Kátya Teixeira


Cantora, compositora e instrumentista, vinda de uma família de músicos, Kátya Teixeira empreende sua viagem musical em perfeita sintonia com a energia telúrica. Fortemente influenciada pelo folclore e pela música latina, seu trabalho faz uma síntese ecológica. Nesta busca, ela consegue um admirável encontro com a riqueza musical oculta ou esquecida.

Seguindo a trilha de uma proposta musical definida, que é a de pesquisar e mesclar a cultura dos povos de todo o mundo como um reflexo de Brasil, ela apresenta um repertório variado, harmonizando voz, violão e rabeca, acompanhada de violões e bandolim e percussão, obtendo assim timbres e nuances, num espetáculo de grande beleza.

Neste trabalho de garimpagem e alquimia musical, nota-se elementos de uma lírica compreensão do homem e da terra. Vez ou outra, as músicas nos remetem a literatura de Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos... No show, temos a impressão de que se está de fato viajando, já que a sequência das músicas segue uma lógica de verdadeiro passeio pelos ritmos das diferentes regiões do país.

Esta curiosa jornada desperta a emoção não só pela beleza, mas também pela coragem de realizar um trabalho tão sério de resgate de raízes. Faz acreditar num país rico. Poucos se aventuram a enveredar tão profundamente na verdadeira MÚSICA BRASILEIRA - rica, complexa, surpreendente e digna.

Fonte | Site Oficial

1997 | KATXERÊ

01. Katxerê
02. Kararaô
03. Aluarados
04. Mãe Áurea
05. Brincando de Roda
06. A Lua Girou
07. Fonte Motriz
08. Dia de Festa
09. Nas Teias da Renda
10. Passarinheiro
11. Alagoando
12. Rebuliço
13. Anauê
14. Chapada dos Guimarães
15. Marianinha
16. Nove Luas

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2003 | LIRA DO POVO

01. Ayvu
02. Alegria Da Criação | Adeus Oh Serra Da Lapa
03. Canto de Fé | Eu sou da lira
04. Maracatu de Brejão dos Negros
05. Cantiga Beiradeira
06. Senhora Rainha | Sabiá piô/Vila Nova/ Guerrear
07. Rainha das Águas | Canoa Branca
09. Desejo
10. Você vai lá pro sertão | Língua Trovador
11. De Kekeke
12. Joaninha
13. Estrela D´Alva
14. Tava Durumindo | Candombe de Jequitibá
15. Tá Caindo Fulô | Balainho De Fulô/ Adeus, Adeus/ Quando a Festa Acabar
16. A Rosa Também Se Muda

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2011 | FEITO DE CORDA E CANTIGA

01. Vem Comigo
02. Coração Poeta
03. Açoite
04. Eu Brasileiro
05. Estrela de Ouro
06. Água D’Água
07. Bruxa do Livramento
08. Don’Ana
09. Modificar
10. Maria, Estrela e Geraes
11. No Umbigo da Viola
12. Receita Pra Pegar Saci
13. Vida Aventureira
14. Barca de Noé
15. Requengá
16. Mãe das Raças
17. O Convite

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2013 | 2 MARES
com Luiz Salgado

01. Asas do Mar
02. Nossa Senhora da Guia
03. Tema Incidental Duas Ventarolas
04. Meu São Gonçalinho
05. São Gonçalo do Brasil. O Santo Que Mudou de Vida
06. Tema Incidental: Eu Subi Lá No Alto do Tempo
07. Vinde Meninas
08. Alegria da Criação
09. As Sete Mulheres do Minho
10. Tia Luzia, Tio José
11. Mineira
12. pena de Colibri
13. Tema Incidental: Sete Mulheres
14. Deusa da Lua
15. Folia de Reis
16. Grândola, Vila Morena

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2016 | CANTARIAR
21 Anos

01. Dois Sertões
02. Os Grilos São Astros
03. Encantado
04. O Canto das Águas Serenas
05. Fotossíntese
06. Roxa Cor da Saudade
07. Canteiros do Coração
08. Flor de Algodão
09. Vento Viajeiro
10. Além de Olinda
11. Canto Lunar
12. A Lua Girou
13. Canto Cego
14. Dia Santo
15. Teus Olhos

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Judee Sill


Nascida em Oakland, Califórnia, perdeu o pai, Milford "Bun" Sill, morto devido a uma pneumonia em 1952, e o irmão ainda bem jovem. Sua mãe, alcoólatra, se casou novamente com Ken Muse, responsável pela animação de Tom e Jerry. Judee nunca aceitou o fato de sua mãe ter se casado com ele. Ela não simpatizava com o jeito autoritário de Ken. Como que para vingança, passou a andar com turmas rebeldes, se envolveu com crimes e drogas (heroína). Correram boatos que Judee chegou a se prostituir para bancar o consumo de drogas. Foi presa uma vez, e na cadeia, conseguiu largar o vício.

Decidiu também começar a compor, era uma pianista e guitarrista talentosa. Ela foi influenciada em suas composições por Bach e Ray Charles.

Fez uma viagem de carro cruzando os EUA, com duas garotas, quando tinha 19 anos. Nessa viagem, obteve mais contato com o mundo musical. Quando voltou, conheceu David Geffen, que contratou Judee para gravar um disco pela sua nova gravadora - Asylum Records. Através de Geffen, Judee conheceu Graham Nash, que produziu o primeiro single para seu disco - "Jesus Was a Crossmaker".

Seu primeiro disco, de nome Judee Sill, foi aclamado pela crítica, mas era pouco comercializável.

Perfeccionista confessa, Judee podia levar um ano para escrever uma música. Algumas canções ficaram conhecidas por gravações feitas por outros artistas, como "Jesus Was a Crossmaker", que foi regravada pelo The Hollies, e "Lady-O", pelo The Turtles. O segundo disco, Heart Food, foi lançado em 1973. Infelizmente continha o mesmo problema que o primeiro, não conseguindo portanto muitas vendas.

Sua fama foi diminuindo, até que ela desapareceu quase que por completo do cenário musical. Não se tem certeza do que aconteceu depois, mas é certo que ela retornou para o vício da heroína, e também deve ter se envolvido com cocaína. Infelizmente, morreu de overdose em 23 de novembro de 1979, aos 35 anos.

Fonte | Wikipédia

1971 | JUDEE SILL

01. Crayon Angel
02. The Phantom Cowboy
03. The Archetypal Man
04. The Lamb Ran Away With The Crown
05. Lady-O
06. Jesus Was A Cross Maker
07. Ridge Rider
08. My Man On Love
09. Lopin' Along Thru The Cosmos
10. Enchaanted Sky Machines
11. Abracadabra
12. The Pearl (Original Version)
13. The Phoenix (Original Version)
14. Intro-The Vigilante (Live)
15. Lady-O (Live)
16. Enchanted Sky Machines (Live)
17. The Archeypal Man (Live)
18. Crayon Angels (Live)
19. The Lamb Ran Away With The Crown (Live)
20. Jesus Was A Cross Maker (Live)
21. Jesus Was A Cross Maker (Home Demo)

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1973 | HEART FOOD

01. There's a Rugged Road
02. The Kiss
03. The Pearl
04. Down Where the Valleys are Low
05. The Vigilante
06. Soldier of the Heart
07. The Phoenix
08. When the Bridegroom Comes
09. The Donor
10. Jig
11. The Desperado (Outtake)
12. The Kiss (Demo)
13. Down Where the Valleys are Low (Demo)
14. The Donor (Demo)
15. Soldier of the Heart (Demo)
16. The Phoenix (Demo)
17. The Vigilante (Demo)
18. The Pearl (Demo)
19. There's a Rugged Road (Demo)

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2005 | DREAMS COME TRUE

Disc 1
01. That's The Spirit
02. I'm Over
03. Apocalypse Express
04. The Living End
05. Things Are Lookin' Up
06. The Good Ship Omega
07. Last Resort
08. Til Dreams Come True
09. Living End (Studio Demo)
10. I'm Over (Studio Demo)
11. Til Dreams Come True (Instrumental)

Disc 2
01. Dead Time Bummer Blues
02. Sunny Side Up Luck
03. Emerald River Dance (Home Recording)
04. Waterfall
05. North County
06. Farmer's Daughter (The Chickens In The Garden)
07. The Wreck Of The FFV (Fast Flying Vestibule)
08. 500 Miles
09. Oh Boy The Magician (Instrumental)

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2007 | LIVE IN LONDON
The BBC Recordings 1972-1973

01. Jesus Was A Crossmaker
02. Lady-O
03. The Lamb Ran Away With The Crown
04. Enchanted Sky Machines
05. The Kiss
06. Down Where The Valleys Are Low
07. There's A Rugged Road
08. The Phoenix
09. The Donor
10. Soldier Of The Heart
11. Interview
12. Enchanted Sky Machines
13. The Kiss
14. Down Where The Valleys Are Low
15. The Phoenix
16. Jesus Was A Cross Maker
17. The Kiss
18. Down Where The Valleys Are Low

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Jurema | Mestiça


A historiadora, cantora e compositora Jurema Paes lança seu segundo disco, Mestiça, em que se apoia sem purismos em ritmos tradicionais brasileiros, como a chula e o maxixe. Batuques africanos se misturam a efeitos sonoros, samplers e outras técnicas de estúdio.

A produção do disco teve início em 2013, quando a cantora começou a juntar o repertório. Chegou a reunir mais de cem músicas. Dessas selecionou 11 composições dos autores Tiganá Santana, Elomar, Roberto Mendes, Nizaldo Costa, Marcos Vaz, Zeca Baleiro e Patrício Hidalgo. O cantor e compositor Elomar é antigo conhecido de Jurema, pois o pai da cantora, o também compositor Fábio Paes, é parceiro de Elomar de longa data. “Ele é como se fosse um tio de segundo grau”, conta Jurema. Do repertório do cantador estão em Mestiça as canções “Chula no Terreiro” e “Imbuzeiro”.

Assim como as de Elomar, as canções em Mestiça bebem nas tradições dos trovadores, em matrizes ancestrais. Jurema canta em inglês, espanhol, francês e quimbundo, língua natural de Angola usada por Tiganá Santana na sua composição “Nkongo”. Os arranjos misturam atabaques, melodias vocais com samples e técnicas de estúdio contemporâneas. “Maxixe e chula, Proteus e Pro Tools, cantos de trabalho, rodas de cantoria, partidos-altos, cidades baixas. Tudo está na música urdida por Jurema”, defende Zeca Baleiro, que participa do disco.

O álbum conta ainda com Chico César, Lenna Bahule, Letieres Leite e Tiganá Santana e foi gravado em São Paulo e mixado na Suécia, contato realizado por meio de Tiganá. Jurema diz que o trabalho de estúdio teve muita importância no resultado final, que aponta para uma nova sonoridade na música brasileira atual. “Os próprios produtores trabalham também com a engenharia de som. Esses profissionais estão buscando uma sonoridade do Brasil do século XXI”, diz.

Por | Itamar Dantas

2014 | MESTIÇA

01. Ogum de Ronda
02. Imbuzeiro (com Chico Cesar & Tiganá Santana)
03. Não Pedi
04. Nkongo (com Chico Cesar)
05. Le Mali Chez La Carte Invisible (com Tiganá Santana)
06. Fulorá
07. Elizabeth Noon
08. Água da Chuva
09. Maxixe Nagô
10. La Canã
11. Chula no Terreiro (com Zeca Baleiro)
12. Nkongo Remix (com Chico Cesar & Tiganá Santana)

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Linda Perhacs


Linda Perhacs lançou seu primeiro álbum em 1970, mas não conseguiu alcançar um bom exito nas vendas, o disco não recebeu tanta importância e foi esquecido no tempo.

Anos depois o Parallelograms foi redescoberto e ganhou popularidade graças ao surgimento da New Weird America e a Internet. Suas canções têm sido destaque em trilhas sonoras de muitos filmes, incluindo Daft Punk's Electroma.

Em dezembro de 2013, a Asthmatic Kitty Records anunciou para março de 2014 (44 anos apos o lançamento do Parallelograms) o lançamento do segundo álbum de Linda Perhacs.

The Soul Of All Natural Things foi gravado em 2012 e 2013, e contou com os produtores Fernando Perdomo e Chris Price. Outros colaboradores do álbum incluem Julia Holter e Ramona Gonzalez.

1970 | PARALLELOGRAMS

01. Chimacum Rain
02. Paper Mountain Man
03. Dolphin
04. Call Of The River
05. Sanday Toes
06. Parallelograms
07. Hey, Who Really Cares?
08. Moons And Cattails
09. Morning Colors
10. Porcelain Baked. Over Cast. Iron Wedding
11. Delicious
12. If You Were My Man (Demo)
13. If You Were My Man (Alternate Take)
14. Hey, Who Really Cares? (With Intro)
15. Chimacum Rain (Demo)
16. Spoken Intro To Leonard Roseman
17. Chimacum Rain (Demo)
18. BBC Interview (2005)
19. I Would Rather Love (Previously Unreleased)

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2014 | THE SOUL OF ALL NATURAL THINGS

01. The Soul Of All Natural Things
02. Children
03. River Of God
04. Daybreak
05. Intensity
06. Freely
07. Prisms Of Glass
08. Immunity
09. When Things Are True Again
10. Song Of The Planets

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Crosby, Stills, Nash & Young | Déjà vu


"A gente achava que podia mudar o mundo."
Graham Nash, 2002


Do livro: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

Para seu segundo álbum, David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash chamaram o amigo Neil Young, discípulo do Buffalo Springfield, que tinha acabado de lançar After The Gold Rush, um de seus trabalhos mais importantes.

Foram quase 800 horas de gravação, em circunstâncias nada auspiciosas. A namorada de Crosby, tinha morrido num acidente de carro em setembro de 1969 - e ele não se recuperou, buscando consolo na heroína. Bebidas e cocaína abundavam no estúdio; o grupo brigava o tempo inteiro - o bem-humorado Young vivia ausente - e Nash foi forçado a assumir o papel de pacificador. De algum jeito, eles acabaram fazendo uma obra-prima que captou o espírito da cultura da Costa Oeste dos Estados Unidos no início dos anos 70.

"Carry On" - como "Suite: Judy Blues", do álbum de estréia do CSN, em 1969 - é uma maravilha camaleônica, com harmonias arrepiantes, uma das melhores músicas já feitas para curar a ressaca na manhã de domingo. "Our House" e "Teach Your Children" comprovam o dom de Nash para fazer melodias simples e cativantes. "Almost Cut My Hair" traz Crosby em sua luta contra o autoritarismo, com sua voz gutural em contraponto às harmonias vocais puras, características do grupo. A majestosa "Helpless" é a homenagem de Young aos amplos espaços abertos de seu Canadá natal, enquanto "Country Girl" é uma peça admirável, com arranjos ambiciosos.

Com seus vocais incomparáveis, sua dinâmica musicalidade e a perfeita carpintaria das canções, não é de admirar que o álbum tenha sido catapultado ao primeiro lugar nos Estados Unidos.

1970 | DÉJÀ VU

01. Carry On
02. Teach Your Children
03. Almost Cut My Hair
04. Helpless
05. Woodstock
06. Deja Vu
07. Our House
08. 4 + 20
09. Country Girl
a. Whiskey Boot Hill
b. Down, Down, Down
c. Country Girl (I Think You’re Pretty)
10. Everybody I Love You

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David Bowie | A Trilogia de Berlim


Enquanto viveu na Alemanha, Bowie gravou três dos mais importantes discos de sua carreira.


A Trilogia de Berlim reúne os três discos que David Bowie gravou enquanto vivia na capital alemã. Ele trocou a Inglaterra e os EUA por Berlim para tentar se afastar das drogas, e também pelo interesse crescente pela música pré-eletrônica que então vinha sendo produzida no país (Kraftwerk, kraut rock, Neu!, Conny Plank). Lá, dividiu um apartamento com seu amigo Iggy Pop - outro que também precisava de "novos ares'.

Foi em Berlim que Bowie produziu juntamente com Tony Visconti e Brian Eno três álbuns clássicos de sua discografia: Low (77), "Heroes" (77) e Lodger (79). Durante este período extremamente fértil, ajudou Iggy a gravar seus dois primeiros discos solo (The Idiot e Lust For Life) e também excursionou com o cantor pela Europa e pelos EUA como seu tecladista e backing vocal em 1977. De todos os álbuns, apenas "Heroes" foi totalmente gravado na cidade, mas o termo "trilogia de Berlim" é usado pelo próprio Bowie para descrever esta época.

Esta transformação artística de Bowie já dava seus primeiros passos no álbum que precedeu a trilogia (Station To Station, 1976), onde seu novo personagem, o Thin White Duke (cujo nome "coincidentemente" era o alter-ego ideal para esta época cocainômana), desfilava influências do kraut rock aliados ao soul/funk de sua fase pós Ziggy Stardust/Alladin Sane.

(Nota: quem quiser conhecer a fundo esse período na carreira de Bowie pode comprar o livro Bowie in Berlin: A New Career in a New Town de Thomas Jerome Seabrook, ou o documentáro Under Review 1976-79 - The Berlin Trilogy que reúne entrevistas e vídeos raros desta fase, intercalados por críticas de especialistas). Vamos aos discos.

1977 | LOW | DOWNLOAD

"Sem o disco Low, nós não teríamos o Joy Division, o Human League, o Cabaret Voltaire e muito menos o Arcade Fire. A lenda ainda vive", profetiza um crítico do site Pitchfork Media.

A melhor forma de ouvir Low é em sua versão original, em vinil, dada a diferença de sonoridades e enfoque de cada lado do disco: o lado A é formado por canções pequenas e fragmentadas com influências que precediam o electro, o punk rock e a new wave, enquanto o lado B é composto apenas por longas faixas instrumentais - e é neste lado que o dedo mágico de Eno pesa mais forte.

Os vocais de Bowie ainda sentem os abusos cometidos por ele em seu até então recente vício em cocaína, e soam como gelo seco - o que não deixa ofuscar o brilho de canções como "Always Crashing in the Same Car" e "Be My Wife", dois grandes petardos de sua carreira. Low também acerta em cheio em outras faixas hoje consideradas clássicas como "Sound + Vision" e "Breaking Glass".

Embora requeira um audição mais cuidadosa, o lado B de Low mostra um Bowie amadurecido e ávido por mudanças. "Art Decade" e "Weeping Wall" são pura improvisação jazzy mesclada com os experimentos ambient de Eno, enquanto "Warszawa" explora a sensação vazia que Bowie sentiu ao visitar a cidade de Varsóvia em 1973 - sentimento este que percorre todo o disco, que se chamou Low justamente por causa dos altos e baixos que o músico sentia longe das drogas durante a gravação do mesmo.

Embora o álbum seguinte seja considerado pela maioria como o ápice da fase alemã de Bowie, este é um trabalho que merece todo o respeito, e sua experiência permanece atual.

1977 | "HEROES" | DOWNLOAD

O segundo álbum da trilogia é o que mais tem a cara da cidade, dividida em dois por um opressivo muro. Faixas como "Joe the Lion", "Beauty and the Beast" e "The Secret Life of Arabia" são, no mínimo, pontos altos de sua carreira.

Não há como ignorar uma faixa como "Heroes", uma de suas melhores criações até hoje. A velha história de dois jovens que se amam e que se encontrar através do muro de Berlim ganha força especial na voz desesperada e apaixonada de Bowie: a frase "nós podemos ser heróis, nem que seja por apenas um dia" resume tudo. Esta canção histórica ganhou várias versões ao longo dos anos, em especial a cantada por Debbie Harry e seu grupo Blondie.

O álbum possui algumas faixas instrumentais como "Sense of Doubt" e "Neuköln", ambas com um clima mais introspectivo e de guerra-fria, mas o restante do álbum projeta uma atitude muito mais positivista e esperançosa do que Low. "V2-Schneider" é uma bem humorada homenagem à Florian Schneider, um dos líderes do Kraftwerk. A faixa é marcada pelo saxofone intencionalmente fora de ritmo de Bowie, que começou a tocá-lo na hora errada mas, gostando do resultado final, resolveu continuar assim mesmo.

Um dado interessante é que o próprio Kraftwerk fez uma homenagem à dupla Bowie/Iggy em um de seus maiores clássicos, a faixa "Trans-Europe Express" (77), onde eles declamam os versos "From station to station / back to Düsseldorf City / Meet Iggy Pop and David Bowie".

Várias faixas de "Heroes" foram incluídas no filme Christianne F. (77), com Bowie interpretando ele mesmo na película. O compositor Phillip Glass recriou "Heroes" e Low com músicos de uma orquesta americana nos anos 90 em seus álbuns Heroes Symphony e Low Symphony.

Bowie conta que o nome do disco é escrito entre aspas para dar ênfase à ironia existente no conceito do que é heroismo.

1979 | LODGER | DOWNLOAD

O último álbum da trilogia foi gravado parte na Suíça, parte em Nova Iorque e tem uma sonoridade mais acessível dos que os outros dois, sem grandes viagens instrumentais e com uma veia pop bem mais carregada - ainda que sem perder o experimentalismo. Na época foi recebido friamente pela crítica e fez menos sucesso que Low e "Heroes", e hoje em dia é considerado um dos álbuns mais injustiçados do músico.

E não é pra menos: só a faixa "Boys Keep Swinging" (devidamente acompanhada do clipe em que Bowie aparecia "contracenando" com três hilárias personas-bowiescas travestidas) já vale metade do álbum, resgatando suas idéias sobre sexualidade e gênero de álbuns anteriores. Na mesma linha rocker, chega "Look Back In Anger", outro grande trabalho.

Lodger também tem aventureira e exótica, puxada por faixas como "African Night Flight" e "Yassassin (Turkish for Long Live)". A faixa "DJ" era uma bem humorada crítica ao universo dos disc-jockeys, e seu vídeo, dirigido por David Mallet (grande favorito de Bowie, trabalhando com ele em diversos outros) trazia o músico destruindo um estúdio de gravação.

Apesar de completar 30 anos, a trilogia berlinense causou efeitos em todas as gerações seguintes de músicos que escutaram estes discos, e até hoje se mostra relevante. Seja tirando experiências da própria vida que Bowie levava na época (a luta contra as drogas e a canalização do vício para uma produção criativa - crises tão comuns e viscerais) ou como influência sonora (sua esperta mistura de gêneros e sua vontade de brincar como experimentalismo), Low, "Heroes" e Lodger formam uma verdadeira trinca de ouro da música moderna que continuará inspirando músicos e artistas por muito tempo.

Por | Alisson Gøthz

George Harrison | All Things Must Pass


All Things Must Pass, primeiro álbum solo de George Harrison, e o primeiro após a separação da sua antiga banda. Foi também o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Lançado em 1970, o álbum é considerado por muitos críticos de música como o melhor trabalho solo de George Harrison e um dos melhores trabalhos solo de um ex-beatle.

A maioria das músicas foram escritas ainda na época dos Beatles, porém, acabaram não sendo aproveitadas. Chegou ao primeiro lugar nas paradas nos EUA e continha a música "My Sweet Lord", que também chegaria ao topo das paradas. Além desta, "What's Life" chegou ao 10º lugar. Continha ainda "I'd Had You Anytime" (composta com Bob Dylan), "Isn't a Pitty", "Wah-Wah" e a faixa título se destacam.

George Harrison tinha várias canções escritas que ele não havia conseguido colocar nos álbuns dos Beatles, considerando que elas disputavam espaço com as composições de Lennon e McCartney. George guardou as canções e, com o fim dos Beatles em 1970, acabou lançando-as em sua carreira solo.

Gravado entre maio e setembro de 1970, George convidou grandes amigos para participarem do álbum, entre eles Eric Clapton, o ex-beatle Ringo Starr, Bob Dylan, Billy Preston, Peter Frampton, membros da banda Badfinger e Phil Collins. O álbum foi lançado no mês de novembro.

O single principal de All Things Must Pass foi "My Sweet Lord", que se converteu logo em um grande êxito, alcançando o primeiro posto das paradas de sucesso a nível mundial e perdendo uma posterior pedido por suposto plágio da canção "He's So Fine" do grupo The Chiffons. Um juiz alegou que Harrison havia plagiado de forma não intencional a primeira canção, o que deu a George o argumento para escrever uma canção chamada "This Song" gozando do processo judicial. O álbum alcançou o quarto posto nas paradas britânicas e passou sete semanas em primeiro lugar nas norte-americanas, ganhando seis álbuns de platina. Em 2001, foi lançada uma edição remasterizada do álbum contendo uma nova versão para "My Sweet Lord".

1970 | ALL THINGS MUST PASS

CD 1
01. I'd Have You Anytime
02. My Sweet Lord
03. Wah-Wah
04. Isn't It A Pity (Version 1)
05. What Is Life
06. If Not For You
07. Behind That Locked Door
08. Let It Down
09. Run Of The Mill
10. I Live For you
11. Beware Of Darkness
12. Let It down
13. What Is Life
14. My Sweet Lord (New Version)

CD 2
01. Beware Of Darkness
02. Apple Scruffs
03. Ballad Of Sir Frankie Crisp (Let It Roll)
04. Awaiting On You All
05. All Things Must Pass
06. I Dig Love
07. Art Of Dying
08. Isn't It A Pity (Version 2)
09. Hear Me Lord
10. It's Johnny's Birthday
11. Plug Me In
12. I Remember Jeep
13. Thanks For The Pepperoni
14. Out Of The Blue

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Ceumar

"Meu nome é Ceumar, nome inventado pela minha mãe. Já vi homem com este nome, também vi escrito com L no meio. Com S eu não conto, não tem o sentido de firmamento. Meu objetivo na vida é ser tão simples como são o céu nosso de todo dia e o mar que a gente vai curtir no verão. Mesmo que a natureza vá variando à seu gosto, o céu e o mar estão sempre no lugar... A música, pra mim, às vezes é barco, às vezes asa-delta, e faz da vida um deleite!!"

Em um mercado viciado em clonar produtos de sucesso Ceumar é uma bem vinda estranha no ninho. Sua voz especialíssima é digital própria, personalíssima, aliada uma escolha criteriosa especial; não tem igual. Agora, em seu quarto trabalho e nove anos depois de sua estréia fonográfica, Ceumar mostra que além de intérprete especial também é (ótima) compositora.

Ceumar vem de Minas Gerais. E essa informação, mais do que localizar geograficamente, diz muito sobre sua música e seu jeito de criar/cantar. Em São Paulo encontrou afinidades artísticas com Zeca Baleiro (produtor de seu primeiro trabalho), Dante Ozzetti, Gero Camilo e Kléber Albuquerque entre outros. Por aí ficam as dicas das intenções artísticas da cantora. Mas para entender a mágica da música de Ceumar precisa (e deve, por deleite) conhecer, ouvir, mergulhar nesse universo só dela.

A música de Ceumar tem um lado lúdico, repleto de sutilezas próprias da grande artista; brincadeira de gente grande que sabe ser simples e sofisticada ao mesmo tempo.

por: Beto Feitosa

1999 | DINDINHA

01. Dindinha
02. Banzo
03. Galope Rasante
04. Cantiga
05. Maldito Costume
06. As Perigosas
07. Boi de Haxixe
08. Rosa Maria
09. Geofrey, A Lenda do Ginete
10. Gírias do Norte
11. Pecadinhos
12. Olha Pro Céu
13. Let It Grow

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2003 | SEMPRE VIVA

01. Prenda Minha
02. Boca Da Noite
03. O Seu Olhar
04. Parede-Meia
05. Outra Era
06. Avesso
07. Joelmir Betting, A Canção
08. Onde Qué
09. Lá
10. Vira Lixo
11. Maravia
12. São Genésio
13. Rãzinha Blues

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2006 | ACHOU!
com Dante Ozzetti

01. Prá Lá
02. Partidão
03. Achou!
04. Alguém Total
05. Alto Mar
06. Parei Querer
07. Parte B
08. Saia Azul
09. Visões
10. A Tardinha
11. Praga
12. Lenha na Quentura

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2009 | MEU NOME

01. Reinvento
02. Parque da Paz
03. Planeta Coração
04. Nariz do Palhaço
05. Jabuticaba Madura
06. Samba Prá Fabi
07. Gira de Meninos
08. Oiá
09. Mãe
10. Meu Mundo
11. Nada Combinado
12. Mochilinha de Porquês
13. Um Dia de Chuva
14. Dança
15. Meio Bossa
16. Feliz e Triste
17. Oração do Anjo
18. A Comadre
19. Maracatubarão
20. Ciranda

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2010 | LIVE IN AMSTERDAM

01. Oração do Anjo
02. Banzo
03. Dindinha
04. Iá Iá
05. Jabuticaba Madura
06. Pecadinhos
07. Dança
08. Gírias do Norte
09. Gira de Meninos
10. Applause

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2014 | SILENCIA

01. Rio Verde
02. Liberdade
03. Encantos de Sereia
04. Chora Cavaquinho
05. Penhor
06. Levitando
07. Engasga Gato
08. Justo
09. Segura O Coco
10. Quem É Ninguém
11. Navegador
12. Turbilhão
13. Silencia

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Morphine


Morphine é uma banda alternativa de Massachussets. ‘Morphine’ é uma raridade. Em vez de riffs de guitarra, o trio conta com o vocal e o baixo de Mark Sandman, o saxofone de Dana Colley e a bateria de Billy Conway. ‘Morphine’ é representante do gênero ‘low rock’ lançado por Mark Sandman em 1980, que combina blues e elementos de jazz com os mais tradicionais arranjos de rock, dando à banda um som incomum.

1992 | GOOD | DOWNLOAD

A guitarra é, de fato, ausente, e o som é minimalista. No entanto, a revista ‘Rolling Stone’ descreve o som como ‘um blues urbano dos anos cinquenta de Muddy Waters e John Lee Hooker e uma dose saudável de rockabilly’. A primeira banda de ‘low rock’ foi ‘Hypnosonics’ composta por Sandman e os saxofonistas Russ Gershon e Dana Colley.

Outra banda pioneira do ‘low rock’ foi ‘Treat Her Right’, também composta por Sandman. Mas, foi ‘Morphine’ que definiu o gênero.

1993 - CURE FOR PAIN | DOWNLOAD

Durante os anos 90, ‘Morphine’ foi consideravelmente cultuada nos Estados Unidos com críticas positivas. Formada por Mark Sandman, que já havia tocado com a banda de rock alternativo ‘Treat Her Right’, e Dana Colley membro do grupo de Boston ‘Three Colors’ e o baterista Jerome Dupree, o grupo lançou seu álbum de estréia, ‘Good’, em 1992, por uma etiqueta independente.

1995 - OPHIUM | DOWNLOAD

Mark Sandman desde o primeiro álbum causou estranheza, mas, principalmente, manifestações de admiração por parte da crítica. Na ‘Treat Her Right’, Sandman tocava uma guitarra convencional de seis cordas, mas através de um pedal de efeitos o som do instrumento parecia mais como um baixo.


1995 - YES | DOWNLOAD

Em ‘Morphine’ ele mudou para um baixo convencional, e todas as notas que ele precisava para tocar estavam em uma única corda. Tempos depois ele tocava um contrabaixo de duas cordas como uma guitarra slide. Mais tarde, ele acrescentaria uma terceira.



1997 - LIKE SWIMMING | DOWNLOAD

Após o lançamento do álbum, ‘Good’, Dupree deixou a banda e foi substituído por Billy Conway, que já havia tocado com Sandman no ‘Treat Her Right’. O segundo álbum, ‘Cure for Pain’, com uma extensa turnê americana e européia vendeu mais de 300.000 cópias, um feito impressionante para um lançamento independente.


1997 - B-SIDES AND OTHERWISE | DOWNLOAD

Em 1995, ‘Morphine’ lançou seu terceiro álbum, ‘Yes’, que também recebeu críticas favoráveis e ajudou a banda a manter o seu status de cult. Utilizando uma linha musical incomum, mais próxima do jazz, os álbuns de ‘Morphine’ têm uma intensidade e um peso notáveis, sempre ancorados na sonoridade incomum do baixo de Sandman e no virtuosismo de Colley que, em alguns momentos, a exemplo de Roland Kirk, tocava dois saxes ao mesmo tempo.

2000 - BOOTLEG DETROIT | DOWNLOAD

Como o nome da banda sugere, o efeito é desorientador, e é totalmente viciante. Ouvir uma música de ‘Morphine’ é ouvir algo que está bastante afastado do pop e do rock. Além de ‘low rock’ o som de ‘Morphine’ às vezes é chamado de ‘beat noir’ em referência ao seu jazzy que nos faz sentir estar em um bar enfumaçado e cheio de intrigas.


2000 - THE NIGHT | DOWNLOAD

Sandman chegou a morar muitos anos no Brasil, entre Pernambuco e Rio de Janeiro, e dizia-se grande admirador da música brasileira. Em 3 de julho de 1999, Sandman desabou no palco durante uma apresentação em Roma, morrendo de um ataque cardíaco aos 47 anos de idade.


2003 - THE BEST OF MORPHINE 1992-1995 | DOWNLOAD

Mark Sandman estava especialmente empolgado, pois havia decidido, finalmente, incorporar mais uma corda ao seu baixo. A apresentação foi postumamente lançada no início do ano seguinte e ao vivo no disco ‘Bootleg Detroit’. O álbum ‘The Night’ foi terminado dias antes de Sandman desabar no palco e ser declarado morto à chegada em um hospital local.


2004 - SANDBOX: MARK SANDMAN ORIGINAL MUSIC
DOWNLOAD | Pt. 1 | Pt. 2 | Pt. 3

‘The Night’ parece um epitáfio apropriado. Teclados, violino, violoncelo e contrabaixo, guitarras acústicas e elétricas são reproduzidos no álbum. O baterista Deupree está de volta, e toca em conjunto com Conway. ‘The Night’ pode ter sido a obra final de Mark Sandman, mas não foi a última palavra sobre seu legado.

2009 - AT YOUR SERVICE | DOWNLOAD

No final de 1999, os membros sobreviventes de ‘Morphine’, Conway, Colley, e Deupree formaram o ‘Morphine Orchestra’, uma big band que percorreu o país, tocando a música de Sandman.



Texto retirado de | Pintando Música

Cream


Durante um período, mais precisamente na época conhecida pela expressão inglesa “late 60’s early 70’s”, se alguém mencionasse o termo supergrupo, certamente estaria se referido ao Cream. Claro que com o passar dos anos e com a reunião de diversos grandes nomes em outros grupos, essa definição foi aplicada também à várias outras bandas. Mas com o Cream podemos é um pouco diferente, já que a definição provavelmente surgiu por causa deles mesmo. O próprio nome da banda já ajudava a determinar essa idéia de supergupo, afinal os caras se achavam, e o público assentia, o creme de la creme, a nata, o suprasumo do mundo da música. E de certa forma eles não estavam errados.Jack Bruce e Ginger Baker tinham o respeitável título de ex-Graham Bond Organization. Para quem sabe o que era o grupo liderado pelo gordinho Bond sabe que isso é algo grandioso. Bruce também tinha feito parte do Manfred Mann. Já Eric Clapton era “só” chamado de Deus nessa época e já tinha passado por Yardbirds e John Mayall’s Bluesbreakers.

1992 | THE ALTERNATIVE ALBUM 1966-1967 | DOWNLOAD

A ideia dos membros quando se juntaram, segundo o próprio Clapton, era usar o blues de raiz e levá-lo até um novo tipo de música pop com a ambiciosa intenção de fazer um estilo que ninguém tinha feito antes. Se eles conseguiram tudo isso ou não cabe o leitor dizer no final desse texto. O certo é que o Cream foi sinônimo de pirotecnia musical (ótima definição de Bento Araújo da Poeira Zine) em sua época, foi muito relevante e fez história gravando em cerca de três anos um material de tanta relevância que muitas bandas tentaram, e muitas ainda tentam, por anos, anos e anos.

Por | Fernando Bueno

1966 | FRESH CREAM | DOWNLOAD

Como já citado acima o Cream era basicamente um grupo de blues tocando rock e para deixar isso bem claro nada menos do que quatro das onze faixas do álbum são versões de grandes nomes do blues como Willie Dixon, Robert Jonhson, Muddy Waters e Skip James. Notamos que o encontro de músicos especialistas em seus instrumentos afetava até mesmo as letras que eram um pouco trabalhadas. Notem quantas músicas que foram feitas com apenas algumas frases, “I’m So Glad”é um ótimo exemplo. Porém mesmo com letras pobres tínhamos ótimas melodias vocais com é o caso do início de “I Feel Free” e “N. S. U.”. O primeiro single foi exatamente “I Feel Free” e o curioso é que mesmo uma música relativamente curta (2:45) foi considerada longa por um DJ de uma rádio novaiorquina que ajudou os caras no início. Tirando as versões, as outras músicas foram todas compostas por Jack Bruce sozinho ou em parceria com outros músicos. Apenas “Toad” foge à regra já que a faixa nada mais é do que um longo (alguém aí pensou desnecessário?) solo de Ginger Baker. Muitos comentam este ser um dos primeiros solos de bateria gravado por uma banda de rock. “Sleepy Time Time” é um blues composto por Bruce que faria inveja à qualquer músico do auge da Chees Records. Em “Dreaming” todas as vozes se juntam para fazer uma belíssima composição. As versões ficaram ótimas em especial “Spoonful” com a gaita fazendo o papel principal. Para finalizar uma pergunta: só eu que acho o Jack Bruce parecidíssimo com o Greg Lake nessa foto da capa?

1967 | DISRAELI GEARS | DOWNLOAD

Pergunte para dez pessoas qual é o melhor disco do Cream e nove delas responderá Disraeli Gears. O blues rock do grupo continua intacto, mas agora temos a adição de um timbre de guitarra mais ácido. O disco foi lançado em novembro, poucos meses depois da real data planejada para o lançamento. A causa disso foi que a gravadora decidiu mudar a capa de última hora e o resultado final demorou um pouco mais do que o esperado. A intenção da gravadora com essa capa multicolorida era ligar a banda ao movimento psicodélico que estava em seu auge nesse ano. Claro que musicalmente o disco já estava ligado à esse movimento, assim a capa foi para deixar isso claro e aproveitar o sucesso. As guitarras após o refrão de “Dance the Night Away” parece ter saído de um disco do Pink Floyd da época de Syd Barret. Outra que me lembra muito do Diamante Louco, mas nesse caso dos seus discos solos, é “Blue Condition”. O maior hit da banda, “Sunshine of Your Love”, é a segunda faixa do álbum e é obviamente um dos seus destaques. Mas não posso deixar de citar “Strange Brew” que faz você cantarolar sua melodia por muito tempo depois do álbum acabar. Jack Bruce detona tanto na voz quanto no baixo em “Tales of Brave Ulisses” e em “Swlabr”. Eric Clapton já contribuiu muito mais para o resultado do álbum do que fez (ou não fez?) para o primeiro. Em sua biografia ele conta que Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band foi muito importante para o resultado final de Disraeli Gears, pelo menos para ele. Ele também menciona que o lançamento de Are You Experienced? por Jimi Hendrix ofuscou o disco deles porque todo mundo queria ouvir o americano. Lembra das músicas dos filmes do Monthy Python? É o que temos em “Mother’s Lament”, canção tradicional da cultura inglesa arranjada pela banda. Disco essencial em toda prateleira rockeira.

1968 | WHEELS OF FIRE | DOWNLOAD

Com o lançamento de Wheels of Fire e os shows que o promoveram principalmente nos Estados Unidos o Cream já estava sendo comparado aos Beatles e The Who. Como já haviam feito no álbum anterior eles alargaram as fronteiras musicais novamente. Alguns instrumentos foram gravados por Feliz Pappalardi, produtor da banda e que no futuro iria fazer parte do Mountain. Eles ainda se baseiam na forma estrutura do blues, mas também flertam com o jazz. Basta notar que o andamento de algumas faixas já são diferentes dos que nos acostumamos à ouvir nos dois álbuns anteriores. A abertura com “White Room”, uma das melhores faixas da banda, já ganha o ouvinte e mesmo se tudo o que viesse depois não fosse bom ninguém se importaria. Falo isso porque existem músicas abaixo da crítica nesse álbum. Duas delas eu ouço porque não costumo passar músicas e gosto de ouvir o álbum todo: “Pressed Rat and Warthog” e “Politician”, mesmo essa última sendo lembrada sempre em shows. Falando em shows, o segundo disco com as quatro músicas ao vivo é difícil de classificar. Que a banda era fantástica de se ver ao vivo não há dúvida, mas será que isso fica tão legal assim em um disco? “Croosroads”, de Robert Jonhson, tem uma versão ótima e para mim definitiva. As conhecidas, e longuíssimas, jams que a banda levava ao vivo tem alguns exemplo aqui. É até interessante ouvir “Spoonful” já que todos têm a chance de aparecer, mas não dá para entender a necessidade de um solo de 10 minutos de bateria, em “Toad”, fazer parte de um disco ao vivo que tem apenas 4 faixas.

1969 | GOODBYE | DOWNLOAD

Não citei os casos de drogas e das intermináveis brigas internas que eles tinham dentro da banda já que o foco aqui é analisar e comentar os álbuns. Porém quem pegar Goodbye sem saber dessas histórias vai se enganar pela aparente alegria apresentada na foto da capa e não vai entender porque um disco oficial tem apenas três músicas e mais três músicas gravadas ao vivo. E a resposta é que o grupo decidiu se separar e lançar a raspa do tacho das músicas que tinham e como não eram tantas incluíram algumas gravações ao vivo. Das três a que mais se destaca é “Badge”, uma parceria de Clapton com o amigo (e sócio?) George Harrison. “Doing That Scrapyard Thing”, que parece ter saído do Ogdens’ Nuts Gone Flake do Small Faces, é mais uma das diversas parcerias entre Jack Bruce e o letrista e poeta Pete Brown durante toda a carreira do Cream. Já “What A Bringdown” se não é uma canção muito lembrada da discografia do Cream faz valer a pena em adquirir um disco com apenas três faixas inéditas. Das músicas ao vivo tanto “I’m So Glad” quanto “Sitting on The Top of the World” são boas performances. Porém “Politician” não consegue a minha atenção nem em estúdio em Wheels of Fire nem ao vivo em Goodbye. Clapton diz que na época ele conheceu o The Band e seu fantástico álbum Music From Big Pink. Ele diz que ouviu o grupo e pensou “ali está uma banda que faz a coisa certa”. No fim quem segurou um pouco as pontas foi Stigwood, empresário da banda, que começou a receber ligações diárias de Clapton em que dizei “me tire daqui por favor” e ele respondia “fique mais uma semana”, até não ter jeito e a banda acabar de vez.

1970 | LIVE CREAM
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Após o fim da banda a gravadora ainda soltou dois discos ao vivo nos anos seguintes: Live Cream (1970) e Live Cream Volume II (1972). Cada um dos integrantes seguiria seu caminho separados se não fosse o encontro que Ginger Baker teve com Eric Clapton justamente quando ele estava prestes a formar o Blind Faith com Steve Winwood. Baker acabou entrando na barca.

1972 | LIVE CREAM II
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Com o fim do Blind Faith Clapton montou o Derek and the Dominoes e depois seguiu uma carreira solo de sucesso. Ginger Baker montou o Ginger Baker’s Airforce com uma seleção fantástica de músicos. Jack Bruce participou de outro super grupo o West, Bruce and Laing e depois também seguiu uma subestimada carreira solo.

2003 | BBC SESSIONS
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Em 2003 saiu um álbum com o nome de BBC Sessions que muitos outros artistas já fizeram parecido. Particulamente acho esse CD bem interessante para quem quer ter a discografia de estúdio e mais alguma coisa da banda.

2005 | LIVE AT ROYAL ALBERT HALL
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Em 2005 uma reunião de pouco shows do Cream ocorreu e aconteceu no famosíssimo Robert Albert Hall e também é material que vale muito a pena ter na sua prateleira de discos.