quinta-feira, 2 de abril de 2020

The Smiths


Os Smiths foram responsáveis pela revolução no rock britânico dos anos 80 que deixou de lado a new wave e os sintetizadores para aderir novamente às guitarras. As influências da banda podiam ser achadas espalhadas no rock clássico dos anos 50 e 60 e no punk dos anos 70.

O núcleo da banda foi formado pelo vocalista Morrissey (Steven Patrick Morrissey) e pelo guitarrista Johnny Marr (John Maher), pessoas de comportamento e atitudes musicais opostas, que levaram à definição do estilo do Smith e ao posterior fim da banda (Marr representando a porção rebelde e rock and roll da banda enquanto Morrissey representava a porção pop e poética). Em 1982, em Manchester, Marr já havia tocado profissionalmente em algumas bandas, enquanto Morrissey era apenas um jovem poeta presidente do fã clube local dos new York Dolls. As letras de Morrissey se adaptariam bem às melodias de Marr e, juntamente com o baixista Andy Rourke e o baterista Mike Joyce resolveram montar a banda Smiths.

O seu primeiro single, Hand In Glove, se tornaria em 1983 uma constante no meio underground inglês, o que levou a banda a abandonar os pequenos clubes em Manchester para algumas apresentações em Londres. A banda rapidamente se tornou conhecida da imprensa inglesa em função das referências homosexuais nas letras.

Ao ser lançado em 1984 o álbum The Smiths imediatamente subiu até o segundo lugar em vendas na Inglaterra. Algumas letras de Morrissey passam a ser constantemente mal interpretadas (sendo consideradas incentivos ao assassinato e abuso sexual de crianças), o que leva a banda a ter uma divulgação ainda maior.

O segundo álbum, Meat is Murder, entra nas paradas inglesas no primeiro posto em 1985. O título é uma referência ao vegetarianismo adotado por Morrissey. O tema do terceiro álbum, Queen Is Dead, de 1986, era mais agressivo, com críticas políticas ao governo de Margareth Tatcher.

Marr sofreria um sério acidente de automóvel em 1986 que colocou a carreira da banda em suspenso. No meio tempo o guitarrista Craig Gannon (que havia assumido pouco antes) e o baixista Andy Rourke foram demitidos dos Smiths por problemas com heroína. Rourke voltaria à banda dentro de alguns meses.

Em 1987, em meio à fase de maior sucesso da banda, as tensões entre Marr e Morrissey também chegaram ao ponto máximo. Logo após o lançamento de Strangeways Here We Come a banda foi desfeita. Marr viria a formar juntamente com Bernard Sumner (do New order) a banda Electronic, Mike Joyce entraria para o Buzzcocks, enquanto Morrissey seguiria uma bem sucedida carreira solo.

Texto | Whiplash.Net


: BOOTLEGS :


EUROMIXX
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THE COMPLETE BBC SESSIONS
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THE TROY TATE SESSIONS
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THE COMPLETE TROY TATE SESSIONS
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THE HACIENDA MANCHESTER
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THE OLD GREY WHITLE TEST
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DO YOU MIND ME?
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GIRL AFRAID
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I STOLE AND THEN I LIED
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PLEASE COME CLOSER
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ASLEEP
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GOODBYE TO ELVIS
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MEAT IS MURDER IN GLAGOW
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LIFE IS VERY LONG WHEN YOURE LONELY
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'PEEL SESSIONS 1983-1986'
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THANK YOU LUCKY STARS!
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NEVER HAD NO ONE EVER
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ON TELEVISION (1984-1987)
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SAME DAY AGAIN
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THE TROY HAND ROCKS THE CRADLE
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DANCE WITH OCTOPUSES
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REEL AROUND THE FOUTAIN
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TROY TATE MIXES
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DEMOS & OUTTAKES
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DEMOS & OUTTAKES I
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HANG THE DJ
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YOU'VE GOT EVERYTHING NOW
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sábado, 28 de março de 2020

Sérgio Sampaio


Diverso, genial - e mesmo assim relegado ao lado B da MPB -,
cantor e compositor sofreu com pecha de maldito.


Talvez pela profusão de grandes artistas, o Brasil se permita, em uma injustiça cruel, relegar ao lado B um compositor diverso e genial como Sérgio Sampaio, morto há exatamente 25 anos. Turrão e inquieto, Sampaio era aquele que disse “eu quero é botar o meu bloco na rua”. E botou, mas não só. Lançou, em vida, três discos sólidos e inventivos e deixou também um trabalho póstumo de qualidade reconhecida.

Mesmo assim, ficou escanteado quando o assunto era o primeiro time da MPB, marcado com a pecha de maldito, longe das listas então ditadas pelo marketing das gravadoras. O interesse pela obra do compositor se reacendeu nos últimos anos. Relançamentos em LP dos três discos dele em vida e um documentário em produção provam que o “velho bandido” continua atual e necessário.

Sampaio, já disseram, era o Garrincha da MPB. Os dribles tortos se manifestavam na briga contra o óbvio, na verve afiada e - por que não? - no bom humor cínico e irônico. Como Garrincha, o botafoguense Sérgio Sampaio conheceu o sucesso, o ostracismo e a lama, muito por causa dos excessos, mas também por causa do brilhantismo e da recusa a se entregar a um sistema com o qual não concordava. Morreu aos 47 anos, vítima de uma pancreatite, mas até o fim continuou produzindo.

Pouco antes de morrer, Sampaio estava animado, apesar da doença, para gravar o primeiro CD - os anteriores foram lançados em LP. Acreditava nas canções que levaria para o estúdio e com elas esperava, de um certo modo, recomeçar. A irmã, Mara Moraes Sampaio, lembra com emoção a despedida de Sérgio. Já debilitado, ele passou algumas semanas com a família em Cachoeiro de Itapemirim (ES).

Em 4 de abril de 1994, Sampaio foi embora para o Rio de Janeiro, onde faria as gravações do novo álbum. Antes de sair, autografou uma foto e deixou para Mara - o que nunca havia feito. A relação dos dois era de muita proximidade. “Enquanto a gente se abraçava, ele falou no meu ouvido: ‘Eu vou para o Rio, vou gravar meu CD, eu vou ganhar dinheiro e mandar para você, porque você não vai ter a vida sofrida que a nossa mãe teve. Eu não vou deixar’”, recorda.

A personalidade difícil e a teimosia, diz Mara, eram uma herança do pai, Raul Sampaio, também músico - autor de Cala a boca, Zebedeu, gravada pelo filho “Sérgio não era fácil. E ele começou a beber com 16 anos. Era um boêmio. Dormia muito tarde e acordava tarde também. Aí, ninguém podia falar com ele, porque ele não conversava com ninguém até tomar o café. Quando voltava a tomar uísque é que começava a ser mais sociável”, lembra.

Sampaio se destacou no cenário nacional em 1972, com Eu quero é botar meu bloco na rua, apresentada inicialmente no IV Festival Internacional da Canção. O compacto com a música vendeu cerca de 500 mil cópias. Esperava-se daí que Sampaio fizesse, em série, músicas com o mesmo potencial mercadológico, mas não era para isso que tinha saído adolescente de Cachoeiro de Itapemirim - cidade do Espírito Santo, que é também terra natal de Roberto Carlos e Rubem Braga. Sampaio fez o que queria, deu de ombros para a estrutura de divulgação da gravadora e ficou malvisto pelos executivos da música.

“Eu gosto de pensar que ele foi agente da própria carreira e que essas escolhas foram conscientes. Ele abriu mão do que estava se prometendo ali para ele, porque não era naquilo que ele acreditava”, diz o filho, João Sampaio, 36 anos. “Eu tenho um puta orgulho disso. Mostra que ele era um cara que, além de tudo, tinha princípios muito firmes. É claro que ele sofreu o peso das escolhas que fez”, completa.

Por causa desse perfil e da música de vanguarda - misturando samba, blues, choro, uso de efeitos sonoros atípicos e uma poesia cortante e precisa -, Sampaio foi classificado pelas gravadoras como maldito, ao lado de nomes como Luiz Melodia e Jards Macalé. “Malditos por quê? Para quem? Eles eram benditos, na verdade, porque receberam um talento grande demais e souberam usar”, questiona o cantor e compositor Xangai, amigo e compadre do cantor. “Sérgio Sampaio era uma espécie de vulcão, sempre efervescente, sempre um excelente compositor.”

Foi Xangai quem, no fim da vida do artista, conseguiu recolocar Sampaio nos eixos, conta o músico e atesta João Sampaio. “Ele bebia demais, fumava demais. A gente quer que as pessoas talentosas tenham saúde para mostrar o que fazem. Então, um dia eu ralhei com ele, repreendi muito duramente. Amigo não é só quem fala o que a gente quer ouvir, não. É quem fala o que precisa ser dito. Desse dia em diante, ele nunca mais bebeu”, detalha Xangai. A história se passou no início dos anos 1990.

Mas já era tarde, diz João. “A partir daí, as coisas meio que se clarearam. Esse foi o momento de maior sobriedade do meu pai, quando ele foi de fato o que ele era, mas quando ele pisou no freio, não era mais suficiente.” Sampaio morreu em 1994.

João reconhece a atualidade da obra do pai, mas lamenta que as letras mais duras de Sampaio façam tanto sentido hoje, em tempos de intolerância e obscuridade. “Preferia que ele ficasse datado, e a gente não precisasse viver as letras dele na pele. Fico triste de saber que caminhamos para viver o que ele escreveu em Filme de terror e não em Quem é do amor”, diz. Apesar de tudo, ainda resta esperança, porque, como o próprio Sampaio escreveu, “o pior dos temporais aduba o jardim”.

Texto | Alexandre de Paula

1971 | SESSÃO DAS DEZ
(Sociedade da Grã-Ordem Kavernista)


01. Êta Vida
02. Sessão das Dez
03. Eu Vou Botar Pra Ferver
04. Eu Acho Graça
05. Chorinho Inconsequente
06. Quero Ir
07. Soul Tabarôa
08. Todo Mundo Esta Feliz
09. Aos Trancos E Barrancos
10. Eu Não Quero Dizer Nada
11. Dr.Pacheco
12. Finale

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1972 | EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA

01. Leros & Leros & Boleros
02. Filme de Terror
03. Cala a Boca, Zebedeu
04. Pobre Meu Pai
05. Labirintos Negros
06. Eu Sou Aquele que Disse
07. Viajei de Trem
08. Não Tenha Medo Não
09. Da. Maria de Lourdes
10. Odete
11. Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua
12. Raulzito Seixas

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1976 | TEM QUE ACONTECER

01. Até Outro Dia
02. Que Loucura
03. Cada Lugar na Sua Coisa
04. Cabras Pastando
05. Velho Bode
06. O Que Pintar Pintou
07. A Luz e a Semente
08. Tem Que Acontecer
09. Quanto Mais
10. Quatro Paredes
11. Filho do Ovo

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1982 | SINCERAMENTE

01. Homem de Trinta
02. Na Captura
03. Tolo Fui Eu
04. Só Para o Seu Coração
05. Essa Tal de Mentira
06. Meu Filho, Minha Filha
07. Cabra Cega
08. Sinceramente
09. Nem Assim
10. Doce Melodia
11. Faixa Seis

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1990 | SEGREDO DE ITAPUÃ (AO VIVO)

01. Dona Maria De Lourdes (entrevista sobre a morte de Raul Seixas)
02. Dadim (inédita)
03. Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua
04. Quero Ir





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1994 | CRUEL CRU (Demo)

01. Em Nome de Deus
02. Roda Morta
03. Polícia, Bandido, Cachorro, Dentista
04. Brasília
05. Quero Encontrar um Amor
06. Magia Pura
07. Muito Além do Jardim
08. Destino Trabalhador
09. Pavio do Destino
10. Uma Quase Mulher
11. Rosa Púrpura de Cubatão
12. Chuva Fina
13. Menino João (ao vivo)

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1998 | BALAIO DO SAMPAIO

01. Sérgio Sampaio | Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua
02. Chico César | Em Nome de Deus
03. Erasmo Carlos | Feminino Coração de Deus
04. João Bosco | Rosa Púrpura de Cubatão
05. Zeca Baleiro | Tem Que Acontecer
06. Zizi Possi | Meu Pobre Blues
07. Lenine | Pavio do Destino
08. João Nogueira | Até Outro Dia
09. Eduardo Dusek | Velho Bode
10. Renato Piau | Que Loucura
11. Jards Macalé | Velho Bandido
12. Luiz Melodia | Cala a Boca, Zebedeu
13. Elba Ramalho | Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua

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1998 | CACHORRO, BANDIDO, DENTISTA
(Arquivo único)


01. Em Nome de Deus
02. Roda Morta (Ou Reflexões De Um Executivo)
03. Policia, Cachorro, Bandido, Dentista
04. Brasilia
05. Quero Encontrar Um Amor
06. Magia Pura
07. Muito Alem do Jardim
08. Chorar de Dor
09. Pavio Do Destino
10. Uma Quase Mulher
11. Rosa Púrpura De Cubatão
12. Eta Vida
13. Eu Vou Botar Pra Ferver

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2002 | 25 ANOS

01. Até Outro Dia
02. Que Loucura
03. Cada Lugar na Sua Coisa
04. Cabras Pastando
05. Velho Bode
06. O Que Pintá, Pintô
07. A Luz e a Semente
08. Quanto Mais
09. Tem que Acontecer
10. O Filho do Ovo
11. Velho Bandido
12. O Teto da Minha Casa
13. Ninguém Vive por Mim
14. Quatro Paredes

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2006 | CRUEL

01. Em Nome de Deus
02. Roda Morta
03. Polícia, Bandido, Cachorro, Dentista
04. Brasília
05. Magia Pura
06. Rosa Púrpura de Cubatão
07. Muito Além do Jardim
08. Real Beleza
09. Pavio do Destino
10. Quero Encontrar um Amor
11. Quem é do Amor
12. Cruel
13. Uma Quase Mulher
14. Maiúsculo

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2010 | AO VIVO NO CABARÉ MINEIRO, 1986

01. Viajei De Trem
02. Pobre Meu Pai
03. Cala A Boca, Zebedeu
04. Quatro Paredes
05. Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua
06. Que Loucura
07. Só Para Ganhar O Carnaval
08. Meu Pobre Blues
09. Roda Morta
10. Cabras Pastando
11. Ninguém Vive Por Mim
12. O Que Eu Sinto Agora

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1971-1977 | COMPACTOS

1971 | ANA JUAN
01. Coco Verde
02. Ana Juan

1972 | NÃO ADIANTA
01. Classificados N° 1
02. Não Adianta

1974 | MEU POBRE BLUES
01. Meu Pobre Blues
02. Foi Ela

1975 | VELHO BANDIDO
01. Velho Bandido
02. O Teto da Minha Casa

1977 | NINGUÉM VIVE SEM MIM
01. Ninguém Vive Por Mim
02. História de Boêmio (Um Abraço em Nelson Gonçalves)

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segunda-feira, 23 de março de 2020

Marvin Gaye


GRANDES TRILHAS DO CINEMA: TROUBLE MAN DE MARVIN GAYE

Nem sempre o sucesso de um filme é o mesmo de sua trilha sonora. Não são poucos os casos de produções que tiveram uma história discreta, mas suas trilhas originais tornaram-se consagradas, lembradas por décadas, transformadas em referência no meio musical e cinematográfico. Talvez Trouble Man também se enquadre nessa estatística: um filme de ação setentista que tinha ninguém mais, ninguém menos, que Marvin Gaye como compositor de sua trilha sonora. O album foi um best-seller desde o seu lançamento, um clássico que atravessou décadas e hoje, mais de 40 anos depois do seu lançamento, merece a nossa atenção.

Início da década de 70. Os Estados Unidos e o mundo vivenciavam o crescente florescer dos movimentos sociais nas ruas e nos meios de comunicação. Do trabalho a produção artística, toda forma de expressão carregava consigo o poder das ideias, seja de uma forma branda e singela ou em silhuetas fortes e bem definidas. É nesse contexto histórico que Marvin Gaye, logo após o lançamento de um dos seus mais aclamados discos – What’s Going On, se dedicava à produção da trilha sonora de Trouble Man, um marco para o seu trabalho e a música em geral.

Trouble Man foi lançado em novembro de 1972, com direção de Ivan Dixon e estrelado por Robert Hooks como Mr. T, aquele que “carrega duas armas, uma para acabar com a confusão e outra para fazer confusão” – como nos é apresentado no trailer. Uma espécie de detetive particular que é respeitado por onde passa, abusando da elegância e eficiência para resolver os casos que acaba se envolvendo. O filme é um dos clássicos de um movimento do cinema norte-americano chamado Blaxploitation, cujas películas eram protagonizadas e produzidas por negros, muitas vezes contando com grandes compositores e arranjadores da soul music nas suas trilhas sonoras, dentre eles Barry White, Isaac Hayes e Marvin Gaye. Esse movimento revelou diversos astros e emplacou grandes sucessos na década de 70, tendo como ícones deste período filmes como Shaft e Superfly, além de influenciar diretamente obras mais recentes, como Jackie Brown, de Quentin Tarantino, e a série Luke Cage.

Marvin Gaye iniciou sua carreira como artista solo em 1961 na famosa Motown Records, tornando-se uma referência dentro do soul e R&B ao longo das décadas de 60, 70 e 80. Um dos seus maiores sucessos, o album Whats Going On de 1971, é constantemente inserido nas listas do maiores discos de todos os tempos pelas principais revistas musicais do mundo e pode ser considerado revolucionário por abordar temas historicamente relevantes a seu momento, tratando com letras introspectivas temas como a pobreza, o abuso de drogas e a Guerra do Vietnã, sempre em consonância com as lutas sociais da época. Esse clima influenciaria Gaye na composição de Trouble Man, lançado no ano seguinte.

A trilha sonora é recheada de ótimas faixas, mas a sua marca definitivamente está na música que recebe o mesmo nome da película. Trouble Man é impactante desde os primeiros rudimentos de bateria, nos aquecendo rapidamente para todo o resto que está por vir. Com vocais simultaneamente rápidos e melódicos, a voz de Marvin é milimetricamente intercalada, nota a nota, com o som dos metais e das teclas, havendo espaço para Gaye brilhar com seus timbres únicos, mas também para os instrumentistas reivindicarem o seu espaço. E mais: definitivamente é uma música feita para o filme. Carrega todo o clima da produção, de forma dinâmica, elegante e rica em elementos. Essa música, por si só, já valeria uma análise em 500 páginas.

De forma geral, a maior parte do album conta com música instrumentais que, apesar de não contar todo o tempo com a fantástica capacidade vocal de Marvin Gaye ao seu lado, nos fazem viajar no clima do filme, entre o noir, o nostálgico e a elegância. Destaco também o modo como os sintetizadores foram explorados ao longo do disco, dando um toque único para determinadas faixas, como em Deep In It, em um período onde os moduladores ganhavam cada vez mais espaço desde o icônico album Bitches Brew de Miles Davis em 1970. E se acabei de dizer que nem sempre os vocais de Gaye estão presentes nas trilhas, não se deixe enganar, quando eles surgem roubam logo as atenções e você irá parar o que está fazendo para tentar entender como poucas palavras conseguem carregar tanto sentimento.


O fantástico trabalho de composição rendeu resultados: o album esteve entre os primeiros da lista da Billboard e foi muito bem recebido pelos críticos, rendendo ótimas resenhas e avaliações. A própria canção Trouble Man sempre estará entre as grandes canções da carreira de Marvin Gaye, sendo eternamente lembrada junto com toda a sua fantástica obra. E em 2013 uma edição especial do album foi lançada em formato duplo, comemorando os 40 anos de lançamento do disco: 40th Anniversary Expanded Edition.

Ainda tem dúvidas que Trouble Man é um dos grandes albums do cinema e tem influenciado gerações desde o seu lançamento? E se eu dissesse que tem uma referência a este disco em toda parte, até em filmes de super-herói? Pois é, parece loucura, mas em Capitão América 2 temos uma referência a obra de Marvin Gaye durante a interação entre Steve Rogers e Sam Wilson, mas isso eu deixo para vocês encontrarem por aí. Essa é uma das milhares de referências dessa trilha na cultura pop, só demonstrando o quão influente ela consegue ser até hoje.

"If you are looking for trouble… watch out! ‘Cause trouble is here. Trouble Man!"

Texto | Gael Mota

1972 | TROUBLE MAN
(O Terrível Mister T)
Motion Picture Soundtrack


1972 | ORIGINAL ALBUM

01. Main Theme from Trouble Man (2)
02. "T" Plays It Cool
03. Poor Abbey Walsh
04. The Break In (Police Shoot Big)
05. Cleo's Apartment
06. Trouble Man
07. Theme from Trouble Man
08. "T" Stands for Trouble
09. Main Theme from Trouble Man (1)
10. Life Is a Gamble
11. Deep-In-It
12. Don't Mess With Mister "T"
13. There Goes Mister "T"

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2012 | 40th ANNIVERSRY EXPANDED EDITION

CD 1

ORIGINAL ALBUM

01. Main Theme From Trouble Man (2)
02. "T" Plays It Cool
03. Poor Abbey Walsh
04. The Break In (Police Shoot Big)
05. Cleo's Apartment
06. Trouble Man
07. Theme From Trouble Man
08. "T" Stands For Trouble
09. Main Theme From Trouble Man (1)
10. Life Is A Gamble
11. Deep-In-It
12. Don't Mess With Mister "T"
13. There Goes Mister "T"

THE "T" SESSIONS

14. Main Theme From Trouble Man (2) (Alternate Take With Strings)
15. "T" Plays It Cool (Unedited)
16. Poor Abbey Walsh, Part 2 (Take 1)
17. Poor Abbey Walsh, Part 2 (Take 2)
18. Trouble Man (Extended Version)
19. Theme From Trouble Man (Vocal Version)
20. "T" Stands For Trouble (Unedited Vocal Version)
21. "T" Stands For Trouble (Alternate Version)
22. Main Theme From Trouble Man (Vocal Version)

CD 2

TROUBLE MAN ORIGINAL FILM SCORE

01. Trouble Man
02. Poor Hall
03. "T" Plays It Cool
04. Cadillac Interlude-Cleo's Apartment
05. Man Tied Up-Jimmy's West-Conversation With Cleo
06. Crap Game (A.K.A. The Break In)-Getting Rid Of Body-Talking To Angel
07. Outside Police Station
08. Bowling Alley-Parking Lot
09. Stick Up
10. Cleaners-Cleo
11. Closing Jimmy's
12. Police Break In
13. "T" Cleans Up-Police Station
14. Packing Up-Jimmy Gets Worked-Saying Goodbye-"T" Breaks In-Movie Theater
15. Car Ride-Looking For Pete
16. Parking Garage-Elevator
17. Penthouse
18. Getting Pete
19. My Name Is "T"-End Credits

FILM BAND BONUS

20. "T" At The Cross

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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Detrito Federal


A cena rock de Brasília nos anos oitenta não era formada apenas por nomes como Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. Uma das bandas mais cultuadas dessa época, mas que acabou não alcançando o sucesso nacional do trio citado acima, foi o Detrito Federal. Seu primeiro álbum, "Vítimas do Milagres", lançado em 1987, é um clássico incontestável do punk rock brasileiro.

O grupo nasceu em 1983, de uma discidência do também punk Derrame Cerebral, de onde saíram o vocalista Alexandre "Podrão" Veiga e o guitarrista João Bosco. A dupla uniu forças com a baixista Mila Menezes (que mais tarde integraria o Volkana) e o baterista Paulo César "Cascão".

O primeiro registro do grupo foi na coletânea "Rumores", lançada pelo selo Sebo do Disco em 1985. O Detrito Federal participou com as faixas "Fim de Semana" e "Desempregado". Os outros grupos presentes na compilação foram o Finis Africae, a Elite Sofisticada e a Escola de Escândalos. Esse LP é bastante raro de se encontrar hoje em dia, já que foram prensadas apenas 1.000 cópias do mesmo.

Apesar da boa repercussão do disco, no final de 1985 Mila e Bosco deixam a banda. Seus postos são preenchidos pela entrada do guitarrista Will Pontes e do baixista Paulinho. Ainda como reflexo da ótima impressão causada pela coletânea Rumores, em janeiro de 1986 o Detrito Federal participa do programa Mixto Quente, da Rede Globo, programa esse que era transmitido diretamente das praias do Rio de Janeiro para todo o país.

A participação solidifica a reputação da banda e projeta seu nome para um número maior de ouvintes, ao mesmo tempo em que causa um racha no conjunto, com o vocalista Alexandre Podrão deixando a banda e acusando os membros restantes de "traidores do movimento", já que eles teriam se "vendido para o sistema". Podrão junta-se ao ex-guitarrista Bosco, e juntos montam o BSB-H.

Cascão decide assumir os vocais, e Luciano Dobal vira o titular da bateria. Nessa confusão toda, outro que pula fora do barco é o baixista Paulinho, sendo substituído por Milton Medeiros. Sob a liderança de Cascão, o Detrito Federal faz algumas mudanças em seu som, tornando-se menos radical, deixando de lado o visual punk e aproximando-se da sonoridade dos grupos de Brasília que estavam estourando no Brasil naquela época, como Legião, Plebe e Capital.

O line-up é novamente alterado, com a entrada de Simone Death (ou Si Young ,aquela mesmo que, anos mais tarde, ficaria famosa em todo o Brasil como Syang no programa Casa dos Artistas, do SBT) e Mauro Manzolli nas guitarras e Deborah Derwish na bateria. Finalmente estabilizados, assinam com a Polygram e entram em estúdio para gravar o seu disco de estreia, produzido pelo baterista dos Titãs, Charles Gavin, e batizado como "Vítimas do Milagre".

Lançado em 1987 e contando com uma capa pra lá de provocativa, o play apresenta um som vigoroso e agressivo, com canções simples construídas sobre três acordes. O principal destaque do LP são as letras, repletas de ironia e inteligência. O álbum abre com a grudenta "Se o Tempo Voltasse", cuja ótima letra possui a clássica frase "se o seu pai pudesse escolher, você acha que o filho seria você?". De arrepiar quem viveu naquela época e tinha o disco como uma das trilhas sonoras da sua adolescência.

O play segue com "Adolescência", poema de Paulo Leminski musicado pelo grupo. Ouvir essa faixa hoje em dia, quando somos bombardeados por coisas horríveis como Fresno e NX Zero, mostra o quando a qualidade dos grupos daquela época possuíam muito mais qualidade que aqueles consumidos pela juventude atual, infelizmente.

"O Vírus do Ipiranga" é uma pérola do rock brazuca, um petardo cuja letra faz uma crítica feroz e certeira ao Brasil, tendo como base a letra do hino nacional. Ouça e delicie-se! "Sun City" tem um bom riff de Syang e um andamento mais funkeado, enquanto "Bloco K" é o retrato fiel dos jovens brasilienses do período.

O lado B abre com "Último Grito", cadenciada e com influências da new wave. A faixa título une o punk com algumas características country, e, mais uma vez, a letra merece destaque. A agressiva e chiclete "Tá Com Nada" é um dos grandes destaques do disco, e ouvir sua letra imaginando que situações e personagens atuais poderiam substituir os citados é um retrato, infelizmente verdadeiro, da realidade do nosso país. O disco fecha com a pauleira de "Angra (A Dança das Ogivas)", que critica as usinas nucleares instaladas pelo governo militar na cidade de Angra dos Reis.

"Vítimas do Milagre" alcançou boas vendas - cerca de 50 mil cópias -, e levou a banda a tocar em programas de repercussão nacional, como Perdidos na Noite e Clube do Bolinha. Infelizmente, até onde eu sei o álbum não foi relançado em CD, estando disponível apenas através do vinil original de 1987. Se você se interessou, indico pesquisar em sites como o Mercado Livre, onde volta e meia o LP dá as caras.

Apesar da boa receptividade do disco, a Polygram dispensou o grupo, o que gerou uma nova debandada geral. Simone Death virou Syang e formou o P.U.S., Milton Medeiros foi para o Rio estudar produção de discos na escola de Antônio Adolfo e Deborah foi morar nos Estados Unidos. Mesmo assim, o Detrito Federal manteve-se ativo com inúmeras formações ao longo dos anos, e chegou a lançar mais dois discos (o EP "Guerra, Guerrilha, Revolução" em 2002 e o CD "1983", em 2005), ambos com momentos interessantes, mas inferiores à sua estreia.

Texto | Ricardo Seelig

1985 | RUMORES
(Coletânea)


01. Escola de Escândalo | Complexos
02. Finis Africae | Van Gogh
03. Elite Sofisticada | Fuga
04. Detrito Federal | Desempregado
05. Finis Africae | Ética
06. Escola de Escândalo | Luzes
07. Detrito Federal | Fim-de-semana
08. Elite Sofisticada | Sozinho

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1987 | VÍTIMAS DO MILAGRE

01. Se o Tempo Voltasse
02. Adolescência
03. O Vírus do Ipiranga
04. Sun City
05. Bloco K
06. Último Grito
07. Dependentes do Circo
08. Vítimas do Milagre
09. Tá Com Nada
10. Angra (A Dança das Ogivas)

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2005 | 1983

01. Antraz
02. Órfãos da Nação
03. Desempregado
04. Ecos Periféricos
05. Animais
06. Álcool
07. Palestina
08. 1983
09. Alienação e Repressão
10. Digo Não II
11. Brasil

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

The Specials


A década de 1970 teve um importante papel na proliferação da música Jamaicana pelo mundo.

Da manifestação ativa do Reggae aos passeios pelo Ska e Dub, a sonoridade original da ilha caribenha era a base para uma centena de bandas que nasciam naquele momento, entre eles o coletivo britânico The Specials.

Formado na cidade de Coventry, em 1977, o grupo trouxe na mistura entre a sonoridade firmada no fim da década de 1960 e as rajadas de guitarras calorosas o mecanismo de alimento para tudo o que representa o registro de estreia do grupo.

Lançado em Novembro de 1979 e contando com a produção de Elvis Costello, o disco brinca com os sons em uma medida que não se afasta do contexto maduro dos versos, trechos melódicos que vão do racismo ao aborto em uma propriedade essencialmente comercial.

Lançado pelo selo 2-Tone, do próprio grupo, The Specials (o disco) seria a base criativa para toda uma sequência de artistas que ocupariam a década de 1980 com os mesmos sons.

Texto | Cleber Facchi

1979 | THE SPECIALS

01. A Message To You Rudy
02. Do The Dog
03. It's Up To You
04. Nite Klub
05. Doesn't Make It Alright
06. Concrete Jungle
07. Too Hot
08. Monkey Man
09. (Dawning Of A) New Era
10. Blank Expression
11. Stupid Marriage
12. Too Much Too Young
13. Little Bitch
14. You're Wondering Now

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Sting


JAZZ E POP NA MEDIDA CERTA

Tudo começou no final de 1984. Na época, Sting era famoso por ter integrado o The Police, um trio que fez história por misturar pop, rock, reggae e ska, tudo em um mesmo caldeiro sonoro. Com o fim do grupo, o cantor e baixista que também era um prolífico compositor, resolveu se jogar de cabeça em sua carreira solo. O músico tinha em mente uma sonoridade completamente diferente de sua antiga banda. Sting queria algo mais rebuscado, com uma sonoridade mais elaborada e para tanto, viajou em janeiro de 1985 até Nova Iorque a fim de conseguir novos músicos que o acompanhassem em sua empreitada. De inicio, o cantor queria um tecladista realmente bom, que fosse a base do grupo. Um músico que pudesse transitar do pop ao jazz com muita facilidade. Logo lhe indicaram Kenny Kirkland, um pianista e tecladista que havia tocado com jazzistas famosos como Dizzy Gillespie e Elvin Jones. Na bateria foi escalado Omar Hakim, que vinha do fusion, sendo responsável pelas baquetas do grupo Weather Report durante longos anos. Na cabeça de Sting o principal instrumento de solo seria o saxofone, e para comandar o instrumento o cantor convidou Branford Marsalis, jovem saxofonista, que vinha de uma família eminentemente jazzista. Seu pai Elis, era um pianista laureado no circuito de jazz e seu irmão Winton foi diversas vezes apontado como o principal nome da nova geração de trompetistas.

Como Sting resolveu que não tocaria baixo em sua nova banda, recrutou para o instrumento Darryl Jones, Baixista que na época integrava o grupo de Miles Davis. De propósito ou não, o fato é que todos na banda eram negros, eméritos jazzistas e conseguiam transitar por vários estilos com igual desenvoltura. Sting e sua nova trupe viajaram para Barbados, e em sete semanas já havia composto a maioria das canções. Deste modo, em 1º de junho de 1985 chegava às lojas "The Dream of Blue Turtles", o primeiro disco solo do cantor do The Police.

O disco obviamente caiu como uma bomba no meio musical. Sting não tocava seu principal instrumento, o baixo, se limitando uma tímida guitarra base. Além disso, a sonoridade do disco, as letras, os arranjos em nada lembravam sua antiga banda. Tal fato fez muitos fãs antigos torcerem o nariz para o disco, mas em contrapartida, o músico angariou toda uma nova geração de admiradores entusiasmados com seu pop rebuscado e encharcado de jazz.

No geral é um trabalho bem eclético, com faixas mais rápidas e outras mais tranquilas, como se o cantor quisesse ser o Chet Baker do pop. Além de pop e jazz, é notório elementos de música negra, como o soul e o blues, além de algumas poucas influências de seu antigo grupo.

O disco abre com "If You Love Someboy Set Me Free", com seus vocais femininos o fundo, cortesia das fantásticas Dollette Mcdonalds e Janice Pendarvis. Aqui o cantor mostrou um estilo que continuava cheio de swing como fazia com seu antigo grupo, mas mostra também toda sua evolução como compositor e intérprete. O tema fala da escravidão e censura. "Love Is The Seventh Wave" é talvez a única canção que pode lembrar vagamente seu antigo grupo, talvez pela Base levemente reggae ao fundo. "Russians" é uma introspectiva balada onde voz de Sting se sobressai aos arranjos. "Children´s Crusade" tem letra contando a história das crianças que lutavam nas cruzadas. Sting a canta de modo melancólico, e até mesmo o belo sax de Branford consegue soar triste em seu solo. "Shadows In The Rain" é um tema mais rápido, comandado pelo piano elétrico de Kirkland que faz um interessante contraponto com voz de Sting."

"We Work The Black Seam" é uma outra balada composta pelo cantor, que tirou inspiração para o tema em sua infância. "Consider Be Gone", é um canção fantástica, que começa com a voz e o baixo aveludado de Darryl e vai crescendo a medida que o tem se desenvolve. Em seguida temos a faixa titulo que é uma pequena música instrumental. Um verdadeiro tema de jazz, comandado por piano e saxofone. A música foi indicada o Grammy como melhor tema instrumental do ano. Como o próprio Sting declarou mais tarde: "Fiquei embaraçado pela indicação. Aquele tema foi apenas uma brincadeira entre a banda durante um ensaio..." Pode até ser, mas acredito que a brincadeira tenha valido a indicação. "Moon Over Bourbon Street", é a canção preferida de Sting e foi composta após o músico ler "Entrevista com o Vampiro" da autora Anne Rice. A canção tem ares de trilha sonora e uma atmosfera bem cool, comandada pelo baixo fretless de Darryl. "Fortress Around You Heart" encerra o trabalho e é uma das minhas canções preferidas. Um tema que fala eminentemente de amor e relacionamento. É mais uma daquelas canções que começam introspectivas e vão crescendo conforme performance de Sting vai se desenvolvendo.

Embora "The Dream of Blue Turtles" seja um trabalho elaborado por grandes músicos, é também um disco primordialmente feito de canções, onde os arranjos privilegiam as ideias e não o oposto. Das dez canções incluídas no trabalho cinco viraram singles e alcançaram as paradas.

O resultado de crítica e público foi bem superior ao esperado e Sting pôde mostrar o mundo que não precisava de seu antigo grupo pra fazer sucesso.

Uma pena a banda ter gravado somente este disco de estúdio e o ao vivo "Bring On The Night", que saiu logo em seguida, pois o grupo tinha fôlego pra muito mais. De qualquer modo fica um trabalho irrepreensível, elegante e cheio de grandes canções como só um compositor do porte de Sting Sabe fazer.

Texto | Márcio Chagas

1985 | THE DREAM OF THE TURTLES

01. If You Love Somebody Set Them Free
02. Love Is The Seventh Wave
03. Russians
04. Children's Crusade
05. Shadows In The Rain
06. We Work The Black Seam
07. Consider Me Gone
08. The Dream Of The Blue Turtles
09. Moon Over Bourbon Street
10. Fortress Around Your Heart

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1986 | BRING ON THE NIGHT

CD 1
01. Bring On The Night - When The World Is Running Down You Make The Best Of What's Still Around
02. Consider Me Gone
03. Low Life
04. We Work The Black Seam
05. Driven To Tears
06. The Dream Of The Blue Turtles - Demolition Man

CD 2
01. One World (Not Three) - Love is the Seventh Wave
02. Moon over Bourbon Street
03. I Burn for You
04. Another Day
05. Children's Crusade
06. Down So Long
07. Tea in the Sahara

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Black Future


O Black Future foi formado por Satanésio, Tantão – seu núcleo – Lui (que logo deixou a banda), Olmar e Edinho em algum momento dos anos 80 (1984?), no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Lançaram apenas um álbum, mas nada mais era preciso; a história já estava escrita, e nunca poderá ser apagada.

Eu sou o Rio saiu em 1988 pela BMG/Plug. Considerado pela crítica especializada como um dos álbuns do ano, com reportagens entusiasmadas no jornal O Globo, na revista Bizz, videoclipe, incensos e mirras, o disco nasceu, cresceu e morreu no submundo sob os Arcos. Era demais para ouvidos acostumados ao rock de Brasília. .

Produzido por Thomas Pappon (Fellini) e com participações de Edgar Scandurra, Edu K (De Falla), Paulo Miklos e Alex Antunes (Akira S e As Garotas que Erraram), Eu sou o Rio é uma ode ao caos urbano e à demência das grandes cidades, longe, muito longe dos corpos sarados e do eterno verão carioca.

À época do lançamento do disco Satanésio disse em entrevista a O Globo que “No fundo, o nosso trabalho é uma trilha sonora para o Rio”. Sim, o Black Future fez a trilha sonora do Rio, do Rio real, não o de cartões postais; expôs as entranhas da cidade não tão maravilhosa, numa época em que a Lapa não aparecia na TV e não era vista com bons olhos pelas ‘pessoas de bem’.

Eu sou o Rio tem dois pilares básicos de sustentação sobre os quais foi construído: primeiro, musicalmente não segue um padrão. É extremamente experimental, explorando terrenos obscuros do pós punk (Bauhaus, PIL, Wire, The Fall, etc) e do industrial (Einstürzende Neubauten, Clock DVA), mas também abraçando o samba (obviamente em “Eu sou o Rio”), o latente hip hop, enfim, um disco sem amarras; segundo, as letras e a forma de cantar de Satanésio.

Em cada uma das faixas do álbum o vocalista e letrista do Black Future destila veneno em forma de palavras. Irônico, com um humor altamente ácido, Satanésio verbaliza (ele não canta, declama, quase como um poeta do spoken word) o ódio pelas instituições (estado, igreja, família), pela caretice vigente, pelo modus operandi da cidade; mas narra também – com toques de realismo fantástico – as experiências surreais das noites cariocas movidas à psicotrópicos.

Dois anos após o lançamento de Eu sou o Rio e seis após seu surgimento, o Black Future saia de cena e deixava um enorme buraco no rock brasileiro. Nunca, antes ou depois, uma banda conseguiu usar o absurdo como força motriz e criar um álbum tão fragmentado (musicalmente) e tão coeso (liricamente) quanto Eu sou o Rio.

Mais que um panorama do que era o submundo da cidade nos anos 80, ele é uma fotografia em preto e branco da realidade carioca não mostrada nas novelas de Manoel Carlos. O Futuro é Negro, e eles já sabiam disso 25 anos atrás.

Texto | Fábio Bridges

1988 | EU SOU O RIO

01. Introdução: Dança da Chuva
02. Interrupção
03. Sinfonia para um Morto
04. Reflexão
05. Piada
06. Eu Sou o Rio
07. Teatro do Horror
08. No Nights
09. Cartas do Absurdo
10. Bem Depois
11. Thor & Loki
12. Eu Quero Tocar a Lapa

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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Ave Sangria


Quatro décadas e meia se passaram entre o lançamento do primeiro álbum, homônimo, da banda pernambucana Ave Sangria, e Vendavais, o segundo disco. O primeiro foi prensado em vinil em 1974. O segundo, em 2019, saiu em plataformas de streaming, depois em CD e, só aí, em vinil, bancado por financiamento coletivo, numa espécie de linha do tempo invertida em que o trabalho mais recente se encontra com o antecessor no exato ponto em que ele termina.

Se, por um lado, a tecnologia atual permitiu ao disco timbres, mixagem e masterização mais modernos, por outro, os elementos que consagraram a banda nos anos 1970 continuam todos lá: os ritmos regionais nordestinos, misturados à guitarra do rock e à poesia aguçada que tornaram a banda um ícone da chamada psicodelia nordestina, ladeada por conterrâneos como Alceu Valença, Flaviola e o Bando do Sol e Lula Côrtes, que lançaram trabalhos semelhantes na mesma época.

“Foi intencional. A gente queria que fosse uma continuidade. Queria pagar esses 45 anos como se não tivessem existido. Dar às pessoas que gostam de nossa música um segundo álbum que fosse continuação do primeiro”, conta o poeta Marco Polo, cantor e letrista da banda. “É como se não tivéssemos sido castrados pela ditadura. Queremos reafirmar que, mesmo 45 anos depois, continuamos vivos e com os mesmos ideais de rebeldia e liberdade”, declara.

O OVO DA AVE

Em 1972, o jovem Marco Polo voltava ao Recife de uma temporada em São Paulo e no Rio de Janeiro, com um punhado de poemas embaixo de braço e um monte de ideias na cabeça. Saiu da cidade para fugir do marasmo, mas encontrou, na volta, a terra natal fervendo e um bando de rapazes dispostos a tocar um som autoral. Assim surgiu o Tamarineira Village, cujo nome alude ao Village, bairro boêmio novaiorquino, e o recifense Tamarineira, povoado por artistas e um hospício.

Este paralelo entre a cultura regional tradicional e as novidades estrangeiras se encontrava também, já naquela época, na proposta musical da banda. “A nossa influência era Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Beatles, Rolling Stones, Led Zepellin e Jimi Hendrix”, enumera Marco Polo. “Pra mim, era natural que o que importasse era que a música fosse boa, ao contrário do Manguebeat, que fez um manifesto para justificar a postura deles”, compara.

Conseguir os discos de música brasileira era fácil. Marco Polo recorda que, desde que era criança, havia na casa dele uma vitrola a manivela que tocava de Nelson Gonçalves a Luiz Gonzaga. Difícil era encontrar os discos de rock. Era preciso esperar alguém voltar de Londres com as novidades, não tão novas na Inglaterra, ou abordar os marinheiros no cais para trazer os discos de fora. “As lojas não importavam os discos de rock, porque achavam que não ia vender”, lembra o músico.

“É claro que, na época, a gente sofreu muita repressão da crítica, mas a gente não ligava a mínima” afirma. Logo, porém, a vocação para desafiar o conservadorismo da época se tornaria marca registrada do grupo. “O Zé da Flauta dizia que, na época, a gente não sabia que estava fazendo história. Mas a gente tinha consciência de que queria provocar”, diz o vocalista, citando o conterrâneo, que tocou com toda a turma psicodélica da época, incluindo a própria Ave Sangria.


OS DENTES DO OFÍCIO

Se o choque causado pela sonoridade do sexteto não era planejado, as letras e o comportamento extravagante do grupo eram um desafio declarado ao status quo, cujo ápice se deu com a música Seu Waldir: “Seu Waldir o senhor/ Magoou meu coração/ Fazer isso comigo, seu Waldir/ Isso não se faz não /Eu trago dentro do peito/ Um coração apaixonado batendo pelo senhor/ O senhor tem que dar um jeito!/ Se não eu vou cometer um suicídio/ Nos dentes de um ofídio vou morrer”.

“Eu namorava uma atriz que trabalhava com Marília Pêra, que estava com uma peça, e fiz a música para o personagem dela, que era muito debochado e irônico. A parte do ‘suicídio nos dentes de um ofídio’ era uma referência a Cleópatra, uma brincadeira”, descreve o compositor. Como a música não entrou na peça, Marco Polo decidiu incluí-la no show, para peitar o machismo pernambucano. “Tinha amigos meus que saíram revoltados: 'Não sabia que o Marco Polo era gay!”, diverte-se.

E ele não era. “Apesar de não ser homossexual, eu me solidarizava perante o machismo e a homofobia. Pernambuco era um lugar muito tradicionalista. A esquerda era preconceituosa e nos marginalizava. Eu tinha uma namorada comunista, e a gente tinha brigas, porque ela dizia que eu era um americanista alienado, porque gostava de rock e fumava maconha”, diverte-se. A direita, então, gostou menos ainda, e mandou recolher o primeiro disco da banda por causa da faixa Seu Waldir.
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Cair nas presas da ditadura foi um duro golpe para o bando de aves ainda no ninho. Excelentes, os instrumentistas da banda acabaram alçando outros voos. O grupo, porém, teve sua trajetória interrompida. Mas as lendas continuaram. “As pessoas saíam à noite pelos bares procurando pelo Seu Waldir, pois achavam que era dono de um boteco”, ri Marco Polo, e garante: “Seu Waldir nunca existiu!”. “Eu gostava de inventar histórias porque era o marketing que tínhamos na época”, admite.

Outra lenda espalhada era a de que o nome da banda tinha sido sugerido por uma cigana, mas, na verdade, ele surgiu de um devaneio do vocalista. “Eu estava pensando numa capa pro disco e pensei num bando de prédios cinzentos, como eu via em São Paulo, e, em cima deles, voando, uma ave toda vermelha, vermelho-sangue, que, pra mim, significa a vida, a liberdade. Ave Sangria é uma ave sangrenta, sanguinária… o pessoal gostou e ficou!”, explica.

AS CINZAS DO OVO

Quarenta e cinco anos se passaram e muita coisa aconteceu entre o céu e a terra. Marco Polo seguiu carreira como jornalista e poeta, com vários livros publicados, e teve composições gravadas por intérpretes como Ney Matogrosso e Elba Ramalho. Três dos membros originais da banda morreram: Ivson Wanderlei, conhecido como Ivinho; Israel Semente Proibida e Agrício Noya, músicos notáveis que, antes de partir, deixaram sua marca na música popular brasileira com outros projetos.

“O Alceu Valença vivia tentando seduzir nossos músicos para tocar com ele. Ele assistiu o show da gente e percebeu essa coisa de eletrificar o baião, e conseguiu fazer também esse trabalho”, recorda Marco Polo. “Quando o disco foi censurado, a gente percebeu que não tinha futuro para banda. Éramos de classe média baixa, alguns eram casados e tinham filhos. Precisávamos nos sustentar. Os meninos vieram falar como a gente e a gente falou: ‘Pode ir.’”

A partir de 2008, as novas gerações começaram a redescobrir e cultuar a banda graças à internet, o que deu gás para um breve retorno em 2014, com Ivinho ainda vivo. Agora, a banda a banda volta à carga total e com a mesma vontade de causar. “É até curioso a banda ter nascido numa ditadura e estar voltando numa época em que o conservadorismo está na presidência”, analisa o cantor.

“Quarenta e cinco anos depois, continuamos com a mesma pegada”, garante. Aposentado, Marco Polo, ao lado dos membros originais Paulo Rafael (guitarra e voz) e Almir de Oliveira (baixo) está se dedicando totalmente ao projeto e disposto a tocar até em festinha de aniversário. Sem perder a ternura, jamais.

Texto | Devana Babu


1974 | AVE SANGRIA

01. Dois Navegantes
02. Lá Fora
03. Três Margaridas
04. O Pirata
05. Momento na Praça
06. Cidade Grande
07. Seu Waldir
08. Hei! Man
09. Por Que?
10. Corpo em Chamas
11. Geórgia, a Carniceira
12. Sob o Sol de Satã

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1974 | PERFUMES Y BARATCHOS
(Bootleg Ao Vivo)


01. Grande Lua
02. Janeiro em Caruaru
03. Vento Vem (Boi Ruache)
04. Dia-a-dia
05. Geórgia, a Carniceira
06. Sob o Sol de Satã
07. Instrumental
08. Por Que
09. Hey Man
10. O Pirata
11. Lá Fora

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2019 | VENDAVAIS

01. O Poeta
02. Silêncio Segredo
03. Vendavais
04. Dia a Dia
05. Olho da Noite
06. Carícias
07. Sete Minutos
08. Ser
09. Sundae
10. Marginal
11. Em Órbita

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