4 | LIVE AT THE READING FESTIVAL, 27.8.83
01. Grendel
02. Garden Party
03. Script For A Jester's Tear
04. Assassing
05. Charting The Single
06. Forgotten Sons
07. He Knows You Know
08. Market Square Hero

CD 5 | LIVE AT THE HAMMERSMITH ODEON
London, 14.12.84
01. Assassing
02. Garden Party
03. Cinderella Search
04. Punch And Judy
05. Jigsaw
06. Chelsea Monday
07. The Pseudo-Silk Kimono
08. Kayleigh
09. Bitter Suite
10. Heart Of Lothian
11. Incubus
12. Fugazy

CD 6 | LIVE AT WEMBLEY ARENA
London, 5.11.87
01. Slainte Mhath
02. White Russian
03. Incubus
04. Sugar Mice
05. Fugazi
06. Hotel Hobbies
07. Warm Wet Circles
08. That Time Of The Night
09. The Last Straw
10. Kayleigh
11. Lavender
12. Bitter Suite
13. Heart Of Lothian

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2008 | FORGOTTEN SONGS: Early Demos 80-82

01. Close
02. Lady Fantasy
03. Alice
04. Institution Waltz
05. I Know What I Like
06. He Knows You Know
07. Garden Party


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2009 | LIVE FROM LORELEY 1987

CD 1
01. Slainte Mhath
02. Assassing
03. Script for a Jester's Tear
04. White Russian
05. Incubus
06. Sugar Mice
07. Fugazi

CD 2
01. Hotel Hobbies
02. Warm Wet Circles
03. That Time of the Night (The Short Straw)
04. Kayleigh
05. Lavender
06. Bitter Suite
07. Heart of Lothian
08. The Last Straw
09. Incommunicado
10. Garden Party
11. Market Square Heroes

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2010 | EARLY DEMOS & SESSIONS 1979-1981

CD 1
1979-10-XX - The Enid's Studios, Hertford - 1st Silmarillion Demo
01. Lady Fantasy
02. Alice
The Lodge (The Enid's studio), Hertford, England - Hertfordshire, UK
03. The Haunting Of Gill House
04. Herne The Hunter
05. Scott's Porridge
1980-06-06 - The Enid's Studio, Herford - 2nd Silmarillion Demo
06. Close
07. Lady Fantasy
08. Alice

CD 2
1980-11-XX - Lelyland Hill Farm Studio, Gawcot
01. Close
02. The Web
1981-03-03 - First Practice with Fish and Diz
03. Time For Sale
04. Skyline Drifter
05. He Knows You Know
06. Garden Party
07. Charting The Single

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