sábado, 30 de março de 2019

Inox


Surgida em 1985 durante o "boom" do rock brasileiro dos anos 80, era formada por Rolando Castello Junior (bateria, ex- Patrulha do Espaço), Fernando "The Crow" Costa (guitarra e teclados), Paulo Toledo (vocal, ex- VJ do programa Som Pop da TV Cultura, também conhecido como Paulinho Heavy) e Ségis Capuano (baixo).

Paulo Toledo era assessor de imprensa na gravadora Odeon, em São Paulo. Nas horas vagas da noite, cantava em grupos de rock como o Hot Stuff que fazia covers de Deep Purple e Led Zeppelin. Ségis - com formação clássica em violoncelo e baixo acústico - e Fernando formavam o grupo de rock progressivo Quantum, que gravou um LP independente com o baterista Rolando Castello Júnior - ou simplesmente Júnior -, da Patrulha do Espaço. Júnior já estava na estrada há muito tempo, tendo passado por algumas das melhores e mais marcantes bandas de rock paulistas, entre elas o Made In Brazil. Paulo era o amigo comum de todos. Em 1985, formaram a banda Inox.

Em 1986, assinaram contrato com a gravadora Epic e lançaram o LP com o mesmo nome da banda, Inox, que foi produzido por Luis Carlos Maluly, que também produziu o LP Revoluções por Minuto, do RPM. O LP possui oito canções, sendo sete composíções próprias e uma versão em português da música "Nuclear Attack", de Gary Moore. O crítico Leopoldo Rey chegou a dizer em sua análise na revista Bizz, n° 14, de setembro de 1986 que "Se as letras fossem em inglês: o grupo passaria perfeitamente como estrangeiro. Eles conseguiram conciliar letras em português com o rock, tornando as interpretações audíveis" e acrescentou que "É um som pesado de cidade grande, falando de asfalto, motores, gatas, cabelões e gente insatisfeita com as coisas atuais".

A Epic optou por não lançar um novo álbum embora a banda já tivesse iniciado os trabalhos de gravação. Até hoje não se sabe o motivo pelo qual a gravadora não quis continuar com o grupo. Na opinião do baterista Júnior, "no Brasil nunca existiu muito espaço para as bandas boas e de rock pesado nos anos 70 e 80, somente nos anos 90 com bandas como Raimundos é que o gênero conseguiu se estabelecer no maistream e esse ficou sendo o padrão estabelecido para o gênero".

Em 2011, Paulo foi convidado a participar dos vocais ao lado de outros artistas da música- tema do documentário Brasil Heavy Metal com lançamento nesse mesmo ano.

Texto | Wikipédia

1986 | INOX

01. Ranger
02. Mensageiro do Prazer
03. Fricção
04. Bios Afins
05. Regulando Mixaria
06. Nuclar Attack
07. Balaio de Gatas
08. Doce Poder

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Tiganá Santana


Ali: uma proposta. Sutil e misteriosa como sua "capa"; transcendente, envolvente, concreta como sua música. Voz do lugar da inspiração comungando com outras. Acerto de contas, neste tempo, da criação entre baianos no campo artístico do mundo. A imagem do som. Uma certa rascância no falar de Deus. O corpo que dança. O som.

Ali, misto de ar no planeta água, não há o que encontrar... Tudo se exerce na auditiva construção. O interno como repetição para se ter luz no caminho. Não há geografia nesta luminária africana. O som. O que não se diz em idiomas e por isso, assim, todos alcançam. Elevação que é mercado. Mercado que é intransição. Fagulhas sonoras de uma filosofia. Pedra que inicia para o pó que destitui. Linguagem do amor. Novidade no passado. Instante sem futuro. Ali, aqui, agora.

Texto | Marlon Marcos

2012 | THE INVENTION OF COLOUR

01. Encarnacões em Kodya
02. Elizabeth Noon
03. Suite (Ogum de Ronda–Katende–Mukongo)
04. Black Woman (feat. Ane Brun)
05. Diálogo
06. La Leyenda de los Eslabones (feat. Mayra Andrade)
07. Lusuki
08. The Invention of Color (feat. Maher Cissoko)
09. Mama Kalunga

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domingo, 24 de março de 2019

Tom Waits


Durante o início dos anos 1980, Tom Waits foi abandonando aos poucos seu estilo piano jazz com baladas do início de carreira para algo experimental e completamente fora de mão das rádios pop, principalmente pelo uso de instrumentos variados para fazer os mais tipos de combinação dentro de uma letra. Poucos músicos famosos deram uma guinada dão drástica na carreira como ele.

A vida de Waits começou a mudar em Swordfishtrombones, de 1983, um de seus grandes trabalhos. Ao deixar a gravadora Asylum e ir para Island, o experimentalismo só aumentou. O auge desse novo direcionamento foi Rain Dogs, colocado no mercado dois anos depois, um disco experimental sobre a cidade de Nova York.

Já que era um LP sobre uma cidade, nada melhor do que escrevê-lo enquanto passeia por ela, certo? Foi o que ele fez por dois meses, período em que virou Manhattan de ponta cabeça para tentar desvendar as nuances e ver algo despercebido por outras pessoas na cidade. Nesses passeios, ele também gravou sons da cidade para serem inseridos nas canções. A intenção era clara: um trabalho nada convencional sobre uma das metrópoles mais conhecidas do mundo.

O trabalho em estúdio espantou todos que estavam o acompanhando pela primeira vez. Waits não se contentava em encontrar soluções simples para os problemas. Por exemplo, para fazer um determinado tipo de barulho, ele ia por caminhos nada convencionais, enquanto o engenheiro de som dizia “desse jeito [fazendo o som] é mais fácil, não?”. Poderia até ser, mas Waits não é um cara muito convencional. Ele queria conseguir as coisas do seu jeito, no seu tempo.

Outro momento fora da curva era o momento de apresentar as demos aos músicos de estúdio. Nada de levar um gravador com algo feito em casa, ele apresentava as versões no violão na hora e discutia com todos o que deveria ser feito. Tampouco se incomodava se algo dava errado, ele pedia para prosseguir até o fim e preferia ouvir o resultado antes de tecer algum julgamento. A participação especial fica por conta de Keith Richards, dos Rolling Stones, que toca em três canções ("Big Black Mariah", "Union Square" e "Blind Love").

Rain Dogs não é um nome muito convencional para um disco, o próprio cantor explica a escolha: "O cães na chuva perdem o caminho de casa, porque, depois que chove, cada lugar em que ele fez xixi em foi lavado... Eles vão dormir pensando que o mundo é um caminho, e eles acordam e alguém mudou os móveis". A capa mostra um marinheiro muito parecido com Tom Waits sendo consolado por uma prostituta. A foto é simples, mas ganhou o mundo pela disposição das palavras, uma cópia fiel do primeiro disco de Elvis e da estreia do Clash em estúdio, e pela pose dos fotografados.

Lançado em 30 de setembro de 1985, o disco fracassou na parada americana ao chegar apenas na posição 188, mas foi bem na Inglaterra, onde atingiu o top-30. Se o público não entendeu direito o trabalho, a crítica adorou. Recentemente, o álbum foi eleito um dos mais importantes dos anos 1980, momento em que Tom Waits estava cada vez mais experimentando e cada vez mais focado em fazer coisas fora do comum.

Texto | Fagner Morais

1985 | RAIN DOGS

01. Singapore
02. Clap Hands
03. Cemetery Polka
04. Jockey Full of Bourbon
05. Tango Till They’re Sore
06. Big Black Mariah
07. Diamonds & Gold
08. Hang Down Your Head
09. Time
10. Rain Dogs
11. Midtown
12. 9th & Hennepin
13. Gun Street Girl
14. Union Square
15. Blind Love
16. Walking Spanish
17. Downtown Train
18. Bride of Rain Dogs
19. Anywhere I Lay My Head

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quinta-feira, 21 de março de 2019

Tracy Chapman


Considerado pela Revista Rolling Stones com um dos 100 melhores discos dos anos 80, o álbum de estreia de Tracy Chapman, foi lançado pela Elektra Records em 1988 e se tornou um grande sucesso comercial e de crítica.

Com sua voz inconfundível e visão social e política de suas letras, foi um álbum que realmente se destacou, produzindo enormes sucessos como Fast Car e Talkin 'Bout a Revolution e vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo.

1988 | TRACY CHAPMAN

01. Talkin' Bout a Revolution
02. Fast Car
03. Across the Lines
04. Behind the Wall
05. Baby Can I Hold You
06. Mountais o' Things
07. Shes Got Her Ticket
08. Why?
09. For My Lover
10. If Not Now
11. For You

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segunda-feira, 18 de março de 2019

André Christovam


André Christovam é um guitarrista, compositor e cantor brasileiro. O músico é considerado um dos pais do blues no cenário musical brasileiro.

André estudou música no Guitar Institute of Los Angeles (GIT) nos anos 1980. Ao retornar ao Brasil, trabalhou com os mais importantes artistas brasileiros e internacionais em passagem pelo país, participando de bandas como "[Fickle Pickle", Kid Vinil & Os Heróis do Brasil, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Raul Seixas e Marcelo Nova. No final dos anos 1980, decide gravar seu primeiro trabalho solo com o álbum "Mandinga", em 1989.

Na década de 1990, o guitarrista participou como sideman da turnê do gaitista Sugar Blue, e da gravação do show do bluesman Taj Mahal para a serie "Heineken Concerts", além de gravar um CD em Chicago, "The 2120 Sessions" com o vocalista "Big Voice Odom" e membros da banda de Junior Well.

André conta com cinco álbuns de sua autoria.

Texto | Wikipédia

1989 | MANDINGA

01. Sebo Nas Canelas
02. Confortável
03. Duvido (Mas Tô Tentando)
04. Blind Dog
05. Mandinga
06. So Long Boemia
07. Genuíno Pedaço Do Cristo
08. Dados Chumbados
09. Palhaço De Gesso

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1990 | A TOUCH OF GLASS

01. Wolf & Sheep
02. Leave My Money Alone
03. The Stumble
04. Santa Cecília
05. Love Jar Blues
06. Edo
07. Flag Pole
08. Tintagel
09. One Kind Favor
10. Oh! Captain My Captain
11. Brown Candles
12. Oh! Captain My Captain

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1991 | THE 2120 SESSIONS

01. Lighthouse
02. Spear Dance
03. Don’t Ever Leave Me
04. Calliope
05. Hard Times Killing Floor
06. Bad Feeling
07. Don’t Tell Me (What You’ve Been Doing)
08. Made Up My Mind
09. Reverend Of High Sierras
10. I’ve Got A Feling (I Have The Blues)

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1996 | MISSISSIPI SAXOPHONE
(Bruce Ewan e André Christovam)


01. Koo Zow Stomp
02. Eyesight To The Blind
03. Black Night
04. Chekin' On My Baby
05. Shake Your Boogie
06. I Wish You Would
07. My Love Is Here To Stay
08. San-Ho-Zay
09. Mean Old Train
10. Money, Marbles & Chalk
11. I Got To Go
12. Pretty Baby
13. Tough Times
14. Chitlin' Con Carne

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1997 | CARTHASIS

01. The Leading Bran
02. Every Night And Every Day
03. Snowy Wood
04. I Like It This Way
05. Sad Hours
06. Hell Is Fine With Me
07. Doctor’s Cage
08. Me & My Woman
09. Ain’t No Sunshine
10. Chewing Bone Blues
11. Bobby Is Asleep
12. No Expectations

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2002 | BANZO

01. Voando Pra Mali
02. Sete Velas
03. Shoiti
04. Camilo e Leonor
05. Cuba Libre
06. Correnteza Levou
07. A Dança De Olokum
08. Como Roubar O Coração De Uma Mulher
09. Ziquizira
10. Um Passo De Cada Vez
11. Rito De Passagem
12. Redenção

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sexta-feira, 15 de março de 2019

The Temper Trap


The Temper Trap é uma banda de rock alternativo australiana formada em 2005, mas o sucesso só veio em 2009 com o single "Sweet Disposition", extraído do seu álbum de estreia "Conditions". Eles são conhecidos por seu som atmosférico, com guitarras e um grande conjunto de ritmos pulsantes. É pouco conhecida no Brasil, mas possui muito apreço por artistas brasileiros pois muitos se baseiam em seus ritmos e alguns acordes são imitados em diversas músicas.

The Temper Trap nasceu em 2005 em Melbourne na Austrália, seus singles eram frequentemente usados para publicidade e cinema, o single "Science of Fear" foi incluída na trilha sonora do jogo FIFA 10, enquanto o single "Sweet Disposition" está presente no jogo Pro Evolution Soccer 2011, no trailer e trilha sonora do filme "(500) Days of Summer" e na banda sonora do filme de surf "Scratching the Surface". No jogo Test Drive Unlimited 2(2011), está presente a música "Fader" em sua trilha sonora.

A banda atraiu a atenção da indústria fonográfica em todo o mundo depois de tocar para multidões do sell-out no Musexpo em Londres em outubro de 2008, e depois no South by Southwest em março de 2009.

Em março de 2009 terminam de gravar seu primeiro álbum, "Conditions", produzido por Jim Abismo, produtor de artistas como Arctic Monkeys e Kasabian. O álbum foi lançado na Austrália 19 de junho de 2009, estreando na nona posição das paradas Austráliana, o álbum foi lançado no Reino Unido a partir de 10 de agosto do mesmo ano. Mais tarde a banda se mudou para Londres, onde exerceram a sua primeira turnê pelo Reino Unido. Eles também tocaram na Alemanha, com uma série de concertos lotados. O álbum "Conditions" é uma contaminação de vários gêneros, que vão desde o indie, rock alternativo, pop e música eletrônica.

A música dos The Temper Trap tem influência principalmente de artistas como U2, Radiohead, Massive Attack e Prince. The Temper Trap chegou ao seu nome a partir da combinação da sua música favorita ‘The Lady Is A Tramp” e seu filme favorito “The Parent Trap”.

A banda assinou contrato com a Infectious Records em todo o mundo, exceto para a Austrália e os Estados Unidos. Na Austrália, o grupo assinou com o selo de Michael Gudinski Liberation Music, e nos Estados Unidos The Temper Trap é assinado para Glassnote Records.

Texto | Wikipédia

2006 | THE TEMPER TRAP EP

01. Sirens
02. My Sun
03. Peter Parker's Alter Ego
04. Sunday Painter
05. Little Boy
06. Hearts



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2009 | CONDICTIONS

01. Love Lost
02. Rest
03. Sweet Disposition
04. Down River
05. Soldier On
06. Fader
07. Fools
08. Resurrection
09. Science of Fear
10. Drum Song

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2012 | THE TEMPER TRAP

01. Love Lost
02. Rest
03. Sweet Disposition
04. Down River
05. Soldier On
06. Fader
07. Fools
08. Resurrection
09. Science of Fear
10. Drum Song


2012 | SCIENCE OF FEAR (RADIO SESSIONS)

01. Love Lost (Transmissions Session, June 2010)
02. Sweet Disposition (Transmissions Session, June 2010)
03. Fader (Transmissions Session, June 2010)
04. Science Of Fear (Transmissions Session, June 2010)
05. Sweet Disposition (Live on Triple J 27.11.09)
06. Dancing In The Dark (Live on Triple J 27.11.09)
07. In For The Kill (Radio 1 Live Lounge 15.12.09)
08. Fader (Live on KROQ)
09. Love Lost (Live on KEXP 22.10.09)
10. Fools (Live on KEXP 22.10.09)
11. Sweet Disposition (Live on KEXP 22.10.09)
12. Need Your Love (Laura Leishman Project Le Mouv Session 26.04.12)
13. Trembling Hands (Live on Triple J 23.11.11)
14. Don't Fight It (Live on Triple J 23.11.11)
15. Need Your Love (No Ceremony Remix)


2016 | THICK AS THIEVES (Deluxe Edition)

01. Thick As Thieves
02. So Much Sky
03. Burn
04. Lost
05. Fall Together
06. Alive
07. Riverina
08. Summer’s Almost Gone
09. Tombstone
10. What If I’m Wrong
11. Ordinary World
12. Providence (Bonus Track)
13. On The Run (Bonus Track)
14. Closer (Bonus Track)


terça-feira, 12 de março de 2019

Stonefield Tramp


Rob van Spyk, Terry Friend y Brian Balster son los miembros fundadores de este trío de folk/rock ácido, que tiene un primer trabajo bajo el nombre de R. van Spyk & Friends en 1974, titulado R. van Spyk & Friends Follow The Sun. Tras ampliar la nómina del grupo con el bajista Chris Sutoris y el guitarra Dave Lloyd, publican este único LP en el mismo año.

Buscan una mezcla de sonido con raíz folk, pero con un acercamiento evidente al rock ácido, alternando temas más acústicos con otros más rockeros, unido a unas letras con frecuente contenido político, generalmente a cargo de Friend, aunque algunos temas son exclusivos de van Spyk.

Texto retirado do blog | Las Galletas de Maria

1974 | DREAMING AGAIN

01. Dreaming Again
02. Bitter World
03. Oh Mothers Tell Your Children
04. Jaded Jane
05. Social State Blues
06. Factory
07. Theme From Follow The Sun
08. Doing Things Naturally

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sábado, 9 de março de 2019

Slim Harpo


Slim Harpo (11 de janeiro de 1924 – 31 de janeiro de 1970) foi um músico de blues estadounidense e ficou conhecido como um dos mestres da harmônica do gênero. O nome "Slim Harpo" é derivado de "harp" que é um nome popular para harmônica.

Nascido James Moore em Lobdell, Louisiana, o irmão mais velho de uma família órfã, trabalhou como estivador e pedreiro no final dos anos 30 e começo dos 40. Começou a se apresentar os bares de Baton Rouge sob o nome Harmonica Slim e mais tarde acompanhado de seu cunhado Lightnin' Slim, tanto ao vivo como em estúdio.

Ganhou o nome Slim Harpo do produtor J.D. "Jay" Miller, começou sua carreira própria de gravações em 1957. Sua primeira gravação foi o single I'm a King Bee que mais tarde iria para Grammy Hall of Fame, no outro lado do disco estava I Got Love If You Want It.

Harpo gravou em Crowley, Louisiana pela Excello Records que era sediada em Nashville, Tennessee tendo lançado vários singles de R&B, incluindo o induzido ao Rock & Roll Hall of Fame Rainin' In My Heart (1961) e o número 1 nas paradas R&B da Billboard Baby Scratch My Back (1966). Nessas gravações ele estava acompanhado pelos músicos de suporte da Excello, entre eles Lazy Lester.

Bandas britânicas de rock como Rolling Stones, The Pretty Things, The Yardbirds, Pink Floyd e Them gravaram versões de suas músicas no começo de suas carreiras. Mais tarde, o riff da música de 1966 Shake Your Hips, que era uma derivação de Bring It To Jerome de Bo Diddley, foi usada pelo ZZ Top no hit La Grange e em 1972 os Rolling Stones gravaram uma versão da música no seu álbum Exile on Main St..

Harpo nunca foi um músico em tempo integral, na década de 60 teve seu próprio negócio com caminhões. Morreu após um ataque cardíaco aos 46 anos, e está enterrado no Mulatto Bend Cemetery em Port Allen, Louisiana.

Texto | Wikipédia

2003 | THE EXCELLO SINGLES ANTHOLOGY

CD 1

01. I'm a King Bee
02. I Got Love If You Want It
03. Wonderin' and Worryin'
04. Strange Love
05. You'll Be Sorry One Day
06. One More Day
07. Buzz Me Babe
08. Late Last Night
09. Blues Hangover
10. What a Dream
11. Don't Start Crying Now
12. Rainin' in My Heart
13. I Love the Life I'm Living
14. Buzzin'
15. I Need Money (Keep Your Alibis)
16. Little Queen Bee (Got a Brand New King)
17. Still Rainin' in My Heart
18. We're Two of a Kind
19. Sittin' Here Wondering
20. What's Goin' on Baby
21. Harpo's Blues
22. Please Don't Turn Me Down

CD 2

01. Baby Scratch My Back
02. I'm Gonna Miss You (Like the Devil)
03. Shake Your Hips
04. Midnight Blues
05. I'm Your Bread Maker Baby
06. Loving You (The Way I Do)
07. Tip on in, Part 1
08. Tip on in, Part 2
09. I'm Gonna Keep What I've Got
10. I've Got to Be With You Tonight
11. Te Ni Nee Ni Nu
12. Mailbox Blues
13. Mohair Sam
14. I Just Can't Leave You
15. That's Why I Love You
16. Just for You
17. Folsom Prison Blues
18. Mutual Friend
19. I've Got My Finger on Your Trigger
20. The Price Is Too High
21. Rainin' In My Heart
22. Jody Man

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quarta-feira, 6 de março de 2019

Fats Domino


Carismático, de personalidade agradável e sotaque acentuado, ‘Fats Domino’ é um importante cantor, compositor e pianista de rock e r&b. Considerado uma lenda do rock, é conhecido por seu estilo boogie-woogie ao piano e por hits como ‘Ain’t That a Shame’ e ‘Blueberry Hill’. Foi o afro-americano que mais vendeu na década de 50 e no começo dos anos 60 e seu sucesso foi o impulso para os artistas de Nova Orleans, Louisiana, onde nasceu, chegando a influenciar em lugares tão inesperados como a Jamaica. Antoine Dominique Domino nasceu em uma família grande, com vários músicos. Seu pai era um violinista e seu tio Harry foi trompetista de jazz. Com seis anos aprendeu a tocar piano e mais tarde começou a se apresentar publicamente acompanhado pelo baixista Billy Diamond, alternando com outros trabalhos: foi vendedor de sorvete e trabalhou em uma fábrica de colchões onde sofreu um acidente grave ao cair sobre uma pilha de colchões ferindo tanto as mãos que os médicos disseram que ele não poderia voltar a tocar mais piano. Fats não se resignou e após uma longa luta pela reabilitação, conseguiu voltar ao palco.

Foi descoberto em 1948 tocando em um clube onde cobrava três dólares por semana. Sua carreira começou em 1949 com o single ‘The Fat Man’, que ele escreveu com o produtor e co-roteirista Dave Bartholomew, e é considerado por alguns como a primeira gravação de rock and roll. Após esse êxito, lançou uma nova série de sucessos com Dave Bartholomew, o saxofonista Alvin ‘Red’ Tyler e o baterista Earl Palmer. Outros músicos notáveis fizeram parte da banda como os saxofonistas Reggie Houston, Lee Allen e Fred Kemp. Em 1955, finalmente Fats Domino atingiu o sucesso absoluto com ‘Ain’t That a Shame’. Seu primeiro álbum, ‘Carry On Rockin’ foi lançado em 1956 e em seguida uma série de singles sem precedentes, incluindo ‘Whole Lotta Loving’, ‘Blue Monday’ e uma versão funk da velha balada ‘Blueberry Hill’. Embora tenha permanecido ativo por décadas, Domino apenas fez um novo hit em 1968, uma versão de ‘Lady Madonna’, dos Beatles.

Na década de 80, cansado das viagens e tendo uma renda confortável Domino decidiu não deixar mais sua amada Nova Orleans. Como um artista famoso incluído no ‘Rock and Roll Hall of Fame’ em 1986, Domino vivia em um bairro operário e podia ser visto circulando com seu Cadillac rosa. Fazia aparições anuais no ‘New Orleans Jazz & Heritage Festival’ e outros eventos locais, demonstrando em todas as vezes que seu talento não tinha diminuído. Quando o furacão Katrina se aproximava de Nova Orleans em agosto de 2005, Fats Domino, então com 76 anos, decidiu permanecer na cidade com a sua família, devido ao estado precário de saúde de sua esposa. Após uma semana sem notícias, foi considerado desaparecido após a passagem do furacão que devastou a cidade, sua casa ficava localizada em uma área que foi atingida pela enchente. Mais tarde, Domino e esposa, foram resgatados pelos bombeiros e transferidos para o abrigo em Baton Rouge. Sua filha, Karen Domino White, que vive em Nova Jersey, identificou o pai numa foto de resgate tirada por uma agência de notícias. Sua casa foi recuperada depois de saqueada durante a ausência e de seus 21 discos de ouro, apenas três foram deixados.

Texto retirado do blog | Pintando Música

1993 | OUT OF NEW ORLEANS

CD 1
01. Detroit City Blues
02. The Fat Man
03. Hide Away Blues
04. She’s My Baby
05. Brand New Baby
06. Little Bee
07. Boogie Woogie Baby
08. Hey! La Bas Boogie
09. Korea Blues
10. Every Night About This Time (version 1)
11. Careless Love
12. Hey! Fat Man
13. Tired Of Crying (Master)
14. Tired Of Crying (Alternate)
15. What’s The Matter Baby
16. I’ve Got Eyes For You
17. Stay Away
18. Don’t You Lie To Me
19. My Baby’s Gone
20. Rockin’ Chair
21. Sometimes I Wonder
22. Right From Wrong
23. You Know I Miss You
24. I’ll Be Gone
25. No, No Baby
26. Reeling And Rocking
27. Goin’ Home (1. Version)
28. The Fat Man’s Hop (Instrumental)
29. How Long (Master)
30. How Long (Alternate)

CD 2
01. Long Lonesome Journey (Master)
02. Long Lonesome Journey (Alternate)
03. Poor Poor Me (Master)
04. Poor Poor Me (Alternate)
05. Trust In Me
06. Cheatin’
07. Mardi Gras In New Orleans
08. I Guess I’ll Be On My Way
09. No Body Loves Me
10. Dreaming (Instrumental)
11. Going To The River
12. I Love Her
13. Second Line Jump (Instrumental)
14. Goodbye
15. Swanee River Hop (Instrumental)
16. Rose Mary (1. version)
17. Please Don’t Leave Me
18. Domino Stomp (Instrumental)
19. You Said You Love Me
20. Rose Mary (2. Version)
21. Fats Domino Blues (Instrumental)
22. Ain’t It Good
23. The Girl I Love
24. Don’t Leave Me This Way
25. Something’s Wrong
26. Fat’s Frenzy (Instrumental)

CD 3
01. Goin’ Back Home
02. You Left Me (Master)
03. You Left Me (Alternate)
04. ’44’
05. Barrel House (Instrumental)
06. Little School Girl
07. If You Need Me
08. You Done Me Wrong
09. Thinking Of You
10. Baby Please
11. Where Did You Stay
12. You Can Pack Your Suitcase
13. I Lived My Life
14. Little Mama
15. I Know
16. Love Me
17. Don’t You Hear Me Calling You
18. Don’t You Know
19. Helping Hand
20. Help Me
21. All By Myself
22. Ain’t That a Shame
23. Oh Ba-A-By
24. La-La
25. Blue Monday
26. Troubles Of My Own
27. What’s Wrong
28. Poor Me

CD 4
01. I Can’t Go On
02. I’m In Love Again
03. Bo Weevil (Complete)
04. Don’t Blame It On Me
05. Howdy Podner
06. So Long
07. I Can’t Go On This Way (Undubbed)
08. My Blue Heaven
09. Don’t Know What’s Wrong
10. Ida Jane
11. When My Dreamboat Comes Home
12. What’s The Reason I’m Not Pleasi…
13. The Twist Set Me Free
14. Blueberry Hill
15. Honey Chile
16. I’m Walkin’
17. What Will I Tell My Heart
18. I’m In The Mood For Love
19. Would You
20. My Happiness
21. Don’t Deceive Me
22. The Rooster Song
23. Telling Lies
24. As Time Goes By (Instrumental)
25. Town Talk (Instrumental)
26. Twistin’ The Spots (Instrumental)
27. It’s You I Love
28. Valley Of Tears (Undubbed)
29. Valley Of Tears (Master)
30. Wait And See 31. True Confession

CD 5
01. Sailor Boy
02. It Must Be Love
03. The Big Beat
04. Little Mary
05. Stack & Bill
06. When I See You
07. Oh Whee
08. I Still Love You
09. My Love For Her
10. I Want You To Know
11. Yes, My Darling
12. Don’t You Know I Love You
13. Sick And Tired
14. No, No
15. Prisoner’s Song
16. One Of These Days
17. I’ll Be Glad When Your’re Dead, You Rascal You
18. Young School Girl
19. I’m Gonna Be A Wheel Someday
20. How Can I Be Happy
21. Lazy Woman
22. Isle Of Capri
23. Coquette
24. Once In A While
25. The Sheik Of Araby (version 1)

CD 6
01. Whole Lotta Loving
02. I Miss You So
03. Margie (version 1)
04. I’ll Always Be In Love With You
05. If You Need Me
06. Hands Across The Table
07. So Glad
08. Darktown Strutter’s Ball
09. Margie (version 2)
10. The Sheik Of Araby (version 2)
11. My Heart Is Bleeding
12. I Hear You Knocking
13. Lil’ Liza Jane
14. Every Night (version 2)
15. When The Saints Go Marching In
16. Country Boy 17.
I’m Ready (Undubbed)
18. I’m Ready (Master)
19. I Want To Walk You Home
20. When I Was Young (Undubbed)
21. When I Was Young (Master)
22. Easter Parade 23. I’ve Been Around

CD 7
01. Be My Guest
02. Tell Me That You Love Me
03. Before I Grow To Old
04. Walking To New Orleans (Undubbed)
05. Walking To New Orleans (Master)
06. Don’t Come Knockin’ (Undubbed)
07. Don’t Come Knockin’ (Master)
08. La La
09. Put Your Arms Around Me Honey
10. Three Nights A Week
11. Shu Rah
12. Rising Sun
13. My Girl Josephine
14. You Always Hurt The One You Love…
15. Magic Isles
16. Natural Born Lover (Complete)
17. Am I Blue
18. It’s The Talk Of The Town
19. It Keeps Rainin’
20. What A Price
21. Ain’t That Just Like A Woman
22. Fell In Love On Monday (Undubbed)
23. Fell In Love On Monday (Master)
24. Trouble In MInd
25. Hold Hands
26. Bad Luck And Trouble
27. I’ve Been Calling
28. I Just Cry
29. Ain’t Gonna Do It

CD 8
01. Won’t You Come On Back
02. I Can’t Give You Anything But Love
03. I’m Alone Because I Love You
04. Good Hearted Man
05. In A Shanty In Old Shanty Town
06. Along The Navajo Trail
07. One Night
08. Let The Four Winds Blow (version 1)
09. Trouble Blues
10. You Win Again
11. Your Cheatin’ Heart
12. Let The Four Winds Blow (Master)
13. Let The Four Winds Blow (Alternate)
14. What A Party
15. Rockin’ Bicycle
16. Did You Ever Seen A Dream Walking
17. Birds And Bees
18. Wishing Ring
19. Jambalaya (On The Bayou)
20. Do You Know What I Means To Miss New Orleans
21. South Of The Border
22. Teen Age Love
23. Stop The Clock
24. Goin’ Home (version 2)
25. My Real Name
26. Hum Diddy Doo
27. Those Eyes
28. I Want To Go Home
29. Dance With Mr. Domino
30. Nothing New (Just The Same Old Thing)

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domingo, 3 de março de 2019

Terence Trent D’Arby


TERENCE TRENT D’ARBY E O VERÃO DA LATA FALSA DO RECIFE

Por volta de 20 de setembro de 1987, o navio panamenho Solana Star, que trazia um carregamento de 22 toneladas de maconha, teve sua carga, ou parte dela, despejada no mar na costa fluminense. A tripulação desconfiou que tava sendo vigiada pela polícia. No dia 27, deram na praia as primeiras latas contendo, em média, quilo e meio da erva maldita.

O verão do Rio naquele ano passou à história da curtição nacional como o “Da Lata”. Devido à boa qualidade do produto, “Da lata” entrou para a gíria carioca, como sinônimo de coisa legal, maneira. Foi cantada por Fernanda Abreu, virou documentário, livro, marchinha de carnaval do bloco Suvaco do Cristo (de que Lenine era compositor), o escambau.

A lata é hoje mais lembrada do que o cantor de soul americano Terence Trent d’Arby que, em 1987, emplacou um megasucesso internacional, daquele que tocam o tempo inteiro no rádio, Wishing well, o título. Com esta música, ele entrou para o time dos “one hit wonder”, ou “cantor de um sucesso só”. Wishing well ainda é tocada em FMs cuja programação alimenta a nostalgia de coroas.

No Recife, poucos ainda lembram, mas Terence Trent D’Arby foi involuntariamente responsável pelo verão “fake” da lata recifense.O LP e cassete Introducing the Hardline according to Terence Trent D’Arby foi lançado pela CBS (atual Sony Music), mais ou menos na mesma época em que a carga do Solana Star foi despejada no Oceano Atlântico, para gáudio de banhistas cariocas. Com Wishing well começando a estourar no Brasil, o pessoal de marketing da gravadora quis pegar uma onda na onda alheia.

Alguns dias depois que as disputadas latas apareceram nas costas do Rio, latas semelhantes surgiram na praia de Boa Viagem, ali pelo Acaiaca e adjacências. A notícia espalhou-se e foi o maior buruçu. Naquela época, vale lembrar , os tubarões baixavam em outra sessão, portanto não havia perigo em se aventurar nas águas de Boa Viagem. Porém, pelo conteúdo que se supunha haver nas latas, mesmo com tubarão, o pessoal teria se arriscado.

Imaginem o rolo. Caiu todo mundo no mar, numa espécie de caça ao tesouro. Muitos voltaram, com um sorriso radiante, abraçado à sua lata (uma senhora lata por sinal). A confusão atraiu polícia. Donos de lata foram pegos pelos homi. Mas não deu processo, só gargalhadas e frustrações.

Não havia nenhum gênio da fumaça dentro da lata, e sim um inocente cassete do disco Introducing the hardline according to Terence Trent D’Arby, e um release (um texto sobre o cantor). Os responsáveis pelo Verão da frustração do Recife foram os então divulgadores da CBS, Fernando (deu um branco no sobrenome) e Marquinhos Rosati. A dupla adentrou o mar verde e bravio num barco a motor, alugado a um cara que ficou meio cismado com a carga que eles levavam, e que foi despejada à altura do point mais badalado de Boa Viagem.Terence Trent D’Arby, um bom cantor, nunca mais fez sucesso. Nem por este nome atende mais. Virou budista e chama-se agora Sananda Maitreya, continua a gravar discos, que poucos escutam. Faz agora parte de um passado remoto, feito o verão da lata falsa e frustrante em Boa Viagem, no idos de 1987.

Coda: Fui um dos possuidores de um exemplar desta lata inglória. Ainda tenho o cassete, a lata enferrujou e foi avoada fora.

Texto | José Teles

1987 | INTRODUCING THE HARDLINE ACCORDING TO

01. If You All Get To Heaven
02. If You Let Me Stay
03. Wishing Well
04. I’ll Never Turn My Back On You (Father’s Words)
05. Dance Little Sister
06. Seven More Days
07. Let’s Go Forward
08. Rain
09. Sign Your Name
10. As Yet Untitled
11. Who’s Lovin’ You

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Inocentes


Se for realizada uma enquete com 20 discos para entender São Paulo, reclame se não tiver Pânico em SP na lista. Esse disco tem apenas 6 faixas e causou controvérsias no ano de seu lançamento, já que foi o primeiro do punk nacional lançado por uma grande gravadora multinacional – a Warner.

O contato do grupo Inocentes com a gravadora surgiu quando Branco Mello (Titãs) levou uma fita demo com faixas de Miséria e Fome, o primeiro registro deles (que, das 14 faixas, teve 10 delas censuradas). Com isso, muitos fãs da banda afirmaram que eles teriam se vendido, mas o conteúdo pesado do disco nega qualquer influência externa de executivos.

Do EP anterior, os Inocentes gravaram novamente “Salvem El Salvador”, levado em uma pegada ska, mas que ganhou uma versão ainda mais agressiva com as linhas de guitarra aceleradas por Clemente Nascimento, que antes tocava com o também pioneiro no punk Restos de Nada.

Além de Clemente, completava a banda naquela época o guitarrista Ronaldo Passos (que toca com o grupo até hoje), o baixista André Parlato e o baterista Tonhão Parlato.

As influências claras do som da banda paulistana são New York Dolls, MC5 e Ramones. Funciona mais ou menos como um passeio de Dee Dee Ramone nos lugares mais periféricos da cidade. E aí, vale lembrar que na década de 1980 a cidade ainda estava longe de se tornar desenvolvida. Corrupção e negligência do governo instauraram o caos, dando voz para a música de artistas que precisavam expelir sua fúria de alguma forma. O rap florescia, o rock estava ganhando uma roupagem forte – e a cidade de São Paulo era alvo de críticas por todos os lados no campo artístico.

Pânico em SP é um clássico porque além de contextualizar o que rolava na cidade, mostra fatos inegáveis de personagens metropolitanos. “Rotina” vocifera a impossibilidade de manter um padrão de vida tedioso, com trabalho insuportável, filhos, família e a TV, que diz “o que fazer”. É uma crítica direta ao establishment, mas não se esconde a idiossincrasia: que outra visão de família e estabilidade teria um grupo de punks em início de carreira? Só que, sem cair no erro de achar que é uma opinião massiva de jovens, o ataque direto é contra a vontade da população de mudar alguma coisa, já que o país (tampouco São Paulo) não vivia seus melhores momentos econômicos.

“Não importa o que façam”, diz Clemente em “Não Acordem a Cidade”, que fala do alastramento e da facilidade de conseguir drogas em qualquer canto da cidade: “Em cada esquina que você passar/Em cada beco que você olhar/Não se espante/Eles vão estar lá”. Isso acontece até hoje, com a diferença de que a repressão parece ser um pouco menor. Ou, pelo menos, é a impressão que fica com as aparências.

Para fechar, a faixa-título que, até hoje, é considerada um dos maiores clássicos do punk nacional. A linha instrumental que inicia a música é pulsante e muito bem construída, o que remonta ao primeiro disco do The Clash. Os Inocentes disparam críticas aos meios de comunicação, força policial e governantes que, juntos, formam o aparato essencial para o declínio de uma cidade acinzentada pelo espectro do pânico. “Mas o que eles não sabiam/Aliás o que ninguém sabia/Era o que estava acontecendo/Ou o que realmente acontecia”, canta Clemente em “Pânico em SP”, dizendo o que acontecia com boa parte dos cidadãos paulistanos.

Clássico absoluto, Pânico em SP é uma obra bem maior do que seus 18 minutos de duração. Ainda hoje, 26 anos depois de seu lançamento, permanece essencial para contextualizar a maior metrópole brasileira.

Texto | Tiago Ferreira

1986 | PÂNICO EM SP

01. Rotina
02. Ele Disse Não
03. Não Acordem a Cidade
04. El Salvador
05. Expresso Oriente
06 Pânico em SP



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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Neu!


Neu! (alemão: "Novo") foi uma banda alemã de rock, um dos maiores expoentes do Krautrock. Foi formada em 1971, em Düsseldorf, por Michael Rother e Klaus Dinger após os dois terem participado da banda alemã Kraftwerk. A história dos Neu! é feita de separações e reuniões, álbum após álbum. O último trabalho gravado foi Neu! 4, durante a década de 1980, mas apenas em 1996 o álbum foi editado. Apesar de pouco sucesso comercial, a banda é creditada como influência por diversos grupos de artistas, como PiL, Joy Division, New Order, David Bowie, Stereolab, Gary Numan, Ultravox e Simple Minds.

O Neu! foi formado em 1971 em Düsseldorf como uma variação de uma das formações de outra banda de krautrock, Kraftwerk, cujos primeiros trabalhos também foram produzidos por Conny Plank.

O baterista Klaus Dinger reuniu-se ao Kraftwerk durante as sessões de gravação do álbum debut. O guitarrista Michael Rother foi então recrutado para a banda para o término do álbum. O fundador do Kraftwerk Ralf Hütter deixou a banda nesse momento, e por seis meses a banda consistia de Rother, Dinger e Florian Schneider, uma formação que apresentava-se esporadicamente e que realizava aparições na televisão no programa alemão Beat Club.

O primeiro e homônimo álbum foi lançado em 1972 e vendeu pouco, mas atualmente é citado por diversos artistas como uma referência. Já o segundo álbum Neu! 2 apresenta alguns dos primeiros exemplos de remixes. Empolgados para gravar outro álbum, os integrantes decidiram comprar diversos instrumentos musicais. Com o capital investido pela gravadora eles puderam gravar somente metade do material para um álbum. A empresa não queria aumentar a verba pois as vendas do primeiro álbum não haviam sido boas. Para preencher a falta de material, a banda compôs o segundo lado do álbum com versões manipuladas de seu compacto já lançado, "Neuschnee"/"Super". A canção "Super 16," tornou-se tema do filme de artes marciais de 1976 Master of the Flying Guillotine, de Jimmy Wang Yu. O filme foi posteriormente referenciado por Quentin Tarantino em Kill Bill, também apresentando a canção.

Dinger e Rother eram muito diferentes quando não criavam material juntos, o que influenciou o próximo álbum do grupo, Neu! '75. Um dos lados continha produções de Rother influenciadas pela música ambiente, enquanto segundo tornou-se posteriormente uma influência para a cena punk rock britânica. A banda terminou após o lançamento desse álbum.

Entre outubro de 1985 e abril de 1986, Dinger e Rother voltaram e tentaram adicionar mais sintetizadores e um aspecto mais comercial às canções. Conny Plank faleceu em 1987. Dinger e Rother não trabalharam juntos até a década de 1990, existindo certa acidez entre os dois, parcialmente devido ao lançamento de Dinger de material do Neu! sem conhecimento ou consentimento de Rother, através da Captain Trip Records. No final de 1995 essa gravadora lançou as sessões de gravação de Neu! 4, entre 1985 e 1986. Também lnaçou Neu! '72 Live in Dusseldorf (gravado em 6 de maio de 1972).

Um álbum de tributo ao Neu! foi lançado em 1999, A Homage to Neu!, contando com versões executadas por artistas como Legendary Pink Dots, Download, Autechre, Dead Voices On Air, Khan, Sunroof, System 7 e James Plotkin.

Os direitos do catálogo da banda são conjuntos de Rother, Dinger e Christa Fast, esta, viúva de Plank. Entretanto, por muito anos existiu desentendimento entre Rother e Dinger no licenciamento para tornar a música da banda disponível em CD. A situação foi resolvida em 2001, quando a dupla entrou em estúdio para transferir os álbuns clássicos da banda para CD. A obra foi lançada pela Grönland Records no Reino Unido.

Texto | Wikipédia

1972 | NEU!

01. Hallogallo
02. Sonderangebot
03. Weissensee
04. Jahresübersicht (Part 1): Im Glück
05. Jahresübersicht (Part 2): Negativland
06. Jahresübersicht (Part 3): Lieber Honig

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1973 | NEU 2!

01. Für Immer (Forever)
02. Spitzenqualität
03. Gedenkminute (Für A+K)
04. Lila Engel (Lilac Angel)
05. Neuschnee 78
06. Super 16
07. Neuschnee
08. Cassetto
09. Super 78
10. Hallo Excentrico!
11. Super

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1975 | NEU '75!

01. Isi
02. Seeland
03. Leb' Wohl
04. Hero
05. E-Musik
06. After Eight



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1975 | NEU 4

01. Nazionale
02. Crazy
03. Flying Dutchman
04. Schöne Welle (Nice Wave)
05. Wave Naturelle
06. Good Life (Random. Rough)
07. 86 Commercial Trash
08. Fly Dutch II
09. Dänzing
10. Quick Wave Machinelle
11. Bush. Drum
12. La Bomba (Stop Aparthijd World-Wide!)
13. Good Life
14. Elanoizan

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1996 | NEU '72 LIVE! IN DÜSSELDORF

01. 6 May 72 (Part 1)
02. Silence
03. 6 May 72 (Part 2)






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2010 | NEU '86

01. Intro (Haydn Slo-Mo)
02. Dänzing
03. Crazy
04. Drive (Grundfunken)
05. La Bomba (Stop Apartheid World-Wide!)
06. Elanoizan
07. Wave Mother
08. Paradise Walk
09. Euphoria
10. Vier 1/2
11. Good Life
12. November
13. KD

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2010 | NEU VINYL BOX

LP1 | NEU!
1. Hallogallo
2. Sonderangebot
3. Weissensee
4. Im Glück
5. Negativland
6. Lieber Honig

LP2 | NEU! 2
1. Für Immer
2. Spitzenqualität
3. Gedenkminute
4. Lila Engel
5. Neuschnee 78
6. Super 16
7. Neuschnee
8. Cassetto
9. Super 78
10. Hallo Excentrico!
11. Super

LP3 | NEU! '75
1. Isi
2. Seeland
3. Leb Wohl
4. Hero
5. E-Musik
6. After Eight

LP 4 | NEU! '86
1. Intro
2. Dänzing
3. Crazy
4. Drive (Grundfunken)
5. La Bomba (Stop Apartheid World-Wide)
6. Elanoizan
7. Wave Mother
8. Paradise Walk
9. Euphoria
10. Vier ½
11. Good Life
12. November
13. KD

NEU! ‘72 Non-Public Test
1. 6 May 72 [Part 1]
2. 6 May 72 [Part 2]
3. 6 May 72 [Part 3]

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Voluntários da Pátria


O quinteto paulistano Voluntários da Pátria foi a primeira banda brasileira com uma proposta estética e sonora representante do pós-punk. Formado em São Paulo/SP em 1982 por Nasi (vocais), Thomas Pappon (bateria), Ricardo Gaspa (baixo) e os guitarristas Miguel Barella e Giuseppe Frippi, deixaram apenas um registro, este LP de 8 canções em 24 minutos.

Apesar da curta trajetória da banda, que logo daria espaço a projetos individuais e novas bandas, Nasi e Gaspa se dedicariam ao Ira!, Thomas montou o Fellini e o Smack, Miguel e Giuseppe com o Alvos Móveis, o Voluntários da Pátria teve uma boa repercussão na capital e foi banda precursora no estilo, tendo se apresentado em todos os palcos do underground paulistano, tais como Carbono 14, Madama Satã, Napalm e Lira Paulistana.

O Lado A abre com uma canção de título provocativo "O homem que eu amo", segue com o "Iô-iô" de versos niilistas e sarcásticos, como "Meu iô-iô não quer subir/Vou reclamar na coca-cola". "Cadê o socialismo?" foi uma boa provocação para aqueles anos de abertura política,não é por acaso que a canção fora interditada para execução pública. O disco ainda traz as instrumentais "Marcha" e "Nazi über alles". "Verdades e mentiras" tem a cara do pós-punk paulistano, umas das melhores do disco.

O Voluntários da Pátria tentou algumas voltas durante a década de 80, com outras formações que reuniram mais uma turma de figuras conhecidas do rock paulistano, tais como Sandra Coutinho (Mercenárias), Guilherme Isnard (Zero), Edson X (Gueto), Maurício (Ultraje a Rigor) Kuki Stolarski e Akira S.

Texto | Wikipédia

1984 | VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA

Lado A

01. O Homem que eu Amo
02. Iô Iô
03. Um, Dois, Três, Eu te amo
04. Nazi Über Alles

Lado B

01. Marchas
02. Verdades e Mentiras
03. Cadê o Socialismo
04. Terra Devastada

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Cabine C


Uma joia rara do Post Punk nacional. Adorado pelos darks de ontem, pelos góticos de hoje e pelos mais atentos apreciadores do Post Punk brasileiro, o Cabine C é considerado um dos grandes nomes do chamado "dark nacional" e, na minha humilde opinião, um dos pioneiros do Gótico Sul-Americano.

Ciro Pessoa - o criador do Cabine C - foi um também um dos fundadores do Titãs, grupo no qual permaneceu até momentos antes de seu primeiro lançamento oficial, em 1984. São dele algumas composições clássicas do grupo, como Sonífera Ilha e Homem Primata. Ciro decidiu sair do Titãs pois não gostava dos rumos "Tropicalistas" e "Reggae" que a banda estava seguindo. Sua intenção era criar um grupo mais "Rock".

A formação inicial contava com a esposa de Ciro, Wania Forghieri (teclados), Edgard Scandurra (guitarra), Charles Gavin (bateria) e Ricardo Gaspa (baixo), que havia substituído Sandra Coutinho - que passaria a se dedicar unicamente ao grupo Mercenárias. Essa formação chegou a gravar uma demotape, apresentando uma sonoridade Post Punk mas com fortes acentos Pop. É um item raríssimo, com faixas nunca lançadas oficialmente como "O Lado Bom da Bomba", "Inundação de Amor" (depois regravada pelo Ira) e "Fim de Serafim" (poema musicado de Oswald de Andrade). Com músicos de reconhecido talento, o grupo fez alguns shows considerados inesquecíveis em São Paulo, ganhando certa notoriedade no circuito alternativo.

O problema era que Scandurra também tocava no Ira, uma banda que estava explodindo no cenário comercial. Sendo assim, provavelmente sofrendo alguma pressão, ele abandonou a "aventura underground" do Cabine C. Gaspa também saiu do grupo, também convidado a tocar no Ira. E Charles foi pro Titãs.

Após esse baque, o Cabine C ficou um bom tempo inativo, buscando uma reformulação. Mas após um longo hiato, a banda renasceu das cinzas com sua formação definitiva: Ciro Pessoa (voz e guitarra), Wania Forghieri (teclados) e as novas integrantes Anna Ruth (baixo) e Marinella 7 (bateria). E o Post Punk do grupo assumiu de vez sua identidade: Sombrio, em algum lugar entre o desespero e a delicadeza.

Ciro se inspirava em poetas como Edgar Allan Poe, Baudelaire e Arthur Rimbaud, para produzir uma poesia existencialista e desoladora, flertando com um certo niilismo. A sonoridade do grupo remetia a nomes como Siouxsie & The Banshees, X-Mal Deutschland, Cocteau Twins e a Coldwave francesa, mas com uma alma própria. Esses ingredientes, é claro, agradaram em cheio os darks da época e a banda logo ganhou essa "tag" - que, como tantos outros, procuraram evitar.

Não demorou e o grupo ganhou muitos admiradores, tornando-se um dos favoritos dos porões paulistanos. Dessa forma, surgiu o convite da recém criada gravadora RPM Discos (idealizada pelo popular grupo RPM) para finalmente lançar um álbum do Cabine C. Refletindo sobre a tensão de entrar no circuito comercial, Ciro disse para a Bizz: "Vamos ser jogados aos leões, não sabemos se vamos domá-los ou ser comidos".

O nome do grupo (que remetia a cabine de um navio) e a variedade das canções, que pareciam aportar em vários locais, deram até um ar temático ao álbum. "(O disco) percorre um roteiro. Passa pelo Oriente Médio na música que dá título ao LP; Buenos Aires no tango Lapso de Tempo; ou Japão através de Jardim das Gueixas." - disse Ciro Pessoa para a Bizz. Do outro lado, haviam as fortes referências literárias presentes em todo repertório (Edgar Allan Poe e sobretudo a literatura existencialista), resultando em uma obra marcante.


O disco abre com Pânico e Solidão, inspirada no livro "As aventuras de Arthur Gordon Pym", de Edgar Allan Poe. A letra, que também pode ser interpretada como uma metáfora da inevitável decadência humana, é um resumo do espírito do disco e combina perfeitamente com a melodia rasgante e fúnebre.
Em seguida, a minimalista Lapso de Tempo - influenciada pela marcação rítmica do Tango - segue a viagem rumo ao abismo, não perdoa e evoca o memento mori: "O tempo está passando".

Na sufocante Anos, em algum lugar entre X-Mal Deutschland e a Coldwave, sob gritos e ruídos, Ciro, Wania e Anna repetem uma unica frase, a atemporal e inevitável reflexão: "O que eu tenho feito todos esses anos?".

O clima desesperador dá uma trégua com a suave e paradisíaca Jardim das Gueixas. Essa faixa conta com a participação de Akira S (Akira S & As Garotas que Erraram) no Stick, um estranho instrumento de cordas tocado por ambas as mãos. O timbre misterioso confere um clima oriental onírico à canção e quase chega a soar como o Shamisen (espécie de bandolim típico japonês).

O lado A do álbum fecha com a faixa instrumental A Queda do Solar de Usher, baseada no conto homônimo de Edgar Allan Poe. Teclados lúgubres, guitarras ecoantes e a voz lírica de Marinella enaltecem o clima fantasmagórico do som.

O Lado B do disco abre com a potente Lágrimas, uma cativante e enigmática canção de amor. Na sequência, a instrumental Opus 2, transbordando melancolia em um ritmo cadenciado.

A impecável Tão Perto, é tão contagiante que se torna impossível não cantar junto alguns trechos desse relato ambíguo sobre o amor e a vida. Enérgica e dançante é também presença constante nas pistas que conseguem manter um olhar vivo sobre a produção dark nacional. Um dos destaques do álbum, foi também a unica que conseguiu um relançamento. Em 2005, foi remasterizada para a coletânea inglesa de Post-Punk: “The Sexual Life of the Savages”.

A quase valsa Soldadas, é a canção mais crítica do álbum. Mas vai além de um discurso antibélico. Afinal: "A gerra somos nós dois / A guerra são eles três / A guerra está no falar / A guerra não se acaba". Já a existencialista Neste Deserto - outro grande destaque - tem um clima desolador que nos remete a uma viagem solitária em paisagens áridas. Aqui, a sonoridade Coldwave e gótica é levada aos últimos limites, casando com a poesia inspiradamente niilista de Ciro: "Sei que te amo / Mas isso é pouco / Pode ser tudo / Mas tudo é nada". Pois é, nem o amor salva na dura viagem do Cabine C. E o encerramento primoroso se dá com o instrumental delicioso de Fósforos de Oxford, de sabor árabe e lembrando momentos de Dead Can Dance.

O álbum, no geral, foi muito bem recebido pela crítica. O Post Punk sombrio e melancólico do grupo agradava principalmente porque soava autentico e se diferenciava das outras bandas do mercado.

O fato é que o disco não vendeu como o esperado. Cerca de oito mil cópias foram vendidas, pouco para o alto investimento da incipiente gravadora que alçava vôos mais altos. Mas é importante observar que essas marcas foram alcançadas sem uma distribuição eficaz e sem nenhum esquema de divulgação, em um dos casos mais emblemáticos da industria fonográfica brasileira. A RPM Discos foi a falência logo apos essa presepada, gerando uma longa disputa judicial entre seus representantes e Ciro. Esse estresse acabou afetando o Cabine C, que também devido conflitos internos, começou a se desfazer. Marinella e Anna Ruth, deixaram o grupo. Dois argentinos chegaram a substituí-las por um tempo e Ciro se esforçava para lançar algum material novo. Quatro novas músicas chegaram a ser gravadas: "Acidentes", "Sábio Chinês", "Cotonetes Desconexos" e "Nossas Cabeças são Nossos Erros". Mas o segundo disco nunca saiu do papel.

Em uma entrevista, Ciro desabafou: "A verdade é que foi ficando cada vez mais difícil fazer shows, sobreviver. Tudo se concentrava no Rio de Janeiro e lá se você não é do samba você é estrangeiro. E como a cultura carioca dominava (domina) a cidade de São Paulo, nem aqui éramos considerados brasileiros. Fomos nos cansando desta história ridícula, limitada e preconceituosa que é a música no Brasil e nossa resistência no underground foi chegando ao fim."

Com o fim do Cabine C, Ciro ainda se viu envolto em problemas com drogas, o que o fez se afastar da música por um tempo. Manteve carreira de escritor, escrevendo em diversas revistas e, anos mais tarde, seguiu carreira solo, onde tem dois álbum lançados: "No meio da chuva eu grito Help" (2003) e "Em Dia com a Rebeldia" (2010), ambos distantes da sonoridade do Cabine C, mas bons álbuns de Rock em meio ao marasmo musical da música comercial brasileira.

Texto retirado do blog | Goth Songs

1986 | FÓSFOROS DE OXFORD

01. Pânico e Solidão
02. Lapso de Tempo
03. Anos
04. Jardim das Gueixas
05. A queda do Solar de Usher
06. Lágrimas
07. Opus 2
08. Tão perto
09. Soldadas
10. Neste Deserto
11. Fósforos de Oxford

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sábado, 16 de fevereiro de 2019

As Mercenárias


As Mercenárias é um grupo de punk rock brasileiro que surgiu no início dos anos 80, com as integrantes Sandra Coutinho (baixo), Rosália (vocal) e Ana Machado (guitarra) e a adição de Edgard Scandurra, sendo que este sairia tempos depois dando lugar a baterista Lou. O grupo tem influências de bandas inglesas como Siouxsie and the Banshees, Joy Division, The Slits e Sex Pistols. Depois de um hiato musical (resultado de sua dispensa da gravadora EMI sem aviso prévio), o grupo está na ativa, com a integrante da formação original Sandra Coutinho mais as novas integrantes Silvia Tape (guitarra e back vocal) e Michelle Abu (bateria e back vocal).

Em 1982, na cidade de São Paulo, as então estudantes Sandra Coutinho (baixo), Rosália (vocal) e Ana Machado (guitarra) resolveram formar o grupo, entrando na onda do punk que estava gerando bandas reconhecidas no estado, como Inocentes e Ratos de Porão. Edgard Scandurra foi o primeiro baterista do grupo, mas por conta das diversas bandas que tocava (como o Smack e o futuro Ultraje a Rigor e Ira!), ele saiu e no seu lugar entrou a baterista Lou. Em 1986 foi lançado, após muita insistência, o primeiro LP do grupo, Cadê as Armas?. O disco foi bem recebido na época e a fama do grupo começava a crescer, tendo algumas apresentações gravadas para programas de TV (numa dessas apresentações, no programa Fábrica do Som da TV Cultura, está Scandurra, tocando com o grupo as músicas "Polícia" e "Me Perco"). O debut foi lançado pela loja Baratos Afins, velha conhecida da cena punk paulista e que já tinha outros materiais lançados na época. Faixas como "Me Perco" e "Polícia" são os destaques do álbum, além da faixa "Pânico", que deu origem ao único videoclipe da banda.

A partir do primeiro álbum, as Mercenárias começam a chamar a atenção de grandes gravadoras, que estavam interessados na música e na presença de palco delas. Por isso, em 1988, foi gravado o segundo álbum do grupo, Trashland, lançado pela EMI. O disco foi um sucesso de público e de crítica, sendo eleito inclusive como o "álbum do ano" pela Revista Bizz. No entanto, a gravadora não fez a divulgação necessária e, para piorar, dispensou o grupo por meio de um telegrama, não dando muitas explicações para tal ato. Logo depois, a banda estava acabada. Rosália, Ana e Lou abandonaram a carreira musical e Sandra resolve morar em Berlim, trabalhando na cena alternativa local.

Em 2005, Sandra Coutinho volta ao Brasil depois de anos morando na Alemanha e decide remontar o grupo junto com a vocalista Rosália, incluindo duas novas integrantes: Geórgia Branco e Pitchu Ferraz. No mesmo ano, é lançado no exterior o CD O Começo do Fim do Mundo (Beginning of the End of the World: Brasilian Post-Punk 1982-85), coletânea com músicas dos dois discos da banda[2]. Pouco tempo depois Rosália sai do grupo, com Sandra assumindo os vocais. Em 2012, em comemoração as 30 anos do grupo, é feito um show no Centro Cultural da Juventude - CCJ com a participação dos músicos Edgard Scandurra, Naná Rizzini, Karina Buhr, Maria Alcina, Clemente Nascimento (Inocentes) e Michelle Abur[3]. Segundo Sandra, há planos para um lançamento para um novo disco com a nova formação. Em 2015, é lançado, internacionalmente, em vinil, a primeira demo tape da banda, pela Nada Nada discos e Dama da Noite.

Texto | Wikipédia

1986 | CADÊ AS ARMAS?

01. Me Perco Nesse Tempo
02. Policia
03. Imagem
04. Inimigo
05. Pânico
06. Amor Inimigo
07. Loucos Sentimentos
08. Labirintos
09. Alem Acima
10. Santa Igreja
11. Lembranças
12. HáDez Anos Passados
13. Somos Milhões

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1988 | TRASHLAND

01. Lembranças
02. Há Dez Anos Passados
03. Somos Milhões
04. Tempo Sem História
05. Ação na Cidade
06. Matinê
07. Mesmas Leis
08. Cadê as Armas?
09. Provérbios do Inferno
10. Kyrie
11. Angelus
12. Trashland

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2005 | O COMEÇO DO FIM DO MUNDO

01. Me Perco
02. Policia
03. Imagem
04. Inimigo
05. Pânico
06. Amor Inimigo
07. Loucos Sentimentos
08. Labirintos
09. Além Acima
10. Santa Igreja
11. Lembranças
12. Há Dez Anos Passados
13. Somos Milhões
14. Ação na Cidade
15. Kyrie
16. Trashland
17. Honra
18. Nada de
19. Dá Dó
20. Oh Oh

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20115 | DEMO 1983 7"

01. Mercenárias
02. Trashland
03. Meus Pais
04. Polícia
05. Honra
06. Dá Dó
07. Vietinã
08. Ó

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